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Adolescentes, TikTok e redes sociais: como os pais podem ajudar no equilíbrio saudável entre o limite e a diversão

Você provavelmente ouviu falar no TikTok, a rede social que só cresce e se populariza entre todas as faixas etárias, mas principalmente entre adolescentes. Foi lá que começaram as dancinhas que se vê em todo lugar – e parece que vão continuar se popularizando por um bom tempo. 

No começo de julho Fernanda Rocha Kanner postou em suas redes sociais um longo texto falando sobre a experiência que teve com sua filha Nina, de 14 anos, no TikTok. Fernanda decidiu apagar a conta do TikTok de Nina, com cerca de 2 milhões de seguidores, e sua conta no Instagram. No texto de Fernanda, ela explica o motivo: não quer que a filha passe pela adolescência se emocionando com elogios ou com críticas de quem não conhece, além de achar que atrapalha na descoberta e busca pela individualidade da filha. 

O post viralizou e muitos se colocaram tanto contra quanto à favor da decisão e opinião de Fernanda. Achamos esse tema interessante para pensar no uso das redes sociais por adolescentes. Até onde pode? Esse limite é tão óbvio assim? Tirar o adolescente do TikTok vale a pena?

Diálogo, equilíbrio, regras e claridade

Nós achamos que tudo deve ser conversado. No final das contas, os adolescentes são responsabilidade dos pais e estes prezam pela segurança dos filhos. Pensando nisso, achamos que o melhor caminho é sentar com os filhos e discutir sobre até onde pode e quais são as consequências. Os adolescentes podem até ultrapassar esses limites (muito provavelmente vai acontecer), mas eles saberão que passou do combinado e que terão de lidar com as consequências.

Antes de tomar qualquer decisão, vale lembrar que a infância e principalmente a adolescência são fases onde queremos fazer parte de um grupo, queremos ser aceitos, percebidos, mostrar nosso valor e sentir que somos valorizados. Por isso que os adolescentes gostam tanto das redes sociais como o TikTok, com os likes, visualizações e seguidores. O excesso disso pode ser prejudicial, mas acreditamos que em todas as gerações de adolescentes havia um “fator perigoso”, algo que os adultos se preocupavam porque não conheciam direito, que não gostavam, ou não entendiam. 

Por isso, manter o diálogo é importante. Ok, adolescentes não gostam de conversar com os pais. Mas vale a forcinha nesse quesito, fica mais fácil de perceber quando seus filhos podem precisar de ajuda, além de reforçar que sempre têm o apoio dos pais. Veja bem: não é uma questão de convencimento para os filhos pensem como os pais, mas de clareza e entendimento nas regras e no que foi combinado.

Vale lembrar:

A idade permitida para usar o TikTok no Brasil e Estados Unidos é 13 anos. Usuários mais novos do que essa idade podem ter uma conta no app, mas não é permitido postar nenhum tipo de conteúdo. Infelizmente, essa regra não é muito efetiva, já que é possível criar uma conta colocando outra idade. E é claro que as crianças sabem disso e criam contas no TikTok e outras redes com datas de nascimento que permitem que postem conteúdos.

Algumas medidas podem ajudar na segurança online dos adolescentes no TikTok e outras redes

Deixar o perfil dos filhos privado:

Quando criamos uma conta no TikTok ou outra rede social, escolhemos entre dois tipos de perfil: o público ou o privado. O perfil público é quando qualquer pessoa pode visualizar seus conteúdos, onde você não tem controle de quem pode acessá-los. No perfil privado, apenas os seus amigos/seguidores podem ver o que você posta. Se alguém quiser ser seu amigo/seguidor, a pessoa precisa mandar uma solicitação e você precisa aceitar. Ou seja, você tem total controle das pessoas que acessam o seu perfil e seu conteúdo, e você sabe exatamente quem vê o que você posta. Ter um perfil privado impede que qualquer pessoa visualize o que o adolescente posta e que você acorde com 2 milhões de pessoas seguindo seus filhos nas redes sociais.

Apenas pessoas que seus filhos conheçam: 

Perfis privados no TikTok e outras redes sociais permitem que apenas as pessoas aceitas pelo dono do perfil podem visualizar o conteúdo. Por isso, leve como uma regra: só pode adicionar pessoas conhecidas.

Converse sobre exposição no TikTok e Instagram:

A internet ainda é um lugar de muitos julgamentos, inclusive sobre o corpo (seja lá qual for). Oriente que seus filhos não postem fotos íntimas, sensuais, ou que mostrem muito o corpo, por mais que eles não tenham essa intenção. Outros usuários podem interpretar de diversas maneiras e seus filhos podem ser alvos de slut-shaming (em tradução livre, seria um “tachar de vadia” por violar códigos de vestimentas ou socialmente aceitos) ou body shaming (termo usado para “vergonha do corpo” onde, na prática, é quando ridicularizam e fazem chacota do corpo de outras pessoas),  principalmente meninas. 

O slut-shaming é o ato de humilhar, diminuir e menosprezar uma pessoa, geralmente mulher, por sua vida sexual, pela forma que ela se veste, fala ou se expressa. Um exemplo é quando uma mulher usa uma roupa considerada curta e ouve xingamentos e comentários negativos sobre sua aparência, seu corpo e sua postura como mulher na sociedade. 

Já o body shaming é a fiscalização ao corpo alheio: o bullying quando a pessoa está muito gorda; muito magra; tem muita celulite; seios grandes; seios pequenos, etc. É o bullying na forma de pressão estética. O body shaming ocorre mais entre meninas do que entre meninos, mas é preciso ficar atento independente disso. 

Essas duas formas de bullying atingem o corpo dos adolescentes e pode contribuir para distorções perceptivas do próprio corpo e até distúrbios alimentares. 

Também vale orientar a não postar imagens de onde mora, do uniforme escolar, e coisas que podem identificar os lugares e rotinas de seus filhos. Além de informações pessoais como número de identidade, CPF, etc.

Faça uma conta no TikTok e acompanhe o que seus filhos fazem online (lembre-se de avisá-los que você está os seguindo):

Dessa forma, você consegue ver mais de perto o que eles postam e as pessoas que os acompanham. Muito provavelmente eles terão um grupo de “Melhores Amigos” no Instagram sem você, para postar coisas que não querem que você veja. Mas tudo bem, né? Não queremos dividir absolutamente tudo com todos.

Veja o que os adolescentes fazem nas redes:

Mergulhe nesse mundo e tente entender por quê seus filhos gostam tanto das dancinhas, se for importante para eles. Mostre que você tem interesse pelo que eles gostam. Não precisa se obrigar a gostar, mas demonstre que você tem interesse em conhecer o mundo deles e, principalmente, entender que isso tem valor para eles. Muitos adolescentes não querem que seus pais se interessem pelo que eles gostam, mas ficam mais tranquilos quando sabem que os pais entendem que aquilo é importante para eles. 

Não diminua o que eles gostam ou compartilham: 

Falar que as dancinhas (conteúdo bem popular no app) não servem pra nada ou qualquer tipo de julgamento sobre o que eles fazem traz uma carga muito negativa para o adolescente. Pense bem: se eles procuram por aceitação através disso, imagine como eles se sentem quando seus pais falam que isso é ridículo ou qualquer coisa negativa.

É muito fácil que adolescentes pensem de forma depreciativa sobre eles mesmos ao ouvirem seus pais falando de forma depreciativa sobre que eles gostam. Exemplo: “dancinhas são péssimas e eu gosto de dancinhas. Logo, sou péssimo.”, que é claro que não é verdade, mas é fácil de cair nisso já que é uma fase que a identidade está muito ligada a comportamentos e interesses. Além de tudo, isso afasta os pais dos filhos. Se seus pais vivem diminuindo as coisas que você gosta, porque você continuaria dividindo seus interesses, o que você faz e etc com eles? 

Com essas medidas, não será necessário tomar atitudes mais drásticas como excluir a conta dos seus filhos.

Caso as redes sociais dos seus filhos tomem proporções maiores do que você gostaria, o que fazer?

Nesse caso, excluir a rede social é uma opção, mas saiba que seus filhos não irão gostar da decisão e podem sentir que você não valoriza o que eles trabalharam tanto. Acreditamos que é possível tentar algumas coisas antes de tomar uma medida mais drástica:

  • Deixar o perfil privado e diminuir as publicações ou até não aparecer por um tempo: sim, a conta ainda terá muitos seguidores, mas impedirá que cheguem novos. E com a diminuição de conteúdo, os seguidores naturalmente também diminuem. 
  • Se tiver conteúdos que você acha perigoso, deixe claro que seus filhos não poderão mais postá-los. Também vale excluir esses conteúdos que você considera perigoso.

Caso você ainda opte por excluir as redes sociais deles, deixe que se despeçam do seu público. Muitos adolescentes consideram seus seguidores como uma rede de apoio e até mesmo como amigos. Ajude-os a fazer um texto e a gravar vídeos se despedindo e informando a seus seguidores o que irá acontecer. 

Sabemos que a adolescência é uma fase em que os filhos não querem os pais por perto, e tudo bem. Mas é importante cuidar e acompanhá-los, sem sufocar ou invadir a privacidade. Esperamos que todos consigam levar tudo isso de forma mais saudável.

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TikTok: o que você precisa saber sobre a rede social popular entre crianças e adolescentes

Você já ouviu falar no TikTok? O app está em quarto lugar dos apps mais baixados do mundo que não são jogos, segundo Sensor Tower. Conhecido anteriormente como Musical.ly, é um app de rede social de compartilhamento de vídeos, principalmente dublagens, danças, remixes e outros conteúdos envolvendo música e edição de vídeos. TikTok é bem popular entre crianças e adolescentes pelo mundo inteiro. Fizemos um artigo baseado na avaliação do Common Sense Media sobre o TikTok e nos depoimentos de alguns pais.

Dublagens engraçadas, coreografias famosas, desafios, ou apenas cantando as músicas da vez: estes são os tipos de vídeos que os usuários do TikTok disponibilizam em seus perfis. Olhando superficialmente, a ideia de criar uma rede social de compartilhamento de vídeos focado em músicas parece boa, onde os usuários podem interagir momentaneamente através de chats e utilizar filtros stickers, e animações em realidade aumentada.

Na Google Play e na App Store do Brasil, TikTok está recomendado para maiores de 12 anos. O site Common Sense avaliou o app e sua recomendação é que só maiores de 16 anos utilizem. Mas por que?

Exposição

O usuário até pode criar uma conta privada, mas o objetivo do TikTok é o oposto de deixar conteúdo no privado. A quantidade de vídeos de crianças e adolescentes dançando, dublando ou cantando no TikTok é bem grande e está disponível para que qualquer pessoa possa acessar. Nos Estados Unidos, usuários menores de 13 anos não podem postar nenhum tipo de conteúdo.

Coleta de dados

Em fevereiro de 2019, a Musical.ly, empresa dona da TikTok, foi multada nos Estados Unidos em US$5,7 milhões por coletar ilegalmente informações pessoais de crianças. Por causa disso, o app criou uma “Plataforma para Crianças” para usuários menores de 13 anos utilizarem o TikTok de forma que que seus dados sejam coletados e que só possam apenas ver os conteúdos, sem publicar. Essa medida vale apenas para os Estados Unidos. No Brasil, menores de 12 anos podem dar o consentimento para a coleta de dados, desde entendam do que o termo se trata.

Nos outros países, crianças a partir de 12 anos que utilizam o TikTok têm seus dados coletados: informações de contato, conteúdo criado, localização, informações técnicas e comportamentais e até informações compartilhadas em outras redes sociais através do TikTok. O app ainda coleta informações contidas nas mensagens enviadas através da plataforma e, se o usuário permitir acesso, coleta informações da lista de contatos do aparelho. Se o usuário fizer login com alguma rede social, o TikTok terá acesso a todos os dados da outra rede social que o usuário utiliza.

Conteúdo inapropriado

Como o TikTok tem a música como carro-chefe, vídeos com palavrões são bem comuns, já que fazem parte da letra das músicas. Conteúdos sexualizados ou utilizando álcool ou drogas são motivos de críticas de muitos pais: adolescentes e até adultos fazendo coreografias sexualizadas ou imitando os videoclipes geram conteúdos de cunho sexual ou com uso explícito de drogas ou álcool, que atinge tanto os adolescentes que postaram o vídeo quanto crianças menores de 12 anos e adolescentes que visualizam o conteúdo no TikTok.

:: Veja também: Como configurar seu celular para crianças ::

Consumismo

TikTok é uma rede social e, como todas as redes sociais, tem seus influenciadores, pessoas populares que criam conteúdo são seguidos por inúmeros usuários. Esses usuários com grande número de seguidores utilizam produtos “da moda” e influenciam as pessoas que assistem seus vídeos a comprar também. De 5 pontos, o TikTok tem 4 pontos marcados em “Consumismo” no Common Sense Media.

Tempo de uso

Como toda a rede social e forma de entretenimento, os usuários, crianças e adultos, devem tomar cuidado com o tempo que utilizam o app. O TikTok oferece uma ferramenta de limitar o tempo de uso protegido por senha que muda a cada 30 dias, o que fica mais fácil de gerenciar o quanto as crianças ficam no TikTok.

O que eu posso fazer para proteger meus filhos no TikTok?

Uma conversa em família sobre privacidade na internet e nas redes sociais é um bom caminho para começar. Falar sobre quando é adequado compartilhar informações e quais informações manter em privacidade. É recomendável ler as regras, termos de uso e de privacidade do TikTok e Musical.ly para ter certeza de alguns detalhes. Por exemplo, é possível compartilhar um vídeo privado onde só amigos possam assistir?

Antes de baixar o TikTok, conversar em família sobre os conteúdos inadequados para crianças nas músicas, podendo utilizar as mais populares como exemplo. Quais músicas são permitidas? Que tipo de vídeos as crianças podem postar?

Conversem sobre quais músicas seria legal de dublar, ou alguma forma criativa de gravar um vídeo de 15 segundos. Pense em movimentos ou danças que podem combinar com a música. Se envolva e participe, se faça presente.