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Resiliência: Como É Desenvolvida Nas Crianças e Como Pode Afetar Positivamente a Vida Adulta

A resiliência é a habilidade de superação e retorno da homeostase em meio a adversidades e pode ser desenvolvida desde quando crianças. Na vida adulta, a resiliência é importante para superar os obstáculos da vida de forma inteligente e gentil consigo mesmo. 

A história Fátima, do Truth and Tales, conta sobre a vida de Fátima, a personagem principal que passa por várias dificuldades, mas sempre se levanta dos obstáculos e segue seu caminho. O conto não aborda a questão da resiliência em si, mas é uma característica predominante de Fátima, mostrando como ela lida com todas as adversidades, tristezas e frustrações ao mesmo tempo que continua perseguindo seus objetivos.

Vamos entender mais sobre resiliência? Baseamos nosso artigo em vários materiais do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard. 

O que é Resiliência

Resiliência pode ser definida como um bom resultado em meio às adversidades. Linda C. Mayes é professora de Psiquiatria Infantil, Pediatria e Psicologia na Escola de Medicina da Universidade de Yale. Linda define resiliência como a habilidade ou conjunto de capacidades definidas para uma adaptação positiva que permite que o equilíbrio seja mantido.

Todos nascemos com a capacidade de resiliência, mas por ser uma habilidade, é necessário que seja desenvolvida. A resiliência é construída com o tempo, assim como a arquitetura do cérebro é formada. É uma habilidade individual, mas que precisa de interações entre pessoas e entre a criança e a comunidade em geral. A resiliência necessita de vários fatores para ser desenvolvida: relações responsivas, comunidade segura, pais, mães ou responsáveis qualificados, alimentação saudável etc. 

:: Leia também: Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças ::

Como é Desenvolvida

Para entender o desenvolvimento da resiliência de forma mais precisa, vamos imaginar uma gangorra onde sua base, geralmente fixa e no centro, agora é móvel, podendo ir para a esquerda ou para a direita. De um lado da gangorra estão as experiências protetoras e habilidades de enfrentamento (que nos ajudam a superar períodos de estresse); do lado oposto, estão as adversidades. 

A resiliência é evidente quando a saúde e o desenvolvimento da criança tendem a resultados positivos, mesmo quando uma carga de fatores é empilhada no lado dos resultados positivos da gangorra. Com o tempo, os impactos positivos cumulativos das experiências de vida e habilidades de enfrentamento têm a capacidade de mudar a posição da base móvel da gangorra, que começa a se mover para mais perto do extremo das adversidades, tornando mais fácil atingir resultados positivos.

O fator mais comum para crianças desenvolverem resiliência é ter pelo menos uma relação estável e comprometida com o pai, mãe, cuidador ou outro adulto. Essas relações fornecem base, proteção e o necessário para desenvolver a capacidade de resposta de acordo com a necessidade do momento. Isso amortece as crianças da interrupção do desenvolvimento. 

Elas também constroem capacidades chave – como habilidade de planejamento, de monitorar e regular comportamentos – que permitem que crianças respondam adaptativamente às adversidades e, assim, prosperem. Essa combinação de relações de apoio, construção de habilidades adaptativas e experiências positivas são as fundações da resiliência. 

Crianças que se saem bem frente a sérias dificuldades geralmente têm resistência a adversidades e relações fortes com adultos importantes da família e da comunidade em que vivem. Resiliência é o resultado da combinação de fatores de proteção. Sozinhas, nem características individuais ou ambientes sociais garantem resultados positivos para crianças que passam por períodos prolongados de estresse tóxico. É a interação entre a biologia e o ambiente que constrói a habilidade da criança de lidar com as adversidades e superar as ameaças rumo a um desenvolvimento saudável.

Resiliência Apenas na Infância?

As capacidades relacionadas à resiliência podem ser fortalecidas em qualquer idade. O cérebro e outros sistemas biológicos são mais adaptáveis no início da vida. Enquanto seu desenvolvimento estabelece as bases para uma ampla variedade de comportamentos resilientes, nunca é tarde para construir resiliência. 

Atividades que promovem saúde e apropriadas à idade podem melhorar significativamente as chances de recuperação de um indivíduo de experiências indutoras de estresse. 

Por exemplo, atividades físicas regulares, práticas de redução de estresse, e programas que ativamente constroem funções executivas e habilidades de auto-regulação melhoram as habilidades de crianças e adultos para lidar, se adaptar e até prevenir as adversidades que podem acontecer ao longo da vida. 

Adultos que fortalecem essas habilidades em si mesmos podem servir de modelos e mostrar de forma mais efetiva comportamentos saudáveis para seus filhos, melhorando assim a resiliência da próxima geração. 

A Resiliência de Fátima

Diante dos percalços ocorridos na vida de Fátima, que é uma das histórias do aplicativo Truth and Tales, muitas pessoas podem interpretar que a personagem é uma pobre coitada perseguida pelo azar e vítima de tantas situações. Porém, Fátima demonstra muito poder e sabedoria ao encarar e ultrapassar os desafios. A capacidade de Fátima de dar a volta por cima dos desafios, apesar das dores, cansaço e adversidades, é fruto da resiliência. 

Histórias em que há desafios e frustrações é importante para que as crianças tenham contato com adversidades sem vivê-las na própria pele. Isso ajuda a prepará-las para enfrentar situações desafiantes no contexto de suas vidas.

Texto: Luisa Scherer

Referências:

Resilence – Center on the Developing Child – Harvard University

In Brief: What is Resilience? – Center on the Developing CHild – Harvard University

Stress and Resilience: How Toxic Stress Affects Us, and What We Can Do About It – Center on the Developing Child – Harvard University

Música ajuda o desenvolvimento do cérebro em bebês prematuros

A informação de que música clássica é bom para bebês têm circulado na internet e em grupos de pais. Mas será que o benefício é real? Se é especificamente música clássica, não sabemos. Mas um estudo feito nos Hospitais Universitários de Genebra comprovou que bebês prematuros tiveram um melhor desenvolvimento do cérebro ao ouvirem um tipo específico de música.

Os bebês prematuros que foram expostos à música na unidade de tratamento intensivo tiveram um melhor desenvolvimento de redes cerebrais, levando à uma arquitetura cerebral funcional mais parecida às dos recém-nascidos a termo.

O impacto no desenvolvimento do cérebro

Foi detectado que algumas áreas do cérebro dos bebês prematuros expostos à música tiveram um maior desenvolvimento. Isso impactou na percepção sensorial, nos mecanismos de atenção que facilita o aprendizado relacionado ao desenvolvimento cognitivo e perceptivo, no processamento afetivo e emocional, e nas respostas cognitivas e comportamentais.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Genebra e publicado em junho de 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Ao todo, 45 bebês participaram da pesquisa. 16 recém-nascidos a termo (que não nasceram prematuros) e 29 bebês prematuros recém-nascidos nos ambientes de terapia intensiva dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).

Dos 29 bebês recém-nascidos prematuros, 15 bebês eram do grupo de controle sem intervenção de música e 14 eram do grupo de controle com intervenção de música.

Segundo o artigo “Music in premature infants enhances high-level cognitive brain networks”, feito a partir dos resultados do estudo, os bebês prematuros que foram expostos a um certo tipo de música tiveram um aumento significativo no desenvolvimento das redes cerebrais em relação aos bebês prematuros que não tiveram contato com música.

O cérebro de bebês prematuros ainda são muito imaturos porque não se desenvolveram por completo no período de gestação que tiveram. Por isso, os bebês precisam ficar algum tempo na incubadora de uma unidade de tratamento intensivo para desenvolver mais.

Apesar das incubadoras imitarem o ambiente em que o bebê se encontrava no ventre da mãe, muito se perde no quesito de desenvolvimento. Segundo Petra Huppi, professora que dirigiu o trabalho da Faculdade de Medicina da UNIGE e chefe da Divisão de Desenvolvimento e Crescimento do HUG, “A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”.

A música

A música que os bebês prematuros tiveram contato foi composta exclusivamente para eles e para o estudo. Foi utilizado alguns instrumentos específicos como harpa, sinos e pungi, que produziram respostas cerebrais e comportamentais em recém-nascidos prematuros em um estudo anterior.

A música foi dividida em três faixas para se adaptar ao estado de vigília do bebê: uma que ajuda o bebê a acordar; a segunda interage com o bebê acordado; e a última que ajuda o bebê a dormir.

:: Leia também: A quantidade de carinho que bebês recebem pode afetar o DNA ::

Fazer o bem faz bem? Como a bondade genuína afeta o cérebro

Quando oferecemos ajuda para alguém, ou quando olhamos para o próximo com compaixão e, a partir disso, tomamos alguma atitude, estamos praticando a bondade. Esses atos que podem passar despercebidos pela nossa rotina fazem muito bem para o outro e também para nós mesmos. Sabe aquela sensação que você sente depois de praticar a bondade? Ela faz parte dos efeitos que a bondade genuína causa no nosso cérebro

A bondade ativa regiões de recompensa de nosso cérebro

Em 2018, um grupo de pesquisadores britânicos da University of Sussex afirmou que atos de generosidade ativam as regiões de recompensa do cérebro.

O estudo analisou 1.150 participantes cujos cérebros foram escaneados através de exames de ressonância magnética (fMRI) ao longo de um período de dez anos com um diferencial nessa análise: a comparação feita entre o verdadeiro altruísmo e a bondade estratégica, ou seja, aquelas atitudes que são feitas esperando algo em troca ou algum tipo de reconhecimento. 

“Este grande estudo levanta questões sobre as pessoas que têm motivações diferentes para dar aos outros: interesse próprio claro versus o sentimento caloroso do altruísmo”, afirmou o líder da pesquisa, Dr. Daniel Campbell-Meiklejohn em um comunicado publicado logo após a divulgação do estudo. 

“A decisão de compartilhar recursos é a pedra angular de qualquer sociedade cooperativa. Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir uma ‘pessoa boa’, mas também que as pessoas podem escolher ser gentis quando pensam que pode haver algo nisso em benefício delas, como um favor retribuído ou reputação melhorada” afirmou. 

A recompensa é maior quando agimos com uma bondade que não é estratégica

Os pesquisadores descobriram que as decisões estratégicas de bondade mostraram maior atividade nas regiões do corpo estriado do cérebro do que as escolhas altruístas, que são aquelas que não se espera nada em troca. O corpo estriado atua na memória não declarativa ou implícita, que são as memórias subconscientes e algumas habilidades como andar de bicicleta ou patinar no gelo. Ou seja, atividade que fazemos “no automático”.

A bondade genuína, mais do que a bondade estratégica, ativa uma parte do cérebro chamada córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). Estudos mostraram que o volume médio de matéria cinzenta do sgACC é anormalmente reduzido em indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno bipolar, independentemente do estado de humor. 

O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido nas decisões generosas e é responsável por diferenciar esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial participa do processamento de risco e de medo, já que faz um importante papel na regulação da atividade da amígdala. O vmPFC também desempenha um papel importante na inibição de respostas emocionais e no processo de tomada de decisão e autocontrole, além de estar envolvido no senso de moralidade.

Ou seja, pessoas que praticam mais bondade genuína ativam mais a parte do cérebro que regula a amígdala, mantendo o nível de stress em equilíbrio. Ao praticar a bondade genuína, o cérebro também trabalha regiões que, se não forem muito ativas, são relacionadas com depressão e bipolaridade. Portanto, após essas análises, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando somos bondosos de forma genuína.

A ciência da bondade 

Ao pesquisar sobre os efeitos da bondade em nosso cérebro, encontramos a Random Acts of Kindness Foundation, uma organização sem fins lucrativos que investe recursos para tornar a gentileza amplamente praticada pelas pessoas, seja em casa, na escola ou no ambiente de trabalho. Essa iniciativa é baseada em estudos científicos que comprovam que podemos viver melhor ao praticar a bondade.

Outras funções comprovadas que envolve praticar a bondade:

A bondade aumenta o hormônio do amor: 

O hormônio do amor chamado ocitocina é liberado quando realizamos atos de bondade. Essa liberação ajuda a reduzir a pressão arterial e a melhorar a saúde geral do coração. – Natalie Angier, The New York Times

Energia: 

Metade dos participantes de um estudo relatou se sentirem mais fortalecidos e com mais energia depois de ajudar os outros. Alguns relataram também se sentirem mais calmos e menos deprimidos. – Christine Carter, UC Berkeley, Greater Good Science Center.

:: Leia também: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Praticar a bondade pode diminuir a ansiedade 

Um estudo realizado pela professora Dr. Lynn Alden da University of British Columbia e pela psicóloga Jennifer Trex indica que a ansiedade social pode diminuir ao praticar a bondade.

Para a pesquisa, os autores recrutaram 115 estudantes de graduação que apresentavam altos níveis de ansiedade social. Esses participantes foram divididos de maneira aleatória em três grupos para uma intervenção que durou quatro semanas. 

Um dos grupos foi incentivado a realizar atos de bondade; outro grupo foi exposto a interações sociais; e o terceiro não recebeu instruções, foi pedido apenas que os participantes fizessem registros de suas rotinas. Os resultados mostraram que a maior diminuição no desejo de evitar interações sociais foi observada entre os indivíduos que foram incentivados a realizar atos de gentileza.

O que a Professora Lynn Alden diz

“O objetivo central do tratamento para o transtorno de ansiedade social é aumentar o envolvimento em situações sociais, que os indivíduos socialmente ansiosos costumam evitar. Os exercícios de exposição social podem ser aprimorados encorajando indivíduos ansiosos a se concentrarem em ações amáveis. Portanto, abrir a porta para um vizinho que está empurrando um carrinho de bebê, agradecer aos balconistas da mercearia pela ajuda ou oferecer um café para um colega de trabalho pode ser uma boa maneira de começar a exposição social”, relatou a professora. 

A professora Lynn Alden explicou também que atos de bondade podem ajudar a combater o medo da pessoa socialmente ansiosa de uma avaliação negativa de terceiros, promovendo percepções e expectativas mais positivas de como as outras pessoas irão reagir.

“Descobrimos que qualquer ato gentil parecia ter o mesmo benefício, mesmo pequenos gestos como abrir a porta para alguém ou dizer “obrigado” ao motorista do ônibus. A gentileza não precisa envolver dinheiro ou esforços demorados, embora alguns de nossos participantes o fizessem. A gentileza nem precisava ser “cara a cara”. Por exemplo, atos de bondade podem incluir doar para uma instituição de caridade ou colocar uma moeda no parquímetro de alguém quando você perceber que ele está piscando. Estudos feitos por outros pesquisadores sugerem que é importante que o ato gentil seja feito por si mesmo, e que não pareça coagido ou seja feito para benefício pessoal. Tirando isso, vale tudo”, explicou. 

Praticar a bondade pode retardar o envelhecimento

A ocitocina, hormônio produzido através do calor emocional, age na redução dos níveis de radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular e, dessa forma, retarda o envelhecimento na origem. Os radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular desempenham um papel relevante e é por isso que podemos dizer que a bondade faz bem também para o coração. 

Algumas revistas científicas já publicaram estudos sobre a forte ligação entre a compaixão e a atividade do nervo vago. O nervo vago, além de regular a frequência cardíaca, também é responsável por controlar os níveis de inflamação no corpo. 

Um estudo analisou a meditação de budistas tibetanos e descobriu que a bondade e a compaixão auxiliam na redução da inflamação no corpo, provavelmente devido aos seus efeitos no nervo vago.

Essas análises estão presentes no livro “The Five Side Effects of Kindness: This Book Will Make You Feel Better, Be Happier & Live Longer” escrito pelo Dr. David R. Hamilton, que é formado em Química Orgânica e trabalhou durante vários anos na indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. 

NOTA DA EDITORA

Todas essas informações falam da bondade genuína. Genuíno significa puro, real, verdadeiro. É importante levar isso em consideração porque ninguém pode cobrar atos de bondade genuína das pessoas. Essas ações vêm de forma espontânea, direto do coração.

Aos papais e mamães: dar o exemplo realmente é uma forma de mostrar para as crianças como fazer o bem faz bem, mas forçar situações não é a solução. Se você não está num dia bom, não force nada que não queira fazer para “ser um bom exemplo aos seus filhos”. Isso não irá fazer bem a você e nem aos pequenos. Também evite cobrar boas ações das crianças. Ninguém vai deixar de ser uma boa pessoa porque não segurou a porta para alguém entrar. 

Deixe que essas qualidades sejam manifestadas por elas mesmas, sem forçar ou incentivar. A beleza e os benefícios da genuinidade é deixar que venha e se manifeste de forma espontânea. Não se preocupe em “ser mais bondoso” ou “ensinar os filhos a ser bons”. A bondade está dentro de todo mundo, basta percebê-la e deixá-la manifestar.

A eficácia do dever de casa para crianças pequenas

É raro encontrarmos uma criança que goste de fazer o dever de casa. Sabemos que “Já fez a lição?” é uma frase bem comum entre as famílias, e geralmente vem seguida de um cabo de guerra entre pais e filhos.

Hoje em dia, crianças cada vez mais jovens chegam em casa depois da escola com pilhas de lição de casa. Será que os deveres são mais importantes do que brincar e descansar? Até que ponto que a lição de casa é realmente eficaz e necessária?

Traduzimos uma matéria do site Salon que traz uma pesquisa sobre até onde as lições de casa têm benefícios para estudantes do primário do ensino fundamental.

Reavalie e questione

Não há evidências de que qualquer quantidade de dever de casa melhora na performance acadêmica de estudantes do primário.

Esta citação foi feita por Harris Cooper, que pesquisador da Duke University. Será verdade que as horas de brincadeiras perdidas, lutas pelo poder (conhecidas também como “manhas”) e muitas lágrimas roladas são inúteis? Que milhões de famílias passam por um ritual noturno que não ajuda? O dever de casa é uma prática tão aceita que é difícil para a maioria dos adultos questionar seu valor.

Mas ao olhar com mais cuidados aos fatos, é isso que vai encontrar: dever de casa tem benefícios, mas é intimamente dependente e relacionado com a idade da criança.

O que as pesquisas mostram sobre o dever de casa

Para crianças do ensino primário, pesquisas sugerem que estudar durante as aulas promove resultados de aprendizado mais altos, enquanto trabalhos da escola para fazer em casa são apenas… trabalho extra.

Do 6º ao 9º ano a relação entre sucesso acadêmico e dever de casa é, na melhor das hipóteses, mínimo. Quando as crianças atingem o ensino médio, dever de casa oferece benefícios acadêmicos, mas apenas com moderação. Cerca de duas horas por noite é o limite. Depois dessa quantidade, os benefícios diminuem.

Etta Kralovec, professora de Educação na Universidade do Arizona, concorda: “A pesquisa é muito clara. Não há benefícios quando estão no primário do ensino fundamental.”

Antes de continuar, vamos desmistificar que os resultados da pesquisa são devidos a estudos mal construídos. Na verdade, é o oposto. Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 em 2006.

A análise abrangente que ela fez em cima dos estudos compilados não encontrou evidências acadêmicas de benefícios nas séries primárias do ensino fundamental. No entendo, encontrou um impacto negativo na atitude das crianças em relação à escola.

Qual o impacto?

É isso que preocupa. Dever de casa tem impacto nos estudantes mais novos, mas não é positivo. Uma criança que acabou de entrar na escola merece uma chance de desenvolver o amor pelo aprendizado.

Ao invés disso, dever de casa nos primeiros anos escolares faz com que muitas crianças se voltem contra a escola, contra as futuras lições de casa e o aprendizado acadêmico. E é uma longa jornada. Uma criança no jardim de infância tem que lidar com 13 anos de dever de casa a sua frente.

Também tem os danos nas relações pessoais. Em milhares de lares pelo país, a batalha do dever de casa é diário. Pais incomodam e tentam persuadir os filhos a fazer a tarefa. Crianças cansadas protestam e choram. Ao invés de se conectar e dar suporte uns aos outros no fim do dia, muitas famílias se veem presas no cíclico “Você fez o dever de casa”?

Crianças pequenas e o dever de casa

Quando o dever de casa é dado muito cedo, é difícil para as crianças mais novas terem que lidar com as tarefas de forma independente — elas precisam de um adulto para lembrá-las dos deveres e descobrir como fazê-los.

As crianças criam o hábito de contar com os adultos para ajudá-las a fazer a lição de casa, ou, em muitos casos, para fazer as suas tarefas. Os pais assumem com frequência o papel da “patrulha da lição de casa”.

Ser o chefe irritante é uma tarefa chata que ninguém quer ter, mas isso se mantém até o ensino médio. Além do conflito constante, ter uma patrulha dos deveres em casa desvia de um dos principais propósitos da lição de casa: ter responsabilidade.

Os apoiadores dos deveres de casa defendem que as lições ensinam responsabilidade, reforçam as atividades aprendidas na escola e criam um link escola-casa com os pais.

Contudo, pais que se envolvem na vida escolar dos seus filhos podem ver o que volta na mochila da criança e iniciar o hábito de compartilhar os aprendizados do dia — eles não precisam monitorar a tarefa de casa para saber o que seus filhos tiveram naquele dia na escola.

E a responsabilidade?

Responsabilidade é ensinado diariamente de diferentes formas: é para isso que servem os animais estimação e as tarefas de dentro de casa. É preciso de responsabilidade para uma criança de 6 anos lembrar de trazer seu chapéu e sua lancheira de volta para casa.

É preciso responsabilidade para uma criança de 8 anos se vestir, arrumar sua cama e ir para a escola todos os dias. São tarefas que precisam ser reforçadas e relembradas todos os dias, mas não são os únicos fatores de aprendizado.

Prioridades não-acadêmicas (uma boa noite de sono, o relacionamento familiar e hora de brincar) são vitais para o equilíbrio e bem-estar. Elas também impactam diretamente na memória, foco, comportamento e potencial de aprendizado das crianças.

As lições fundamentais são ensinadas e reforçadas todos os dias em sala de aula. O tempo de depois da escola é precioso para o descanso da criança.

O que funciona mesmo

O que funciona melhor que o dever de casa tradicional, para as crianças do primário, é ler simplesmente em casa: pais lendo em voz alta para as crianças, ou as crianças lendo sozinhas. O segredo é fazer da leitura um momento de prazer. Se a criança não quiser praticar as habilidades de leitura depois de um longo dia na escola, leia para ela.

Qualquer projeto de casa deve ser opcional e ocasional. Se a tarefa não promove mais alegria em relação à escola e interesse em aprender, então não há lugar para a atividade nas salas de aula de crianças do primário.

Dever de casa não tem espaço na vida de uma criança pequena. Sem benefícios acadêmicos, há maneiras melhores de utilizar o tempo nos horários depois da escola.

Loot Boxes e o vício em jogos

Você já ouviu falar em loot boxes? Elas são bem parecidas com os pacotes de figurinhas colecionáveis e aparecem em jogos populares como Fortnite.

Loot boxes são caixas de recompensas em jogos de videogame, jogos de computador e jogos de apps, que dão aos usuários itens aleatórios que podem ser utilizados nas partidas do jogos. Ao abrir uma no jogo, o usuário pode encontrar personagens, armas, roupas, fantasias e até passos de danças. Porém nunca sabe o que vai encontrar, ainda mais quando há itens mais raros que outros. Em alguns casos, os itens que vêm nas loot boxes são vendidos separadamente nas lojas dos jogos.

Criança (menina) de cerca de quatro anos mexendo num celular. Ilustração de uma caixa amarela com pontos de interrogação saindo representam uma loot box
Loot boxes são caixas de recompensas em jogos que dão aos usuários itens aleatórios que podem ser utilizados nas partidas.

As loot boxes estão em jogos bem populares como Fortnite, FIFA 18, Overwatch e Counter-Strike: Global Offensive. Estão de fácil acesso em qualquer um dos jogos. Em geral, podem ser adquiridas de duas formas: grátis, mas com número limitado por dia, ou comprando.

Junto com o crescimento dos jogos, cresceu também a quantidade de vídeos de gameplay, quando um jogador filma seu desempenho em algum jogo e posta no YouTube. Nas gameplays destes tipos de jogos, virou uma prática comum fazer unboxing* de loot boxes: o youtuber compra várias e abre enquanto comenta os itens que “ganhou”.

Como funciona

Por conta dos prêmios aleatórios, a mecânica da loot box nos jogos está sendo comparada à mecânica do cassino: você paga por algo que não sabe se vai ganhar. Nos jogos em questão, o usuário nunca vai sair de mãos abanando, já que os itens sempre irão aparecer. Mas nunca se sabe quais são os itens e a probabilidade é bem pequena de se ganhar o que deseja logo na primeira loot box que abrir.

Existem outras similaridades das loot boxes com os jogos de azar. A lógica do cassino de “quanto mais se joga, as chances de ganhar um item melhor aumentam” também está na mecânica das caixas premioadas. Também há a questão das cores: cassinos são bem coloridos e utilizam muito brilho. Ocorre a mesma coisa quando uma loot box é aberta. Os itens saltam na tela, há muitas luzes e sons que estimulam o jogador a jogar cada vez mais.

A mecânica das loot boxes nos jogos gera preocupação principalmente em relação ao público infantil dos jogos. É bem parecido com um cassino, já que jogos de azar viciam, e crianças ainda não entendem como eles funcionam. Segundo NBC News, a prática do loot box têm chamado atenção de psicólogos e grupos de defesa contra jogos de azar. Eles dizem que os consumidores dos jogos podem exibir comportamentos de vício parecidos com os de jogos de azar quando compram as caixas premiadas.

Loot boxes ao redor do mundo

Países como Bélgica e Holanda já proibiram que jogos com a mecânica das loot boxes sejam vendidos. A França e Nova Zelândia não consideram que os jogos têm características de jogos de azar. A União Europeia ainda discute se a mecânica utilizada é prejudicial a ponto de ser proibida.

As loot boxes giram uma economia de cerca de 30 bilhões de dólares e são umas das fontes mais rentáveis da indústria de jogos. A mecânica não é necessariamente ruim e prejudicial, mas é necessário que seja revista. Países como China e Coreia do Sul já discutiram a questão e obrigam que as publicadoras dos jogos divulguem quais as chances de ganhar cada prêmio nas loot boxes.

A polêmica sobre as loot boxes continua

A Ministra da Indústria Digital da Criatividade do Reino Unido Margot James se posicionou antes do comitê do Parlamento inglês sobre as loot boxes. Segundo o Games.Industry.biz, James considera que loot boxes são um meio em que as pessoas compram itens e artigos para melhorar a experiência do jogo e não geram expectativa de um retorno financeiro.

Margot James diz que se tiver evidências que as loot boxes têm relação com problemas de apostas e jogos de azar, então ela ficará preocupada e diz necessário tomar medidas e fazer algo a respeito. Mas até o momento não há pesquisas e dados suficientes acerca do tema. James defende que para regulamentar as loot boxes e as ‘apostas online’, pesquisas são necessárias para entender a situação e justificar a ação (no caso, a regulamentação).

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O contra ponto às loot boxes: Relatório sobre tecnologias imersivas e viciantes

Nas primeiras semanas de setembro, o Comitê Digital, Cultura, Mídia e Esporte (Digital, Culture, Media and Sports, DCMS, sigla em inglês) do Reino Unido publicou um relatório e entregou ao inquérito parlamentar. O relatório é sobre tecnologias imersivas e viciantes, tem 84 páginas e levou 9 meses para ser produzido.

O relatório traz dados e evidências de todos os lados da indústria de games, incluindo desenvolvedores, órgãos comerciais e acadêmicos. Nele, foi constatado uma “falta de honestidade e transparência entre as redes sociais e os representantes das empresas de jogos.

Se o governo quiser manter a mesma postura em relação aos loot boxes mesmo depois do relatório do DCMS, o comitê pediu um documento explicando os motivos pelos quais loot boxes e mecânicas de jogos de azar em video games e apps são exceções do ato de apostar/praticar jogos de azar.

O Comitê observou que as evidências sobre os potenciais danos das loot boxes (gambling simulado) permanecem escassas e, portanto, recomenda uma série de abordagens preventivas para o futuro.

As sugestões em relação às loot boxes

Além disso, o Comitê sugeriu que o governo do Reino Unido deveria aconselhar o PEGI** a aplicar o rótulo de conteúdo de gambling já existente e os limites de idade correspondentes a jogos que apresentem loot boxes ou mecânicas semelhantes.

O relatório ainda recomenda que, indo além das loot boxes, a indústria de games seja responsável por proteger os jogadores contra potenciais danos e apoie pesquisas independentes nos “efeitos a longo prazo das loot boxes e mecânicas de jogos de azar”.

O presidente do Comitê DCMS Damian Collins disse que “jogar contribui para uma indústria global que gera uma receita de bilhões. É inaceitável que empresas com milhões de usuários com crianças entre eles sejam tão mal informados para conversar sobre os possíveis danos dos seus produtos.”

Por fim, o Comitê sugeriu que é preciso de uma legislação para proteger as crianças de jogos que não são apropriados para sua idade. Isso surgiu de uma preocupação de que as empresas não estão reforçando as restrições de idade.

Posicionamento da Explot

Um dos pilares da Explot é a ciência e, assim como Margot James, apoiamos que decisões conscientes sejam tomadas baseadas em fatos e pesquisas. Mas ainda nos preocupamos com a exposição das crianças às loot boxes, como o comitê DCMS. Ainda que, em alguns países, os games precisam informar as chances de ganhar os itens, as crianças não têm noção de probabilidade, ou seja, a medida para proteger os usuários não se aplica ao público infantil.

*Unboxing é a quando alguém abre presentes, embalagens, caixas, etc. Se tornou muito popular quando os youtubers começaram a fazer vídeos abrindo presentes que ganharam ou algo novo que compraram.

**Pan European Game Information, sistema de avaliação de conteúdo de games criado para ajudar os clientes a tomarem decisões informadas antes de comprar jogos, video games e apps

Mindfulness: uma saída para o stress das redes sociais

É difícil de imaginar uma vida sem redes sociais. Nos conectarmos com nossos amigos, saber o que está acontecendo pelo mundo em tempo real e, claro, se entreter, se tornou essencial. Nós mal lembramos (se formos velhos o suficiente para isso) como nós mantemos contato se não for desta forma. Mas o número de adolescentes e jovens adultos que acham que as redes sociais podem ser uma fonte de stress só aumenta, e o mindfulness pode ser uma solução para esse problema.

(Tradução do artigo Managing Social Media Stress With Mindfulness de Rachel Ehmke publicado no Child Mind Institute)

O que nós ouvimos muito, especialmente de adolescentes, é que eles ficam vendo perfis de outras pessoas e, consciente ou inconscientemente, constantemente se comparando com elas. As pessoas tendem a postar seus pontos positivos — o cabelo perfeito, os amigos perfeitos, a selfie perfeita antes de malhar — além de muitos acharem divertido ficar rolando o feed dos outros.

Isso pode, porém, machucar a auto-estima quando sua vida não está tão perfeita quanto a de outras pessoas parece estar. Isso pode fazer com que você comece a super analisar a sua performance no seu próprio perfil nas redes sociais, contar quantos likes você recebeu no último post e se esforçar para parecer perfeito sem esforço, independente de como você está se sentindo.

O que é FoMO- Fear of Missing Out

Ao mesmo tempo, as crianças estão falando tanto sobre o “medo de perder alguma coisa” que já tem até acrônimo para isso. Em inglês, o “medo de perder alguma coisa” é Fear of Missing Out, também conhecida como FoMO. Rede social é a melhor e pior amiga do FoMO.

As redes sociais podem ser ótimas porque você consegue se manter conectado com tudo, de todos os lugares que estiver. Mas como sempre tem alguma novidade, você nunca tem a sensação de que viu tudo o que tinha para ver para poder tirar um descanso.

Nota do editor: FoMO é o acrônimo de Fear of Missing Out, que significa “medo de perder alguma coisa”. Foi citado pela primeira vez em 2000 e foi definido como medo que outras pessoas tenham boas experiência que você não tem.

Esse medo incentiva as pessoas a ficarem sempre conectadas para compartilhar o que você faz e sempre saber das novidades e o que está acontecendo.

Basicamente: é a angústia que você sente quando está em casa jogado no sofá rolando o feed e vê que seus amigos, influencers ou qualquer pessoa que você acompanha nas redes sociais estão fazendo coisas incríveis enquanto você não está fazendo…nada.

Permaneça conectado

Quando tudo e todos estão online, às vezes é a prova que, de fato, você está perdendo alguma coisa. Quando você vê seus amigos saindo sem você, é ruim. Ver um/a ex começando um novo relacionamento machuca.

Se utilizar as redes sociais está causando stress, o conselho mais comum é parar de usar. Mas apesar de ser um bom conselho, não é muito realístico, especialmente para adolescentes, que passam muito tempo socializando online.

Esse adolescente socializando é mais importante do que parece. Adolescentes estão tentando achar seu lugar no mundo, e é comum que eles comecem a descobrir suas identidades através de seus relacionamentos.

Não é do interesse deles parar totalmente de usar redes sociais, mas achar um caminho para ter relacionamentos saudáveis e uma auto-estima saudável utilizando redes sociais, pode interessá-los.

Parece bom? Aprenda como praticar o mindfulness.

O que é mindfulness?

Mindfulness, em sua tradução, significa atenção plena, e é a técnica de viver o momento sem julgamentos. Ajuda a ficar mais atento ao que está acontecendo ao seu redor e a como você se sente. Tirar um momento para desacelerar e notar esses detalhes ajuda a regular suas emoções e o nível de stress. Ela também estabelece um nível de reflexão e autoconsciência que as pessoas geralmente não têm quando estão nas redes sociais.

Mindfulness não é somente para dar um passeio no parque ou assistir ao pôr-do-sol. Se for aplicada à própria experiência de redes sociais, diz Jil Emanuele, PhD,psicóloga e especialista em Mindfulness do Child Mind Institute, ela pode ajudar as crianças a gerenciar a emoção gerada por todas essas informações que recebem quando estão online. Para tornar as experiências online (e offline) mais felizes, Dra. Emanuele recomenda as estratégias com mindfulness a seguir:

Mindfulness: Verifique você mesmo

Trabalhe em estar mais consciente sobre você mesmo, e priorize como você se sente e o que você pensa quando usa as redes sociais. “O estereótipo de usar redes sociais é só rolar e rolar e rolar o feed, sem pensar realmente no impacto que isso tem sobre você”, fala Dra. Emanuele.

Dra. Emanuele recomenda perguntar a si mesmo: Como eu estou agora? Como eu me sinto com esse app? Como eu me sinto com essa foto ou imagem? Tente atentar às mudanças de humor e veja se percebe algum padrão.

Está tudo bem se você perceber que as emoções que você tem são negativas. Tente não julgar como você se sente, mas reconheça e sinta a emoção. Reconhecer quando você sente inveja ou triste pode ser poderoso porque ajuda a processar a emoção — sem se deixar levar por ela — e até a eliminar parte do sofrimento.

Mindfull: verificação consciente da realidade

Se você se sente mal por alguma coisa constantemente, praticar mindfulness (ou atenção plena) pode ajudá-lo a identificar isso; depois, se perguntar por que,e se há algo que você possa fazer que ajude a situação. Tirar um tempo para perceber e valorizar como você se sente é uma habilidade importante que o deixará mais feliz e mais confiante em todas as áreas da sua vida, não somente online.

Mindfulness também pode te dar uma verificação da realidade. Por exemplo, é comum que pessoas usem as redes sociais como forma de se animar quando estão desanimadas ou entediadas. Seguindo essa lógica, se você está se sentindo mal consigo mesmo, a tendência é você postar alguma coisa que fiz totalmente o contrário, como uma selfie bonita ou ou foto com seus amigos incríveis porque, às vezes, projetar algo diferente e receber elogios online pode tirar você do pânico.

Em contrapartida, a sensação é passageira e você pode sentir que está enganando todo mundo. Se você perceber que está se sentindo pior do que já estava,saiba que isso não é incomum e procure maneiras mais confiáveis e efetivas de melhorar seu estado.

Use tecnologia

Usar a tecnologia para controlar o uso da própria tecnologia é outra estratégia que Dra. Emanuele recomenda, já que existem apps que são projetados para ajudar a acompanhar a forma como você usa o celular.

“Faça uma experiência para ver quanto tempo você gasta com certas coisas”, diz Dra. Emanuele. “Quando você está nisso, o que você realmente faz? Quais são suas emoções?”

Os aplicativos e diários de humor também te lembram para você reservar um tempo.

Eles também criam um registro de como você esteve se sentindo, onde você pode revisitar depois de acontecido. A coleta de dados sobre como você usa a tecnologia e como ela te afeta pode ajudar a perceber padrões e, se necessário, desenvolver melhores hábitos. Ver os dados pode ser surpreendente já que muitas vezes não tomamos conhecimento de quanto tempo gastamos quando começamos a “rolar” o feed.

Fique offline

A melhor maneira de ter outra perspectiva é dar pausas ocasionais das redes sociais. Comece a fazer ioga, saia para correr, passe um tempo — pessoalmente — com seus amigos, saia para curtir a natureza. Seja lá o que for, fazer coisas na vida real pode ser um grande alívio do stress e faz você se sentir melhor em relação a você mesmo, numa forma que rolar o feed nunca vai fazer.

Tente estar mais consciente em relação a você mesmo durante outras atividades. Percebe como você se sente no momento em que você está ativo, e perceba o que é divertido para você. Você pode se surpreender e é provável que você ache a experiência bastante viciante, também.

A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado

Brincar faz bem para o corpo, para a alma e também para o cérebro. Neste artigo, trouxemos alguns pontos apoiados pela ciência que mostram que os benefícios de brincar estão em diferentes áreas, e que brincar tem efeitos positivos no cérebro e na habilidade de aprendizado da criança.

Evidências de que brincar promove soluções criativas de problemas

Psicólogos distinguem dois tipos de problemas: convergente e divergente. Um problema convergente tem uma única solução ou resposta. O problema divergente rende-se a várias soluções. Algumas pesquisas sugerem que a forma como as crianças brincam contribui para a capacidade de resolver problemas divergentes.

Em um experimento, pesquisadores apresentaram dois tipos de materiais lúdicos para crianças de idade pré-escolar (Pepler and Ross 1981). Algumas crianças receberam materiais para brincadeiras convergentes (peças de quebra-cabeças), e outras crianças receberam materiais para brincadeiras divergentes (blocos de montar). As crianças tiveram tempo para brincar e então testaram suas habilidades de resolver problemas.

Crianças que receberam brinquedos de materiais divergentes performaram melhor em problemas divergentes e mostraram mais criatividade nas tentativas para resolver os problemas.

Outro estudo experimental sugere uma conexão entre brincadeiras de faz-de-conta e capacidade divergente de solução de problemas (Wyver and Spence 1999). Crianças que brincavam de faz-de-conta mostraram uma maior capacidade de resolver problemas divergentes. O inverso também foi verdadeiro: crianças treinadas para resolver problemas divergentes mostraram taxas maiores nas brincadeiras de faz-de-conta.

Faz-de-conta, auto-regulação e raciocínio sobre diferentes possibilidades

Solucionar problemas divergentes não é a única habilidade cognitiva ligada com o faz-de-conta. Brincadeiras de faz-de-conta também são relacionadas com dois conjuntos de habilidades cruciais: a capacidade de se auto-regular (impulsos, emoções, atenção) e a de raciocinar de maneiras lógicas e contrafactuais (com noções de possibilidade e relação entre o antecedente e o consequente).

Nos primeiros casos, estudos reportaram que crianças que se engajam e brincam de faz-de-conta com mais frequência têm habilidades de auto-regulação mais fortes. Embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar se a ligação é casual (Lillard et al 2013), os dados são consistentes com essa possibilidade.

Você não pode brincar de faz-de-conta com outra pessoa a menos que ambos queiram brincar disso. Portanto, quem brinca de faz-de-conta deve concordar com as regras que se estabelecem no momento da brincadeira, e a prática de concordar com essas regras pode ajudar crianças a desenvolverem um melhor auto-regulação ao longo do tempo.

No segundo caso, muitos pesquisadores notaram semelhanças entre o faz-de-conta e o raciocínio contrafactual, ou seja, a capacidade de pensar hipoteticamente e de imaginar o futuro.

Alison Gopnik e seus colegas argumentaram (Walker and Gopnik 2013; Buchsbaum et al 2012) que o raciocínio contrafactual nos ajuda a planejar e aprender, permitindo-nos pensar em vários “e se”.

O brincar de faz-de-conta toca nas mesmas habilidades. Brincar de faz-de-conta oferece às crianças oportunidades valiosas para melhorar seu raciocínio sobre diferentes possibilidades no mundo.

Para apoiar essa ideia, pesquisadores encontraram evidências de uma ligação entre o raciocínio contrafactual e a brincadeira de faz-de-conta em crianças de idade pré-escolar. A correlação permaneceu significativa mesmo após um teste de capacidade das crianças em suprimir seus impulsos. (Buchsbaum et al 2012).

Crianças prestam mais atenção às tarefas escolares quando têm oportunidades mais frequentes de brincar livremente

Muitos estudos experimentais mostram que crianças em idade escolar dão mais atenção às tarefas acadêmicas após um intervalo em que ficam livres para brincar sem a orientação de adultos (Pellegrini e Holmes 2006).

Também existem evidências circunstanciais: as escolas chinesas e japonesas, famosas pelo foco e disciplina, oferecem pequenos intervalos a cada 50 minutos aos estudantes. (Stevenson and Lee 1990)

Nota: aulas de educação física não são substitutos eficazes do tempo livre para brincar (Bjorkland and Pellegrini 2000). O exercício físico tem importantes benefícios cognitivos por si só, mas aulas de educação física não oferecem os mesmos benefícios que o recreio.

Pesquisadores suspeitam que isso ocorre porque aulas de educação física são muito estruturadas e dependem bastante das regras impostas pelos adultos. Para colher todos os benefícios das brincadeiras, o intervalo para brincar deve ser realmente divertido.

Quanto tempo um intervalo deve ter? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências de recessos entre 10 e 30 minutos. Em estudos com crianças pequenas de 4 e 5 anos, pesquisadores descobriram que intervalos de 10 a 20 minutos aumentavam a atenção em sala de aula. Intervalos com mais de 30 minutos tinham o efeito contrário(Pelligrini and Holmes 2006).

Brincar e explorar desencadeiam a secreção do BDNF, substância essencial para o crescimento das células cerebrais.

De novo: ninguém descobriu uma maneira ética para testar isso em seres humanos, por isso as evidências vêm de ratos. Depois de brincar, ratos mostraram um aumento nos níveis de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) (Gordon et al 2003).

O BDNF é essencial para o crescimento e manutenção das células do cérebro. Os níveis de BDNF também aumentaram depois que os ratos puderam explorar o ambiente em que estavam(Huber et al 2007).

Linguagem e os benefícios de brincar

Estudos revelam que há uma ligação entre brincadeira de faz-de-conta e o desenvolvimento das habilidades linguísticas (Fisher 1999). O psicólogo Edward Fisher analisou 46 estudos sobre os benefícios cognitivos do brincar.

Ele descobriu que “brincadeiras sociodramáticas”, que são quando crianças brincam de faz-de-conta juntas, “resultam em melhores performances nos domínios cognitivo-linguístico e afetivo social”.

Um estudo com crianças de 1 a 6 anos na Inglaterra mediu a capacidade das crianças com brincadeiras de faz-de-conta. Foi pedido às crianças que realizassem tarefas simbólicas, como substituir um ursinho de pelúcia por um objeto ausente.

Pesquisadores descobriram que crianças obtiveram maior pontuação no teste de brincadeiras simbólicas tinham melhores habilidades de linguagem, tanto na receptiva (o que a criança entende) quanto na linguagem expressiva (as palavras que ela usa). Esses resultados permaneceram significativos mesmo após as crianças crescerem.

Pesquisas recentes também sugerem que brincar com brinquedos de montar contribui para o desenvolvimento da linguagem. Para mais informações, leia este artigo sobre construção de brinquedos e os benefícios de brincar.

Habilidades matemáticas e os benefícios de brincar

Aqui está uma intrigante história sobre brincar e matemática: um estudo mediu a complexidade de crianças de 4 anos que brincam com blocos e acompanhou suas performances escolares até o ensino médio (Wolfgang, Stannard, & Jones, 2001).

Pesquisadores descobriram que a complexidade da brincadeira de montar blocos previa as conquistas em matemática das crianças no ensino médio. Aquelas que usaram os blocos de maneiras mais sofisticadas nas brincadeiras na pré-escola obtiveram melhores notas em matemática e fizeram mais cursos de matemática quando adolescentes.

Esses resultados podem apenas nos dizer que crianças inteligentes na pré-escola continuam inteligentes ao longo da vida escolar, mas não é tão simples.

A associação entre as brincadeiras de blocos e a performance em matemática permaneceu mesmo depois que os pesquisadores mediram e acompanharam o QI de uma criança. Portanto, é plausível que as brincadeiras com blocos influenciam o desenvolvimento cognitivo das crianças.

Experimentos com animais: Brincar melhora a memória e estimula o crescimento do córtex cerebral

Em 1964, Marion Diamond e seus colegas publicaram um artigo interessante sobre crescimento cerebral em ratos. Os neurocientistas conduziram um experimento criando alguns ratos em confinamento solitário e sem estímulos, e outros em colônias divertidas e cheias de brinquedos.

Quando os pesquisadores examinaram o cérebro dos ratos, descobriram que os ratos que viviam em colônias tinham córtices cerebrais mais espessos do que os ratos que viviam em confinamento.(Diamond et al 1964).

Pesquisas subsequentes confirmaram os resultados de que ratos criados em ambientes com estímulos tinham cérebros maiores. E eles também eram mais inteligentes, ou seja, mais capazes de achar a saída em labirintos mais rapidamente (Greenough and Black 1992).

Estes benefícios de brincar se estendem aos humanos? Considerações éticas nos impedem de realizar experiências semelhantes em crianças. Mas parece que o cérebro humano responda ao brincar e à exploração de maneiras semelhantes.

Experiências lúdicas são experiências de aprendizado

Para que ninguém duvide que as crianças aprendem brincando, devemos ter em mente os seguintes pontos:

1) A maioria das brincadeiras envolve exploração, que é, por definição, investigar.

É fácil perceber como isso se aplica a um cientista iniciante que brinca com ímãs, mas também se aplica a atividades “não intelectuais”, como filhotes brincando de “lutinha”.

Os animais testam laços e aprendem a controlar seus impulsos para que uma luta amigável não se transforme em agressão anti-social. Brincar é aprender.

2) Brincar é motivador e divertido

Tudo o que é aprendido brincando é conhecimento adquirido sem a percepção do trabalho duro, de “sem dor não há ganho”. Isso contrasta com as atividades que desempenhamos como deveres.

Quando a atividade é considerada árdua, nossa habilidade de permanecer focado pode parecer um recurso limitado ao longo do tempo (Inzlicht et al 2014).

É difícil de alcançar um fluxo, a experiência psicológica de estar feliz e completamente imerso no que se está fazendo. Brincar é uma alternativa para conseguir esse fluxo.

3) Há evidências empíricas de que crianças tratam as brincadeiras como um tutorial para lidar com os desafios da vida real

Por todo o mundo crianças se envolvem em brincadeiras de faz-de-conta que simulam atividades que precisam dominar quando adultas (Lancy 2008), sugerindo que essas brincadeiras são uma forma de prática. Quando as crianças são munidas com informações durante o faz-de-conta — seja de amigos ou de adultos — elas as aceitam.

Experiências nos Estados Unidos com crianças em idade pré-escolar sugerem que crianças de até 3 anos de idade fazem distinções entre realidade e a fantasia do faz-de-conta, e usam as informações aprendidas no mundo real (Sutherland and Friedman 2012; 2013).

Fonte: https://www.parentingscience.com/benefits-of-play.html?fbclid=IwAR3XPLfFzrKCmRzI_vfAtz1feleXx6pBW9D7-UXCZpqIFuODF_uZ_5gGWpI

Equilíbrio com tela na vida das crianças: como encontrá-lo?

Atividades físicas, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono diminui comportamentos impulsivos em crianças

O artigo Association between 24-hour movement behaviour and impulsivity in American children, publicado no American Academy of Pediatrics, demonstrou que equilibrar exercícios físicos, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono pode diminuir os índices de comportamentos impulsivos em crianças.

Comportamentos impulsivos

Os comportamentos impulsivos em crianças são reflexos de ansiedade. Impaciência; quando a criança interrompe a fala de outras pessoas; quando a criança fala, grita ou ri em momentos inapropriados; ou quando se coloca em situações de perigo sem pensar.

Vale lembrar que esses comportamentos são normais e fazem parte do desenvolvimento de todas as crianças, mas é necessário atentar quando ocorrem com exagero e com muita frequência.

Crianças que têm esses comportamentos impulsivos de forma exagerada costumam ser rotuladas de “crianças-problema” ou “troublemakers” (em inglês) nas escolas ou até mesmo em casa. Se você convive com uma criança que apresenta esses tipos de comportamento, evite utilizar rótulos de qualquer tipo.

Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth

O estudo é baseado no Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth, uma iniciativa da Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício que traz diretrizes baseadas em evidências com hábitos que enfatizam a integração de todos os comportamentos de movimento que ocorrem ao longo de um dia inteiro.

As diretrizes incentivam crianças e jovens a “suar, pisar dormir e sentar” (em inglês, “sweat, step, sleep and sit”) nas quantidades indicadas e consideradas benéficas ao longo de 24 horas.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Pesquisa sobre Vida Ativa Saudável e Obesidade (Healthy Active Living and Obesity Group – HALO) do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil do Leste de Ontário, Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (CSEP), ParticipACTION, The Conference Board of Canada, Public Health Agency do Canadá e um grupo de pesquisadores de todo o mundo, com a participação de mais de 700 participantes canadenses e internacionais.

As diretrizes do Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth sugerem que crianças entre 5 a 17 anos:

  • pratiquem atividades físicas moderadas a altas durante pelo menos uma hora por dia;
  • não ultrapassem duas horas por dia na utilização de telas para fins recreativos;
  • que durmam de 9 a 11 horas corridas por noite.

Como o 24-hour movement Guidelines for Children and Youth interfere nos comportamentos impulsivos das crianças?

Os pesquisadores do HALO analisaram dados de mais de 4.500 crianças. Os dados continham auto-relatos que foram categorizados em 8 competências que caracterizam ou não comportamento impulsivo. Essas competências avaliam padrões como não finalizar tarefas ou agir irracionalmente diante de estados emocionais negativos.

Assista ao vídeo aqui.

O estudo demonstrou que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes pontuaram positivamente todas as competências e tiveram pontuações positivas mais altas em 5 das 8 competências em relação às crianças que não seguiram as indicações das diretrizes, concluindo que o equilíbrio da tríade sono, tempo de tela e exercícios físicos pode diminuir distúrbios relacionados à impulsividade.

Além disso, os resultados sugerem que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes têm melhores funções cognitivas; menores chances de desenvolver obesidade; melhores dietas alimentares e melhor qualidade de vida em relação às crianças que não seguem nenhuma recomendação.

Tanto a pesquisa em si quanto seus resultados são bem significativos, visto que a quantidade de crianças e de dados coletados é relevante. É difícil encontrarmos pesquisas com amostras e base de dados tão grandes, e os resultados só comprovam o sucesso da pesquisa.

Meus filhos estão viciados em celular. E agora?

O uso de celular e tecnologias em geral pelas crianças vem sendo atacada pela mídia, escola, médicos e parentes. A tecnologia pode ser uma aliada se utilizada de forma responsável e guiada pelos pais, mas é comum encontrarmos crianças que já estão dependentes das telas.

Mas e se meu filho já está dependente do celular, o que fazer?

Primeiro, precisamos entender o que acontece quando uma criança está utilizando o em celular fora de lugar e proporção. O uso das tecnologias vira um problema quando:

  • Prefere utilizar todo o seu tempo livre em celulares, tablets ou televisão;
  • Deixa de brincar com coisas que gostava para ficar no celular;
  • Fica extremamente irritada quando a bateria do celular acaba ou quando um adulto impõe limite de tempo;
  • Não está mais tão presente na rotina da casa: não presta atenção nas conversas, não interage com a família porque está conectado ao celular;
  • Não faz as tarefas da escola de jeito nenhum, mesmo com os pais perguntando ou lembrando (essa vale uma atenção: a maioria das crianças não gostam de fazer tarefas da escola e tentam fugir ao máximo dessa responsabilidade. Este item vale muito mais como um comparativo em relação a como a criança lidava com as tarefas antes de querer ficar só utilizando eletrônicos);
  • A criança ou adolescente demonstra comportamentos mais agressivos do que antes de quando utilizava telas em excesso;
  • O sono é afetado. A hora de dormir fica cada vez mais tarde e a criança sente dificuldade em relaxar e dormir. Isso tem relação com a quantidade de estímulo que o cérebro recebe e com os conteúdos que a criança consome perto do horário de dormir;
  • A criança recria cenas e atos violentos sem considerar o que está fazendo e com alguma frequência;
  • Fica monotemático: conversa sempre sobre as mesmas coisas e não demonstra interesse em outros assuntos;

Se você identificou algum destes itens no comportamento de seus/suas filhos/as, pode ser que as tecnologias estão sendo utilizadas em excesso na sua casa.

O que fazer quando as crianças usam demais o celular?

Antes de tomar qualquer providência, observe como você usa o seu tempo livre em casa e a frequência com que você utiliza o celular, tablet ou televisão. As crianças copiam o comportamento dos pais e, se os pais também usarem as tecnologias em excesso na frente dos filhos, fica mais difícil das crianças mudarem o comportamento em relação às telas. Se você trabalha com o uso de celular, vale explicar que celular é o seu meio de trabalho.

O tempo em que família passa junto é fundamental na vida das crianças, e deixar celular de lado nestes momentos é importante. Ajudar as crianças a superarem o uso excessivo do celular é também olhar para seus hábitos e rever como você utiliza.

:: Leia também: Loot Boxes: estamos viciando nossos filhos em jogos de azar sem saber? ::

O que fazer para melhorar a relação com o celular?

Feito isso, converse com seu/sua filho/a sobre o uso do celular, independente da idade da criança. Explique os motivos pelos quais não é saudável o excesso das tecnologias. Lembre-se de que alertar não é causar pânico ou vergonha.

Estipule um limite de tempo junto com seu/sua filho/a. Trazer a criança para este tipo de decisão torna o limite menos injusto na visão dela, além de também concordar com o tempo de uso.

Use o seu tempo livre e o de seu/sua filho/a juntos. Ao invés de ficar no celular, jogue jogos de tabuleiro, inventem um jogo de vocês, ensinem a cozinhar, façam o jantar juntos. Aproveite esse tempo para fortalecer o laço familiar.

Vale lembrar que participar das atividades com celular, tablet ou TV no tempo estipulado que a criança tem é saudável: o vínculo também é criado e, ao mesmo tempo que você se aproxima da criança e consegue ter uma ideia do que ela consome no celular, a criança entende que você se interessa pelo mundo dela.

Também pode funcionar:

Outras dicas que podem facilitar na hora de largar o celular é ter um cronômetro físico onde você e seu/sua filho/a podem colocar o tempo combinado juntos na hora que a criança for utilizar o celular, tablet, ou ver televisão. O cronômetro pode ser temático ou até customizado pela criança.

Ter uma “cestinha offline”, onde todos da casa, inclusive adultos, colocam seus celulares quando não estão usando também é uma boa ideia. Durante as refeições pode ser uma boa hora para que a cesta esteja cheia, por exemplo.

Uma sugestão é não tratar o celular como uma moeda de troca ou como um recurso de prêmio/castigo. Colocar os dispositivos desta maneira na vida das crianças pode fazer com que elas façam suas tarefas não porque precisam fazer, mas para ganhar mais tempo no celular.

Quando se trata de castigo, é injusto tirar um “direito” já combinado anteriormente por conta de mau comportamento, ainda mais quando o mau comportamento não tiver relação com o celular, televisão ou tablet. Premiar ou castigar utilizando os celulares pode causar uma grande insegurança e consequente ansiedade na criança, pois não há uma regra clara de quando ela vai ganhar ou perder o direito de uso.

Google se posiciona em relação às loot boxes: onde afeta meu filho?

Após a polêmica das loot boxes na qual alguns países proibiram a mecânica utilizada pelos jogos, a Google anunciou (em 30/05/2019) novas regras para aumentar a proteção em relação às crianças. Agora, desenvolvedores devem seguir algumas recomendações para lançarem jogos e apps no Android. A série de medidas não afeta as crianças diretamente, mas protege contra algumas ações consideradas abusivas que estão presentes nos jogos de formas sutil, como as loot boxes.

Entre as novas regras publicadas pela Google, a que diz respeito às loot boxes é que apps que oferecem mecanismos para ganhar itens aleatórios de uma compra (as loot boxes) devem divulgar claramente as chances de receber esses itens antes da compra da loot box ser realizada. Isso facilita na hora da pessoa decidir se vale a pena comprar uma loot box quando se tem informação do que pode ganhar. A mesma medida em relação à loot boxes foi tomada pela China e pela Coreia do Sul. Alguns jogos já implementaram a mudança ano passado, antes da nota da Google.

Além das loot boxes, outras medidas que a Google irá implementar é que os desenvolvedores precisam ter certeza de que o app não contém apelo ao público infantil, ainda que não intencionalmente. A Google certifica ainda que verificará mais de uma vez para confirmar e solicitará ajustes quando necessário.

O que isso muda para a proteção das crianças?

Com as novas regras, as crianças serão menos expostas a algumas práticas abusivas dentro dos jogos e apps e na loja da Google Play. As loot boxes ainda continuarão existindo em alguns jogos, mas com mais informações para crianças e pais decidirem se vale a pena comprá-la.

É importante acompanhar seus filhos nas compras de apps e dentro dos jogos, participar das compras e explicar como funciona.

As crianças também estarão mais protegidas nas lojas. Muitos apps e jogos que não são para crianças utilizam figuras, cores e elementos que atraem o público infantil. A partir de setembro, apps que não forem infantis passarão por avaliações para impedir que não chame atenção das crianças. Esta medida protege crianças de apps que não são infantis e, consequentemente, da exposição de conteúdo inadequado para crianças que os apps podem conter.

Reiteramos que a presença dos pais ou de um adulto responsável enquanto a criança utiliza os aplicativos ou navega nas lojas de apps é muito importante e não substitui qualquer tipo de medida de proteção tomada pelas empresas.

Nintendo, Microsoft e Sony também vão mudar as políticas de loot boxes

Nintendo, Sony e Microsoft estão trabalhando em nova atualização das loot boxes para jogos de PC e console. A confirmação veio através de Michael Warnecke, o diretor chefe de política de tecnologia da Entertainment Software Association (ESA).

Segundo Michael Warnecke, Microsoft, Nintendo e Sony assumiram um compromisso com a ESA e vão lançar um nova política nas plataformas em relação às loot boxes pagas até o final de 2020. A nova política irá exigir a divulgação do quão raro é cada item e a probabilidade de obter os itens aleatórios nas loot boxes.

Vale lembrar!

A noção de probabilidade e de identificar as chances reais de ganhar alguma coisa é uma habilidade complexa+. Nem todas as crianças têm desenvolvidas a ponto de conseguirem avaliar se vale a pena comprar uma loot box.

Outros publishers que prometem mudar

Os principais publishers de games da ESA também vão adotar políticas parecidas com a desenvolvida pela Microsoft, Nintendo e Sony para dar mais informações aos consumidores.

A ESA divulgou uma lista de empresas associadas que também irão mudar as políticas em relação às loot boxes. Blizzard, Bandai Namco Entertainment, Bethesda, Bungie, Electronic Arts, Microsoft, Nintendo, Sony Interactive Entertainment, Take-Two Interactive, Ubisoft, Warner Bros. Interactive Entertainment, e Wizards of the Coast.

Em cima do muro

Também tiveram publishers que não se comprometeram em fazer mudanças. São elas: 505 Games, Capcom, CI Games, Deep Silver, Disney Interactive Studios, Epic Games, Focus Home Interactive, Gearbox Publishing, GungHo, Intellivision Entertainment, Kalypso, Konami, Magic Leap, NCsoft, Natsume, Nexon, Rebellion, Riot Games, Sega, Square Enix, THQ Nordic, Tencent, and Marvelous.

Epic Games, do Fortnite, se pronunciou dizendo que no começo do ano, a equipe do Fortnite fez uma mudança no jogo que mostrava quais itens o usuário ganharia antes de abrir a loot box paga (que nesse caso é uma lhama). Também se dizem comprometidos em mudar a política de loot box de todos os jogos da Epic Games.

Já a THC Nordic se pronunciou pelo Twitter dizendo que não firmou nenhum compromisso com a ESA porque não tem nenhum jogo com loot boxes e não planeja ter.