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Resiliência: Como É Desenvolvida Nas Crianças e Como Pode Afetar Positivamente a Vida Adulta

A resiliência é a habilidade de superação e retorno da homeostase em meio a adversidades e pode ser desenvolvida desde quando crianças. Na vida adulta, a resiliência é importante para superar os obstáculos da vida de forma inteligente e gentil consigo mesmo. 

A história Fátima, do Truth and Tales, conta sobre a vida de Fátima, a personagem principal que passa por várias dificuldades, mas sempre se levanta dos obstáculos e segue seu caminho. O conto não aborda a questão da resiliência em si, mas é uma característica predominante de Fátima, mostrando como ela lida com todas as adversidades, tristezas e frustrações ao mesmo tempo que continua perseguindo seus objetivos.

Vamos entender mais sobre resiliência? Baseamos nosso artigo em vários materiais do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard. 

O que é Resiliência

Resiliência pode ser definida como um bom resultado em meio às adversidades. Linda C. Mayes é professora de Psiquiatria Infantil, Pediatria e Psicologia na Escola de Medicina da Universidade de Yale. Linda define resiliência como a habilidade ou conjunto de capacidades definidas para uma adaptação positiva que permite que o equilíbrio seja mantido.

Todos nascemos com a capacidade de resiliência, mas por ser uma habilidade, é necessário que seja desenvolvida. A resiliência é construída com o tempo, assim como a arquitetura do cérebro é formada. É uma habilidade individual, mas que precisa de interações entre pessoas e entre a criança e a comunidade em geral. A resiliência necessita de vários fatores para ser desenvolvida: relações responsivas, comunidade segura, pais, mães ou responsáveis qualificados, alimentação saudável etc. 

:: Leia também: Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças ::

Como é Desenvolvida

Para entender o desenvolvimento da resiliência de forma mais precisa, vamos imaginar uma gangorra onde sua base, geralmente fixa e no centro, agora é móvel, podendo ir para a esquerda ou para a direita. De um lado da gangorra estão as experiências protetoras e habilidades de enfrentamento (que nos ajudam a superar períodos de estresse); do lado oposto, estão as adversidades. 

A resiliência é evidente quando a saúde e o desenvolvimento da criança tendem a resultados positivos, mesmo quando uma carga de fatores é empilhada no lado dos resultados positivos da gangorra. Com o tempo, os impactos positivos cumulativos das experiências de vida e habilidades de enfrentamento têm a capacidade de mudar a posição da base móvel da gangorra, que começa a se mover para mais perto do extremo das adversidades, tornando mais fácil atingir resultados positivos.

O fator mais comum para crianças desenvolverem resiliência é ter pelo menos uma relação estável e comprometida com o pai, mãe, cuidador ou outro adulto. Essas relações fornecem base, proteção e o necessário para desenvolver a capacidade de resposta de acordo com a necessidade do momento. Isso amortece as crianças da interrupção do desenvolvimento. 

Elas também constroem capacidades chave – como habilidade de planejamento, de monitorar e regular comportamentos – que permitem que crianças respondam adaptativamente às adversidades e, assim, prosperem. Essa combinação de relações de apoio, construção de habilidades adaptativas e experiências positivas são as fundações da resiliência. 

Crianças que se saem bem frente a sérias dificuldades geralmente têm resistência a adversidades e relações fortes com adultos importantes da família e da comunidade em que vivem. Resiliência é o resultado da combinação de fatores de proteção. Sozinhas, nem características individuais ou ambientes sociais garantem resultados positivos para crianças que passam por períodos prolongados de estresse tóxico. É a interação entre a biologia e o ambiente que constrói a habilidade da criança de lidar com as adversidades e superar as ameaças rumo a um desenvolvimento saudável.

Resiliência Apenas na Infância?

As capacidades relacionadas à resiliência podem ser fortalecidas em qualquer idade. O cérebro e outros sistemas biológicos são mais adaptáveis no início da vida. Enquanto seu desenvolvimento estabelece as bases para uma ampla variedade de comportamentos resilientes, nunca é tarde para construir resiliência. 

Atividades que promovem saúde e apropriadas à idade podem melhorar significativamente as chances de recuperação de um indivíduo de experiências indutoras de estresse. 

Por exemplo, atividades físicas regulares, práticas de redução de estresse, e programas que ativamente constroem funções executivas e habilidades de auto-regulação melhoram as habilidades de crianças e adultos para lidar, se adaptar e até prevenir as adversidades que podem acontecer ao longo da vida. 

Adultos que fortalecem essas habilidades em si mesmos podem servir de modelos e mostrar de forma mais efetiva comportamentos saudáveis para seus filhos, melhorando assim a resiliência da próxima geração. 

A Resiliência de Fátima

Diante dos percalços ocorridos na vida de Fátima, que é uma das histórias do aplicativo Truth and Tales, muitas pessoas podem interpretar que a personagem é uma pobre coitada perseguida pelo azar e vítima de tantas situações. Porém, Fátima demonstra muito poder e sabedoria ao encarar e ultrapassar os desafios. A capacidade de Fátima de dar a volta por cima dos desafios, apesar das dores, cansaço e adversidades, é fruto da resiliência. 

Histórias em que há desafios e frustrações é importante para que as crianças tenham contato com adversidades sem vivê-las na própria pele. Isso ajuda a prepará-las para enfrentar situações desafiantes no contexto de suas vidas.

Texto: Luisa Scherer

Referências:

Resilence – Center on the Developing Child – Harvard University

In Brief: What is Resilience? – Center on the Developing CHild – Harvard University

Stress and Resilience: How Toxic Stress Affects Us, and What We Can Do About It – Center on the Developing Child – Harvard University

Fazer o bem faz bem? Como a bondade genuína afeta o cérebro

Quando oferecemos ajuda para alguém, ou quando olhamos para o próximo com compaixão e, a partir disso, tomamos alguma atitude, estamos praticando a bondade. Esses atos que podem passar despercebidos pela nossa rotina fazem muito bem para o outro e também para nós mesmos. Sabe aquela sensação que você sente depois de praticar a bondade? Ela faz parte dos efeitos que a bondade genuína causa no nosso cérebro

A bondade ativa regiões de recompensa de nosso cérebro

Em 2018, um grupo de pesquisadores britânicos da University of Sussex afirmou que atos de generosidade ativam as regiões de recompensa do cérebro.

O estudo analisou 1.150 participantes cujos cérebros foram escaneados através de exames de ressonância magnética (fMRI) ao longo de um período de dez anos com um diferencial nessa análise: a comparação feita entre o verdadeiro altruísmo e a bondade estratégica, ou seja, aquelas atitudes que são feitas esperando algo em troca ou algum tipo de reconhecimento. 

“Este grande estudo levanta questões sobre as pessoas que têm motivações diferentes para dar aos outros: interesse próprio claro versus o sentimento caloroso do altruísmo”, afirmou o líder da pesquisa, Dr. Daniel Campbell-Meiklejohn em um comunicado publicado logo após a divulgação do estudo. 

“A decisão de compartilhar recursos é a pedra angular de qualquer sociedade cooperativa. Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir uma ‘pessoa boa’, mas também que as pessoas podem escolher ser gentis quando pensam que pode haver algo nisso em benefício delas, como um favor retribuído ou reputação melhorada” afirmou. 

A recompensa é maior quando agimos com uma bondade que não é estratégica

Os pesquisadores descobriram que as decisões estratégicas de bondade mostraram maior atividade nas regiões do corpo estriado do cérebro do que as escolhas altruístas, que são aquelas que não se espera nada em troca. O corpo estriado atua na memória não declarativa ou implícita, que são as memórias subconscientes e algumas habilidades como andar de bicicleta ou patinar no gelo. Ou seja, atividade que fazemos “no automático”.

A bondade genuína, mais do que a bondade estratégica, ativa uma parte do cérebro chamada córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). Estudos mostraram que o volume médio de matéria cinzenta do sgACC é anormalmente reduzido em indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno bipolar, independentemente do estado de humor. 

O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido nas decisões generosas e é responsável por diferenciar esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial participa do processamento de risco e de medo, já que faz um importante papel na regulação da atividade da amígdala. O vmPFC também desempenha um papel importante na inibição de respostas emocionais e no processo de tomada de decisão e autocontrole, além de estar envolvido no senso de moralidade.

Ou seja, pessoas que praticam mais bondade genuína ativam mais a parte do cérebro que regula a amígdala, mantendo o nível de stress em equilíbrio. Ao praticar a bondade genuína, o cérebro também trabalha regiões que, se não forem muito ativas, são relacionadas com depressão e bipolaridade. Portanto, após essas análises, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando somos bondosos de forma genuína.

A ciência da bondade 

Ao pesquisar sobre os efeitos da bondade em nosso cérebro, encontramos a Random Acts of Kindness Foundation, uma organização sem fins lucrativos que investe recursos para tornar a gentileza amplamente praticada pelas pessoas, seja em casa, na escola ou no ambiente de trabalho. Essa iniciativa é baseada em estudos científicos que comprovam que podemos viver melhor ao praticar a bondade.

Outras funções comprovadas que envolve praticar a bondade:

A bondade aumenta o hormônio do amor: 

O hormônio do amor chamado ocitocina é liberado quando realizamos atos de bondade. Essa liberação ajuda a reduzir a pressão arterial e a melhorar a saúde geral do coração. – Natalie Angier, The New York Times

Energia: 

Metade dos participantes de um estudo relatou se sentirem mais fortalecidos e com mais energia depois de ajudar os outros. Alguns relataram também se sentirem mais calmos e menos deprimidos. – Christine Carter, UC Berkeley, Greater Good Science Center.

:: Leia também: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Praticar a bondade pode diminuir a ansiedade 

Um estudo realizado pela professora Dr. Lynn Alden da University of British Columbia e pela psicóloga Jennifer Trex indica que a ansiedade social pode diminuir ao praticar a bondade.

Para a pesquisa, os autores recrutaram 115 estudantes de graduação que apresentavam altos níveis de ansiedade social. Esses participantes foram divididos de maneira aleatória em três grupos para uma intervenção que durou quatro semanas. 

Um dos grupos foi incentivado a realizar atos de bondade; outro grupo foi exposto a interações sociais; e o terceiro não recebeu instruções, foi pedido apenas que os participantes fizessem registros de suas rotinas. Os resultados mostraram que a maior diminuição no desejo de evitar interações sociais foi observada entre os indivíduos que foram incentivados a realizar atos de gentileza.

O que a Professora Lynn Alden diz

“O objetivo central do tratamento para o transtorno de ansiedade social é aumentar o envolvimento em situações sociais, que os indivíduos socialmente ansiosos costumam evitar. Os exercícios de exposição social podem ser aprimorados encorajando indivíduos ansiosos a se concentrarem em ações amáveis. Portanto, abrir a porta para um vizinho que está empurrando um carrinho de bebê, agradecer aos balconistas da mercearia pela ajuda ou oferecer um café para um colega de trabalho pode ser uma boa maneira de começar a exposição social”, relatou a professora. 

A professora Lynn Alden explicou também que atos de bondade podem ajudar a combater o medo da pessoa socialmente ansiosa de uma avaliação negativa de terceiros, promovendo percepções e expectativas mais positivas de como as outras pessoas irão reagir.

“Descobrimos que qualquer ato gentil parecia ter o mesmo benefício, mesmo pequenos gestos como abrir a porta para alguém ou dizer “obrigado” ao motorista do ônibus. A gentileza não precisa envolver dinheiro ou esforços demorados, embora alguns de nossos participantes o fizessem. A gentileza nem precisava ser “cara a cara”. Por exemplo, atos de bondade podem incluir doar para uma instituição de caridade ou colocar uma moeda no parquímetro de alguém quando você perceber que ele está piscando. Estudos feitos por outros pesquisadores sugerem que é importante que o ato gentil seja feito por si mesmo, e que não pareça coagido ou seja feito para benefício pessoal. Tirando isso, vale tudo”, explicou. 

Praticar a bondade pode retardar o envelhecimento

A ocitocina, hormônio produzido através do calor emocional, age na redução dos níveis de radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular e, dessa forma, retarda o envelhecimento na origem. Os radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular desempenham um papel relevante e é por isso que podemos dizer que a bondade faz bem também para o coração. 

Algumas revistas científicas já publicaram estudos sobre a forte ligação entre a compaixão e a atividade do nervo vago. O nervo vago, além de regular a frequência cardíaca, também é responsável por controlar os níveis de inflamação no corpo. 

Um estudo analisou a meditação de budistas tibetanos e descobriu que a bondade e a compaixão auxiliam na redução da inflamação no corpo, provavelmente devido aos seus efeitos no nervo vago.

Essas análises estão presentes no livro “The Five Side Effects of Kindness: This Book Will Make You Feel Better, Be Happier & Live Longer” escrito pelo Dr. David R. Hamilton, que é formado em Química Orgânica e trabalhou durante vários anos na indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. 

NOTA DA EDITORA

Todas essas informações falam da bondade genuína. Genuíno significa puro, real, verdadeiro. É importante levar isso em consideração porque ninguém pode cobrar atos de bondade genuína das pessoas. Essas ações vêm de forma espontânea, direto do coração.

Aos papais e mamães: dar o exemplo realmente é uma forma de mostrar para as crianças como fazer o bem faz bem, mas forçar situações não é a solução. Se você não está num dia bom, não force nada que não queira fazer para “ser um bom exemplo aos seus filhos”. Isso não irá fazer bem a você e nem aos pequenos. Também evite cobrar boas ações das crianças. Ninguém vai deixar de ser uma boa pessoa porque não segurou a porta para alguém entrar. 

Deixe que essas qualidades sejam manifestadas por elas mesmas, sem forçar ou incentivar. A beleza e os benefícios da genuinidade é deixar que venha e se manifeste de forma espontânea. Não se preocupe em “ser mais bondoso” ou “ensinar os filhos a ser bons”. A bondade está dentro de todo mundo, basta percebê-la e deixá-la manifestar.

O que é padrão de pensamentos negativos e como isso pode afetar seus filhos

Problemas de saúde mental durante a infância são mais comuns do que imaginamos. Cerca de 6% a 17% das crianças e adolescentes são afetados por transtorno de ansiedade ou depressão. Estudos identificaram que muitas crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade apresentavam distorções cognitivas, que são caracterizadas por padrões de pensamentos negativos, ou seja: quando a repetição de conteúdo depreciativo e negativo impactam negativamente nos pensamentos, emoções e comportamento, afetando seu bem-estar, na forma como enxerga o mundo e no funcionamento adaptativo. 

De acordo com o artigo Cognitive errors and anxiety in school aged children, as distorções cognitivas são o resultado do padrão de pensamentos negativos. Quando essa negatividade na forma de pensar se torna um padrão já na infância, elas orientam como as informações e os eventos são interpretados ao longo da vida da pessoa. 

O que são os padrões de pensamentos negativos

Pensamentos negativos são comuns e todo mundo tem, crianças ou adultos. Mas é preciso ter cuidado para que isso não se torne recorrente a ponto de virar algo comum e se transformar em padrões, ainda mais durante a infância.

Se você perceber que seu filho tem muitas distorções cognitivas – se seus pensamentos são rígidos, suas expectativas são negativas de forma crônica, ou seus sentimentos são muito fortes para que consigam refletir sobre seus padrões de pensamento, é hora de procurar ajuda de especialistas. Uma criança que esteja sofrendo por causa disso, de forma que sua rotina, comportamento e forma de ver o mundo são afetados, precisa de acompanhamento de um profissional.

É possível reconhecer e identificar alguns dos padrões de pensamentos negativos:

1) Pensamento de tudo ou nada (também conhecido como oito-oitenta) ou pensamento dicotômico.

O que é: Ver as coisas de apenas duas maneiras, categorias ou possibilidades, fazendo pensar que são boas ou ruim, branco ou preto, sem os tons de cinza. Uma distorção comum que faz você pensar – e então sentir – que se alguma coisa não é tudo o que você quer, então não é nada do que você quer. Também é pensar que você precisa performar muito bem em tudo – perfeccionismo – ou você falhou totalmente. 

Na prática: Eu não passei na minha primeira opção de universidade, então minhas esperanças são totalmente frustradas. Ou se eu não tirar 10 na prova, eu falhei completamente.

2) Raciocínio Emocional

O que é: Acreditar que, porque você sente algo, deve ser verdade, mesmo quando não há outra evidência além do sentimento.

Na prática: Me sinto sozinho, então ninguém gosta de mim. Ou tenho medo de elevador, e por isso os elevadores são perigosos.

3) Super generalização

O que é: Falar sobre um detalhe ou evento negativo em relação a uma situação e torná-lo um padrão universal tomando como verdade sobre toda a sua vida. 

Na prática: Tal pessoa não quer sair comigo. Ninguém nunca quer sair comigo! Ou eu estraguei o meu experimento de química hoje. Eu nunca faço nada certo!

4) Rotulação

O que é: COlocar um rótulo negativo em si mesmo – ou nos outros – para que você não veja mais a pessoa por trás do rótulo. Quando você fecha a pessoa num pensamento assim, seu entendimento se torna tão rígido que não há mais espaço para você ver a si mesmo ou a outra pessoa de maneira diferente. 

Na prática: Eu caí hoje no futebol, tentando marcar um gol. Eu sou muito desastrado! Ou eu não tinha nada a dizer nessa conversa. Eu sou muito desinteressante!

5) Vidente/Modo adivinho

O que é: Prever que algo vai acontecer de uma forma negativa. Isso pode se tornar numa forma pessimista de ver o futuro e pode impactar no comportamento, aumentando a probabilidade da sua previsão negativa acontecer.

Na prática: Eu sei que vou muito mal nessa prova (e então você fica nervoso e sua performance cai). Ou Se eu falar com essa pessoa, ela não vai falar comigo ou me aceitar (e então eu não falo com ela e tenho a chance de me conectar com alguém que eu quero para conhecer melhor ou me ajudar). 

6) Leitor de mentes

O que é: Assumir que você sabe e entende o que outras pessoas estão pensando e, geralmente, ter certeza de que isso reflete mal em você.

Na prática: Eu estou falando com outra pessoa, e ela parece não estar prestando atenção. Tenho certeza de que ela não gosta de mim. (E na verdade você não sabe o que a pessoa está pensando: ela pode só estar distraída, ou estar preocupada com outra coisa não relacionada com você e está com dificuldade em se concentrar, por exemplo).

7) Catastrofização ou magnificação

O que é: Pegar um problema ou algo negativo e colocar fora de proporção.

Na prática: Essa festa vai ser a pior experiência de todas!

8) Minimizar ou Descontar o positivo

O que é: Tomar algo positivo que aconteceu e minimizar para que “não conte” como uma coisa boa na experiência ou na sua vida. Desconta qualquer evidência contra a nossa visão negativa de nós mesmos ou de uma situação. 

Na prática: Eu fui bem no teste, mas foi pura sorte. Ou uma pessoa falou “eu amo sair com você!”, mas ela só está sendo simpática, ela não quis dizer isso. 

9) Filtro mental ou Abstração Seletiva

O que é: Ver apenas o negativo ao invés de olhar para o positivo ou para todo o aspecto da experiência. 

Na prática: Você escreve um artigo para o professor e ele te dá vários feedbacks positivos, mas você escreveu o nome de alguém errado. Tudo o que você consegue pensar é no nome errado. Ou você tem várias conversas positivas no dia, e numa delas você falou algo constrangedor. Você só foca na coisa constrangedora que você falou com total horror, esquecendo todas as outras interações legais que teve. 

10) Personalização

O que é: Fazer com que tudo seja sobre você quando não é. Isso inclui culpar você mesmo por algo além do seu controle e levar coisas para o pessoal quando não pretendem ser prejudiciais para você.

Na prática: Se eu não desse tanto trabalho para meus pais, talvez eles não estariam se divorciando. Ou como aquela pessoa ousa andar na minha frente, isso é tão desrespeitoso! (Quando a pessoa só não viu você e te cortar foi apenas uma distração)

11)  Imperativos

O que é: Pensar em “dever” e “ter que” (e o inverso, “não dever” e “não ter que”).

Na prática: Eu deveria fazer apresentar os trabalhos na aula sem me sentir ansioso. O que há de errado comigo? (Claro, pensando assim, no auge do nervosismo, te deixa ainda mais nervoso em relação a apresentação!)

:: Leia também: Meu filho é tímido e introvertido. E agora? ::

Como os pais podem ajudar as crianças

Fazer terapia pode ajudar! A terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar, desafiar e reestruturar esses pensamentos. 

Para ações além da terapia, é importante começar observando você mesmo, identificando e reconhecendo os seus padrões pensamentos negativos. Por exemplo, se seu filho tem ansiedade, você pode acabar personalizando isso, se culpabilizando e se rotulado como um “péssimo pai/mãe”. Sempre lembrando de que é uma distorção cognitiva, que é reversível e sem tantos julgamentos, tanto em relação a si mesmo quanto (e principalmente) em relação à criança. 

Para ajudar as crianças a aprenderem sobre as distorções cognitivas, você pode explicar com cartões divertidos ou um jogo de perguntas e respostas. É importante manter esse trabalho de equipe de forma leve e sem cobrar tanto, e tomar cuidado para não invalidar as crianças e dizer o que elas estão sentindo – mesmo que sem querer – ou dizer que esses pensamentos negativos são “errados” ou “ilógicos”. Mesmo que sejam, não podemos assumir que as crianças estão prontas para lidar e ver dessa forma. Cada pessoa tem seu tempo, inclusive e principalmente as crianças. 

Lembrando que se você perceber que seu filho está com pensamentos muito rígidos, cobra muito de si mesmo e suas expectativas são quase sempre negativas, procure um pediatra, terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Referências:

Child Mind Institute

Freitas Pereira, Barros, Mendonça “Cognitive errors and anxiety in school aged children”

Por que a leitura é tão importante?

A leitura é uma forma de comunicação e a taxa de alfabetização é um dos medidores de desenvolvimento dos países do mundo inteiro.  Mas se tratando de saúde e desenvolvimento infantil, por que é tão importante?

A leitura é uma habilidade exclusiva do ser humano, e há um espaço no cérebro exclusivo para ela e para o seu desenvolvimento.

A leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro. A matéria branca é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar de modo geral. Ler não só aumenta matéria branca, mas também ajuda a informação ser processada de forma mais eficaz.

A grosso modo, existem três tipos de inteligência: cristalizada, a fluida e a emocional. 

  • A  inteligência cristalizada é a mistura de sabedoria que compõe o nosso cérebro. São informações e conhecimentos potencialmente úteis que, em conjunto, formam a base da capacidade de navegar e prosperar no mundo. 
  • A inteligência fluida é a habilidade de resolver problemas, entender as coisas e identificar padrões. 
  • E a inteligência emocional é a capacidade de ler e responder os sentimentos, seus e dos outros. 

A leitura desenvolve e apura esses três tipos de inteligência. 

Se somarmos a leitura à outros idiomas, os benefícios vão além. Além de desenvolver as habilidades de comunicação, ler em outra língua aumenta as regiões do cérebro envolvidas na navegação espacial e no aprendizado.

:: Leia também: Atividade física, brincadeiras e muita diversão: saúde para as nossas crianças! :: 

Como ajudar as crianças a desenvolverem uma boa auto-estima

Auto-estima é o quanto as pessoas se valorizam e o quão importante elas acreditam que são para elas mesmas e no mundo. Uma auto-estima positiva é quando as pessoas se sentem bem consigo mesmas. E nas crianças, como funciona a auto-estima? Por que é tão importante? Aprenda mais sobre auto-estima e como ajudar seu filho a construí-la.

Por que uma alta auto-estima é importante para crianças

Todas as crianças são capazes, mas as que têm alta auto-estima se sentem e se percebem confiantes e capazes, valorizam suas habilidades e a elas mesmas. Se orgulham das coisas que podem fazer e querem dar o seu melhor.

Quando crianças se sentem confiantes e seguras sobre quem são, é mais provável que tenham uma mentalidade sempre em crescimento. Isso significa que elas podem se motivar a enfrentar novos desafios, lidar e aprender com os erros, se defender e pedir ajuda quando precisam, com mais facilidade.

Como crianças desenvolvem auto-estima

Crianças desenvolvem auto-estima trabalhando com um objetivo e ver o seu trabalho ser reconhecido. Alcançar objetivos comprova para elas mesmas que têm o que é preciso para enfrentar novos desafios. Seu sucesso faz com que se sintam bem com elas mesmas, e aprendem que não há problema em falhar. Quando as crianças se saem bem em alguma coisa e o que fazem é reconhecido por pessoas próximas que elas gostam, também se sentem bem. Como tempo, elas continuam a construir uma boa auto-estima.

Quando crianças têm uma boa auto-estima, elas:

  • Se sentem respeitadas
  • São resilientes e sentem orgulho mesmo quando erram
  • Têm um sentimento de controle sobre as atividades e eventos das suas vidas
  • Agem de forma independente
  • Se responsabilizam pelas suas ações
  • São confortáveis e seguras na construção de relacionamentos
  • Têm coragem para tomar decisões, mesmo que sob pressão.

O pedágio da baixa auto-estima em crianças

Muitas crianças têm problemas em construir ou manter uma auto-estima elevada por muitas razões. Uma razão muito comum é quando a criança tem problemas na escola.

Se a criança falha na escola, seja repetindo de ano ou tirando notas baixas, provavelmente não recebe muitos comentários positivos e reconhecimento dos professores ou colegas de classe. Geralmente, o feedback que recebem é negativo, já que constantemente ouvem sobre o que não fizeram bem, ou que não foi suficiente.

Em alguns casos, as crianças podem receber feedbacks positivos que não são sinceros. Isso pode fazer com que não confiem nos adultos que supostamente as ajudam, ou a desconfiar de outras crianças que seriam suas amigas.

Como resultado, elas têm menos certeza de si mesmas e de suas habilidades. Elas se sentem menos motivadas a tentar coisas difíceis e podem ter dificuldade em lidar com erros e problemas. No fundo, elas podem não acreditar que são dignas de sucesso ou de algo bom.

Crianças que têm baixa auto-estima podem:

  • Se sentir frustrada, com raiva, ansiosa ou triste;
  • Perder interesse em aprender
  • Ter dificuldade em fazer e manter amigos
  • Ser um alvo mais fácil de bullying ou intimidação
  • Ser excluído ou ceder à pressão de colegas
  • Desenvolver maneiras destrutivas de lidar com desafios, como desistir, evitar, não levar a sério ou ficar em negação
  • Crianças com baixa auto-estima também podem ter dificuldades em desenvolver habilidades para se defenderem.

Como ajudar seus filhos a desenvolverem auto-estima

Construir uma boa auto-estima é possível. Crianças podem aprender e melhorar a maneira como se veem e se valorizam. Para isso, ter pais ou responsáveis realistas — mas não super protetores — é fundamental. Pedir aos professores que sejam realistas e solidários também é importante.

É importante elogiar seus filhos de maneiras que desenvolvam a auto-estima e guiá-los para que reconheçam e se orgulhem de seus esforços e realizações. Elogie os esforços das crianças, e não tudo o que elas fazem. Crianças sabem quando o que fizeram ou bem-sucedido e quando não foi. Quando seus filhos terminam uma tarefa, pergunte:

  • O que teria que ter acontecido para ter dado certo?
  • O que você não conseguiu?” “Por que você não conseguiu?
  • Que legal, você conseguiu! O que você fez que ajudou a alcançar seus objetivos?

A amizade é uma parte importante na construção de uma auto-estima elevada. Isso não significa que seus filhos precisam ter milhares de amigos ou ser popular. Ter um amigo que aceite seu filho ou filha por quem ele/ela é, já faz toda a diferença. Ajude seus filhos a descobrirem o que eles gostam de fazer, e a desenvolver as habilidades relacionadas.

:: Leia também: A quantidade de carinho que bebês recebem pode afetar o DNA ::

Como elogiar seus filhos de maneiras que desenvolvam uma boa auto-estima

Elogiar crianças (de forma genuína) é importante, mas é ainda mais significativo que crianças aprendam a reconhecer e apreciar seus próprios feitos. O que você diz e como diz pode ajudar as crianças a reconhecer coisas das quais dão orgulho para elas mesmas. Aqui estão algumas sugestões:

Situação:

O projeto que você está analisando é bom, mas sabe que a criança poderia ter se esforçado mais.

Tente dizer: “Esse é um bom começo.” ou “Como você gostaria que ele ficasse?”

A conexão de auto-elogio: Essa abordagem ajuda a criança a refletir se o seu trabalho está de acordo com as suas expectativas. Isso também pede que considerem o quanto eles trabalharam e se estão orgulhosos do esforço que fazem.

Situação:

Seu filho/a fez algo bem, mas está subestimando sucesso do seu esforço.

Tente dizer: “Você pode achar que não é grande coisa, mas foi gentil da sua parte defender seu amigo” ou “Parece que você está orgulhoso! O que mais faz você se sentir assim?”

A conexão de auto-elogio: Essa abordagem aponta o que você acha que merece elogios e o que você valoriza. Também pede às crianças que pensem sobre o que têm orgulho e o que valorizam.

Situação:

Você sabe que seu filho/a trabalhou duro, mas não atingiu a meta estipulada.

Tente dizer: “Lamento que você não tenha atingido seu objetivo. Você chegou perto! Você acha que consegue da próxima vez? O que acha de pedir ajuda se sentir necessidade?” ou “É bom que tenha gostado dos livros que leu, mesmo que a leitura possa ser difícil para você.”

A conexão de auto-elogio: Essa abordagem pede às crianças que reflitam sobre o que funcionou, e não apenas sobre o que precisa ser aprimorado. Também ajuda as crianças a aprenderem a fazerem o que gostam, mas não são ótimas.

Situação:

Seu filho/a gabaritou numa prova – e sabe disso.

Tente dizer: “Eu adoraria saber como você conseguiu! Quais estratégias você usou?” ou “Posso ver que você está animado/a! Você trabalhou muito”.

A conexão de auto-elogio: Essa abordagem lembra as crianças que fazer algo de forma consciente exige algum esforço, mesmo que não duvidassem que poderiam fazê-lo. Essa abordagem pede às crianças que percebam que o que fizeram levou ao sucesso, e ajuda a reconhecer e se orgulhar do resultado.

Créditos: Understood