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Resiliência: Como É Desenvolvida Nas Crianças e Como Pode Afetar Positivamente a Vida Adulta

A resiliência é a habilidade de superação e retorno da homeostase em meio a adversidades e pode ser desenvolvida desde quando crianças. Na vida adulta, a resiliência é importante para superar os obstáculos da vida de forma inteligente e gentil consigo mesmo. 

A história Fátima, do Truth and Tales, conta sobre a vida de Fátima, a personagem principal que passa por várias dificuldades, mas sempre se levanta dos obstáculos e segue seu caminho. O conto não aborda a questão da resiliência em si, mas é uma característica predominante de Fátima, mostrando como ela lida com todas as adversidades, tristezas e frustrações ao mesmo tempo que continua perseguindo seus objetivos.

Vamos entender mais sobre resiliência? Baseamos nosso artigo em vários materiais do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard. 

O que é Resiliência

Resiliência pode ser definida como um bom resultado em meio às adversidades. Linda C. Mayes é professora de Psiquiatria Infantil, Pediatria e Psicologia na Escola de Medicina da Universidade de Yale. Linda define resiliência como a habilidade ou conjunto de capacidades definidas para uma adaptação positiva que permite que o equilíbrio seja mantido.

Todos nascemos com a capacidade de resiliência, mas por ser uma habilidade, é necessário que seja desenvolvida. A resiliência é construída com o tempo, assim como a arquitetura do cérebro é formada. É uma habilidade individual, mas que precisa de interações entre pessoas e entre a criança e a comunidade em geral. A resiliência necessita de vários fatores para ser desenvolvida: relações responsivas, comunidade segura, pais, mães ou responsáveis qualificados, alimentação saudável etc. 

:: Leia também: Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças ::

Como é Desenvolvida

Para entender o desenvolvimento da resiliência de forma mais precisa, vamos imaginar uma gangorra onde sua base, geralmente fixa e no centro, agora é móvel, podendo ir para a esquerda ou para a direita. De um lado da gangorra estão as experiências protetoras e habilidades de enfrentamento (que nos ajudam a superar períodos de estresse); do lado oposto, estão as adversidades. 

A resiliência é evidente quando a saúde e o desenvolvimento da criança tendem a resultados positivos, mesmo quando uma carga de fatores é empilhada no lado dos resultados positivos da gangorra. Com o tempo, os impactos positivos cumulativos das experiências de vida e habilidades de enfrentamento têm a capacidade de mudar a posição da base móvel da gangorra, que começa a se mover para mais perto do extremo das adversidades, tornando mais fácil atingir resultados positivos.

O fator mais comum para crianças desenvolverem resiliência é ter pelo menos uma relação estável e comprometida com o pai, mãe, cuidador ou outro adulto. Essas relações fornecem base, proteção e o necessário para desenvolver a capacidade de resposta de acordo com a necessidade do momento. Isso amortece as crianças da interrupção do desenvolvimento. 

Elas também constroem capacidades chave – como habilidade de planejamento, de monitorar e regular comportamentos – que permitem que crianças respondam adaptativamente às adversidades e, assim, prosperem. Essa combinação de relações de apoio, construção de habilidades adaptativas e experiências positivas são as fundações da resiliência. 

Crianças que se saem bem frente a sérias dificuldades geralmente têm resistência a adversidades e relações fortes com adultos importantes da família e da comunidade em que vivem. Resiliência é o resultado da combinação de fatores de proteção. Sozinhas, nem características individuais ou ambientes sociais garantem resultados positivos para crianças que passam por períodos prolongados de estresse tóxico. É a interação entre a biologia e o ambiente que constrói a habilidade da criança de lidar com as adversidades e superar as ameaças rumo a um desenvolvimento saudável.

Resiliência Apenas na Infância?

As capacidades relacionadas à resiliência podem ser fortalecidas em qualquer idade. O cérebro e outros sistemas biológicos são mais adaptáveis no início da vida. Enquanto seu desenvolvimento estabelece as bases para uma ampla variedade de comportamentos resilientes, nunca é tarde para construir resiliência. 

Atividades que promovem saúde e apropriadas à idade podem melhorar significativamente as chances de recuperação de um indivíduo de experiências indutoras de estresse. 

Por exemplo, atividades físicas regulares, práticas de redução de estresse, e programas que ativamente constroem funções executivas e habilidades de auto-regulação melhoram as habilidades de crianças e adultos para lidar, se adaptar e até prevenir as adversidades que podem acontecer ao longo da vida. 

Adultos que fortalecem essas habilidades em si mesmos podem servir de modelos e mostrar de forma mais efetiva comportamentos saudáveis para seus filhos, melhorando assim a resiliência da próxima geração. 

A Resiliência de Fátima

Diante dos percalços ocorridos na vida de Fátima, que é uma das histórias do aplicativo Truth and Tales, muitas pessoas podem interpretar que a personagem é uma pobre coitada perseguida pelo azar e vítima de tantas situações. Porém, Fátima demonstra muito poder e sabedoria ao encarar e ultrapassar os desafios. A capacidade de Fátima de dar a volta por cima dos desafios, apesar das dores, cansaço e adversidades, é fruto da resiliência. 

Histórias em que há desafios e frustrações é importante para que as crianças tenham contato com adversidades sem vivê-las na própria pele. Isso ajuda a prepará-las para enfrentar situações desafiantes no contexto de suas vidas.

Texto: Luisa Scherer

Referências:

Resilence – Center on the Developing Child – Harvard University

In Brief: What is Resilience? – Center on the Developing CHild – Harvard University

Stress and Resilience: How Toxic Stress Affects Us, and What We Can Do About It – Center on the Developing Child – Harvard University

Música ajuda o desenvolvimento do cérebro em bebês prematuros

A informação de que música clássica é bom para bebês têm circulado na internet e em grupos de pais. Mas será que o benefício é real? Se é especificamente música clássica, não sabemos. Mas um estudo feito nos Hospitais Universitários de Genebra comprovou que bebês prematuros tiveram um melhor desenvolvimento do cérebro ao ouvirem um tipo específico de música.

Os bebês prematuros que foram expostos à música na unidade de tratamento intensivo tiveram um melhor desenvolvimento de redes cerebrais, levando à uma arquitetura cerebral funcional mais parecida às dos recém-nascidos a termo.

O impacto no desenvolvimento do cérebro

Foi detectado que algumas áreas do cérebro dos bebês prematuros expostos à música tiveram um maior desenvolvimento. Isso impactou na percepção sensorial, nos mecanismos de atenção que facilita o aprendizado relacionado ao desenvolvimento cognitivo e perceptivo, no processamento afetivo e emocional, e nas respostas cognitivas e comportamentais.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Genebra e publicado em junho de 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Ao todo, 45 bebês participaram da pesquisa. 16 recém-nascidos a termo (que não nasceram prematuros) e 29 bebês prematuros recém-nascidos nos ambientes de terapia intensiva dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).

Dos 29 bebês recém-nascidos prematuros, 15 bebês eram do grupo de controle sem intervenção de música e 14 eram do grupo de controle com intervenção de música.

Segundo o artigo “Music in premature infants enhances high-level cognitive brain networks”, feito a partir dos resultados do estudo, os bebês prematuros que foram expostos a um certo tipo de música tiveram um aumento significativo no desenvolvimento das redes cerebrais em relação aos bebês prematuros que não tiveram contato com música.

O cérebro de bebês prematuros ainda são muito imaturos porque não se desenvolveram por completo no período de gestação que tiveram. Por isso, os bebês precisam ficar algum tempo na incubadora de uma unidade de tratamento intensivo para desenvolver mais.

Apesar das incubadoras imitarem o ambiente em que o bebê se encontrava no ventre da mãe, muito se perde no quesito de desenvolvimento. Segundo Petra Huppi, professora que dirigiu o trabalho da Faculdade de Medicina da UNIGE e chefe da Divisão de Desenvolvimento e Crescimento do HUG, “A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”.

A música

A música que os bebês prematuros tiveram contato foi composta exclusivamente para eles e para o estudo. Foi utilizado alguns instrumentos específicos como harpa, sinos e pungi, que produziram respostas cerebrais e comportamentais em recém-nascidos prematuros em um estudo anterior.

A música foi dividida em três faixas para se adaptar ao estado de vigília do bebê: uma que ajuda o bebê a acordar; a segunda interage com o bebê acordado; e a última que ajuda o bebê a dormir.

:: Leia também: A quantidade de carinho que bebês recebem pode afetar o DNA ::

Como os games e jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial

Visão espacial é um termo conhecido por aqueles que desenvolvem games e aplicativos ou mesmo entre profissionais da educação, mas pouco discutido por aqueles que não atuam nessas áreas. 

A visão espacial começa a ser desenvolvida desde quando somos bebês. Elizabeth Spelke é psicóloga e pesquisadora de estudos do desenvolvimento em Harvard, e estuda o desenvolvimento cognitivo das crianças desde 1980.  

Num artigo publicado em 2020 afirma que os bebês conseguem distinguir mudanças de ângulos e formas em desenhos. Através de gestos, os pequenos também aprendem a desenvolver senso de geometria. 

Conversamos com Vânia Cristina Pires Nogueira Valente para falar sobre como a visão espacial se manifesta e é aprimorada por meio de games.

Vânia Cristina Pires Nogueira Valente é vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia – Mestrado Profissional – FAAC/Unesp e livre docente em Representação Gráfica. Também é docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e autora do livro Desenvolvimento da visão espacial por games digitais

O que é visão espacial? 

Segundo Vânia, visão espacial é uma série de capacidades. É uma habilidade que não é nata, ou seja, você não nasce com isso e desenvolve ao longo da vida.

“A visão espacial não é um dom, é algo que você desenvolve assim como você aprende a escrever ou a andar de bicicleta. A visão espacial é aprimorada e desenvolvida, e pode ser melhorada cada vez mais. Essa habilidade envolve imaginar objetos e coisas tridimensionais, e conceber alguma construção na sua cabeça.

“Por exemplo, o Waze é um mapa bidimensional, mas você consegue imaginar a estrada e a esquina que você vai virar. O processo de conseguir converter esse 2D em 3D significa que você tem a habilidade de visão espacial bem desenvolvida. Ou quando você imagina um dado e consegue imaginar esse dado virando: isso é a visão espacial trabalhando”. 

Como podemos desenvolver a visão espacial? 

A professora conta que é preciso desenvolver habilidades cognitivas antes de desenvolver a visão espacial. “É necessário ter rapidez de raciocínio, noção de distância, rapidez de resposta e reflexo. É por isso também que em esportes de contato, onde é necessário ter um objetivo para atingir e calcular o tempo para se livrar do adversário, como o futebol, existem várias habilidades que são desenvolvidas, e tudo isso ajuda a desenvolver a visão espacial”.

“São várias dessas habilidades juntas, como rapidez de raciocínio e reflexo, que os games também auxiliam nesse desenvolvimento, como por exemplo os jogos de tiros, onde o jogador tem que se desvencilhar de adversários e, para isso, é necessário ter rapidez de raciocínio.”

Vânia cita o jogo Overwatch em seu livro como exemplo de jogos de ação, que também estimulam as habilidades para o desenvolvimento da visão espacial. Jogos em que existe velocidade geralmente pede rapidez de resposta. Muitos deles também contém vários elementos na tela que o jogador precisa prestar atenção. Todos esses elementos desenvolvem habilidades que levam a aprimorar a visão espacial, segundo Vânia. 

“Eu gosto de alguns jogos mais específicos, como o Minecraft, onde você pode olhar objetos de diferentes pontos de vista. Você consegue navegar pelo espaço, pelo ambiente do jogo e você vê o mesmo objeto de várias posições: de cima, de frente e de lado. Isso faz com que o cérebro consiga montar objetos em 3D a partir destas visões. Indico o Minecraft para os meus alunos, para exercitar a habilidade de visão espacial deles”, explica. 

Uma visão espacial desenvolvida pode ser necessária para diversas profissões: 

Os benefícios do desenvolvimento da visão espacial propicia diversas habilidades necessárias para várias profissões, segundo Vânia.

“No meu caso, como dou aula para cursos de engenharia, design, de desenho técnico, os alunos precisam desenhar os objetos, projeções, plantas, desenhos vistos de cima e de frente e, para isso, eles precisam ter a habilidade espacial muito bem desenvolvida”. 

“Eu notava nas minhas aulas que os alunos que jogavam games ou praticavam esportes de ação e contato, como futebol, tinham mais facilidade que outros. Profissionalmente é muito importante ter a visão espacial desenvolvida, e para a vida pessoal também.”

Vânia comenta que a visão espacial também é extremamente importante no ato de dirigir já que, para conduzir o veículo, o motorista deve ter atenção em diversos pontos, assim como calcular o espaço, velocidade etc. 

Débora Nazário

Nota da editora

Agora que já vimos que muitos jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial, pode surgir a dúvida: mas e a questão das crianças e jogos violentos? Esse assunto é discutido abertamente desde que os videogames se consolidaram como um entretenimento entre os jovens, há pelo menos 20 anos. 

É claro que, quanto mais tarde apresentar jogos violentos para a criança, melhor. Mas jogar esse tipo de jogo no computador ou videogame não necessariamente torna a criança violenta. A mudança comportamental das crianças não tem apenas um motivo, o que também não exclui a possibilidade de jogos violentos serem um gatilho para comportamentos agressivos. Isso depende de quanto tempo essa criança joga por dia, se há um diálogo entre ela e os pais, se irmãos ou irmãs mais velhas jogam esses jogos e até da personalidade da criança.

Opinião do especialistas

Até mesmo a opinião dos especialistas é dividida neste assunto. Há os que defendem que jogos eletrônicos influenciam sim no comportamento das crianças, e os que defendem que não é algo que tenha um único fator, e que há uma série de acontecimentos, e não um isolado, que podem levar a esse tipo de comportamento.

Até hoje é difícil achar um artigo que dê um veredicto sobre isso. Muito provavelmente porque há muitas questões envolvidas: participação dos pais na vida da criança, relacionamento dessa criança com seus responsáveis, questões socioeconômicas, de gênero, de personalidade, e por aí vai.

Um dos únicos consensos é em relação ao tempo de tela de acordo com a idade da criança. Várias Associações e Conselhos de Pediatria ao redor do mundo indicam nenhum tempo de tela para crianças menores de 2 anos. A partir dessa idade, começa com 30 minutos e vai aumentando ao longo da faixa etária. 

Outro consenso é em relação às crianças que se isolam nos jogos eletrônicos, que é um sinal de alerta. Crianças que costumam jogar no computador e videogame, mas que fazem outras atividades e hobbies, têm uma relação diferente com os eletrônicos das crianças que se isolam no computador e videogame. Se seus filhos se isolam, vale dar mais atenção a eles, oferecer outro tipo de atividade, fazer mais passeios, perguntar sobre seus amigos e etc, e ajudá-los no que for necessário.

Análise de Harvard

Uma análise de 2010 da Harvard Health Publishing, da Universidade de Harvard, traz artigos de especialistas de vários lados da moeda. Alguns artigos, mais recentes na época, argumentam que muitos estudos sobre a questão da violência na mídia dependem de medidas para avaliar a agressão que não se correlacionam com a violência do mundo real – e ainda mais importante, muitos trazem abordagens observacionais que não provam causa e efeito. 

Segundo esse documento, “Embora os adultos tendem a ver os videogames como isolantes e antissociais, outros estudos descobriram que a maioria dos jovens entrevistados descreveu os jogos como divertidos, emocionantes, algo para conter o tédio, algo para fazer com os amigos. Para muitos jovens, o conteúdo violento não é a atração principal.

“Os meninos, em particular, são motivados a jogar videogame para competir e vencer. Visto neste contexto, o uso de videogames violentos pode ser semelhante ao tipo de brincadeira violenta em que os meninos se envolvem como parte do desenvolvimento normal. Os videogames oferecem mais uma saída para a competição por status ou para estabelecer uma hierarquia.”

O que pode ser feito em casa

O nosso ponto é: não é o fim do mundo se seus filhos jogam jogos eletrônicos violentos. Se esse for o caso e você tem preocupações, faça o básico: 

  • Mostre interesse por aqui que seu filho tem interesse. 
  • Tente entender porque ele/a gosta tanto. 
  • Jogue com ele/a, converse sobre isso. 
  • Pesquise sobre o jogo e busque informações. 
  • Fique atento às mudanças de comportamento e pergunte para a criança o que ela pensa, ao invés de ter certeza de que sabe da resposta.
  • Incentive a praticar esportes
  • Lembre que é importante que crianças tenham um limite de tempo de telas! Se não tem isso na sua casa, veja se faz sentido para você e sua família. Falamos sobre isso aqui
  • Veja se seus filhos estão jogando jogos que estão de acordo com a faixa geracional deles.*

*Por exemplo: crianças de 7 anos jogando um jogo para 16 anos é, sem dúvidas, inapropriado. Se isso acontecer, pesquise outras opções parecidas e divertidas para oferecer para essa criança, em troca do primeiro. Por exemplo: se está jogando jogo de tiros, pesquise uma opção de jogo de paintball, onde a mecânica é a mesma, mas não há a mesma violência.

Por outro lado, é muito comum adolescentes de 13 ou 14 anos jogarem jogos com idade indicativa para 16 ou 18 anos. É o ideal? Não, mas proibir só causa mais revolta, neste caso. Para fazer essa avaliação, leve em consideração algumas particularidades dos seus filhos como maturidade, sensibilidade a alguns temas e converse com eles sobre os conteúdos que aparecem no jogo (armas, violência ou qualquer outro tema que você ache inapropriado para a idade. Nessa idade, o diálogo é melhor do que tirar o jogo da criança).

Posicionamento Truth and Tales: não recomendamos que crianças menores de 4 anos consumam conteúdos em telas

Fazer o bem faz bem? Como a bondade genuína afeta o cérebro

Quando oferecemos ajuda para alguém, ou quando olhamos para o próximo com compaixão e, a partir disso, tomamos alguma atitude, estamos praticando a bondade. Esses atos que podem passar despercebidos pela nossa rotina fazem muito bem para o outro e também para nós mesmos. Sabe aquela sensação que você sente depois de praticar a bondade? Ela faz parte dos efeitos que a bondade genuína causa no nosso cérebro

A bondade ativa regiões de recompensa de nosso cérebro

Em 2018, um grupo de pesquisadores britânicos da University of Sussex afirmou que atos de generosidade ativam as regiões de recompensa do cérebro.

O estudo analisou 1.150 participantes cujos cérebros foram escaneados através de exames de ressonância magnética (fMRI) ao longo de um período de dez anos com um diferencial nessa análise: a comparação feita entre o verdadeiro altruísmo e a bondade estratégica, ou seja, aquelas atitudes que são feitas esperando algo em troca ou algum tipo de reconhecimento. 

“Este grande estudo levanta questões sobre as pessoas que têm motivações diferentes para dar aos outros: interesse próprio claro versus o sentimento caloroso do altruísmo”, afirmou o líder da pesquisa, Dr. Daniel Campbell-Meiklejohn em um comunicado publicado logo após a divulgação do estudo. 

“A decisão de compartilhar recursos é a pedra angular de qualquer sociedade cooperativa. Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir uma ‘pessoa boa’, mas também que as pessoas podem escolher ser gentis quando pensam que pode haver algo nisso em benefício delas, como um favor retribuído ou reputação melhorada” afirmou. 

A recompensa é maior quando agimos com uma bondade que não é estratégica

Os pesquisadores descobriram que as decisões estratégicas de bondade mostraram maior atividade nas regiões do corpo estriado do cérebro do que as escolhas altruístas, que são aquelas que não se espera nada em troca. O corpo estriado atua na memória não declarativa ou implícita, que são as memórias subconscientes e algumas habilidades como andar de bicicleta ou patinar no gelo. Ou seja, atividade que fazemos “no automático”.

A bondade genuína, mais do que a bondade estratégica, ativa uma parte do cérebro chamada córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). Estudos mostraram que o volume médio de matéria cinzenta do sgACC é anormalmente reduzido em indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno bipolar, independentemente do estado de humor. 

O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido nas decisões generosas e é responsável por diferenciar esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial participa do processamento de risco e de medo, já que faz um importante papel na regulação da atividade da amígdala. O vmPFC também desempenha um papel importante na inibição de respostas emocionais e no processo de tomada de decisão e autocontrole, além de estar envolvido no senso de moralidade.

Ou seja, pessoas que praticam mais bondade genuína ativam mais a parte do cérebro que regula a amígdala, mantendo o nível de stress em equilíbrio. Ao praticar a bondade genuína, o cérebro também trabalha regiões que, se não forem muito ativas, são relacionadas com depressão e bipolaridade. Portanto, após essas análises, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando somos bondosos de forma genuína.

A ciência da bondade 

Ao pesquisar sobre os efeitos da bondade em nosso cérebro, encontramos a Random Acts of Kindness Foundation, uma organização sem fins lucrativos que investe recursos para tornar a gentileza amplamente praticada pelas pessoas, seja em casa, na escola ou no ambiente de trabalho. Essa iniciativa é baseada em estudos científicos que comprovam que podemos viver melhor ao praticar a bondade.

Outras funções comprovadas que envolve praticar a bondade:

A bondade aumenta o hormônio do amor: 

O hormônio do amor chamado ocitocina é liberado quando realizamos atos de bondade. Essa liberação ajuda a reduzir a pressão arterial e a melhorar a saúde geral do coração. – Natalie Angier, The New York Times

Energia: 

Metade dos participantes de um estudo relatou se sentirem mais fortalecidos e com mais energia depois de ajudar os outros. Alguns relataram também se sentirem mais calmos e menos deprimidos. – Christine Carter, UC Berkeley, Greater Good Science Center.

:: Leia também: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Praticar a bondade pode diminuir a ansiedade 

Um estudo realizado pela professora Dr. Lynn Alden da University of British Columbia e pela psicóloga Jennifer Trex indica que a ansiedade social pode diminuir ao praticar a bondade.

Para a pesquisa, os autores recrutaram 115 estudantes de graduação que apresentavam altos níveis de ansiedade social. Esses participantes foram divididos de maneira aleatória em três grupos para uma intervenção que durou quatro semanas. 

Um dos grupos foi incentivado a realizar atos de bondade; outro grupo foi exposto a interações sociais; e o terceiro não recebeu instruções, foi pedido apenas que os participantes fizessem registros de suas rotinas. Os resultados mostraram que a maior diminuição no desejo de evitar interações sociais foi observada entre os indivíduos que foram incentivados a realizar atos de gentileza.

O que a Professora Lynn Alden diz

“O objetivo central do tratamento para o transtorno de ansiedade social é aumentar o envolvimento em situações sociais, que os indivíduos socialmente ansiosos costumam evitar. Os exercícios de exposição social podem ser aprimorados encorajando indivíduos ansiosos a se concentrarem em ações amáveis. Portanto, abrir a porta para um vizinho que está empurrando um carrinho de bebê, agradecer aos balconistas da mercearia pela ajuda ou oferecer um café para um colega de trabalho pode ser uma boa maneira de começar a exposição social”, relatou a professora. 

A professora Lynn Alden explicou também que atos de bondade podem ajudar a combater o medo da pessoa socialmente ansiosa de uma avaliação negativa de terceiros, promovendo percepções e expectativas mais positivas de como as outras pessoas irão reagir.

“Descobrimos que qualquer ato gentil parecia ter o mesmo benefício, mesmo pequenos gestos como abrir a porta para alguém ou dizer “obrigado” ao motorista do ônibus. A gentileza não precisa envolver dinheiro ou esforços demorados, embora alguns de nossos participantes o fizessem. A gentileza nem precisava ser “cara a cara”. Por exemplo, atos de bondade podem incluir doar para uma instituição de caridade ou colocar uma moeda no parquímetro de alguém quando você perceber que ele está piscando. Estudos feitos por outros pesquisadores sugerem que é importante que o ato gentil seja feito por si mesmo, e que não pareça coagido ou seja feito para benefício pessoal. Tirando isso, vale tudo”, explicou. 

Praticar a bondade pode retardar o envelhecimento

A ocitocina, hormônio produzido através do calor emocional, age na redução dos níveis de radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular e, dessa forma, retarda o envelhecimento na origem. Os radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular desempenham um papel relevante e é por isso que podemos dizer que a bondade faz bem também para o coração. 

Algumas revistas científicas já publicaram estudos sobre a forte ligação entre a compaixão e a atividade do nervo vago. O nervo vago, além de regular a frequência cardíaca, também é responsável por controlar os níveis de inflamação no corpo. 

Um estudo analisou a meditação de budistas tibetanos e descobriu que a bondade e a compaixão auxiliam na redução da inflamação no corpo, provavelmente devido aos seus efeitos no nervo vago.

Essas análises estão presentes no livro “The Five Side Effects of Kindness: This Book Will Make You Feel Better, Be Happier & Live Longer” escrito pelo Dr. David R. Hamilton, que é formado em Química Orgânica e trabalhou durante vários anos na indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. 

NOTA DA EDITORA

Todas essas informações falam da bondade genuína. Genuíno significa puro, real, verdadeiro. É importante levar isso em consideração porque ninguém pode cobrar atos de bondade genuína das pessoas. Essas ações vêm de forma espontânea, direto do coração.

Aos papais e mamães: dar o exemplo realmente é uma forma de mostrar para as crianças como fazer o bem faz bem, mas forçar situações não é a solução. Se você não está num dia bom, não force nada que não queira fazer para “ser um bom exemplo aos seus filhos”. Isso não irá fazer bem a você e nem aos pequenos. Também evite cobrar boas ações das crianças. Ninguém vai deixar de ser uma boa pessoa porque não segurou a porta para alguém entrar. 

Deixe que essas qualidades sejam manifestadas por elas mesmas, sem forçar ou incentivar. A beleza e os benefícios da genuinidade é deixar que venha e se manifeste de forma espontânea. Não se preocupe em “ser mais bondoso” ou “ensinar os filhos a ser bons”. A bondade está dentro de todo mundo, basta percebê-la e deixá-la manifestar.

A eficácia do dever de casa para crianças pequenas

É raro encontrarmos uma criança que goste de fazer o dever de casa. Sabemos que “Já fez a lição?” é uma frase bem comum entre as famílias, e geralmente vem seguida de um cabo de guerra entre pais e filhos.

Hoje em dia, crianças cada vez mais jovens chegam em casa depois da escola com pilhas de lição de casa. Será que os deveres são mais importantes do que brincar e descansar? Até que ponto que a lição de casa é realmente eficaz e necessária?

Traduzimos uma matéria do site Salon que traz uma pesquisa sobre até onde as lições de casa têm benefícios para estudantes do primário do ensino fundamental.

Reavalie e questione

Não há evidências de que qualquer quantidade de dever de casa melhora na performance acadêmica de estudantes do primário.

Esta citação foi feita por Harris Cooper, que pesquisador da Duke University. Será verdade que as horas de brincadeiras perdidas, lutas pelo poder (conhecidas também como “manhas”) e muitas lágrimas roladas são inúteis? Que milhões de famílias passam por um ritual noturno que não ajuda? O dever de casa é uma prática tão aceita que é difícil para a maioria dos adultos questionar seu valor.

Mas ao olhar com mais cuidados aos fatos, é isso que vai encontrar: dever de casa tem benefícios, mas é intimamente dependente e relacionado com a idade da criança.

O que as pesquisas mostram sobre o dever de casa

Para crianças do ensino primário, pesquisas sugerem que estudar durante as aulas promove resultados de aprendizado mais altos, enquanto trabalhos da escola para fazer em casa são apenas… trabalho extra.

Do 6º ao 9º ano a relação entre sucesso acadêmico e dever de casa é, na melhor das hipóteses, mínimo. Quando as crianças atingem o ensino médio, dever de casa oferece benefícios acadêmicos, mas apenas com moderação. Cerca de duas horas por noite é o limite. Depois dessa quantidade, os benefícios diminuem.

Etta Kralovec, professora de Educação na Universidade do Arizona, concorda: “A pesquisa é muito clara. Não há benefícios quando estão no primário do ensino fundamental.”

Antes de continuar, vamos desmistificar que os resultados da pesquisa são devidos a estudos mal construídos. Na verdade, é o oposto. Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 em 2006.

A análise abrangente que ela fez em cima dos estudos compilados não encontrou evidências acadêmicas de benefícios nas séries primárias do ensino fundamental. No entendo, encontrou um impacto negativo na atitude das crianças em relação à escola.

Qual o impacto?

É isso que preocupa. Dever de casa tem impacto nos estudantes mais novos, mas não é positivo. Uma criança que acabou de entrar na escola merece uma chance de desenvolver o amor pelo aprendizado.

Ao invés disso, dever de casa nos primeiros anos escolares faz com que muitas crianças se voltem contra a escola, contra as futuras lições de casa e o aprendizado acadêmico. E é uma longa jornada. Uma criança no jardim de infância tem que lidar com 13 anos de dever de casa a sua frente.

Também tem os danos nas relações pessoais. Em milhares de lares pelo país, a batalha do dever de casa é diário. Pais incomodam e tentam persuadir os filhos a fazer a tarefa. Crianças cansadas protestam e choram. Ao invés de se conectar e dar suporte uns aos outros no fim do dia, muitas famílias se veem presas no cíclico “Você fez o dever de casa”?

Crianças pequenas e o dever de casa

Quando o dever de casa é dado muito cedo, é difícil para as crianças mais novas terem que lidar com as tarefas de forma independente — elas precisam de um adulto para lembrá-las dos deveres e descobrir como fazê-los.

As crianças criam o hábito de contar com os adultos para ajudá-las a fazer a lição de casa, ou, em muitos casos, para fazer as suas tarefas. Os pais assumem com frequência o papel da “patrulha da lição de casa”.

Ser o chefe irritante é uma tarefa chata que ninguém quer ter, mas isso se mantém até o ensino médio. Além do conflito constante, ter uma patrulha dos deveres em casa desvia de um dos principais propósitos da lição de casa: ter responsabilidade.

Os apoiadores dos deveres de casa defendem que as lições ensinam responsabilidade, reforçam as atividades aprendidas na escola e criam um link escola-casa com os pais.

Contudo, pais que se envolvem na vida escolar dos seus filhos podem ver o que volta na mochila da criança e iniciar o hábito de compartilhar os aprendizados do dia — eles não precisam monitorar a tarefa de casa para saber o que seus filhos tiveram naquele dia na escola.

E a responsabilidade?

Responsabilidade é ensinado diariamente de diferentes formas: é para isso que servem os animais estimação e as tarefas de dentro de casa. É preciso de responsabilidade para uma criança de 6 anos lembrar de trazer seu chapéu e sua lancheira de volta para casa.

É preciso responsabilidade para uma criança de 8 anos se vestir, arrumar sua cama e ir para a escola todos os dias. São tarefas que precisam ser reforçadas e relembradas todos os dias, mas não são os únicos fatores de aprendizado.

Prioridades não-acadêmicas (uma boa noite de sono, o relacionamento familiar e hora de brincar) são vitais para o equilíbrio e bem-estar. Elas também impactam diretamente na memória, foco, comportamento e potencial de aprendizado das crianças.

As lições fundamentais são ensinadas e reforçadas todos os dias em sala de aula. O tempo de depois da escola é precioso para o descanso da criança.

O que funciona mesmo

O que funciona melhor que o dever de casa tradicional, para as crianças do primário, é ler simplesmente em casa: pais lendo em voz alta para as crianças, ou as crianças lendo sozinhas. O segredo é fazer da leitura um momento de prazer. Se a criança não quiser praticar as habilidades de leitura depois de um longo dia na escola, leia para ela.

Qualquer projeto de casa deve ser opcional e ocasional. Se a tarefa não promove mais alegria em relação à escola e interesse em aprender, então não há lugar para a atividade nas salas de aula de crianças do primário.

Dever de casa não tem espaço na vida de uma criança pequena. Sem benefícios acadêmicos, há maneiras melhores de utilizar o tempo nos horários depois da escola.

Tecnologia: quando devo apresentar para meus filhos?

“Quando devo apresentar a tecnologia para as crianças?” Como uma empresa de tecnologia voltada para o público infantil, ouvimos essa pergunta com muita frequência de amigos, familiares e pessoas próximas, sejam pais, tios, avós ou pessoas que planejam ter filhos algum dia.

Cuidado com a idade!

A nossa primeira dica é: não dê tablet e celular antes da criança completar dois anos de idade. A exposição das telas a crianças menores de dois anos não traz benefícios e pode acarretar atraso em funções cognitivas. Vale lembrar que a televisão também é tela e deve seguir os mesmos cuidados do celular e tablet!

Se a criança tem mais de três anos e já pede pelas telas, fizemos um post sobre os limites de tempo de exposição das telas.

Meu filho não liga para telas. Isso é um problema?

Muitos adultos ficam preocupados quando seus filhos, netos, sobrinhos ou crianças próximas não se interessam pelas telas. As crianças não pedem para mexer no celular ou não são muito “da televisão”. Fique tranquilo: ele ou ela não vai ficar atrás dos coleguinhas no quesito tecnologia.

A tecnologia avança cada vez mais rápido. Crianças que aprenderam a mexer em celulares nos anos 2010 terão que reaprender a mexer nos de 2020, que já terá uma tecnologia totalmente diferente.

A tecnologia foi feita para ser intuitiva e fácil de usar. Se sua filha ou filho se interessar aos 12 anos de idade, pode ter certeza que irá aprender a pilotar a máquina bem rápido e com facilidade. O mesmo vale para crianças de 5, 7, ou 10 anos.

Quanto mais tarde tiver contato com celulares e tecnologia, mais protegida a criança estará

Sabemos que há muitos benefícios: muitos apps que visam o desenvolvimento da criança estão surgindo e são verdadeiros parques de diversões para a criatividade dos pequenos, mas não podemos ignorar o fato de que a tela seduz. Se nós, adultos, já perdemos a noção do tempo quando estamos no celular, imagine uma criança.

Nosso posicionamento é esse: quanto mais a criança quiser esperar pra começar com a “vida tecnológica”, mais benefícios da tecnologia ela terá. O que não significa que precisamos polarizar. Se a criança demonstrar interesse ainda nova, não tem problema deixá-la usar se utilizar com responsabilidade, com a participação e supervisão de adultos, com limite de tempo e consumindo conteúdos de qualidade e indicados para a sua idade.

Meu filho é tímido e introvertido. E agora?

Traduzimos o artigo For Extroverts: 15 Ways to Be a Better Parent to Your Introverted Kid, de Jennifer Granneman, que traz 15 dicas para você saber lidar com o temperamento tímido e introvertido do seu filho(a) e a criar um relacionamento seguro e saudável com ele(a).

Você está confuso em relação ao seu filho ou filha. Ele ou ela não age da mesma forma que você quando criança. Está hesitante e reservado(a). Ao invés de correr para brincar, prefere ficar de lado a assistir às outras crianças se divertirem.

Seu filho ou filha fala com você pelos cotovelos — às vezes divagando ou contando histórias, mas outras vezes ficava calada, e você não consegue entender o que está passando pela cabeça dela.

Ele(a) passa muito tempo sozinho em seu quarto e a professora diz que gostaria que ele ou ela participasse mais da aula. Sua vida social é limitada a duas pessoas. E o estranho é que seu filho(a) parece estar super ok com tudo isso.

Não é incomum que pais que com comportamentos extrovertidos se preocupem com seus filhos com temperamento tímido e introvertido. Muita gente se pergunta se esse comportamento tímido é emocionalmente saudável.

Crianças podem sofrer de ansiedade e depressão, assim como adultos. Por isso, é importante se informar dos sintomas da depressão na infância: às vezes, o afastamento de família e amigos e falta de energia pode significar algo mais que timidez e introversão.

Em contrapartida, muitas crianças com comportamento introvertido e tímido não têm depressão ou ansiedade.

Como cuidar do seu filho(a) com comportamento introvertido e tímido de forma saudável:

1. Saiba que não tem nada de incomum ou vergonhoso em ter comportamento tímido e introvertido

Pessoas tímidas não são minorias. Os números variam de acordo com o estudo, mas 30% a 50% da população dos Estados Unidos é composto por pessoas introvertidas.

Muitos líderes, artistas e empreendedores de sucesso se consideram introvertidos, como Bill Gates, Emma Watson, Christina Aguilera, J.K. Rohling e Madre Teresa.

2. Entenda que o temperamento tímido do seu filho(a) é natural da criança

Você acha que seu filho pode “superar” o ódio pelas festas de aniversário estridentes? Pense de novo. O cérebro de pessoas introvertidas e extrovertidas têm conexões diferentes, de acordo com a Dra. Marti Olsen Laney, autora do livro The Hidden Gifts of the Introverted Child. Ela escreve que o temperamento das crianças é inato, apesar de os pais terem um papel importante em nutrir esse temperamento.

O cérebro dos introvertidos e extrovertidos usam diferentes vias de neurotransmissores e, de maneira geral, usam diferentes “lados” dos seus sistemas nervosos (introvertidos preferem o lado parassimpático, que é o sistema de “descanso e digestão”, e oposição ao simpático, responsável pelo “lutar, fugir e congelar”).

Além disso, um estudo publicado no Journal of Neuroscience descobriu que os introvertidos têm massa cinzenta maior e mais espessa em seus córtices pré-frontais, que é a área do cérebro associada ao pensamento abstrato e à tomada de decisões.

3. Vá devagar ao apresentar pessoas novas para seu filho(a)

Pessoas com temperamento introvertido podem se sentir sobrecarregados e ansiosos em novos ambientes e em torno de novas pessoas. Se vocês estão em um evento social, não espere que seu filho ou filha se misture com outras crianças e saia se apresentando por aí imediatamente.

Chegar cedo nessas ocasiões ajuda, assim, pode ser que seu filho(a) se sinta mais confortável num ambiente em que ele chegou antes que as outras pessoas. Deixar que a criança fique perto de você também pode ajudar, ou outro lugar onde ela se sinta segura. Observar de longe acalma bastante.

Não importa em que nova experiência a criança esteja se acostumando, lembre-se: vá devagar, mas não deixe de ir. “Não deixe que ele desista de fazer as atividades, mas respeite seus limites, mesmo quando eles parecerem extremos.”, escreve Susan Cain sobre crianças introvertidas.

4. Lembre seu filho(a) que ele(a) pode dar uma pausa na socialização se sentir sobrecarregado ou cansado

Enquanto pessoas com temperamento extrovertido se sentem energizadas socializando, introvertidos podem se sentir drenados de energia.

Se seu filho(a) é mais velho, ele pode pedir licença e dar um tempo num lugar mais calmo, como em outro quarto, no banheiro ou fora do local.

Se a criança é mais nova, talvez não perceba quando está cansada, por isso, observe os sinais de fatiga e ajude-a a identificar e se ausentar nestes momentos.

5. Elogie a criança quando ela se coloca numa situação social que considera de risco

Fale para ela que você admira o que ela fez e que você torce por ela. Pode ser algo como “Ontem eu vi que você falou com aquela criança nova. Sei que foi difícil pra você, mas tenho orgulho do que você fez”.

6. Lembre-a de quando ela acaba gostando de algo que inicialmente tinha medo

Muitas crianças colocam uma visão negativa de algumas situações que ainda não aconteceram por medo. Diga algo como “Você pensou que a festa não seria legal para você, mas acabou fazendo amigos, olha que legal!”. Com um esforço positivo como esse, com o tempo, é mais provável que ela consiga regular o nervosismo e pavor em momentos de socialização.

:: Leia também: Como ajudar as crianças a desenvolverem uma boa auto-estima ::

7. Ajude seu filho(a) a cultivar suas paixões

Seu filho ou filha pode ter interesses intensos e talvez até únicos. Christine Fonseca, autora de Quiet Kids: Help Your Introverted Child Succeed in an Extroverted World, fala para dar oportunidades para que as crianças introvertidas busquem esses interesses.

Futebol e grupo de escoteiros podem funcionar bem para algumas crianças, mas não se esqueça de olhar para caminhos menos tradicionais como aulas de artes, programação, redação ou campos da ciência.

O envolvimento intenso em uma atividade pode trazer felicidade, bem-estar e confiança, e oferece ao seu filho(a) a oportunidade de socializar com outras crianças que têm paixões semelhantes e, talvez, temperamentos semelhantes.

8. Converse com a professora do seu filho(a) sobre sua introversão e timidez

Isso ajuda a professora a lidar melhor com sua filha/o. Muitas professoras e professores assumem erroneamente que crianças com temperamento introvertido não falam muito em sala de aula por falta de atenção ou falta de interesse. Ao contrário, estudantes introvertidos podem ser mais atentos às aulas, mas preferem ouvir e observar do que participar ativamente.

Se a professora souber do temperamento introvertido da criança, ela pode ajudá-la de formas mais sutis e suaves, como na interação com amigos, na participação de trabalhos em grupo ou apresentações em sala de aula.

9. Ensine seu filho(a) a se defender

Ensine a dizer “pare!” ou “não!” em voz alta quando a criança vê necessidade em colocar limite, por exemplo, quando outra criança tentar tirar um brinquedo dele(a).

Se seu filho(a) estiver sofrendo bullying ou estiver sendo tratado de forma injusta na escola, encoraja a falar com um adulto ou com quem está fazendo isso com ele(a). “Comece ensinando à crianças introvertidas que sua voz é importante”, diz Fonseca.

10. Certifique-se de que seu filho(a) seja ouvido

Ouça seu filho e faça perguntas para fazê-lo falar mais. Muitas pessoas com temperamento introvertido — crianças e adultos — lutam para se sentir ouvidos pelos outros.

Os introvertidos “vivem internamente e precisam de alguém que os perceba, os escute e que os entenda”, escreve Dra. Laney em seu livro. “Sem pais ouvem e refletem de volta para eles, como um eco, o que eles estão pensando, eles podem se perder em suas próprias mentes.”

11. Esteja ciente de que seu filho(a) pode não pedir ajuda

Pessoas com temperamentos introvertidos tendem a internalizar os problemas. Seu filho pode não falar com você sobre uma situação difícil com a qual está lidando, embora deseje e/ou precise de ajuda ou alguma orientação de um adulto. Faça perguntas e ouça com atenção — mas não force ou faça perguntas que pareçam um interrogatório.

12. Não coloque a etiqueta de “tímido” no seu filho

“Tímido/a” é uma palavra que carrega uma conotação negativa. Se a criança que tem um temperamento introvertido ouve a palavra “tímida” se referindo a ela muitas vezes, ela pode começar a acreditar que seu desconforto com as pessoas é uma característica fixa, não um sentimento que ela pode aprender a regular.

Além disso, “tímida” foca na inibição que ela experimenta e não ajuda a entender a verdadeira fonte de sua quietude — seu temperamento introvertido.

13. Não se preocupe se seu filho(a) tem apenas um ou dois amigos próximos

Pessoas com temperamento introvertido buscam profundidade nos relacionamentos, não amplitude. Elas preferem um pequeno círculo de amigos e geralmente não estão interessados em ser “populares”.

14. Não leve para o pessoal quando seu filho(a) precisa de um tempo sozinho/a

Qualquer coisa que puxe seu filho para fora do seu mundo interior — como ir à escola, socializar, ou mesmo uma nova rotina — é um esforço, drena suas energias.

Não fique sentido ou pense que seu filho(a) não gosta de estar com a família quando fica sozinho/a em seu quarto (lendo um livro, jogando no computador ou apenas brincando e usando sua imaginação).

Provavelmente, quando a criança se sentir com as energias recarregadas, ela irá querer passar mais tempo com a família.

15. Celebre o temperamento de seu filho(a)

“Não apenas aceite seu filho(a) por quem ele(a) é; valorize-o/a por quem ele(a) é”, diz Caim. “Crianças com temperamento introvertido costumam ser companhias gentis, focadas e muito interessantes, desde que estejam em ambiente que funcionam para elas.”

A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado

Brincar faz bem para o corpo, para a alma e também para o cérebro. Neste artigo, trouxemos alguns pontos apoiados pela ciência que mostram que os benefícios de brincar estão em diferentes áreas, e que brincar tem efeitos positivos no cérebro e na habilidade de aprendizado da criança.

Evidências de que brincar promove soluções criativas de problemas

Psicólogos distinguem dois tipos de problemas: convergente e divergente. Um problema convergente tem uma única solução ou resposta. O problema divergente rende-se a várias soluções. Algumas pesquisas sugerem que a forma como as crianças brincam contribui para a capacidade de resolver problemas divergentes.

Em um experimento, pesquisadores apresentaram dois tipos de materiais lúdicos para crianças de idade pré-escolar (Pepler and Ross 1981). Algumas crianças receberam materiais para brincadeiras convergentes (peças de quebra-cabeças), e outras crianças receberam materiais para brincadeiras divergentes (blocos de montar). As crianças tiveram tempo para brincar e então testaram suas habilidades de resolver problemas.

Crianças que receberam brinquedos de materiais divergentes performaram melhor em problemas divergentes e mostraram mais criatividade nas tentativas para resolver os problemas.

Outro estudo experimental sugere uma conexão entre brincadeiras de faz-de-conta e capacidade divergente de solução de problemas (Wyver and Spence 1999). Crianças que brincavam de faz-de-conta mostraram uma maior capacidade de resolver problemas divergentes. O inverso também foi verdadeiro: crianças treinadas para resolver problemas divergentes mostraram taxas maiores nas brincadeiras de faz-de-conta.

Faz-de-conta, auto-regulação e raciocínio sobre diferentes possibilidades

Solucionar problemas divergentes não é a única habilidade cognitiva ligada com o faz-de-conta. Brincadeiras de faz-de-conta também são relacionadas com dois conjuntos de habilidades cruciais: a capacidade de se auto-regular (impulsos, emoções, atenção) e a de raciocinar de maneiras lógicas e contrafactuais (com noções de possibilidade e relação entre o antecedente e o consequente).

Nos primeiros casos, estudos reportaram que crianças que se engajam e brincam de faz-de-conta com mais frequência têm habilidades de auto-regulação mais fortes. Embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar se a ligação é casual (Lillard et al 2013), os dados são consistentes com essa possibilidade.

Você não pode brincar de faz-de-conta com outra pessoa a menos que ambos queiram brincar disso. Portanto, quem brinca de faz-de-conta deve concordar com as regras que se estabelecem no momento da brincadeira, e a prática de concordar com essas regras pode ajudar crianças a desenvolverem um melhor auto-regulação ao longo do tempo.

No segundo caso, muitos pesquisadores notaram semelhanças entre o faz-de-conta e o raciocínio contrafactual, ou seja, a capacidade de pensar hipoteticamente e de imaginar o futuro.

Alison Gopnik e seus colegas argumentaram (Walker and Gopnik 2013; Buchsbaum et al 2012) que o raciocínio contrafactual nos ajuda a planejar e aprender, permitindo-nos pensar em vários “e se”.

O brincar de faz-de-conta toca nas mesmas habilidades. Brincar de faz-de-conta oferece às crianças oportunidades valiosas para melhorar seu raciocínio sobre diferentes possibilidades no mundo.

Para apoiar essa ideia, pesquisadores encontraram evidências de uma ligação entre o raciocínio contrafactual e a brincadeira de faz-de-conta em crianças de idade pré-escolar. A correlação permaneceu significativa mesmo após um teste de capacidade das crianças em suprimir seus impulsos. (Buchsbaum et al 2012).

Crianças prestam mais atenção às tarefas escolares quando têm oportunidades mais frequentes de brincar livremente

Muitos estudos experimentais mostram que crianças em idade escolar dão mais atenção às tarefas acadêmicas após um intervalo em que ficam livres para brincar sem a orientação de adultos (Pellegrini e Holmes 2006).

Também existem evidências circunstanciais: as escolas chinesas e japonesas, famosas pelo foco e disciplina, oferecem pequenos intervalos a cada 50 minutos aos estudantes. (Stevenson and Lee 1990)

Nota: aulas de educação física não são substitutos eficazes do tempo livre para brincar (Bjorkland and Pellegrini 2000). O exercício físico tem importantes benefícios cognitivos por si só, mas aulas de educação física não oferecem os mesmos benefícios que o recreio.

Pesquisadores suspeitam que isso ocorre porque aulas de educação física são muito estruturadas e dependem bastante das regras impostas pelos adultos. Para colher todos os benefícios das brincadeiras, o intervalo para brincar deve ser realmente divertido.

Quanto tempo um intervalo deve ter? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências de recessos entre 10 e 30 minutos. Em estudos com crianças pequenas de 4 e 5 anos, pesquisadores descobriram que intervalos de 10 a 20 minutos aumentavam a atenção em sala de aula. Intervalos com mais de 30 minutos tinham o efeito contrário(Pelligrini and Holmes 2006).

Brincar e explorar desencadeiam a secreção do BDNF, substância essencial para o crescimento das células cerebrais.

De novo: ninguém descobriu uma maneira ética para testar isso em seres humanos, por isso as evidências vêm de ratos. Depois de brincar, ratos mostraram um aumento nos níveis de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) (Gordon et al 2003).

O BDNF é essencial para o crescimento e manutenção das células do cérebro. Os níveis de BDNF também aumentaram depois que os ratos puderam explorar o ambiente em que estavam(Huber et al 2007).

Linguagem e os benefícios de brincar

Estudos revelam que há uma ligação entre brincadeira de faz-de-conta e o desenvolvimento das habilidades linguísticas (Fisher 1999). O psicólogo Edward Fisher analisou 46 estudos sobre os benefícios cognitivos do brincar.

Ele descobriu que “brincadeiras sociodramáticas”, que são quando crianças brincam de faz-de-conta juntas, “resultam em melhores performances nos domínios cognitivo-linguístico e afetivo social”.

Um estudo com crianças de 1 a 6 anos na Inglaterra mediu a capacidade das crianças com brincadeiras de faz-de-conta. Foi pedido às crianças que realizassem tarefas simbólicas, como substituir um ursinho de pelúcia por um objeto ausente.

Pesquisadores descobriram que crianças obtiveram maior pontuação no teste de brincadeiras simbólicas tinham melhores habilidades de linguagem, tanto na receptiva (o que a criança entende) quanto na linguagem expressiva (as palavras que ela usa). Esses resultados permaneceram significativos mesmo após as crianças crescerem.

Pesquisas recentes também sugerem que brincar com brinquedos de montar contribui para o desenvolvimento da linguagem. Para mais informações, leia este artigo sobre construção de brinquedos e os benefícios de brincar.

Habilidades matemáticas e os benefícios de brincar

Aqui está uma intrigante história sobre brincar e matemática: um estudo mediu a complexidade de crianças de 4 anos que brincam com blocos e acompanhou suas performances escolares até o ensino médio (Wolfgang, Stannard, & Jones, 2001).

Pesquisadores descobriram que a complexidade da brincadeira de montar blocos previa as conquistas em matemática das crianças no ensino médio. Aquelas que usaram os blocos de maneiras mais sofisticadas nas brincadeiras na pré-escola obtiveram melhores notas em matemática e fizeram mais cursos de matemática quando adolescentes.

Esses resultados podem apenas nos dizer que crianças inteligentes na pré-escola continuam inteligentes ao longo da vida escolar, mas não é tão simples.

A associação entre as brincadeiras de blocos e a performance em matemática permaneceu mesmo depois que os pesquisadores mediram e acompanharam o QI de uma criança. Portanto, é plausível que as brincadeiras com blocos influenciam o desenvolvimento cognitivo das crianças.

Experimentos com animais: Brincar melhora a memória e estimula o crescimento do córtex cerebral

Em 1964, Marion Diamond e seus colegas publicaram um artigo interessante sobre crescimento cerebral em ratos. Os neurocientistas conduziram um experimento criando alguns ratos em confinamento solitário e sem estímulos, e outros em colônias divertidas e cheias de brinquedos.

Quando os pesquisadores examinaram o cérebro dos ratos, descobriram que os ratos que viviam em colônias tinham córtices cerebrais mais espessos do que os ratos que viviam em confinamento.(Diamond et al 1964).

Pesquisas subsequentes confirmaram os resultados de que ratos criados em ambientes com estímulos tinham cérebros maiores. E eles também eram mais inteligentes, ou seja, mais capazes de achar a saída em labirintos mais rapidamente (Greenough and Black 1992).

Estes benefícios de brincar se estendem aos humanos? Considerações éticas nos impedem de realizar experiências semelhantes em crianças. Mas parece que o cérebro humano responda ao brincar e à exploração de maneiras semelhantes.

Experiências lúdicas são experiências de aprendizado

Para que ninguém duvide que as crianças aprendem brincando, devemos ter em mente os seguintes pontos:

1) A maioria das brincadeiras envolve exploração, que é, por definição, investigar.

É fácil perceber como isso se aplica a um cientista iniciante que brinca com ímãs, mas também se aplica a atividades “não intelectuais”, como filhotes brincando de “lutinha”.

Os animais testam laços e aprendem a controlar seus impulsos para que uma luta amigável não se transforme em agressão anti-social. Brincar é aprender.

2) Brincar é motivador e divertido

Tudo o que é aprendido brincando é conhecimento adquirido sem a percepção do trabalho duro, de “sem dor não há ganho”. Isso contrasta com as atividades que desempenhamos como deveres.

Quando a atividade é considerada árdua, nossa habilidade de permanecer focado pode parecer um recurso limitado ao longo do tempo (Inzlicht et al 2014).

É difícil de alcançar um fluxo, a experiência psicológica de estar feliz e completamente imerso no que se está fazendo. Brincar é uma alternativa para conseguir esse fluxo.

3) Há evidências empíricas de que crianças tratam as brincadeiras como um tutorial para lidar com os desafios da vida real

Por todo o mundo crianças se envolvem em brincadeiras de faz-de-conta que simulam atividades que precisam dominar quando adultas (Lancy 2008), sugerindo que essas brincadeiras são uma forma de prática. Quando as crianças são munidas com informações durante o faz-de-conta — seja de amigos ou de adultos — elas as aceitam.

Experiências nos Estados Unidos com crianças em idade pré-escolar sugerem que crianças de até 3 anos de idade fazem distinções entre realidade e a fantasia do faz-de-conta, e usam as informações aprendidas no mundo real (Sutherland and Friedman 2012; 2013).

Fonte: https://www.parentingscience.com/benefits-of-play.html?fbclid=IwAR3XPLfFzrKCmRzI_vfAtz1feleXx6pBW9D7-UXCZpqIFuODF_uZ_5gGWpI

Equilíbrio com tela na vida das crianças: como encontrá-lo?

Atividades físicas, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono diminui comportamentos impulsivos em crianças

O artigo Association between 24-hour movement behaviour and impulsivity in American children, publicado no American Academy of Pediatrics, demonstrou que equilibrar exercícios físicos, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono pode diminuir os índices de comportamentos impulsivos em crianças.

Comportamentos impulsivos

Os comportamentos impulsivos em crianças são reflexos de ansiedade. Impaciência; quando a criança interrompe a fala de outras pessoas; quando a criança fala, grita ou ri em momentos inapropriados; ou quando se coloca em situações de perigo sem pensar.

Vale lembrar que esses comportamentos são normais e fazem parte do desenvolvimento de todas as crianças, mas é necessário atentar quando ocorrem com exagero e com muita frequência.

Crianças que têm esses comportamentos impulsivos de forma exagerada costumam ser rotuladas de “crianças-problema” ou “troublemakers” (em inglês) nas escolas ou até mesmo em casa. Se você convive com uma criança que apresenta esses tipos de comportamento, evite utilizar rótulos de qualquer tipo.

Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth

O estudo é baseado no Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth, uma iniciativa da Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício que traz diretrizes baseadas em evidências com hábitos que enfatizam a integração de todos os comportamentos de movimento que ocorrem ao longo de um dia inteiro.

As diretrizes incentivam crianças e jovens a “suar, pisar dormir e sentar” (em inglês, “sweat, step, sleep and sit”) nas quantidades indicadas e consideradas benéficas ao longo de 24 horas.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Pesquisa sobre Vida Ativa Saudável e Obesidade (Healthy Active Living and Obesity Group – HALO) do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil do Leste de Ontário, Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (CSEP), ParticipACTION, The Conference Board of Canada, Public Health Agency do Canadá e um grupo de pesquisadores de todo o mundo, com a participação de mais de 700 participantes canadenses e internacionais.

As diretrizes do Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth sugerem que crianças entre 5 a 17 anos:

  • pratiquem atividades físicas moderadas a altas durante pelo menos uma hora por dia;
  • não ultrapassem duas horas por dia na utilização de telas para fins recreativos;
  • que durmam de 9 a 11 horas corridas por noite.

Como o 24-hour movement Guidelines for Children and Youth interfere nos comportamentos impulsivos das crianças?

Os pesquisadores do HALO analisaram dados de mais de 4.500 crianças. Os dados continham auto-relatos que foram categorizados em 8 competências que caracterizam ou não comportamento impulsivo. Essas competências avaliam padrões como não finalizar tarefas ou agir irracionalmente diante de estados emocionais negativos.

Assista ao vídeo aqui.

O estudo demonstrou que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes pontuaram positivamente todas as competências e tiveram pontuações positivas mais altas em 5 das 8 competências em relação às crianças que não seguiram as indicações das diretrizes, concluindo que o equilíbrio da tríade sono, tempo de tela e exercícios físicos pode diminuir distúrbios relacionados à impulsividade.

Além disso, os resultados sugerem que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes têm melhores funções cognitivas; menores chances de desenvolver obesidade; melhores dietas alimentares e melhor qualidade de vida em relação às crianças que não seguem nenhuma recomendação.

Tanto a pesquisa em si quanto seus resultados são bem significativos, visto que a quantidade de crianças e de dados coletados é relevante. É difícil encontrarmos pesquisas com amostras e base de dados tão grandes, e os resultados só comprovam o sucesso da pesquisa.

Por que nossos produtos respeitam os direitos das crianças?

A cada produto novo, pensamos cada vez mais sobre o impacto que o produtor terá na vida das crianças e dos pais. A qualidade, segurança e o propósito do produto são os carros-chefe que puxam outros requisitos, como usabilidade e diversão, por exemplo.

Por isso, compartilhamos aqui o Guia de Direitos das Crianças para Desenvolvedores e Designers, onde traz reflexões e direciona profissionais a melhorarem seus produtos e serviços pensando no melhor que possam oferecer a uma criança, com respeito e responsabilidade. A Explot já têm alguns desses princípios enraizados na empresa, nos funcionários e em suas ideias, e buscamos melhorar cada vez mais adotando as sugestões do guia.

O Designing for Children’s Rights Guide é um guia para desenvolvedores de produtos e serviços crianças criado para o bem-estar das crianças. O material foi criado por mais de 70 profissionais – incluindo designers, desenvolvedores, neurocientistas, psicólogos, especialistas da área da saúde, educadores e experts em direito da criança – num evento colaborativo de 48 horas em Helsinki, Finlândia, em janeiro de 2018.

O objetivo do guia é aperfeiçoar um novo padrão de design e negócios e direcionar o desenvolvimento de produtos e serviços para que tenham enraizados em seus projetos a ética e a busca pela melhor experiência que uma criança pode ter.

INTRODUÇÃO

Apoiando o bem-estar e o desenvolvimento cognitivo e emocional saudável

Queremos que as crianças tenham as melhores oportunidades ao longo da vida. Produtos digitais têm o potencial de melhorar o desenvolvimento infantil e o bem-estar apoiando o processo natural pelos quais as crianças passam.

Questões como desenvolvimento cognitivo e físico precisam ser fortemente consideradas em um contexto de desenvolvimento e mudança de evidências sobre o impacto em que a exposição à mídia digital tem sobre essas questões. Além disso, o papel da família e o efeito da experiência digital no mundo da criança devem ser levados em conta quando o produto ou serviço é projetado para o melhor interesse das crianças.

Reunimos os princípios para ajudar a orientar designers, desenvolvedores e criadores de produtos, serviços e conteúdo para crianças.

Incentivando a autoexpressão, criatividade, aprendizagem e diversão

Crianças são experts em suas próprias vidas e, ao compreender suas perspectivas, problemas e aspirações, somos mais capazes de criar melhores experiências e produtos que atendam às suas necessidades. Devemos nos esforçar para trabalhar ao lado de crianças, para aprender e focar no que elas mais têm interesse.

Para incentivar o conteúdo rico e ético para a autoexpressão, criatividade e diversão:

  1. Comunique-se de forma adequada para a idade, bem como tradução de idiomas
  2. Sempre considere os benefícios e desvantagens do analógico e do digital no desenvolvimento do projeto
  3. Leve em conta os estágios de desenvolvimento incluindo questões como desenvolvimento cognitivo-emocional, social e físico, e crie pesquisas e projetos adequados à idade.

Juntamente com o processo de design, o designer deve manter algumas reflexões em mente e levantar questões como:

“Qual é o papel do designer?”

“Quanto controle as crianças como participantes têm sobre o processo?”

“Qual é a contribuição do designer?”

“O que os participantes recebem em troca”?

Educando a criança como um ser social e cidadão

Vamos desenhar o futuro juntos. Esse futuro reconhece as crianças como pessoas de amanhã e de hoje, por isso, elas devem estar no centro do processo de criação.

As crianças têm o direito de participar e influenciar no desenvolvimento de produtos e serviços que respeitam sua identidade e diversidade.

A participação empodera e protege as crianças, educando-as a serem cidadão e seres sociáveis e promovendo um espaço construtivo que permite a atuação delas.

O design tem a missão de moldar um futuro juntos e criar oportunidades para o impacto positivo. Vamos começar agora.

Garantindo segurança e privacidade

3 fatos simples:

  1. Quase todos os serviços, online e offline, podem ser usados e são usados por crianças. Crianças devem ser consideradas como um público-alvo em todos os processos de desenvolvimento.
  2. Desenvolvedores precisam incluir medidas de privacidade e segurança para todos os usuários, principalmente crianças, nos quatro estágios do ciclo de vida de um produto: Criação, desenvolvimento e período de teste; Descoberta e inscrição de usuário; Uso contínuo do usuário e crise de usuário; Saída do usuário e morte do produto
  3. Desenvolvedores precisam assumir a responsabilidade de incluir crianças no processo de desenvolvimento de seus produtos. Não pode assumir que outra pessoa ou organização fará isso.

PRINCÍPIOS

Todos podem usar

Preciso de um produto que não discrimine características como gênero, idade, habilidade, idioma, etnia e status sócio-econômico. Apoie a diversidade em todos os os aspectos nas práticas de criação e negócios da sua empresa (incluindo publicidade). Tenha em mente que eu possa utilizar o seu produto de maneiras não intencionais e que pode ser que eu use seu produto mesmo que ele não tenha sido feito para mim.

Link para U.N children’s right: NON-DISCRIMINATION

Me dê espaço para explorar e apoie meu crescimento

Eu preciso experimentar, arriscar e aprender com meus erros. Quando houver erros, dê suporte para que eu mesmo/a conserte, ou com a ajuda de um adulto. Encoraje minha curiosidade, mas considere minhas capacidades baseado na idade e no desenvolvimento. Preciso de apoio para adquirir novas habilidades e que me encoraje com desafios dirigidos por mim mesmo/a.

Tenho propósito, então, dê importância à minha influência

Me ajude a perceber o meu valor e o meu lugar no mundo. Preciso de espaço para construir e expressar a forte percepção de mim mesmo/a. Você pode me ajudar a fazer isso me envolvendo no seu produto ou serviço como alguém que contribui (não apenas como um consumidor). Quero experiências que tenham significado para mim.

Me ofereça algo seguro e me mantenha protegido

Certifique-se de que seu produto é seguro para que eu use e não espere que terceiros irão garantir minha segurança. Preciso de um caminho guiado ou um “salva vidas” para me dizer quando algo é perigoso e me informar de como permanecer seguro. Me dê ferramentas para me distanciar daqueles que eu não quer ter contato, facilitando o bloqueio de conteúdos e contatos indesejados. Não me exponha a conteúdos indesejados, inapropriados ou ilegais. Me forneça um modelo de comportamento saudável. Certifique-se que os responsáveis por mim tenham informações necessárias para que compreendam tudo isso, assim como sua importância.

Não utilize meus dados de forma indevida

Me ajude a manter controle sobre os meus dados, me dando opções em relação a quais dados quero compartilhar, para quais fins e como meus dados serão usados. Não colete nada além do que você precise, não monetize meus dados pessoais e não entregue-os a terceiros. Preocupe-se comigo respeitando meus dados.

Crie um espaço para brincar, incluindo uma opção para relaxar

Quando você usar seu produto ou serviço, considere diferentes visões, estados de espírito, e contextos das brincadeiras. Sou ativo/a, curioso/a e criativo/a, mas me oriente a fazer uma pausa e não esqueça de me oferecer um espaço para respirar.

Promova o tempo interativo e o tempo passivo e me encoraje a fazer pausas. Torne mais fácil definir meus próprios limites e me ajude a desenvolvê-los e transformá-los à medida que o meu entendimento sobre o mundo ao meu redor cresce.

Me encoraje a ser mais ativo e a brincar com outras pessoas

Meu bem-estar, vida social, minhas brincadeiras, criatividade, auto-expressão e aprendizado podem ser aprimorados quando eu colaboro e compartilho essas experiências com outras pessoas.

Ofereça-me experiências que me ajudam a construir relacionamentos e habilidades sociais com meus colegas e com a comunidade em que eu estou inserido/a, e me forneça ferramentas para me distanciar daquele que eu não quero ter contato.

Incentive a igualdade em seus produtos e serviços não destacando as diferenças que podem ser usadas para discriminar outras pessoas, como número de amigos e curtidas.

Ajude-me a reconhecer e entender atividades comerciais, principalmente as propagandas

Identifique, marque ou aponte a publicidade de forma explícita para que eu não confunda com outras informações. Indique de forma transparente quando as ações do seu produto ou serviço precisa que eu faça download de conteúdos ou quando precisa que eu me comprometa com o uso exclusivo do seu produto. Certifique-se de que eu entendi completamente todas as opções de compras antes de pagar por elas no seu produto ou serviço.

Use uma comunicação que seja próxima da minha linguagem

Tenha certeza de que eu entendi todas as informações relevantes que têm algum impacto em mim. Considere todas as formas de comunicação (visual, áudio, etc) e torne acessível para todos. Lembre-se que idade, habilidade, cultura e idioma impactam na minha compreensão.

Você não me conhece, então tenha certeza de que você me incluiu

Você deveria passar algum tempo comigo quando projetar um produto ou serviço que pode ser que eu use. Meus amigos, pais e parentes, professores e a comunidade em que eu estou inserido/a também se importam com o seu produto ou serviço, então também os inclua no processo. Nós temos ótimas ideias que podem te ajudar. Também certifique-se de falar com pessoas que são experts nas minhas necessidades.