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Meus filhos estão viciados em celular. E agora?

O uso de celular e tecnologias em geral pelas crianças vem sendo atacada pela mídia, escola, médicos e parentes. A tecnologia pode ser uma aliada se utilizada de forma responsável e guiada pelos pais, mas é comum encontrarmos crianças que já estão dependentes das telas.

Mas e se meu filho já está dependente do celular, o que fazer?

Primeiro, precisamos entender o que acontece quando uma criança está utilizando o em celular fora de lugar e proporção. O uso das tecnologias vira um problema quando:

  • Prefere utilizar todo o seu tempo livre em celulares, tablets ou televisão;
  • Deixa de brincar com coisas que gostava para ficar no celular;
  • Fica extremamente irritada quando a bateria do celular acaba ou quando um adulto impõe limite de tempo;
  • Não está mais tão presente na rotina da casa: não presta atenção nas conversas, não interage com a família porque está conectado ao celular;
  • Não faz as tarefas da escola de jeito nenhum, mesmo com os pais perguntando ou lembrando (essa vale uma atenção: a maioria das crianças não gostam de fazer tarefas da escola e tentam fugir ao máximo dessa responsabilidade. Este item vale muito mais como um comparativo em relação a como a criança lidava com as tarefas antes de querer ficar só utilizando eletrônicos);
  • A criança ou adolescente demonstra comportamentos mais agressivos do que antes de quando utilizava telas em excesso;
  • O sono é afetado. A hora de dormir fica cada vez mais tarde e a criança sente dificuldade em relaxar e dormir. Isso tem relação com a quantidade de estímulo que o cérebro recebe e com os conteúdos que a criança consome perto do horário de dormir;
  • A criança recria cenas e atos violentos sem considerar o que está fazendo e com alguma frequência;
  • Fica monotemático: conversa sempre sobre as mesmas coisas e não demonstra interesse em outros assuntos;

Se você identificou algum destes itens no comportamento de seus/suas filhos/as, pode ser que as tecnologias estão sendo utilizadas em excesso na sua casa.

O que fazer quando as crianças usam demais o celular?

Antes de tomar qualquer providência, observe como você usa o seu tempo livre em casa e a frequência com que você utiliza o celular, tablet ou televisão. As crianças copiam o comportamento dos pais e, se os pais também usarem as tecnologias em excesso na frente dos filhos, fica mais difícil das crianças mudarem o comportamento em relação às telas. Se você trabalha com o uso de celular, vale explicar que celular é o seu meio de trabalho.

O tempo em que família passa junto é fundamental na vida das crianças, e deixar celular de lado nestes momentos é importante. Ajudar as crianças a superarem o uso excessivo do celular é também olhar para seus hábitos e rever como você utiliza.

:: Leia também: Loot Boxes: estamos viciando nossos filhos em jogos de azar sem saber? ::

O que fazer para melhorar a relação com o celular?

Feito isso, converse com seu/sua filho/a sobre o uso do celular, independente da idade da criança. Explique os motivos pelos quais não é saudável o excesso das tecnologias. Lembre-se de que alertar não é causar pânico ou vergonha.

Estipule um limite de tempo junto com seu/sua filho/a. Trazer a criança para este tipo de decisão torna o limite menos injusto na visão dela, além de também concordar com o tempo de uso.

Use o seu tempo livre e o de seu/sua filho/a juntos. Ao invés de ficar no celular, jogue jogos de tabuleiro, inventem um jogo de vocês, ensinem a cozinhar, façam o jantar juntos. Aproveite esse tempo para fortalecer o laço familiar.

Vale lembrar que participar das atividades com celular, tablet ou TV no tempo estipulado que a criança tem é saudável: o vínculo também é criado e, ao mesmo tempo que você se aproxima da criança e consegue ter uma ideia do que ela consome no celular, a criança entende que você se interessa pelo mundo dela.

Também pode funcionar:

Outras dicas que podem facilitar na hora de largar o celular é ter um cronômetro físico onde você e seu/sua filho/a podem colocar o tempo combinado juntos na hora que a criança for utilizar o celular, tablet, ou ver televisão. O cronômetro pode ser temático ou até customizado pela criança.

Ter uma “cestinha offline”, onde todos da casa, inclusive adultos, colocam seus celulares quando não estão usando também é uma boa ideia. Durante as refeições pode ser uma boa hora para que a cesta esteja cheia, por exemplo.

Uma sugestão é não tratar o celular como uma moeda de troca ou como um recurso de prêmio/castigo. Colocar os dispositivos desta maneira na vida das crianças pode fazer com que elas façam suas tarefas não porque precisam fazer, mas para ganhar mais tempo no celular.

Quando se trata de castigo, é injusto tirar um “direito” já combinado anteriormente por conta de mau comportamento, ainda mais quando o mau comportamento não tiver relação com o celular, televisão ou tablet. Premiar ou castigar utilizando os celulares pode causar uma grande insegurança e consequente ansiedade na criança, pois não há uma regra clara de quando ela vai ganhar ou perder o direito de uso.

TikTok: o que você precisa saber sobre a rede social popular entre crianças e adolescentes

Você já ouviu falar no TikTok? O app está em quarto lugar dos apps mais baixados do mundo que não são jogos, segundo Sensor Tower. Conhecido anteriormente como Musical.ly, é um app de rede social de compartilhamento de vídeos, principalmente dublagens, danças, remixes e outros conteúdos envolvendo música e edição de vídeos. TikTok é bem popular entre crianças e adolescentes pelo mundo inteiro. Fizemos um artigo baseado na avaliação do Common Sense Media sobre o TikTok e nos depoimentos de alguns pais.

Dublagens engraçadas, coreografias famosas, desafios, ou apenas cantando as músicas da vez: estes são os tipos de vídeos que os usuários do TikTok disponibilizam em seus perfis. Olhando superficialmente, a ideia de criar uma rede social de compartilhamento de vídeos focado em músicas parece boa, onde os usuários podem interagir momentaneamente através de chats e utilizar filtros stickers, e animações em realidade aumentada.

Na Google Play e na App Store do Brasil, TikTok está recomendado para maiores de 12 anos. O site Common Sense avaliou o app e sua recomendação é que só maiores de 16 anos utilizem. Mas por que?

Exposição

O usuário até pode criar uma conta privada, mas o objetivo do TikTok é o oposto de deixar conteúdo no privado. A quantidade de vídeos de crianças e adolescentes dançando, dublando ou cantando no TikTok é bem grande e está disponível para que qualquer pessoa possa acessar. Nos Estados Unidos, usuários menores de 13 anos não podem postar nenhum tipo de conteúdo.

Coleta de dados

Em fevereiro de 2019, a Musical.ly, empresa dona da TikTok, foi multada nos Estados Unidos em US$5,7 milhões por coletar ilegalmente informações pessoais de crianças. Por causa disso, o app criou uma “Plataforma para Crianças” para usuários menores de 13 anos utilizarem o TikTok de forma que que seus dados sejam coletados e que só possam apenas ver os conteúdos, sem publicar. Essa medida vale apenas para os Estados Unidos. No Brasil, menores de 12 anos podem dar o consentimento para a coleta de dados, desde entendam do que o termo se trata.

Nos outros países, crianças a partir de 12 anos que utilizam o TikTok têm seus dados coletados: informações de contato, conteúdo criado, localização, informações técnicas e comportamentais e até informações compartilhadas em outras redes sociais através do TikTok. O app ainda coleta informações contidas nas mensagens enviadas através da plataforma e, se o usuário permitir acesso, coleta informações da lista de contatos do aparelho. Se o usuário fizer login com alguma rede social, o TikTok terá acesso a todos os dados da outra rede social que o usuário utiliza.

Conteúdo inapropriado

Como o TikTok tem a música como carro-chefe, vídeos com palavrões são bem comuns, já que fazem parte da letra das músicas. Conteúdos sexualizados ou utilizando álcool ou drogas são motivos de críticas de muitos pais: adolescentes e até adultos fazendo coreografias sexualizadas ou imitando os videoclipes geram conteúdos de cunho sexual ou com uso explícito de drogas ou álcool, que atinge tanto os adolescentes que postaram o vídeo quanto crianças menores de 12 anos e adolescentes que visualizam o conteúdo no TikTok.

:: Veja também: Como configurar seu celular para crianças ::

Consumismo

TikTok é uma rede social e, como todas as redes sociais, tem seus influenciadores, pessoas populares que criam conteúdo são seguidos por inúmeros usuários. Esses usuários com grande número de seguidores utilizam produtos “da moda” e influenciam as pessoas que assistem seus vídeos a comprar também. De 5 pontos, o TikTok tem 4 pontos marcados em “Consumismo” no Common Sense Media.

Tempo de uso

Como toda a rede social e forma de entretenimento, os usuários, crianças e adultos, devem tomar cuidado com o tempo que utilizam o app. O TikTok oferece uma ferramenta de limitar o tempo de uso protegido por senha que muda a cada 30 dias, o que fica mais fácil de gerenciar o quanto as crianças ficam no TikTok.

O que eu posso fazer para proteger meus filhos no TikTok?

Uma conversa em família sobre privacidade na internet e nas redes sociais é um bom caminho para começar. Falar sobre quando é adequado compartilhar informações e quais informações manter em privacidade. É recomendável ler as regras, termos de uso e de privacidade do TikTok e Musical.ly para ter certeza de alguns detalhes. Por exemplo, é possível compartilhar um vídeo privado onde só amigos possam assistir?

Antes de baixar o TikTok, conversar em família sobre os conteúdos inadequados para crianças nas músicas, podendo utilizar as mais populares como exemplo. Quais músicas são permitidas? Que tipo de vídeos as crianças podem postar?

Conversem sobre quais músicas seria legal de dublar, ou alguma forma criativa de gravar um vídeo de 15 segundos. Pense em movimentos ou danças que podem combinar com a música. Se envolva e participe, se faça presente.