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Tecnologia: quando devo apresentar para meus filhos?

“Quando devo apresentar a tecnologia para as crianças?” Como uma empresa de tecnologia voltada para o público infantil, ouvimos essa pergunta com muita frequência de amigos, familiares e pessoas próximas, sejam pais, tios, avós ou pessoas que planejam ter filhos algum dia.

Cuidado com a idade!

A nossa primeira dica é: não dê tablet e celular antes da criança completar dois anos de idade. A exposição das telas a crianças menores de dois anos não traz benefícios e pode acarretar atraso em funções cognitivas. Vale lembrar que a televisão também é tela e deve seguir os mesmos cuidados do celular e tablet!

Se a criança tem mais de três anos e já pede pelas telas, fizemos um post sobre os limites de tempo de exposição das telas.

Meu filho não liga para telas. Isso é um problema?

Muitos adultos ficam preocupados quando seus filhos, netos, sobrinhos ou crianças próximas não se interessam pelas telas. As crianças não pedem para mexer no celular ou não são muito “da televisão”. Fique tranquilo: ele ou ela não vai ficar atrás dos coleguinhas no quesito tecnologia.

A tecnologia avança cada vez mais rápido. Crianças que aprenderam a mexer em celulares nos anos 2010 terão que reaprender a mexer nos de 2020, que já terá uma tecnologia totalmente diferente.

A tecnologia foi feita para ser intuitiva e fácil de usar. Se sua filha ou filho se interessar aos 12 anos de idade, pode ter certeza que irá aprender a pilotar a máquina bem rápido e com facilidade. O mesmo vale para crianças de 5, 7, ou 10 anos.

Quanto mais tarde tiver contato com celulares e tecnologia, mais protegida a criança estará

Sabemos que há muitos benefícios: muitos apps que visam o desenvolvimento da criança estão surgindo e são verdadeiros parques de diversões para a criatividade dos pequenos, mas não podemos ignorar o fato de que a tela seduz. Se nós, adultos, já perdemos a noção do tempo quando estamos no celular, imagine uma criança.

Nosso posicionamento é esse: quanto mais a criança quiser esperar pra começar com a “vida tecnológica”, mais benefícios da tecnologia ela terá. O que não significa que precisamos polarizar. Se a criança demonstrar interesse ainda nova, não tem problema deixá-la usar se utilizar com responsabilidade, com a participação e supervisão de adultos, com limite de tempo e consumindo conteúdos de qualidade e indicados para a sua idade.

Mindfulness: uma saída para o stress das redes sociais

É difícil de imaginar uma vida sem redes sociais. Nos conectarmos com nossos amigos, saber o que está acontecendo pelo mundo em tempo real e, claro, se entreter, se tornou essencial. Nós mal lembramos (se formos velhos o suficiente para isso) como nós mantemos contato se não for desta forma. Mas o número de adolescentes e jovens adultos que acham que as redes sociais podem ser uma fonte de stress só aumenta, e o mindfulness pode ser uma solução para esse problema.

(Tradução do artigo Managing Social Media Stress With Mindfulness de Rachel Ehmke publicado no Child Mind Institute)

O que nós ouvimos muito, especialmente de adolescentes, é que eles ficam vendo perfis de outras pessoas e, consciente ou inconscientemente, constantemente se comparando com elas. As pessoas tendem a postar seus pontos positivos — o cabelo perfeito, os amigos perfeitos, a selfie perfeita antes de malhar — além de muitos acharem divertido ficar rolando o feed dos outros.

Isso pode, porém, machucar a auto-estima quando sua vida não está tão perfeita quanto a de outras pessoas parece estar. Isso pode fazer com que você comece a super analisar a sua performance no seu próprio perfil nas redes sociais, contar quantos likes você recebeu no último post e se esforçar para parecer perfeito sem esforço, independente de como você está se sentindo.

O que é FoMO- Fear of Missing Out

Ao mesmo tempo, as crianças estão falando tanto sobre o “medo de perder alguma coisa” que já tem até acrônimo para isso. Em inglês, o “medo de perder alguma coisa” é Fear of Missing Out, também conhecida como FoMO. Rede social é a melhor e pior amiga do FoMO.

As redes sociais podem ser ótimas porque você consegue se manter conectado com tudo, de todos os lugares que estiver. Mas como sempre tem alguma novidade, você nunca tem a sensação de que viu tudo o que tinha para ver para poder tirar um descanso.

Nota do editor: FoMO é o acrônimo de Fear of Missing Out, que significa “medo de perder alguma coisa”. Foi citado pela primeira vez em 2000 e foi definido como medo que outras pessoas tenham boas experiência que você não tem.

Esse medo incentiva as pessoas a ficarem sempre conectadas para compartilhar o que você faz e sempre saber das novidades e o que está acontecendo.

Basicamente: é a angústia que você sente quando está em casa jogado no sofá rolando o feed e vê que seus amigos, influencers ou qualquer pessoa que você acompanha nas redes sociais estão fazendo coisas incríveis enquanto você não está fazendo…nada.

Permaneça conectado

Quando tudo e todos estão online, às vezes é a prova que, de fato, você está perdendo alguma coisa. Quando você vê seus amigos saindo sem você, é ruim. Ver um/a ex começando um novo relacionamento machuca.

Se utilizar as redes sociais está causando stress, o conselho mais comum é parar de usar. Mas apesar de ser um bom conselho, não é muito realístico, especialmente para adolescentes, que passam muito tempo socializando online.

Esse adolescente socializando é mais importante do que parece. Adolescentes estão tentando achar seu lugar no mundo, e é comum que eles comecem a descobrir suas identidades através de seus relacionamentos.

Não é do interesse deles parar totalmente de usar redes sociais, mas achar um caminho para ter relacionamentos saudáveis e uma auto-estima saudável utilizando redes sociais, pode interessá-los.

Parece bom? Aprenda como praticar o mindfulness.

O que é mindfulness?

Mindfulness, em sua tradução, significa atenção plena, e é a técnica de viver o momento sem julgamentos. Ajuda a ficar mais atento ao que está acontecendo ao seu redor e a como você se sente. Tirar um momento para desacelerar e notar esses detalhes ajuda a regular suas emoções e o nível de stress. Ela também estabelece um nível de reflexão e autoconsciência que as pessoas geralmente não têm quando estão nas redes sociais.

Mindfulness não é somente para dar um passeio no parque ou assistir ao pôr-do-sol. Se for aplicada à própria experiência de redes sociais, diz Jil Emanuele, PhD,psicóloga e especialista em Mindfulness do Child Mind Institute, ela pode ajudar as crianças a gerenciar a emoção gerada por todas essas informações que recebem quando estão online. Para tornar as experiências online (e offline) mais felizes, Dra. Emanuele recomenda as estratégias com mindfulness a seguir:

Mindfulness: Verifique você mesmo

Trabalhe em estar mais consciente sobre você mesmo, e priorize como você se sente e o que você pensa quando usa as redes sociais. “O estereótipo de usar redes sociais é só rolar e rolar e rolar o feed, sem pensar realmente no impacto que isso tem sobre você”, fala Dra. Emanuele.

Dra. Emanuele recomenda perguntar a si mesmo: Como eu estou agora? Como eu me sinto com esse app? Como eu me sinto com essa foto ou imagem? Tente atentar às mudanças de humor e veja se percebe algum padrão.

Está tudo bem se você perceber que as emoções que você tem são negativas. Tente não julgar como você se sente, mas reconheça e sinta a emoção. Reconhecer quando você sente inveja ou triste pode ser poderoso porque ajuda a processar a emoção — sem se deixar levar por ela — e até a eliminar parte do sofrimento.

Mindfull: verificação consciente da realidade

Se você se sente mal por alguma coisa constantemente, praticar mindfulness (ou atenção plena) pode ajudá-lo a identificar isso; depois, se perguntar por que,e se há algo que você possa fazer que ajude a situação. Tirar um tempo para perceber e valorizar como você se sente é uma habilidade importante que o deixará mais feliz e mais confiante em todas as áreas da sua vida, não somente online.

Mindfulness também pode te dar uma verificação da realidade. Por exemplo, é comum que pessoas usem as redes sociais como forma de se animar quando estão desanimadas ou entediadas. Seguindo essa lógica, se você está se sentindo mal consigo mesmo, a tendência é você postar alguma coisa que fiz totalmente o contrário, como uma selfie bonita ou ou foto com seus amigos incríveis porque, às vezes, projetar algo diferente e receber elogios online pode tirar você do pânico.

Em contrapartida, a sensação é passageira e você pode sentir que está enganando todo mundo. Se você perceber que está se sentindo pior do que já estava,saiba que isso não é incomum e procure maneiras mais confiáveis e efetivas de melhorar seu estado.

Use tecnologia

Usar a tecnologia para controlar o uso da própria tecnologia é outra estratégia que Dra. Emanuele recomenda, já que existem apps que são projetados para ajudar a acompanhar a forma como você usa o celular.

“Faça uma experiência para ver quanto tempo você gasta com certas coisas”, diz Dra. Emanuele. “Quando você está nisso, o que você realmente faz? Quais são suas emoções?”

Os aplicativos e diários de humor também te lembram para você reservar um tempo.

Eles também criam um registro de como você esteve se sentindo, onde você pode revisitar depois de acontecido. A coleta de dados sobre como você usa a tecnologia e como ela te afeta pode ajudar a perceber padrões e, se necessário, desenvolver melhores hábitos. Ver os dados pode ser surpreendente já que muitas vezes não tomamos conhecimento de quanto tempo gastamos quando começamos a “rolar” o feed.

Fique offline

A melhor maneira de ter outra perspectiva é dar pausas ocasionais das redes sociais. Comece a fazer ioga, saia para correr, passe um tempo — pessoalmente — com seus amigos, saia para curtir a natureza. Seja lá o que for, fazer coisas na vida real pode ser um grande alívio do stress e faz você se sentir melhor em relação a você mesmo, numa forma que rolar o feed nunca vai fazer.

Tente estar mais consciente em relação a você mesmo durante outras atividades. Percebe como você se sente no momento em que você está ativo, e perceba o que é divertido para você. Você pode se surpreender e é provável que você ache a experiência bastante viciante, também.

A habilidade que os pais devem ensinar às crianças na era da tecnologia

Traduzimos um artigo escrito por Nir Eyal para o portal make it, da CNBC. Nir Eyal escreve, ensina e dá consultorias sobre a intersecção entre psicologia, tecnologia e negócios. Já deu cursos em Stanford Graduate School of Business e já escreveu para revistas renomadas como Harvard Business Review, Atlantic, TechCrunch e Psychology Today. O artigo fala sobre como os pais lidam com as crianças e os limites de tempo de telas. Confira o artigo traduzido:

Como pais, tudo o que queremos é criar pessoas espertas e focadas, especialmente num mundo onde a distração digital é quase inevitável. Até os titãs da tecnologia como Steve Jobs e Bill Gates usavam estratégias para limitar o tempo de tela de seus filhos.

Por que? Porque, no futuro, terão dois tipos de pessoas: aquelas que deixam que sua atenção e suas vidas sejam controladas e coagidas por outros; e aquelas que se dizem “indistraídos”, “não-distraídos” com orgulho.

Tornar-se um “não-distraído” é a habilidade mais importante do século XXI — e é a habilidade que muitos pais falham em ensinar seus filhos. Depois de muitos anos estudando a intersecção da psicologia, tecnologia, e como nós nos engajamos com isso, um dos maiores erros que eu vejo os pais cometerem é não encorajar seus filhos a terem autonomia e controle do seu próprio tempo.

Permitir que façam isso é um grande presente; ainda que tropecem vez ou outra, falhar e errar faz parte do processo de aprendizado. Pais e mães precisam entender que está tudo bem em colocar as crianças no comando, porque é assim que elas aprendem monitorar dos seus comportamentos e aprender a como manejar seu próprio tempo e atenção.

Ensine as crianças ainda novas

Quando minha filha tinha 5 anos e já insistia no “tempo do iPad” com protestos implacáveis, eu e minha esposa sabíamos como poderíamos lidar com a situação. Depois que nos acalmamos, fizemos o melhor para que respeitássemos suas necessidades. Nós explicamos da forma mais simples que conseguimos que ficar muito tempo nas telas vem às custas de outras coisas.

Como minha filha estava aprendendo a ver as horas no jardim de infância, pudemos explicar que ela estava ficando muito tempo nas telas em relação às outras coisas que gostava de fazer. Gastar muito tempo com apps e vídeos significa menos tempo para brincar com os amigos no parque, nadar na piscina ou estar com a mamãe e o papai.

A dúvida e desconfiança do consumidor é saudável

Também explicamos que a maioria dos apps e vídeos no iPad foram criados por pessoas muito espertas, e que fizeram com a intenção de manter as pessoas envolvidas e com o hábito de assistir e usar seus apps e vídeos cada vez mais.

Entender que a maioria das empresas é motivada a manter as crianças gastando seu tempo nas telas ao invés de brincar é uma parte importante do ensino da alfabetização tecnológica.

É importante que as crianças entendam a motivação das empresas de games e redes sociais: enquanto esses produtos vendem diversão e conexão, eles também lucram com nosso tempo e atenção.

Isso pode parecer muita coisa para uma criança de 5 anos, mas sentimos uma forte necessidade de nutrir nossa filha de informação para que ela mesma tenha a habilidade de tomar decisões sobre como vai usar as telas e aplicar suas próprias regras.

Crianças precisam de uma quantidade suficiente de autonomia

Nós perguntamos quanto tempo de tela ela achava que seria bom para ela. Nos arriscamos dando autonomia para tomar essa decisão por ela mesma, mas valeu a pena.

A resposta que eu estava esperando era “O dia inteiro!”, mas não foi o que aconteceu. Armada com as informações da lógica por trás do porquê limitar o tempo de tela é importante, e com a liberdade de tomar decisões em suas mãos, ela timidamente pediu por “dois programas”. Ou seja: dois episódios de um programa da Netflix de 45 minutos apropriado para o público infantil, eu expliquei.

Eu perguntei a ela de forma sincera: “45 minutos por dia parece ser a quantidade certa de tempo de tela para você?”. Ela acenou que sim com a cabeça e, pelo sorriso tímido, posso dizer que ela achou que conseguiu o melhor acordo. Até onde eu sei, 45 minutos estava ótimo pois sobrou bastante tempo para outras atividades.

“Como você planeja saber que não vai passar mais de 45 minutos por dia assistindo aos programas?”, eu perguntei, não querendo perder a negociação que ela claramente sentia que estava ganhando. Ela propôs usar o timer da cozinha, assim ela mesma poderia ligar.

“Parece bom! Mas se a mamãe ou o papai notarem que você não está conseguindo cumprir com o acordo que fez com a gente, vamos ter que conversar de novo sobre isso”, eu disse e ela concordou.

Previna distrações com “pactos de esforço”

Hoje, aos 10 anos de idade, minha filha continua no comando de como gastar seu tempo de tela. Ela fez alguns ajustes nas diretrizes impostas por ela mesma ao longo que crescia, como negociar o tempo de tela nos dias de aula para uma sessão de cinema nos finais de semana. Ela também trocou o timer da cozinha por outros instrumentos: agora ela pede para a Alexa, da Amazon, avisá-la quando atingir seu limite de tempo.

O importante é que são as regras dela, não nossas, e que ela está no comando para reforçá-las. O melhor de tudo é que, quando termina o tempo, não é o pai dela que tem que ser o cara chato: é o aparelho dela que avisa que o limite, que ela mesma propôs, terminou.

Sem se dar conta, ela estabeleceu um “pacto de esforço”, um tipo de compromisso que envolve aumentar o esforço necessário para executar uma ação indesejável.

Não subestime a habilidade de uma criança de seguir adiante
Esse tipo de compromisso ajuda a tornarmos “não-distraíveis”. Muitos pais perguntam se tem um limite correto de tempo que crianças possam passar em frente às telas, mas não existe um número absoluto.

(Nota do editor: apesar de não existir um número absoluto, há indicações de médicos e especialistas.) Há muitos fatores em jogo, incluindo necessidades específicas da criança, o que a criança está fazendo na internet, e as atividades que o tempo de tela substitui.

Discussões e desentendimentos respeitosos são saudáveis

O mais importante é envolver a criança na conversa e ajudá-la a fazer suas próprias regras. Quando pais impõem limites sem a participação dos filhos, eles abrem brechas para ressentimentos, o que termina numa possibilidade bem grande de burlar o sistema.

Essas estratégias não são garantia de que a harmonia entre pais, filhos e tecnologia vai prevalecer. Devemos esperar discussões sobre o papel da tecnologia nas nossas vidas e na vida dos nossos filhos, assim como é normal ter conversas acaloradas sobre deixar o filhos adolescentes usarem o carro no sábado à noite, por exemplo. Discussões, desacordos e debates são sempre saudáveis, se acontecer de forma respeitosa.

Se há uma lição para tirar de tudo isso, é que distração é um problema como qualquer outro. Seja numa empresa grande ou numa família pequena, quando discutimos nossos problemas abertamente e num ambiente onde nos sentimos seguros e amparados, podemos resolvê-los juntos.

Uma coisa é certa: tecnologia está se tornando mais penetrante e persuasiva. Ao mesmo tempo que precisamos alertar as crianças de como esses produtos são desenvolvidos para serem envolventes e necessitar de engajamento, também precisamos reforçar a confiança no seu próprio poder para superar a distração. É responsabilidade das crianças — e também direito delas — usar o tempo com sabedoria.