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A eficácia do dever de casa para crianças pequenas

É raro encontrarmos uma criança que goste de fazer o dever de casa. Sabemos que “Já fez a lição?” é uma frase bem comum entre as famílias, e geralmente vem seguida de um cabo de guerra entre pais e filhos.

Hoje em dia, crianças cada vez mais jovens chegam em casa depois da escola com pilhas de lição de casa. Será que os deveres são mais importantes do que brincar e descansar? Até que ponto que a lição de casa é realmente eficaz e necessária?

Traduzimos uma matéria do site Salon que traz uma pesquisa sobre até onde as lições de casa têm benefícios para estudantes do primário do ensino fundamental.

Reavalie e questione

Não há evidências de que qualquer quantidade de dever de casa melhora na performance acadêmica de estudantes do primário.

Esta citação foi feita por Harris Cooper, que pesquisador da Duke University. Será verdade que as horas de brincadeiras perdidas, lutas pelo poder (conhecidas também como “manhas”) e muitas lágrimas roladas são inúteis? Que milhões de famílias passam por um ritual noturno que não ajuda? O dever de casa é uma prática tão aceita que é difícil para a maioria dos adultos questionar seu valor.

Mas ao olhar com mais cuidados aos fatos, é isso que vai encontrar: dever de casa tem benefícios, mas é intimamente dependente e relacionado com a idade da criança.

O que as pesquisas mostram sobre o dever de casa

Para crianças do ensino primário, pesquisas sugerem que estudar durante as aulas promove resultados de aprendizado mais altos, enquanto trabalhos da escola para fazer em casa são apenas… trabalho extra.

Do 6º ao 9º ano a relação entre sucesso acadêmico e dever de casa é, na melhor das hipóteses, mínimo. Quando as crianças atingem o ensino médio, dever de casa oferece benefícios acadêmicos, mas apenas com moderação. Cerca de duas horas por noite é o limite. Depois dessa quantidade, os benefícios diminuem.

Etta Kralovec, professora de Educação na Universidade do Arizona, concorda: “A pesquisa é muito clara. Não há benefícios quando estão no primário do ensino fundamental.”

Antes de continuar, vamos desmistificar que os resultados da pesquisa são devidos a estudos mal construídos. Na verdade, é o oposto. Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 em 2006.

A análise abrangente que ela fez em cima dos estudos compilados não encontrou evidências acadêmicas de benefícios nas séries primárias do ensino fundamental. No entendo, encontrou um impacto negativo na atitude das crianças em relação à escola.

Qual o impacto?

É isso que preocupa. Dever de casa tem impacto nos estudantes mais novos, mas não é positivo. Uma criança que acabou de entrar na escola merece uma chance de desenvolver o amor pelo aprendizado.

Ao invés disso, dever de casa nos primeiros anos escolares faz com que muitas crianças se voltem contra a escola, contra as futuras lições de casa e o aprendizado acadêmico. E é uma longa jornada. Uma criança no jardim de infância tem que lidar com 13 anos de dever de casa a sua frente.

Também tem os danos nas relações pessoais. Em milhares de lares pelo país, a batalha do dever de casa é diário. Pais incomodam e tentam persuadir os filhos a fazer a tarefa. Crianças cansadas protestam e choram. Ao invés de se conectar e dar suporte uns aos outros no fim do dia, muitas famílias se veem presas no cíclico “Você fez o dever de casa”?

Crianças pequenas e o dever de casa

Quando o dever de casa é dado muito cedo, é difícil para as crianças mais novas terem que lidar com as tarefas de forma independente — elas precisam de um adulto para lembrá-las dos deveres e descobrir como fazê-los.

As crianças criam o hábito de contar com os adultos para ajudá-las a fazer a lição de casa, ou, em muitos casos, para fazer as suas tarefas. Os pais assumem com frequência o papel da “patrulha da lição de casa”.

Ser o chefe irritante é uma tarefa chata que ninguém quer ter, mas isso se mantém até o ensino médio. Além do conflito constante, ter uma patrulha dos deveres em casa desvia de um dos principais propósitos da lição de casa: ter responsabilidade.

Os apoiadores dos deveres de casa defendem que as lições ensinam responsabilidade, reforçam as atividades aprendidas na escola e criam um link escola-casa com os pais.

Contudo, pais que se envolvem na vida escolar dos seus filhos podem ver o que volta na mochila da criança e iniciar o hábito de compartilhar os aprendizados do dia — eles não precisam monitorar a tarefa de casa para saber o que seus filhos tiveram naquele dia na escola.

E a responsabilidade?

Responsabilidade é ensinado diariamente de diferentes formas: é para isso que servem os animais estimação e as tarefas de dentro de casa. É preciso de responsabilidade para uma criança de 6 anos lembrar de trazer seu chapéu e sua lancheira de volta para casa.

É preciso responsabilidade para uma criança de 8 anos se vestir, arrumar sua cama e ir para a escola todos os dias. São tarefas que precisam ser reforçadas e relembradas todos os dias, mas não são os únicos fatores de aprendizado.

Prioridades não-acadêmicas (uma boa noite de sono, o relacionamento familiar e hora de brincar) são vitais para o equilíbrio e bem-estar. Elas também impactam diretamente na memória, foco, comportamento e potencial de aprendizado das crianças.

As lições fundamentais são ensinadas e reforçadas todos os dias em sala de aula. O tempo de depois da escola é precioso para o descanso da criança.

O que funciona mesmo

O que funciona melhor que o dever de casa tradicional, para as crianças do primário, é ler simplesmente em casa: pais lendo em voz alta para as crianças, ou as crianças lendo sozinhas. O segredo é fazer da leitura um momento de prazer. Se a criança não quiser praticar as habilidades de leitura depois de um longo dia na escola, leia para ela.

Qualquer projeto de casa deve ser opcional e ocasional. Se a tarefa não promove mais alegria em relação à escola e interesse em aprender, então não há lugar para a atividade nas salas de aula de crianças do primário.

Dever de casa não tem espaço na vida de uma criança pequena. Sem benefícios acadêmicos, há maneiras melhores de utilizar o tempo nos horários depois da escola.

A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado

Brincar faz bem para o corpo, para a alma e também para o cérebro. Neste artigo, trouxemos alguns pontos apoiados pela ciência que mostram que os benefícios de brincar estão em diferentes áreas, e que brincar tem efeitos positivos no cérebro e na habilidade de aprendizado da criança.

Evidências de que brincar promove soluções criativas de problemas

Psicólogos distinguem dois tipos de problemas: convergente e divergente. Um problema convergente tem uma única solução ou resposta. O problema divergente rende-se a várias soluções. Algumas pesquisas sugerem que a forma como as crianças brincam contribui para a capacidade de resolver problemas divergentes.

Em um experimento, pesquisadores apresentaram dois tipos de materiais lúdicos para crianças de idade pré-escolar (Pepler and Ross 1981). Algumas crianças receberam materiais para brincadeiras convergentes (peças de quebra-cabeças), e outras crianças receberam materiais para brincadeiras divergentes (blocos de montar). As crianças tiveram tempo para brincar e então testaram suas habilidades de resolver problemas.

Crianças que receberam brinquedos de materiais divergentes performaram melhor em problemas divergentes e mostraram mais criatividade nas tentativas para resolver os problemas.

Outro estudo experimental sugere uma conexão entre brincadeiras de faz-de-conta e capacidade divergente de solução de problemas (Wyver and Spence 1999). Crianças que brincavam de faz-de-conta mostraram uma maior capacidade de resolver problemas divergentes. O inverso também foi verdadeiro: crianças treinadas para resolver problemas divergentes mostraram taxas maiores nas brincadeiras de faz-de-conta.

Faz-de-conta, auto-regulação e raciocínio sobre diferentes possibilidades

Solucionar problemas divergentes não é a única habilidade cognitiva ligada com o faz-de-conta. Brincadeiras de faz-de-conta também são relacionadas com dois conjuntos de habilidades cruciais: a capacidade de se auto-regular (impulsos, emoções, atenção) e a de raciocinar de maneiras lógicas e contrafactuais (com noções de possibilidade e relação entre o antecedente e o consequente).

Nos primeiros casos, estudos reportaram que crianças que se engajam e brincam de faz-de-conta com mais frequência têm habilidades de auto-regulação mais fortes. Embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar se a ligação é casual (Lillard et al 2013), os dados são consistentes com essa possibilidade.

Você não pode brincar de faz-de-conta com outra pessoa a menos que ambos queiram brincar disso. Portanto, quem brinca de faz-de-conta deve concordar com as regras que se estabelecem no momento da brincadeira, e a prática de concordar com essas regras pode ajudar crianças a desenvolverem um melhor auto-regulação ao longo do tempo.

No segundo caso, muitos pesquisadores notaram semelhanças entre o faz-de-conta e o raciocínio contrafactual, ou seja, a capacidade de pensar hipoteticamente e de imaginar o futuro.

Alison Gopnik e seus colegas argumentaram (Walker and Gopnik 2013; Buchsbaum et al 2012) que o raciocínio contrafactual nos ajuda a planejar e aprender, permitindo-nos pensar em vários “e se”.

O brincar de faz-de-conta toca nas mesmas habilidades. Brincar de faz-de-conta oferece às crianças oportunidades valiosas para melhorar seu raciocínio sobre diferentes possibilidades no mundo.

Para apoiar essa ideia, pesquisadores encontraram evidências de uma ligação entre o raciocínio contrafactual e a brincadeira de faz-de-conta em crianças de idade pré-escolar. A correlação permaneceu significativa mesmo após um teste de capacidade das crianças em suprimir seus impulsos. (Buchsbaum et al 2012).

Crianças prestam mais atenção às tarefas escolares quando têm oportunidades mais frequentes de brincar livremente

Muitos estudos experimentais mostram que crianças em idade escolar dão mais atenção às tarefas acadêmicas após um intervalo em que ficam livres para brincar sem a orientação de adultos (Pellegrini e Holmes 2006).

Também existem evidências circunstanciais: as escolas chinesas e japonesas, famosas pelo foco e disciplina, oferecem pequenos intervalos a cada 50 minutos aos estudantes. (Stevenson and Lee 1990)

Nota: aulas de educação física não são substitutos eficazes do tempo livre para brincar (Bjorkland and Pellegrini 2000). O exercício físico tem importantes benefícios cognitivos por si só, mas aulas de educação física não oferecem os mesmos benefícios que o recreio.

Pesquisadores suspeitam que isso ocorre porque aulas de educação física são muito estruturadas e dependem bastante das regras impostas pelos adultos. Para colher todos os benefícios das brincadeiras, o intervalo para brincar deve ser realmente divertido.

Quanto tempo um intervalo deve ter? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências de recessos entre 10 e 30 minutos. Em estudos com crianças pequenas de 4 e 5 anos, pesquisadores descobriram que intervalos de 10 a 20 minutos aumentavam a atenção em sala de aula. Intervalos com mais de 30 minutos tinham o efeito contrário(Pelligrini and Holmes 2006).

Brincar e explorar desencadeiam a secreção do BDNF, substância essencial para o crescimento das células cerebrais.

De novo: ninguém descobriu uma maneira ética para testar isso em seres humanos, por isso as evidências vêm de ratos. Depois de brincar, ratos mostraram um aumento nos níveis de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) (Gordon et al 2003).

O BDNF é essencial para o crescimento e manutenção das células do cérebro. Os níveis de BDNF também aumentaram depois que os ratos puderam explorar o ambiente em que estavam(Huber et al 2007).

Linguagem e os benefícios de brincar

Estudos revelam que há uma ligação entre brincadeira de faz-de-conta e o desenvolvimento das habilidades linguísticas (Fisher 1999). O psicólogo Edward Fisher analisou 46 estudos sobre os benefícios cognitivos do brincar.

Ele descobriu que “brincadeiras sociodramáticas”, que são quando crianças brincam de faz-de-conta juntas, “resultam em melhores performances nos domínios cognitivo-linguístico e afetivo social”.

Um estudo com crianças de 1 a 6 anos na Inglaterra mediu a capacidade das crianças com brincadeiras de faz-de-conta. Foi pedido às crianças que realizassem tarefas simbólicas, como substituir um ursinho de pelúcia por um objeto ausente.

Pesquisadores descobriram que crianças obtiveram maior pontuação no teste de brincadeiras simbólicas tinham melhores habilidades de linguagem, tanto na receptiva (o que a criança entende) quanto na linguagem expressiva (as palavras que ela usa). Esses resultados permaneceram significativos mesmo após as crianças crescerem.

Pesquisas recentes também sugerem que brincar com brinquedos de montar contribui para o desenvolvimento da linguagem. Para mais informações, leia este artigo sobre construção de brinquedos e os benefícios de brincar.

Habilidades matemáticas e os benefícios de brincar

Aqui está uma intrigante história sobre brincar e matemática: um estudo mediu a complexidade de crianças de 4 anos que brincam com blocos e acompanhou suas performances escolares até o ensino médio (Wolfgang, Stannard, & Jones, 2001).

Pesquisadores descobriram que a complexidade da brincadeira de montar blocos previa as conquistas em matemática das crianças no ensino médio. Aquelas que usaram os blocos de maneiras mais sofisticadas nas brincadeiras na pré-escola obtiveram melhores notas em matemática e fizeram mais cursos de matemática quando adolescentes.

Esses resultados podem apenas nos dizer que crianças inteligentes na pré-escola continuam inteligentes ao longo da vida escolar, mas não é tão simples.

A associação entre as brincadeiras de blocos e a performance em matemática permaneceu mesmo depois que os pesquisadores mediram e acompanharam o QI de uma criança. Portanto, é plausível que as brincadeiras com blocos influenciam o desenvolvimento cognitivo das crianças.

Experimentos com animais: Brincar melhora a memória e estimula o crescimento do córtex cerebral

Em 1964, Marion Diamond e seus colegas publicaram um artigo interessante sobre crescimento cerebral em ratos. Os neurocientistas conduziram um experimento criando alguns ratos em confinamento solitário e sem estímulos, e outros em colônias divertidas e cheias de brinquedos.

Quando os pesquisadores examinaram o cérebro dos ratos, descobriram que os ratos que viviam em colônias tinham córtices cerebrais mais espessos do que os ratos que viviam em confinamento.(Diamond et al 1964).

Pesquisas subsequentes confirmaram os resultados de que ratos criados em ambientes com estímulos tinham cérebros maiores. E eles também eram mais inteligentes, ou seja, mais capazes de achar a saída em labirintos mais rapidamente (Greenough and Black 1992).

Estes benefícios de brincar se estendem aos humanos? Considerações éticas nos impedem de realizar experiências semelhantes em crianças. Mas parece que o cérebro humano responda ao brincar e à exploração de maneiras semelhantes.

Experiências lúdicas são experiências de aprendizado

Para que ninguém duvide que as crianças aprendem brincando, devemos ter em mente os seguintes pontos:

1) A maioria das brincadeiras envolve exploração, que é, por definição, investigar.

É fácil perceber como isso se aplica a um cientista iniciante que brinca com ímãs, mas também se aplica a atividades “não intelectuais”, como filhotes brincando de “lutinha”.

Os animais testam laços e aprendem a controlar seus impulsos para que uma luta amigável não se transforme em agressão anti-social. Brincar é aprender.

2) Brincar é motivador e divertido

Tudo o que é aprendido brincando é conhecimento adquirido sem a percepção do trabalho duro, de “sem dor não há ganho”. Isso contrasta com as atividades que desempenhamos como deveres.

Quando a atividade é considerada árdua, nossa habilidade de permanecer focado pode parecer um recurso limitado ao longo do tempo (Inzlicht et al 2014).

É difícil de alcançar um fluxo, a experiência psicológica de estar feliz e completamente imerso no que se está fazendo. Brincar é uma alternativa para conseguir esse fluxo.

3) Há evidências empíricas de que crianças tratam as brincadeiras como um tutorial para lidar com os desafios da vida real

Por todo o mundo crianças se envolvem em brincadeiras de faz-de-conta que simulam atividades que precisam dominar quando adultas (Lancy 2008), sugerindo que essas brincadeiras são uma forma de prática. Quando as crianças são munidas com informações durante o faz-de-conta — seja de amigos ou de adultos — elas as aceitam.

Experiências nos Estados Unidos com crianças em idade pré-escolar sugerem que crianças de até 3 anos de idade fazem distinções entre realidade e a fantasia do faz-de-conta, e usam as informações aprendidas no mundo real (Sutherland and Friedman 2012; 2013).

Fonte: https://www.parentingscience.com/benefits-of-play.html?fbclid=IwAR3XPLfFzrKCmRzI_vfAtz1feleXx6pBW9D7-UXCZpqIFuODF_uZ_5gGWpI

Equilíbrio com tela na vida das crianças: como encontrá-lo?

Atividades físicas, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono diminui comportamentos impulsivos em crianças

O artigo Association between 24-hour movement behaviour and impulsivity in American children, publicado no American Academy of Pediatrics, demonstrou que equilibrar exercícios físicos, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono pode diminuir os índices de comportamentos impulsivos em crianças.

Comportamentos impulsivos

Os comportamentos impulsivos em crianças são reflexos de ansiedade. Impaciência; quando a criança interrompe a fala de outras pessoas; quando a criança fala, grita ou ri em momentos inapropriados; ou quando se coloca em situações de perigo sem pensar.

Vale lembrar que esses comportamentos são normais e fazem parte do desenvolvimento de todas as crianças, mas é necessário atentar quando ocorrem com exagero e com muita frequência.

Crianças que têm esses comportamentos impulsivos de forma exagerada costumam ser rotuladas de “crianças-problema” ou “troublemakers” (em inglês) nas escolas ou até mesmo em casa. Se você convive com uma criança que apresenta esses tipos de comportamento, evite utilizar rótulos de qualquer tipo.

Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth

O estudo é baseado no Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth, uma iniciativa da Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício que traz diretrizes baseadas em evidências com hábitos que enfatizam a integração de todos os comportamentos de movimento que ocorrem ao longo de um dia inteiro.

As diretrizes incentivam crianças e jovens a “suar, pisar dormir e sentar” (em inglês, “sweat, step, sleep and sit”) nas quantidades indicadas e consideradas benéficas ao longo de 24 horas.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Pesquisa sobre Vida Ativa Saudável e Obesidade (Healthy Active Living and Obesity Group – HALO) do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil do Leste de Ontário, Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (CSEP), ParticipACTION, The Conference Board of Canada, Public Health Agency do Canadá e um grupo de pesquisadores de todo o mundo, com a participação de mais de 700 participantes canadenses e internacionais.

As diretrizes do Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth sugerem que crianças entre 5 a 17 anos:

  • pratiquem atividades físicas moderadas a altas durante pelo menos uma hora por dia;
  • não ultrapassem duas horas por dia na utilização de telas para fins recreativos;
  • que durmam de 9 a 11 horas corridas por noite.

Como o 24-hour movement Guidelines for Children and Youth interfere nos comportamentos impulsivos das crianças?

Os pesquisadores do HALO analisaram dados de mais de 4.500 crianças. Os dados continham auto-relatos que foram categorizados em 8 competências que caracterizam ou não comportamento impulsivo. Essas competências avaliam padrões como não finalizar tarefas ou agir irracionalmente diante de estados emocionais negativos.

Assista ao vídeo aqui.

O estudo demonstrou que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes pontuaram positivamente todas as competências e tiveram pontuações positivas mais altas em 5 das 8 competências em relação às crianças que não seguiram as indicações das diretrizes, concluindo que o equilíbrio da tríade sono, tempo de tela e exercícios físicos pode diminuir distúrbios relacionados à impulsividade.

Além disso, os resultados sugerem que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes têm melhores funções cognitivas; menores chances de desenvolver obesidade; melhores dietas alimentares e melhor qualidade de vida em relação às crianças que não seguem nenhuma recomendação.

Tanto a pesquisa em si quanto seus resultados são bem significativos, visto que a quantidade de crianças e de dados coletados é relevante. É difícil encontrarmos pesquisas com amostras e base de dados tão grandes, e os resultados só comprovam o sucesso da pesquisa.

Por que nossos produtos respeitam os direitos das crianças?

A cada produto novo, pensamos cada vez mais sobre o impacto que o produtor terá na vida das crianças e dos pais. A qualidade, segurança e o propósito do produto são os carros-chefe que puxam outros requisitos, como usabilidade e diversão, por exemplo.

Por isso, compartilhamos aqui o Guia de Direitos das Crianças para Desenvolvedores e Designers, onde traz reflexões e direciona profissionais a melhorarem seus produtos e serviços pensando no melhor que possam oferecer a uma criança, com respeito e responsabilidade. A Explot já têm alguns desses princípios enraizados na empresa, nos funcionários e em suas ideias, e buscamos melhorar cada vez mais adotando as sugestões do guia.

O Designing for Children’s Rights Guide é um guia para desenvolvedores de produtos e serviços crianças criado para o bem-estar das crianças. O material foi criado por mais de 70 profissionais – incluindo designers, desenvolvedores, neurocientistas, psicólogos, especialistas da área da saúde, educadores e experts em direito da criança – num evento colaborativo de 48 horas em Helsinki, Finlândia, em janeiro de 2018.

O objetivo do guia é aperfeiçoar um novo padrão de design e negócios e direcionar o desenvolvimento de produtos e serviços para que tenham enraizados em seus projetos a ética e a busca pela melhor experiência que uma criança pode ter.

INTRODUÇÃO

Apoiando o bem-estar e o desenvolvimento cognitivo e emocional saudável

Queremos que as crianças tenham as melhores oportunidades ao longo da vida. Produtos digitais têm o potencial de melhorar o desenvolvimento infantil e o bem-estar apoiando o processo natural pelos quais as crianças passam.

Questões como desenvolvimento cognitivo e físico precisam ser fortemente consideradas em um contexto de desenvolvimento e mudança de evidências sobre o impacto em que a exposição à mídia digital tem sobre essas questões. Além disso, o papel da família e o efeito da experiência digital no mundo da criança devem ser levados em conta quando o produto ou serviço é projetado para o melhor interesse das crianças.

Reunimos os princípios para ajudar a orientar designers, desenvolvedores e criadores de produtos, serviços e conteúdo para crianças.

Incentivando a autoexpressão, criatividade, aprendizagem e diversão

Crianças são experts em suas próprias vidas e, ao compreender suas perspectivas, problemas e aspirações, somos mais capazes de criar melhores experiências e produtos que atendam às suas necessidades. Devemos nos esforçar para trabalhar ao lado de crianças, para aprender e focar no que elas mais têm interesse.

Para incentivar o conteúdo rico e ético para a autoexpressão, criatividade e diversão:

  1. Comunique-se de forma adequada para a idade, bem como tradução de idiomas
  2. Sempre considere os benefícios e desvantagens do analógico e do digital no desenvolvimento do projeto
  3. Leve em conta os estágios de desenvolvimento incluindo questões como desenvolvimento cognitivo-emocional, social e físico, e crie pesquisas e projetos adequados à idade.

Juntamente com o processo de design, o designer deve manter algumas reflexões em mente e levantar questões como:

“Qual é o papel do designer?”

“Quanto controle as crianças como participantes têm sobre o processo?”

“Qual é a contribuição do designer?”

“O que os participantes recebem em troca”?

Educando a criança como um ser social e cidadão

Vamos desenhar o futuro juntos. Esse futuro reconhece as crianças como pessoas de amanhã e de hoje, por isso, elas devem estar no centro do processo de criação.

As crianças têm o direito de participar e influenciar no desenvolvimento de produtos e serviços que respeitam sua identidade e diversidade.

A participação empodera e protege as crianças, educando-as a serem cidadão e seres sociáveis e promovendo um espaço construtivo que permite a atuação delas.

O design tem a missão de moldar um futuro juntos e criar oportunidades para o impacto positivo. Vamos começar agora.

Garantindo segurança e privacidade

3 fatos simples:

  1. Quase todos os serviços, online e offline, podem ser usados e são usados por crianças. Crianças devem ser consideradas como um público-alvo em todos os processos de desenvolvimento.
  2. Desenvolvedores precisam incluir medidas de privacidade e segurança para todos os usuários, principalmente crianças, nos quatro estágios do ciclo de vida de um produto: Criação, desenvolvimento e período de teste; Descoberta e inscrição de usuário; Uso contínuo do usuário e crise de usuário; Saída do usuário e morte do produto
  3. Desenvolvedores precisam assumir a responsabilidade de incluir crianças no processo de desenvolvimento de seus produtos. Não pode assumir que outra pessoa ou organização fará isso.

PRINCÍPIOS

Todos podem usar

Preciso de um produto que não discrimine características como gênero, idade, habilidade, idioma, etnia e status sócio-econômico. Apoie a diversidade em todos os os aspectos nas práticas de criação e negócios da sua empresa (incluindo publicidade). Tenha em mente que eu possa utilizar o seu produto de maneiras não intencionais e que pode ser que eu use seu produto mesmo que ele não tenha sido feito para mim.

Link para U.N children’s right: NON-DISCRIMINATION

Me dê espaço para explorar e apoie meu crescimento

Eu preciso experimentar, arriscar e aprender com meus erros. Quando houver erros, dê suporte para que eu mesmo/a conserte, ou com a ajuda de um adulto. Encoraje minha curiosidade, mas considere minhas capacidades baseado na idade e no desenvolvimento. Preciso de apoio para adquirir novas habilidades e que me encoraje com desafios dirigidos por mim mesmo/a.

Tenho propósito, então, dê importância à minha influência

Me ajude a perceber o meu valor e o meu lugar no mundo. Preciso de espaço para construir e expressar a forte percepção de mim mesmo/a. Você pode me ajudar a fazer isso me envolvendo no seu produto ou serviço como alguém que contribui (não apenas como um consumidor). Quero experiências que tenham significado para mim.

Me ofereça algo seguro e me mantenha protegido

Certifique-se de que seu produto é seguro para que eu use e não espere que terceiros irão garantir minha segurança. Preciso de um caminho guiado ou um “salva vidas” para me dizer quando algo é perigoso e me informar de como permanecer seguro. Me dê ferramentas para me distanciar daqueles que eu não quer ter contato, facilitando o bloqueio de conteúdos e contatos indesejados. Não me exponha a conteúdos indesejados, inapropriados ou ilegais. Me forneça um modelo de comportamento saudável. Certifique-se que os responsáveis por mim tenham informações necessárias para que compreendam tudo isso, assim como sua importância.

Não utilize meus dados de forma indevida

Me ajude a manter controle sobre os meus dados, me dando opções em relação a quais dados quero compartilhar, para quais fins e como meus dados serão usados. Não colete nada além do que você precise, não monetize meus dados pessoais e não entregue-os a terceiros. Preocupe-se comigo respeitando meus dados.

Crie um espaço para brincar, incluindo uma opção para relaxar

Quando você usar seu produto ou serviço, considere diferentes visões, estados de espírito, e contextos das brincadeiras. Sou ativo/a, curioso/a e criativo/a, mas me oriente a fazer uma pausa e não esqueça de me oferecer um espaço para respirar.

Promova o tempo interativo e o tempo passivo e me encoraje a fazer pausas. Torne mais fácil definir meus próprios limites e me ajude a desenvolvê-los e transformá-los à medida que o meu entendimento sobre o mundo ao meu redor cresce.

Me encoraje a ser mais ativo e a brincar com outras pessoas

Meu bem-estar, vida social, minhas brincadeiras, criatividade, auto-expressão e aprendizado podem ser aprimorados quando eu colaboro e compartilho essas experiências com outras pessoas.

Ofereça-me experiências que me ajudam a construir relacionamentos e habilidades sociais com meus colegas e com a comunidade em que eu estou inserido/a, e me forneça ferramentas para me distanciar daquele que eu não quero ter contato.

Incentive a igualdade em seus produtos e serviços não destacando as diferenças que podem ser usadas para discriminar outras pessoas, como número de amigos e curtidas.

Ajude-me a reconhecer e entender atividades comerciais, principalmente as propagandas

Identifique, marque ou aponte a publicidade de forma explícita para que eu não confunda com outras informações. Indique de forma transparente quando as ações do seu produto ou serviço precisa que eu faça download de conteúdos ou quando precisa que eu me comprometa com o uso exclusivo do seu produto. Certifique-se de que eu entendi completamente todas as opções de compras antes de pagar por elas no seu produto ou serviço.

Use uma comunicação que seja próxima da minha linguagem

Tenha certeza de que eu entendi todas as informações relevantes que têm algum impacto em mim. Considere todas as formas de comunicação (visual, áudio, etc) e torne acessível para todos. Lembre-se que idade, habilidade, cultura e idioma impactam na minha compreensão.

Você não me conhece, então tenha certeza de que você me incluiu

Você deveria passar algum tempo comigo quando projetar um produto ou serviço que pode ser que eu use. Meus amigos, pais e parentes, professores e a comunidade em que eu estou inserido/a também se importam com o seu produto ou serviço, então também os inclua no processo. Nós temos ótimas ideias que podem te ajudar. Também certifique-se de falar com pessoas que são experts nas minhas necessidades.