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Contos de Grimm: saiba mais sobre as histórias infantis mais famosas do mundo

Com certeza você já ouviu as histórias da Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve, João e Maria, e o Pequeno Polegar. Muitos deles tornaram-se clássicos filmes infantis que encantaram gerações e continuam presentes na vida das crianças. Essas e muitas outras histórias fazem parte dos Contos de Grimm

Como já falamos sobre as fábulas de Esopo, hoje vamos abordar outras histórias populares infantis: os contos de Grimm.

O que são os Contos de Grimm

Os contos de Grimm são compostos por contos de fadas, fábulas e outros contos publicados pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm. São 2 coletâneas: a primeira com 86 histórias, publicada em 1812; e a segunda coletânea publicada em 1814 com 70 histórias. As coletâneas tiveram diversas edições, e histórias foram adicionadas e retiradas entre uma edição e outra. Além dos dois volumes de contos, os Irmãos Grimm também publicaram uma pequena seleção de 50 contos para o público infantil em 1825.

Inicialmente, os Irmãos Grimm publicaram os contos com o objetivo de preservar a cultura oral das histórias populares que ouviam na Alemanha, país onde viviam. Por isso, muitos contos não eram adequados para o público infantil: havia personagens cruéis, violência e mensagens subliminares sexuais.

Mas todos os contos faziam parte do imaginário da Alemanha do século XIX e da cultura oral que havia sobrevivido até então. As histórias ajudavam as pessoas no enfrentamento de desafios e na transmissão de sabedoria daquela cultura. 

Outro objetivo dos Irmãos Grimm com o registro das histórias era de fazer um levantamento dos elementos linguísticos para fundamentação dos estudos filológicos da língua alemã. De forma resumida, eles queriam que as tradições, cultura e língua alemã fossem registradas e preservadas, já que nessa época, as terras que hoje compõem a Alemanha eram constantemente ameaçadas pelas guerras napoleônicas.

Moral da história

Os contos mais comuns que apresentam moral da história também são as Fábulas de Esopo. Os contos de Grimm não apresentam a moral da história tão abertamente, apesar de ter um ensinamento. Apesar disso, muitas adaptações dos contos adicionam uma moral da história para deixar claro qual ensinamento passar para a frente.

Como explicamos mais detalhadamente o artigo sobre as Fábulas Gregas, acreditamos que ter uma moral da história limita o aprendizado e ensinamentos que a história pode ser. Afinal, uma história pode ter muitas interpretações e cada pessoa pode enxergar e absorver sabedorias diferentes do mesmo conto.

A evolução dos contos ao longo do tempo

Jacob e Wilhelm não estavam muito preocupados no teor das histórias que registravam, afinal, o trabalho ali era para manter a cultura viva. Era comum encontrar cenas de mutilação, mães sendo retratadas como vilãs, vingança violenta, finais aterrorizantes e muita tragédia. 

O problema é que a primeira edição foi publicada em 1812 como “Contos Infantis Domésticos”, e não foi um sucesso de imediato – já dá pra imaginar os motivos. Nas últimas edições publicadas pelos irmãos, eles adaptaram e modificaram os enredos para que as histórias ficassem mais próprias para as crianças.

Os Contos de Grimm atualmente

Os Contos de Grimm permaneceram no imaginário cultural da Alemanha e cruzaram fronteiras ganhando o mundo inteiro. Os filmes mais clássicos da Disney são adaptações dos Contos de Grimm; teatros de diversos países são palco para musicais e peças das histórias dos irmãos, e diversos livros de adaptações e releituras foram publicados. 

Os contos de hoje são diferentes dos originais e ainda dos que foram adaptadas pelos próprios irmãos Grimm. As histórias sofreram várias mudanças ao longo do tempo para fazer sentido com o contexto histórico e cultural de cada época e país.

Apesar disso, os Jacob e Wilhelm conseguiram cumprir com seu objetivo inicial: que a tradição oral alemã continuasse viva ao longo das gerações.

Teaching Stories x Contos de Grimm

As Teaching Stories também são contos milenares, assim como os dos Irmãos Grimm. Enquanto as Teaching Stories transmitem a sabedoria de um povo e cultura, os Contos de Grimm tinham a intenção de difundir costumes e regras sociais. Além dessas, as Teaching Stories e os Contos de Grimm tem outras diferenças.

A principal diferença é a necessidade de adaptação. As Teaching Stories viajam gerações sem a necessidade de grandes adaptações, já que a sabedoria transmitida está ligada à estrutura do conto. Nas Teaching Stories, é possível trocar o gênero dos personagens e mudar os animais das fábulas, por exemplo, sem perder a essência da história. A necessidade de adaptação das Teaching Stories está nos detalhes, já que a transmissão de sabedoria transcende os personagens e detalhes narrativos, tornando-as adequadas ao longo das gerações.

Já os Contos dos Irmãos Grimm precisam de cada vez mais adaptações para se adequar às gerações. E a necessidade de adaptação vem se tornando necessária cada vez mais rápido com a mudança de paradigma em relação à misoginia, racismo, e a busca por equidade, por exemplo. É difícil encontrar um conto antigo que não peça adaptações para a geração das crianças de hoje, mas os Contos de Grimm são estruturados de forma que perdem o sentido diante de muitas mudanças narrativas. Muitos elementos dos Contos de Grimm são amarrados: desde personagens, detalhes físicos e de personalidade dos personagens, à narrativa e à estrutura. Isso dificulta que o objetivo principal dos contos permaneça nas adaptações necessárias para adequar os contos às gerações futuras, já que os costumes e as regras sociais mudaram muitos desde a publicação dos contos.

No aplicativo Truth and Tales tem Teaching Stories para as crianças! É oferecido em dois formatos: contos interativos e audiobooks ou audio livros. Nos contos interativos, as crianças podem ouvir e ler a história ao mesmo tempo, e ainda se divertem com os jogos e interações; já nos audiobooks, as crianças só escutam a história, podendo ser usado em momentos que pedem mais tranquilidade como a hora de dormir ou uma viagem de carro.

Guia Fortnite: tudo o que os pais de crianças precisam saber sobre o jogo

Muitos pais já devem ter ouvido o nome do jogo Fortnite comentado pelos filhos ou outras crianças, assim como Among Us e Roblox. O Fortnite foi criado em 2011 e tem aumentado cada vez mais o seu número de jogadores. 

Em agosto deste ano a produtora do jogo, Epic Games, afirmou que alcançou o número de mais de 500 milhões de contas de usuários, enquanto no ano passado esse número era de 350 milhões. 

O que é o Fortnite? 

O Fortnite é um jogo online multiplayer (que permite que vários jogadores joguem ao mesmo tempo uma partida) do gênero battle royale, ou seja, que reúne um grupo grande de jogadores que ficam no mesmo local buscando equipamentos como armas, madeiras e ferramentas de construção. Do grupo inicial, apenas um jogador ou equipe sobrevive, ganhando o jogo.

É por esse motivo que quem joga Fortnite fica muito concentrado e bastante tenso durante a partida, pois não é possível pausar.  Além dessa narrativa no Fortnite, é possível explorar e descobrir elementos do mapa do jogo e, em paralelo a isso, derrotar os inimigos. De forma simplificada, podemos dizer que o último vence, ou seja, aquele que sobreviveu a todas as batalhas e conseguiu escapar dos outros jogadores.  

Qual o objetivo do jogo?

O maior objetivo dentro do jogo é vencer os demais jogadores em combates. Para isso, os usuários podem jogar no modo solo, em dupla ou em equipes de no máximo quatro participantes.
Leva vantagem nos confrontos aqueles que melhor explorarem o mapa, conquistando recursos, adquirindo itens ou construindo edificações. Conhecer o mapa é extremamente importante já que assim os jogadores ficam atentos aos momentos de combates. 

O Fortnite é gratuito? 

O jogo é gratuito e tem versões para PC, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS e Android. Para baixar o jogo no computador é necessário acessar a página principal do Fortnite, selecionar a opção jogue de graça agora e depois selecionar PC/Mac.

O próximo passo é a criação de uma conta na Epic Games, que é a plataforma que abriga o jogo, como se fosse uma loja de jogos. Alguns dados serão solicitados, como o país, nome completo, nome de usuário, e-mail e senha. O jogo também oferece a possibilidade de criar um usuário com os logins do Facebook ou Gmail. Após esse preenchimento de dados, o usuário deve escolher a pasta de destino que o jogo será salvo no computador. 

Iniciando um jogo no Fortnite

Finalizado o processo de instalação no computador e criação de usuário e senha, é hora de começar a jogar. Para isso, é necessário selecionar o modo battle royale que aparece na tela inicial. 

Modo do jogo: 

Depois de selecionar o personagem e a skin (traje do personagem), há opções de como o usuário pode jogar Fortnite: solo, duos e squads. Dentro dessas possibilidades, o jogador poderá escolher se deseja jogar sozinho, em duplas ou em equipes. 

O jogo começa assim que esses passos forem finalizados. O jogador inicia a partida dentro de um balão voador ou ônibus voador, no céu, e em seguida caem de paraquedas no cenário do jogo. 

Pontos que merecem a atenção dos pais    

Monetização dentro do Fortnite

Sabemos que os jogos e aplicativos têm algumas formas de monetização, ou seja, de ganhar dinheiro, como já explicamos neste artigo. O Fortnite é grátis para baixar e jogar, e não tem anúncios. Então como o jogo ganha dinheiro? Através de compras dentro do jogo. O Fortnite vende alguns itens para usar dentro do game.

Na loja de itens dentro do Fortnite é possível comprar skins (roupas dos personagens), armas e acessórios para customizar o seu personagem e até melhorar sua performance nas partidas. A moeda do jogo é a V-Bucks. Um total de 1.000 V-Bucks custa R$25,00; 2.800 V-Bucks saem por R$62,50 e assim por diante. 

Além dos itens já citados, loot boxes também podem ser compradas na loja. As loot boxes são caixas com itens aleatórios para customizar o personagem. Esses itens são vendidos separadamente nas lojas, mas os usuários são atraídos pelas loot boxes sabendo da possibilidade de encontrar itens raros. As loot boxes têm as mesmas mecânicas de cassinos e podem ser prejudiciais às crianças, como explicamos neste artigo

Nos Estados Unidos, as compras dentro do Fortnite se tornaram um problema para muitas crianças, que sofreram bullying por terem seus personagens default, que significa “padrão”, em inglês. Ou seja, quem jogava com o personagem igual ao que o jogo entregava, sem personalizá-lo com os itens vendidos na loja, era chamado pejorativamente de default.

Essa pressão para personalizar os personagens gera uma falsa necessidade de consumo entre as crianças, até mesmo para se proteger do bullying na escola e dentro do jogo. Ou seja, nem mesmo em casa as crianças estavam seguras e protegidas, já que eram atacadas online através do chat do Fortnite. O consumismo incentivado pelo jogo é uma das principais preocupações em relação às crianças.

Classificação indicativa: 

Como já mencionamos, o jogador que resistir até o fim da partida é o ganhador. Para tanto, além de pensar em estratégias de defesa, é necessário atirar nos inimigos para que eles sejam atacados, o que implicará em cenas de violência.

Apesar dos tiros e de jogadores “morrendo”, não é muito realista. O gráfico do jogo não mostra sangue e quando um jogador morre são os itens que ele guardava que aparecem na tela, e o outro jogador pode coletar esses itens. 

A classificação indicativa do jogo no Brasil sugere que as partidas sejam jogadas por maiores de 12 anos de idade. Já nos Estados Unidos, a indicação é de 13 anos, que é a mesma indicada pela empresa que criou o jogo, a Epic Games. 

Chat aberto durante o jogo: 

Assim como no Among Us, o Fortnite conta com um chat durante o jogo, onde é possível que os jogadores conversem durante as partidas. Nesse caso, no entanto, é possível silenciar o chat da seguinte maneira: 

Selecione o ícone menu e depois configurações. Dentro desse ambiente você encontrará a página de áudio. Para desativar, basta ligar/desligar o bate-papo de voz e gerenciar notificações. Mas é importante ressaltar que isso vai influenciar na habilidade de jogar. 

A dica mais importante tanto para o Fortnite quanto para outros jogos é o diálogo constante com as crianças. Essa comunicação gera confiança nos pequenos e os farão conversar a respeito sobre qualquer situação que considerarem fora do comum dentro do jogo.

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Não podemos dizer que Fortnite é um jogo livre de violência, porque existe. São armas, tiros e ganha o jogo quem sobrevive. Por isso, reiteramos a necessidade de diálogo entre pais e filhos em relação ao jogo. Interessar-se pelo o que as crianças gostam e até tentar jogar com os pequenos cria uma proximidade e os deixam confortáveis para procurar pelo adulto caso sintam necessidade. 

Chat e violência

É importante sempre estar atento ao chat caso não tenha silenciado, mesmo que a criança não indique sinais. Perguntar sobre o que conversam e combinar com a criança de checar vez ou outra é importante para protegê-las de pessoas mal intencionadas.

Conversar sobre o que a criança acha daquela violência também é válido, já que o jogo tenta deixar essa questão mais fantasiosa. Muitas crianças nem percebem a violência e não tratam aquilo como violência. 

Consumismo e Bullying

Mas a violência não é o ponto mais frágil do jogo. A monetização, ou seja, a forma como o Fortnite faz dinheiro, é onde os pais devem ter um alerta amarelo sempre ligado. Por isso, nosso posicionamento em relação ao Fortnite é que crianças menores de 10 anos não joguem o jogo porque ainda não entendem como a monetização funciona, que cada item custa realmente dinheiro de verdade. Elas ainda não estão preparadas para esse tipo de modelo de jogo. Para as crianças maiores, conversar sobre isso e estipular um limite e combinados é primordial. Esses combinados vão da realidade de cada família, mas é importante que tenham claro que cada item comprado vale dinheiro.

É importante também conversar como isso afeta a vida social das crianças. Vimos que muitos sofrem bullying na escola por terem o boneco “padrão” no jogo. Fique de olho, conversem sobre isso e fique de olho como seus filhos ficam antes e após jogar Fortnite. Muitas crianças ficam ansiosas e só jogam porque “precisam” estar nesse ambiente, já que todos também estão.

Pontos positivos

Apesar disso, não há como negar que Fortnite ajuda a desenvolver algumas habilidades. Jogos de tiro em geral trabalham bastante a visão espacial, já que geralmente a câmera é em primeira pessoa e é necessário prestar muita atenção em todos os elementos em sua volta para atirar e se esconder. A agilidade também é muito trabalhada, assim como a atenção focal e a atenção global, já que é necessário focar num alvo ao mesmo tempo em que precisa buscar um lugar protegido. 

Podemos citar ainda o plus que o próprio Fortnite premia: construções. No jogo, o usuário pode coletar madeira, pedras, cordas e ferramentas para construir fortes, esconderijos para auxiliá-lo no jogo, e o jogador é beneficiado por cada construção. Assim como Minecraft e Roblox, esse tipo de jogo onde as crianças podem construir é muito benéfico tanto para o desenvolvimento da visão espacial quanto para a criatividade. Falamos mais sobre a visão espacial em jogos aqui

Histórias que utilizam o humor são benéficas para o cérebro e o desenvolvimento cognitivo

A infância é um período repleto de aprendizados e, como já explicamos neste texto, o desenvolvimento cognitivo está sendo estimulado a todo tempo quando somos pequenos. Histórias que utilizam o humor também têm um papel importante nesse desenvolvimento.

A cada novo estímulo que as crianças recebem, elas passam a explorar o mundo, os sentidos e, dessa maneira, aprendem e interagem com o ambiente que as cerca. A leitura de histórias é uma forma de estimular esses aprendizados. 

Neste texto, apresentamos informações de que a leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro, que é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar. 

Os benefícios das histórias com humor para as crianças

Os pesquisadores Olufolake Orekoya, Edmund SS Chan e Maria PY Chik, ambos da Universidade Batista de Hong Kong, escreveram um artigo onde explicam como a leitura e, principalmente, a literatura com elementos de humor, pode ser benéfica para o aprendizado das crianças. 

Eles apresentam uma investigação de dois anos sobre aprendizagem e ensino de literatura infantil realizadas por cinco universidades com alunos do ensino fundamental, que revelou que a maioria das crianças prefere ler livros que as façam rir

Os resultados mostraram ainda que o que torna os alunos leitores ativos são livros de histórias engraçadas. O estudo relatou as preferências das crianças sobre a leitura, que vão desde histórias engraçadas, histórias de aventura, fantasia e outros. 

As crianças são facilmente adaptáveis ​​ao vínculo entre humor e criatividade, que auxiliam no desenvolvimento cognitivo. Conforme as crianças vão crescendo, ou seja, quando tornam-se mais maduras cognitivamente, elas podem apreciar diferentes formas de humor presentes nas histórias.

Leitura, humor e desenvolvimento cognitivo

O artigo afirma que a apreciação do humor está intimamente relacionada ao desenvolvimento cognitivo. Quando uma criança está envolvida na apreciação do humor, ela pretende terminar um exercício de resolução de problemas para identificar e desdobrar as incongruências ocultas abaixo dos estímulos de humor (Zigler, Levine, & Gould, 1967).

A literatura acadêmica confirma os benefícios e a importância do humor para a aprendizagem social na escola a nível cognitivo, afetivo e comportamental, uma vez que facilita o ambiente de aprendizagem lúdica, diminui a ansiedade de aprendizagem, estimula a motivação de aprendizagem dos alunos e aprofunda relação professor-aluno (Davies & Apter, 1980). 

Quando as crianças lêem textos humorísticos, elas se envolvem em um “jogo cognitivo”, “onde as palavras e conceitos são usados ​​de maneiras que são surpreendentes, incomuns e incongruentes, ativando esquemas com os quais não estão normalmente associados” (Martin, 2007, p. 109; Shultz & Robillard, 1980). 

Segundo Rod A. Martin, a leitura como atividade cognitiva pode ativar a emoção positiva de alegria (ou seja, prazer), levando ao aprimoramento da criatividade, memória e virtudes sociais que incluem senso de responsabilidade, ajuda e generosidade. 

As teorias do humor

John Morreall, que é Doutor em Filosofia e Professor Emérito no College of William and Mary em Williamsburg, avaliou três teorias tradicionais do riso e do humor: a Teoria da Superioridade, a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A partir dessas teorias, ele apresentou uma nova na qual afirma que o humor é um jogo cognitivo.

John explica que nem sempre o riso é sobre pessoas e, portanto, não há necessidade de comparação de pessoas, como o que era afirmado na Teoria da Superioridade do humor. Ele conta que podemos ser divertidos por um comediante de palco tendo uma impressão perfeita de alguma estrela de cinema sem nos comparar com aquele comediante ou estrela de cinema. E mesmo que nos comparemos com pessoas de quem estamos rindo, não precisamos nos julgar superiores a elas. Eles podem nos fazer rir ao nos surpreender com habilidades que nos faltam, por exemplo. 

Durante dois mil anos a Teoria da Superioridade era a explicação mais aceita para explicar o humor. As teorias que surgiram posteriormente, já no século XVIII, foram a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A Teoria do Alívio dizia que o riso funciona como uma válvula de escape em um tubo de vapor, liberando a energia nervosa acumulada.

Essa teoria, contudo, passou a ser questionada. O ato de falar e, nessa fala, existir elementos de humor, não parece exigir emoções, além de que algumas experiências de diversão também dependem apenas da surpresa. A Teoria da Incongruência foi uma das mais aceitas no século XX, já que afirmava que o humor é uma reação a algo que viola nossos padrões mentais e expectativas

As reflexões acerca das teorias do humor

Diante das teorias do humor apresentadas, o professor John Morreall elencou quatro percepções. Primeiro, o humor é um fenômeno cognitivo – envolve percepções, pensamentos, padrões mentais e expectativas. Em segundo lugar, o humor envolve uma mudança de estado cognitivo. Em terceiro lugar, essa mudança cognitiva é repentina. E em quarto lugar, a diversão é prazerosa

A esses insights ele adicionou outros: 

1) o humor é uma atividade não séria em que suspendemos a preocupação prática e a preocupação com o que é verdade. 

2) o humor é principalmente uma experiência social.

3) o humor é uma forma de jogo em cujo riso serve como um sinal de jogo. Cunhando o termo mudança para uma mudança repentina, podemos dizer que o humor envolve o prazer de mudanças cognitivas.

Juntando todas essas ideias, ele apresentou a seguinte teoria da diversão humorística:

A risada causa nas pessoas uma experiência de mudança cognitiva e que seu desligamento lúdico e seu prazer são expressos em risadas, que sinaliza para os outros que é possível relaxar e aproveitar a mudança cognitiva.

Como o humor afeta o cérebro

Brian David Boyd, professor da Universidade de Auckland da Nova Zelândia, em artigo publicado explica que o riso, embora muitas vezes desencadeado por palavras, é em si pré-verbal e não verbal

Segundo trecho do artigo, “risos e soluços são “as duas primeiras vocalizações sociais que as crianças fazem”. Ao contrário da fala, eles são muitas vezes involuntários, socialmente contagiantes e com valência emocional consistente. Eles não requerem uma boa articulação, mas apenas uma alternância da presença e ausência de sons vocais, sobrepostos a posturas bucais relativamente mais estáveis, e seu motor a atividade depende do mesencéfalo e dos circuitos do tronco encefálico, e não do centros superiores da fala”. 

O treinamento para o inesperado

Essa partilha confiante de expectativas que acontece na comunicação verbal é essencial para o jogo social. Isso também ocorre em jogos ou brincadeiras, para que haja espaço possível para o inesperado.

Expectativas compartilhadas em que permitem que surpresas nos peguem desprevenidos, que simulam riscos e estimulam a recuperação, são a chave não só para todos os tipos de jogos, mas também para humor. Nas piadas, muitas vezes somos preparados para a surpresa, mas apesar de buscar antecipar uma resolução inesperada, a piada ainda nos pega desprevenidos, mas de uma forma que permite tropeçar em nossas expectativas para ser seguido por uma rápida recuperação de equilíbrio.

O riso nos une

O artigo também fala do nosso próprio reconhecimento. Quando compartilhamos tais expectativas nas interações com os outros, nossa diversão torna-se socialmente vinculativa. Isso também acontece no jogo físico que, através de sua dependência do comportamento daqueles que interagem, também serve para nos unir.

Se uma pretensa piada não nos pega de surpresa, não vamos achar engraçada. Por outro lado, lançar uma piada com preparação insuficiente do seu contexto também pode não causar riso no outro. 

Mas se nossa expectativa diante de uma narrativa de piada foi preparada, se sabemos que uma piada está chegando e nós ainda acharmos que a piada nos pega de surpresa, vai ser ainda mais engraçado: assemelha-se exatamente à relação entre a expectativa geral aguçada de jogo e os animais humanos – que especialmente gostam de brincar. 

Por fim, o professor Brian apresenta em seu artigo um questionamento feito pelo filósofo Daniel C. Dennett: o que homo sapiens ganha com o riso? Por que o riso e o humor teriam evoluído como comportamentos que importam tanto para nós?

E a resposta dele foi a seguinte: “O riso, ao sinalizar nosso prazer no jogo cognitivo, convida e nos encoraja a preparar surpresas divertidas uns para os outros. Jogando socialmente com nossas expectativas, ele reforça nosso senso de solidariedade, nosso reconhecimento do enorme conjunto de expectativas que compartilhamos; nos treina para lidar com e até mesmo buscar o inesperado que nos cerca e pode ampliar ainda mais as nossas expectativas. O riso pode também oferecer uma “advertência lúdica” para aqueles que divergem deles de maneiras que rejeitamos.”

Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Agora que já sabemos que a função do humor nas histórias e da preferência das crianças por contos engraçados, vamos de dicas de leitura!

O Truth and Tales, app que desenvolvemos, tem histórias cheias de humor e reviravoltas! As histórias são Teaching Stories, que você pode saber mais aqui. As Teaching Stories costumam usar bastante o humor para trabalhar o preparo ao inesperado, por exemplo. Além de dar um toque todo especial para a história. 

O conto A Criança e o Dragão do Truth and Tales traz vários personagens engraçados e diálogos cheios de humor, além de reviravoltas que o leitor não espera.

Baixe o app e experimente ler, ouvir e jogar nossas histórias!

A eficácia do dever de casa para crianças pequenas

É raro encontrarmos uma criança que goste de fazer o dever de casa. Sabemos que “Já fez a lição?” é uma frase bem comum entre as famílias, e geralmente vem seguida de um cabo de guerra entre pais e filhos.

Hoje em dia, crianças cada vez mais jovens chegam em casa depois da escola com pilhas de lição de casa. Será que os deveres são mais importantes do que brincar e descansar? Até que ponto que a lição de casa é realmente eficaz e necessária?

Traduzimos uma matéria do site Salon que traz uma pesquisa sobre até onde as lições de casa têm benefícios para estudantes do primário do ensino fundamental.

Reavalie e questione

Não há evidências de que qualquer quantidade de dever de casa melhora na performance acadêmica de estudantes do primário.

Esta citação foi feita por Harris Cooper, que pesquisador da Duke University. Será verdade que as horas de brincadeiras perdidas, lutas pelo poder (conhecidas também como “manhas”) e muitas lágrimas roladas são inúteis? Que milhões de famílias passam por um ritual noturno que não ajuda? O dever de casa é uma prática tão aceita que é difícil para a maioria dos adultos questionar seu valor.

Mas ao olhar com mais cuidados aos fatos, é isso que vai encontrar: dever de casa tem benefícios, mas é intimamente dependente e relacionado com a idade da criança.

O que as pesquisas mostram sobre o dever de casa

Para crianças do ensino primário, pesquisas sugerem que estudar durante as aulas promove resultados de aprendizado mais altos, enquanto trabalhos da escola para fazer em casa são apenas… trabalho extra.

Do 6º ao 9º ano a relação entre sucesso acadêmico e dever de casa é, na melhor das hipóteses, mínimo. Quando as crianças atingem o ensino médio, dever de casa oferece benefícios acadêmicos, mas apenas com moderação. Cerca de duas horas por noite é o limite. Depois dessa quantidade, os benefícios diminuem.

Etta Kralovec, professora de Educação na Universidade do Arizona, concorda: “A pesquisa é muito clara. Não há benefícios quando estão no primário do ensino fundamental.”

Antes de continuar, vamos desmistificar que os resultados da pesquisa são devidos a estudos mal construídos. Na verdade, é o oposto. Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 em 2006.

A análise abrangente que ela fez em cima dos estudos compilados não encontrou evidências acadêmicas de benefícios nas séries primárias do ensino fundamental. No entendo, encontrou um impacto negativo na atitude das crianças em relação à escola.

Qual o impacto?

É isso que preocupa. Dever de casa tem impacto nos estudantes mais novos, mas não é positivo. Uma criança que acabou de entrar na escola merece uma chance de desenvolver o amor pelo aprendizado.

Ao invés disso, dever de casa nos primeiros anos escolares faz com que muitas crianças se voltem contra a escola, contra as futuras lições de casa e o aprendizado acadêmico. E é uma longa jornada. Uma criança no jardim de infância tem que lidar com 13 anos de dever de casa a sua frente.

Também tem os danos nas relações pessoais. Em milhares de lares pelo país, a batalha do dever de casa é diário. Pais incomodam e tentam persuadir os filhos a fazer a tarefa. Crianças cansadas protestam e choram. Ao invés de se conectar e dar suporte uns aos outros no fim do dia, muitas famílias se veem presas no cíclico “Você fez o dever de casa”?

Crianças pequenas e o dever de casa

Quando o dever de casa é dado muito cedo, é difícil para as crianças mais novas terem que lidar com as tarefas de forma independente — elas precisam de um adulto para lembrá-las dos deveres e descobrir como fazê-los.

As crianças criam o hábito de contar com os adultos para ajudá-las a fazer a lição de casa, ou, em muitos casos, para fazer as suas tarefas. Os pais assumem com frequência o papel da “patrulha da lição de casa”.

Ser o chefe irritante é uma tarefa chata que ninguém quer ter, mas isso se mantém até o ensino médio. Além do conflito constante, ter uma patrulha dos deveres em casa desvia de um dos principais propósitos da lição de casa: ter responsabilidade.

Os apoiadores dos deveres de casa defendem que as lições ensinam responsabilidade, reforçam as atividades aprendidas na escola e criam um link escola-casa com os pais.

Contudo, pais que se envolvem na vida escolar dos seus filhos podem ver o que volta na mochila da criança e iniciar o hábito de compartilhar os aprendizados do dia — eles não precisam monitorar a tarefa de casa para saber o que seus filhos tiveram naquele dia na escola.

E a responsabilidade?

Responsabilidade é ensinado diariamente de diferentes formas: é para isso que servem os animais estimação e as tarefas de dentro de casa. É preciso de responsabilidade para uma criança de 6 anos lembrar de trazer seu chapéu e sua lancheira de volta para casa.

É preciso responsabilidade para uma criança de 8 anos se vestir, arrumar sua cama e ir para a escola todos os dias. São tarefas que precisam ser reforçadas e relembradas todos os dias, mas não são os únicos fatores de aprendizado.

Prioridades não-acadêmicas (uma boa noite de sono, o relacionamento familiar e hora de brincar) são vitais para o equilíbrio e bem-estar. Elas também impactam diretamente na memória, foco, comportamento e potencial de aprendizado das crianças.

As lições fundamentais são ensinadas e reforçadas todos os dias em sala de aula. O tempo de depois da escola é precioso para o descanso da criança.

O que funciona mesmo

O que funciona melhor que o dever de casa tradicional, para as crianças do primário, é ler simplesmente em casa: pais lendo em voz alta para as crianças, ou as crianças lendo sozinhas. O segredo é fazer da leitura um momento de prazer. Se a criança não quiser praticar as habilidades de leitura depois de um longo dia na escola, leia para ela.

Qualquer projeto de casa deve ser opcional e ocasional. Se a tarefa não promove mais alegria em relação à escola e interesse em aprender, então não há lugar para a atividade nas salas de aula de crianças do primário.

Dever de casa não tem espaço na vida de uma criança pequena. Sem benefícios acadêmicos, há maneiras melhores de utilizar o tempo nos horários depois da escola.

Yoga para crianças: diversão e mais concentração para os pequenos

A infância é um período repleto de experiências que ficam marcadas na nossa memória. Quem nunca se lembrou de uma brincadeira ou atividade que praticou na infância e sentiu saudades?

Estas brincadeiras são importantes para além de um registro afetivo. Atividades que estimulam a criatividade e geram descobertas marcam também a infância de outras formas, gerando inúmeros benefícios.   

As dinâmicas feitas na primeira infância também podem estimular comportamentos que serão repetidos por muitos anos, mesmo depois que a criança já for adulta. 

Atividades que envolvem brincadeiras e movimentos do corpo, por exemplo, quando praticadas com frequência, tornam-se um hábito na vida das crianças e também têm relação direta com o desenvolvimento físico, emocional e psíquico. Neste texto nós explicamos com mais detalhes sobre como brincadeiras e atividades físicas na infância são positivas para a saúde e desenvolvimento dos pequenos.

Algumas atividades, no entanto, exigem estrutura e orientações específicas para serem praticadas. No momento em que vivemos, aquelas que podem ser executadas em casa tornam-se uma ótima possibilidade. Por esse motivo, hoje vamos falar da prática de yoga para crianças.

A prática de yoga

Yoga é uma prática que nasceu há mais de quatro mil anos. Os praticantes também seguem filosofias além dos movimentos do corpo. Nos últimos anos, o yoga ganhou grande visibilidade na mídia e, por isso, quando se fala em yoga, a maioria das pessoas já têm alguma noção do que se trata.

A comprovação disso é que o yoga compõe a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), entidade criada pelo Conselho Nacional de Saúde brasileiro, que tem como objetivo a implementação de tratamentos alternativos à medicina baseada em evidências na rede de saúde pública do país, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A prática feita por crianças também se popularizou nos últimos tempos, justamente por conta dos seus benefícios. A concentração, respiração e alongamento incentivados no yoga são extremamente positivos para as crianças. Existem até algumas escolas, inclusive, que incluíram aulas de yoga nas suas grades curriculares.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou recentemente um documento onde o Grupo de Trabalho em Atividade Física traz diversas dicas e recomendações em relação à prática de atividades físicas para crianças e adolescentes.

Nas sugestões, a prática de yoga é mencionada. “O Yoga, uma prática milenar que pode ser realizada por indivíduos de qualquer idade, representa  uma  ferramenta  relevante  para  melhora  da  saúde  física,  com  importante estímulo para ganho de flexibilidade e força muscular. Além disso, o Yoga pode ser especialmente importante para o momento atual por possibilitar o distanciamento  físico  durante  a  prática  e  contribuir  para  a  estabilização  da  saúde  emocional  e  mental, auxiliando no enfrentamento do estresse, ansiedade e sintomas depressivos”, informa o documento. 

O documento também reforça que o indicado é que crianças e adolescentes pratiquem em média 60 minutos de atividade física por dia, alternando a intensidade destas atividades.

Como o yoga pode ser divertido e benéfico para os meus filhos?

As posturas são inspiradas em elementos da natureza e também nos animais, que são características que despertam a curiosidade das crianças. Os movimentos podem ser feitos de uma forma lúdica, com músicas e histórias, que faz do yoga uma atividade extremamente prazerosa.

Os pequenos também são mais flexíveis e, dessa forma, realizar as sequências de exercícios pode ser divertido. A musculatura em formação é fortalecida ao realizar as posturas, que tem efeito também no equilíbrio postural dos baixinhos.

A prática de yoga desempenhada pelas crianças acontece por etapas, que passam pela respiração, concentração e só depois disso ocorre a introdução das posturas, que vão se intensificando ao longo do tempo. Respeitar os limites do corpo também é extremamente importante, já que alguns movimentos tendem a alongar bastante.    

A importância da respiração

A respiração é uma das propriedades fundamentais do yoga. Para as posições, a criança vai precisar respirar com o nariz e barriga ao invés do tórax. Essa técnica é benéfica para o sistema respiratório e também regula a respiração, resultando em tranquilidade e relaxamento.

Melhora na autoestima

Por ser uma atividade que não envolve a competição, o yoga pode estimular a autoestima e autoconfiança na criança, já que os resultados vão sendo alcançados de forma individual.

Mesmo com essa individualidade, o papel desempenhado pelo professor, pai ou outra pessoa que esteja junto da criança no momento da atividade,  reforça também a cooperação e o aprendizado em conjunto.

Mais concentração

Como já mencionamos antes, prestar atenção na respiração é fundamental no yoga. É necessário se atentar neste aspecto e também manter o foco para realizar as posições. Dessa maneira, a criança desenvolve a concentração e encontra mais facilidade em outras esferas do seu cotidiano. 

Como praticar yoga em casa com meus filhos?

Atualmente a tecnologia tem facilitado esse processo. Existem vídeos, aplicativos e sites que introduzem o yoga de forma bem simples. Mas, apesar dessa facilidade, é preciso atenção. Verifique a fonte desses materiais, e principalmente, caso seus filhos pratiquem, fique atento quanto à reação deles ao fazerem os exercícios: dor e desconforto extremos não são um bom sinal.

Com respeito aos limites do corpo, paciência e vontade de aprender, o yoga pode fazer parte da rotina das crianças de maneira leve e positiva! 

Débora Nazário

O que é padrão de pensamentos negativos e como isso pode afetar seus filhos

Problemas de saúde mental durante a infância são mais comuns do que imaginamos. Cerca de 6% a 17% das crianças e adolescentes são afetados por transtorno de ansiedade ou depressão. Estudos identificaram que muitas crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade apresentavam distorções cognitivas, que são caracterizadas por padrões de pensamentos negativos, ou seja: quando a repetição de conteúdo depreciativo e negativo impactam negativamente nos pensamentos, emoções e comportamento, afetando seu bem-estar, na forma como enxerga o mundo e no funcionamento adaptativo. 

De acordo com o artigo Cognitive errors and anxiety in school aged children, as distorções cognitivas são o resultado do padrão de pensamentos negativos. Quando essa negatividade na forma de pensar se torna um padrão já na infância, elas orientam como as informações e os eventos são interpretados ao longo da vida da pessoa. 

O que são os padrões de pensamentos negativos

Pensamentos negativos são comuns e todo mundo tem, crianças ou adultos. Mas é preciso ter cuidado para que isso não se torne recorrente a ponto de virar algo comum e se transformar em padrões, ainda mais durante a infância.

Se você perceber que seu filho tem muitas distorções cognitivas – se seus pensamentos são rígidos, suas expectativas são negativas de forma crônica, ou seus sentimentos são muito fortes para que consigam refletir sobre seus padrões de pensamento, é hora de procurar ajuda de especialistas. Uma criança que esteja sofrendo por causa disso, de forma que sua rotina, comportamento e forma de ver o mundo são afetados, precisa de acompanhamento de um profissional.

É possível reconhecer e identificar alguns dos padrões de pensamentos negativos:

1) Pensamento de tudo ou nada (também conhecido como oito-oitenta) ou pensamento dicotômico.

O que é: Ver as coisas de apenas duas maneiras, categorias ou possibilidades, fazendo pensar que são boas ou ruim, branco ou preto, sem os tons de cinza. Uma distorção comum que faz você pensar – e então sentir – que se alguma coisa não é tudo o que você quer, então não é nada do que você quer. Também é pensar que você precisa performar muito bem em tudo – perfeccionismo – ou você falhou totalmente. 

Na prática: Eu não passei na minha primeira opção de universidade, então minhas esperanças são totalmente frustradas. Ou se eu não tirar 10 na prova, eu falhei completamente.

2) Raciocínio Emocional

O que é: Acreditar que, porque você sente algo, deve ser verdade, mesmo quando não há outra evidência além do sentimento.

Na prática: Me sinto sozinho, então ninguém gosta de mim. Ou tenho medo de elevador, e por isso os elevadores são perigosos.

3) Super generalização

O que é: Falar sobre um detalhe ou evento negativo em relação a uma situação e torná-lo um padrão universal tomando como verdade sobre toda a sua vida. 

Na prática: Tal pessoa não quer sair comigo. Ninguém nunca quer sair comigo! Ou eu estraguei o meu experimento de química hoje. Eu nunca faço nada certo!

4) Rotulação

O que é: COlocar um rótulo negativo em si mesmo – ou nos outros – para que você não veja mais a pessoa por trás do rótulo. Quando você fecha a pessoa num pensamento assim, seu entendimento se torna tão rígido que não há mais espaço para você ver a si mesmo ou a outra pessoa de maneira diferente. 

Na prática: Eu caí hoje no futebol, tentando marcar um gol. Eu sou muito desastrado! Ou eu não tinha nada a dizer nessa conversa. Eu sou muito desinteressante!

5) Vidente/Modo adivinho

O que é: Prever que algo vai acontecer de uma forma negativa. Isso pode se tornar numa forma pessimista de ver o futuro e pode impactar no comportamento, aumentando a probabilidade da sua previsão negativa acontecer.

Na prática: Eu sei que vou muito mal nessa prova (e então você fica nervoso e sua performance cai). Ou Se eu falar com essa pessoa, ela não vai falar comigo ou me aceitar (e então eu não falo com ela e tenho a chance de me conectar com alguém que eu quero para conhecer melhor ou me ajudar). 

6) Leitor de mentes

O que é: Assumir que você sabe e entende o que outras pessoas estão pensando e, geralmente, ter certeza de que isso reflete mal em você.

Na prática: Eu estou falando com outra pessoa, e ela parece não estar prestando atenção. Tenho certeza de que ela não gosta de mim. (E na verdade você não sabe o que a pessoa está pensando: ela pode só estar distraída, ou estar preocupada com outra coisa não relacionada com você e está com dificuldade em se concentrar, por exemplo).

7) Catastrofização ou magnificação

O que é: Pegar um problema ou algo negativo e colocar fora de proporção.

Na prática: Essa festa vai ser a pior experiência de todas!

8) Minimizar ou Descontar o positivo

O que é: Tomar algo positivo que aconteceu e minimizar para que “não conte” como uma coisa boa na experiência ou na sua vida. Desconta qualquer evidência contra a nossa visão negativa de nós mesmos ou de uma situação. 

Na prática: Eu fui bem no teste, mas foi pura sorte. Ou uma pessoa falou “eu amo sair com você!”, mas ela só está sendo simpática, ela não quis dizer isso. 

9) Filtro mental ou Abstração Seletiva

O que é: Ver apenas o negativo ao invés de olhar para o positivo ou para todo o aspecto da experiência. 

Na prática: Você escreve um artigo para o professor e ele te dá vários feedbacks positivos, mas você escreveu o nome de alguém errado. Tudo o que você consegue pensar é no nome errado. Ou você tem várias conversas positivas no dia, e numa delas você falou algo constrangedor. Você só foca na coisa constrangedora que você falou com total horror, esquecendo todas as outras interações legais que teve. 

10) Personalização

O que é: Fazer com que tudo seja sobre você quando não é. Isso inclui culpar você mesmo por algo além do seu controle e levar coisas para o pessoal quando não pretendem ser prejudiciais para você.

Na prática: Se eu não desse tanto trabalho para meus pais, talvez eles não estariam se divorciando. Ou como aquela pessoa ousa andar na minha frente, isso é tão desrespeitoso! (Quando a pessoa só não viu você e te cortar foi apenas uma distração)

11)  Imperativos

O que é: Pensar em “dever” e “ter que” (e o inverso, “não dever” e “não ter que”).

Na prática: Eu deveria fazer apresentar os trabalhos na aula sem me sentir ansioso. O que há de errado comigo? (Claro, pensando assim, no auge do nervosismo, te deixa ainda mais nervoso em relação a apresentação!)

:: Leia também: Meu filho é tímido e introvertido. E agora? ::

Como os pais podem ajudar as crianças

Fazer terapia pode ajudar! A terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar, desafiar e reestruturar esses pensamentos. 

Para ações além da terapia, é importante começar observando você mesmo, identificando e reconhecendo os seus padrões pensamentos negativos. Por exemplo, se seu filho tem ansiedade, você pode acabar personalizando isso, se culpabilizando e se rotulado como um “péssimo pai/mãe”. Sempre lembrando de que é uma distorção cognitiva, que é reversível e sem tantos julgamentos, tanto em relação a si mesmo quanto (e principalmente) em relação à criança. 

Para ajudar as crianças a aprenderem sobre as distorções cognitivas, você pode explicar com cartões divertidos ou um jogo de perguntas e respostas. É importante manter esse trabalho de equipe de forma leve e sem cobrar tanto, e tomar cuidado para não invalidar as crianças e dizer o que elas estão sentindo – mesmo que sem querer – ou dizer que esses pensamentos negativos são “errados” ou “ilógicos”. Mesmo que sejam, não podemos assumir que as crianças estão prontas para lidar e ver dessa forma. Cada pessoa tem seu tempo, inclusive e principalmente as crianças. 

Lembrando que se você perceber que seu filho está com pensamentos muito rígidos, cobra muito de si mesmo e suas expectativas são quase sempre negativas, procure um pediatra, terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Referências:

Child Mind Institute

Freitas Pereira, Barros, Mendonça “Cognitive errors and anxiety in school aged children”

Por que a leitura é tão importante?

A leitura é uma forma de comunicação e a taxa de alfabetização é um dos medidores de desenvolvimento dos países do mundo inteiro.  Mas se tratando de saúde e desenvolvimento infantil, por que é tão importante?

A leitura é uma habilidade exclusiva do ser humano, e há um espaço no cérebro exclusivo para ela e para o seu desenvolvimento.

A leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro. A matéria branca é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar de modo geral. Ler não só aumenta matéria branca, mas também ajuda a informação ser processada de forma mais eficaz.

A grosso modo, existem três tipos de inteligência: cristalizada, a fluida e a emocional. 

  • A  inteligência cristalizada é a mistura de sabedoria que compõe o nosso cérebro. São informações e conhecimentos potencialmente úteis que, em conjunto, formam a base da capacidade de navegar e prosperar no mundo. 
  • A inteligência fluida é a habilidade de resolver problemas, entender as coisas e identificar padrões. 
  • E a inteligência emocional é a capacidade de ler e responder os sentimentos, seus e dos outros. 

A leitura desenvolve e apura esses três tipos de inteligência. 

Se somarmos a leitura à outros idiomas, os benefícios vão além. Além de desenvolver as habilidades de comunicação, ler em outra língua aumenta as regiões do cérebro envolvidas na navegação espacial e no aprendizado.

:: Leia também: Atividade física, brincadeiras e muita diversão: saúde para as nossas crianças! :: 

Loot Boxes e o vício em jogos

Você já ouviu falar em loot boxes? Elas são bem parecidas com os pacotes de figurinhas colecionáveis e aparecem em jogos populares como Fortnite.

Loot boxes são caixas de recompensas em jogos de videogame, jogos de computador e jogos de apps, que dão aos usuários itens aleatórios que podem ser utilizados nas partidas do jogos. Ao abrir uma no jogo, o usuário pode encontrar personagens, armas, roupas, fantasias e até passos de danças. Porém nunca sabe o que vai encontrar, ainda mais quando há itens mais raros que outros. Em alguns casos, os itens que vêm nas loot boxes são vendidos separadamente nas lojas dos jogos.

Criança (menina) de cerca de quatro anos mexendo num celular. Ilustração de uma caixa amarela com pontos de interrogação saindo representam uma loot box
Loot boxes são caixas de recompensas em jogos que dão aos usuários itens aleatórios que podem ser utilizados nas partidas.

As loot boxes estão em jogos bem populares como Fortnite, FIFA 18, Overwatch e Counter-Strike: Global Offensive. Estão de fácil acesso em qualquer um dos jogos. Em geral, podem ser adquiridas de duas formas: grátis, mas com número limitado por dia, ou comprando.

Junto com o crescimento dos jogos, cresceu também a quantidade de vídeos de gameplay, quando um jogador filma seu desempenho em algum jogo e posta no YouTube. Nas gameplays destes tipos de jogos, virou uma prática comum fazer unboxing* de loot boxes: o youtuber compra várias e abre enquanto comenta os itens que “ganhou”.

Como funciona

Por conta dos prêmios aleatórios, a mecânica da loot box nos jogos está sendo comparada à mecânica do cassino: você paga por algo que não sabe se vai ganhar. Nos jogos em questão, o usuário nunca vai sair de mãos abanando, já que os itens sempre irão aparecer. Mas nunca se sabe quais são os itens e a probabilidade é bem pequena de se ganhar o que deseja logo na primeira loot box que abrir.

Existem outras similaridades das loot boxes com os jogos de azar. A lógica do cassino de “quanto mais se joga, as chances de ganhar um item melhor aumentam” também está na mecânica das caixas premioadas. Também há a questão das cores: cassinos são bem coloridos e utilizam muito brilho. Ocorre a mesma coisa quando uma loot box é aberta. Os itens saltam na tela, há muitas luzes e sons que estimulam o jogador a jogar cada vez mais.

A mecânica das loot boxes nos jogos gera preocupação principalmente em relação ao público infantil dos jogos. É bem parecido com um cassino, já que jogos de azar viciam, e crianças ainda não entendem como eles funcionam. Segundo NBC News, a prática do loot box têm chamado atenção de psicólogos e grupos de defesa contra jogos de azar. Eles dizem que os consumidores dos jogos podem exibir comportamentos de vício parecidos com os de jogos de azar quando compram as caixas premiadas.

Loot boxes ao redor do mundo

Países como Bélgica e Holanda já proibiram que jogos com a mecânica das loot boxes sejam vendidos. A França e Nova Zelândia não consideram que os jogos têm características de jogos de azar. A União Europeia ainda discute se a mecânica utilizada é prejudicial a ponto de ser proibida.

As loot boxes giram uma economia de cerca de 30 bilhões de dólares e são umas das fontes mais rentáveis da indústria de jogos. A mecânica não é necessariamente ruim e prejudicial, mas é necessário que seja revista. Países como China e Coreia do Sul já discutiram a questão e obrigam que as publicadoras dos jogos divulguem quais as chances de ganhar cada prêmio nas loot boxes.

A polêmica sobre as loot boxes continua

A Ministra da Indústria Digital da Criatividade do Reino Unido Margot James se posicionou antes do comitê do Parlamento inglês sobre as loot boxes. Segundo o Games.Industry.biz, James considera que loot boxes são um meio em que as pessoas compram itens e artigos para melhorar a experiência do jogo e não geram expectativa de um retorno financeiro.

Margot James diz que se tiver evidências que as loot boxes têm relação com problemas de apostas e jogos de azar, então ela ficará preocupada e diz necessário tomar medidas e fazer algo a respeito. Mas até o momento não há pesquisas e dados suficientes acerca do tema. James defende que para regulamentar as loot boxes e as ‘apostas online’, pesquisas são necessárias para entender a situação e justificar a ação (no caso, a regulamentação).

:: Leia também: Guia Roblox completo para pais e mães ::

O contra ponto às loot boxes: Relatório sobre tecnologias imersivas e viciantes

Nas primeiras semanas de setembro, o Comitê Digital, Cultura, Mídia e Esporte (Digital, Culture, Media and Sports, DCMS, sigla em inglês) do Reino Unido publicou um relatório e entregou ao inquérito parlamentar. O relatório é sobre tecnologias imersivas e viciantes, tem 84 páginas e levou 9 meses para ser produzido.

O relatório traz dados e evidências de todos os lados da indústria de games, incluindo desenvolvedores, órgãos comerciais e acadêmicos. Nele, foi constatado uma “falta de honestidade e transparência entre as redes sociais e os representantes das empresas de jogos.

Se o governo quiser manter a mesma postura em relação aos loot boxes mesmo depois do relatório do DCMS, o comitê pediu um documento explicando os motivos pelos quais loot boxes e mecânicas de jogos de azar em video games e apps são exceções do ato de apostar/praticar jogos de azar.

O Comitê observou que as evidências sobre os potenciais danos das loot boxes (gambling simulado) permanecem escassas e, portanto, recomenda uma série de abordagens preventivas para o futuro.

As sugestões em relação às loot boxes

Além disso, o Comitê sugeriu que o governo do Reino Unido deveria aconselhar o PEGI** a aplicar o rótulo de conteúdo de gambling já existente e os limites de idade correspondentes a jogos que apresentem loot boxes ou mecânicas semelhantes.

O relatório ainda recomenda que, indo além das loot boxes, a indústria de games seja responsável por proteger os jogadores contra potenciais danos e apoie pesquisas independentes nos “efeitos a longo prazo das loot boxes e mecânicas de jogos de azar”.

O presidente do Comitê DCMS Damian Collins disse que “jogar contribui para uma indústria global que gera uma receita de bilhões. É inaceitável que empresas com milhões de usuários com crianças entre eles sejam tão mal informados para conversar sobre os possíveis danos dos seus produtos.”

Por fim, o Comitê sugeriu que é preciso de uma legislação para proteger as crianças de jogos que não são apropriados para sua idade. Isso surgiu de uma preocupação de que as empresas não estão reforçando as restrições de idade.

Posicionamento da Explot

Um dos pilares da Explot é a ciência e, assim como Margot James, apoiamos que decisões conscientes sejam tomadas baseadas em fatos e pesquisas. Mas ainda nos preocupamos com a exposição das crianças às loot boxes, como o comitê DCMS. Ainda que, em alguns países, os games precisam informar as chances de ganhar os itens, as crianças não têm noção de probabilidade, ou seja, a medida para proteger os usuários não se aplica ao público infantil.

*Unboxing é a quando alguém abre presentes, embalagens, caixas, etc. Se tornou muito popular quando os youtubers começaram a fazer vídeos abrindo presentes que ganharam ou algo novo que compraram.

**Pan European Game Information, sistema de avaliação de conteúdo de games criado para ajudar os clientes a tomarem decisões informadas antes de comprar jogos, video games e apps

Tecnologia: quando devo apresentar para meus filhos?

“Quando devo apresentar a tecnologia para as crianças?” Como uma empresa de tecnologia voltada para o público infantil, ouvimos essa pergunta com muita frequência de amigos, familiares e pessoas próximas, sejam pais, tios, avós ou pessoas que planejam ter filhos algum dia.

Cuidado com a idade!

A nossa primeira dica é: não dê tablet e celular antes da criança completar dois anos de idade. A exposição das telas a crianças menores de dois anos não traz benefícios e pode acarretar atraso em funções cognitivas. Vale lembrar que a televisão também é tela e deve seguir os mesmos cuidados do celular e tablet!

Se a criança tem mais de três anos e já pede pelas telas, fizemos um post sobre os limites de tempo de exposição das telas.

Meu filho não liga para telas. Isso é um problema?

Muitos adultos ficam preocupados quando seus filhos, netos, sobrinhos ou crianças próximas não se interessam pelas telas. As crianças não pedem para mexer no celular ou não são muito “da televisão”. Fique tranquilo: ele ou ela não vai ficar atrás dos coleguinhas no quesito tecnologia.

A tecnologia avança cada vez mais rápido. Crianças que aprenderam a mexer em celulares nos anos 2010 terão que reaprender a mexer nos de 2020, que já terá uma tecnologia totalmente diferente.

A tecnologia foi feita para ser intuitiva e fácil de usar. Se sua filha ou filho se interessar aos 12 anos de idade, pode ter certeza que irá aprender a pilotar a máquina bem rápido e com facilidade. O mesmo vale para crianças de 5, 7, ou 10 anos.

Quanto mais tarde tiver contato com celulares e tecnologia, mais protegida a criança estará

Sabemos que há muitos benefícios: muitos apps que visam o desenvolvimento da criança estão surgindo e são verdadeiros parques de diversões para a criatividade dos pequenos, mas não podemos ignorar o fato de que a tela seduz. Se nós, adultos, já perdemos a noção do tempo quando estamos no celular, imagine uma criança.

Nosso posicionamento é esse: quanto mais a criança quiser esperar pra começar com a “vida tecnológica”, mais benefícios da tecnologia ela terá. O que não significa que precisamos polarizar. Se a criança demonstrar interesse ainda nova, não tem problema deixá-la usar se utilizar com responsabilidade, com a participação e supervisão de adultos, com limite de tempo e consumindo conteúdos de qualidade e indicados para a sua idade.

Atividade física, brincadeiras e muita diversão: Saúde para nossas crianças!

Carol é Fisioterapeuta, mãe do Pedro de 6 anos e da Clara de 2 anos. Passou parte da quarentena com a sua família sem poder sair do apartamento (literalmente!) porque seu prédio está interditado pela defesa Civil e têm usado bastante da criatividade para fazer as crianças praticarem atividade física.

Os benefícios

As crianças são uma fonte de energia e vida! É da natureza delas estar em movimento e criatividade. Estimular e apoiar essa natureza pode ser um grande incentivo a promoção e desenvolvimento da saúde nas crianças e adolescentes. 

A prática de atividade física na infância e na adolescência auxilia no equilíbrio do balanço energético e na prevenção da obesidade, melhora a circulação sanguínea e oxigenação do corpo e do cérebro, auxilia na melhora do metabolismo, no reforço do sistema imunológico, na melhora da cognição, autoestima e sentimento de bem estar. 

A atividade física desenvolve a força muscular, flexibilidade e resistência, aperfeiçoa a coordenação motora, estimula o metabolismo ósseo, aumenta a capacidade respiratória e cardíaca, melhora o humor, efeitos estes a curto e longo prazo. 

Ser fisicamente ativo todos os dias é importante para a promoção da saúde integral das crianças e dos adolescentes, e é fundamental que as atividades sejam prazerosas e adequadas ao estado individual de crescimento de cada criança e cada adolescente. 

O que e como pode ser feito?

Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, a atividade física pode ser estimulada na vida da criança a partir do seu primeiro ano de vida. Rolar, engatinhar, andar, correr, pular e outros exercícios trazem inúmeros benefícios para a saúde. 

Em tempos de avanços tecnológicos e grande disponibilidade de jogos virtuais, tablets e videogame, a prática da atividade física pode ficar um pouco mais esquecida. As crianças geralmente se espelham e se inspiram nas ações e hábitos de vida dos seus pais ou dos adultos que as cercam e, por isso, precisamos estar atentos ao que queremos passar para nossas crianças e nossos adolescentes. 

Seguir uma rotina saudável com incentivo a bons hábitos alimentares, meditação e exercícios em casa para que os pequenos se mantenham ativos é muito importante para um crescimento e desenvolvimento saudável. 

Mas o que fazer, e como fazer, quando se tem uma jornada de trabalho cansativa, tempo contadinho e mil coisas para resolver? E mais ainda: quando se está de quarentena, sem poder sair de casa, com duas crianças pequenas, em um apartamento? 

Tá tudo bem pai e mãe, estamos juntos! Tem dias que parecemos uma família de atletas, mas tem dias que tudo vira uma bagunça! Relaxa, um dia de cada vez até que vire uma rotina gostosa!

Vou compartilhar aqui com vocês algumas coisas que estamos vivendo e que na minha experiência está funcionando! 

Podemos, dentro de casa, criar um ambiente favorável e atrativo para a prática de atividade física com as crianças. Vale tudo! Vale brincadeira, dança, jogos, festa, música – o importante é deixá-los livres e à vontade diante da atividade. 

Determinar um horário do dia para realizar a atividade física é bem interessante e funciona. Por exemplo, às 10 horas da manhã nos reunimos na sala e fizemos a chamada para a hora do exercício. Colocamos uma música legal, que as crianças gostam, e observamos como elas reagem. E então propomos a eles a nossa série de exercícios, e os realizamos. 

Esses exercícios geralmente duram de 10 a 15 minutos, e envolvem polichinelo, agachamento e flexão. As crianças geralmente reproduzem estes exercícios e aos poucos entram no clima! A partir daí, nós deixamos a imaginação e a criatividade fluir! Às vezes vira uma bagunça, outras vezes conseguimos fazer e criar exercícios super legais! 

É importante darmos a direção para eles ao mesmo tempo que estamos atentos ao fluxo, ao que as crianças querem nos dizer e mostrar! Muitas vezes eles tem idéias e invenções mais legais e divertidas do que a brincadeira que queremos propor para eles! 

Vou citar aqui algumas atividades que nós e as crianças desfrutamos juntos e que podem ser super legais para vocês também! 

  • Atividades que envolvam habilidades motoras como correr, dançar, rolar, pular podem ser super divertidas e dinâmicas. Elas estimulam a criatividade, atenção e motricidade global e focal, lateralidade, desenvolvimento espacial e corporal! 
  • Criar circuitos, com bambolê, almofadas, garrafas pet vazias, ou utilizando os próprios brinquedos como obstáculos e barreiras para atravessar podem ser muito divertidos! Deixe a criança criar e ajudar na construção! 
  • Atividades de acertar no alvo, por exemplo acertar tampinhas de garrafa, bolinhas de plástico ou de papel dentro de copos plásticos (ou outros recipientes); usar garrafinhas plásticas em pé como alvo e, para acertar dentro delas, podemos usar argolas ou o miolo do rolo de fita adesiva; 
  • Corrida de saco usando fronhas de travesseiro e almofadas. 
  • Salto em distância no colchão, marcando com fita adesiva o salto de cada um para estimular habilidades motoras do movimento, força e flexibilidade; 
  • Brincadeiras de mímicas com temas, por exemplo, de animais ou de personagens. Estimula a linguagem e consciência corporal; 
  • Brincadeiras de corrida de revezamento, onde se passa e recebe bolinhas ou bastões; 
  • Arremesso de bola no cesto ou balde para estimular a concentração e coordenação motora; 
  • Futebol de bola de papelão, 
  • Brincadeiras de quem junta os brinquedos mais rápido depois do apito ou de quem acha mais bolinhas da cor verde, por exemplo em um determinado tempo; 
  • O mestre mandou: correr, pular em um pé só, bater palmas, levar a mão no pé, sentar e levantar… 

São muitas brincadeiras que podemos criar em forma de exercício! Se abrirmos um espacinho na nossa rotina para a atividade física e junto trouxermos nossos filhos, o que é para ser um importante benefício a nossa saúde vira também um momento de muito amor, alegria e união!

Compartilhem com a gente no instagram as atividades que vocês fazem em casa! É só marcar @truthandtales.app