fbpx

Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças

O início do ano letivo está logo aí. Depois do período de férias, chegou o momento de volta às aulas e muitas vezes é necessário readaptar a rotina das crianças.

As férias costumam ser um período onde os horários são mais livres do que quando as crianças estão frequentando a escola. As horas assistindo à televisão ou jogando, além de outras atividades propostas pelos pais, costumam ocupar os horários durante o recesso escolar. 

É por isso que neste artigo nós reunimos algumas dicas que podem ajudar a auxiliar os pais que estão vivenciando essa fase de volta às aulas das crianças, acompanhe! 

Atenção com o sono das crianças na rotina de volta às aulas

Como já mencionamos, o sono é afetado no período das férias, e o ideal é recuperar a rotina de dormir antes da volta às aulas. Como a rotina de horários é mais flexível, muitas crianças dormem horas a mais ou a menos e também em horários diferentes dos quais eram habituadas. 

No entanto, mais do que descansar, o sono cumpre um papel extremamente importante no desenvolvimento das crianças. 

Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), “o hormônio do crescimento (GH) é produzido e liberado no organismo durante o sono, principalmente, ao longo da noite. Cerca de 30 minutos após o adormecimento, com maior produção, a partir das 22 horas, até às seis da manhã. Por isso, crianças que dormem pouco podem apresentar déficit de crescimento, prejuízos na memória, irritabilidade, menor concentração e dificuldades de aprendizado”. 

Além do hormônio do crescimento, ocorre a liberação de leptina durante o sono, que é responsável por controlar a sensação de saciedade e cortisol, uma substância ligada ao estresse, que é reguladora do nível de glicose no sangue.

A médica Rachel Dawkins, que atua no hospital Johns Hopkins All Children’s Hospital, localizado nos Estados Unidos, afirma:

“O sono é uma parte essencial da rotina de todos e uma parte indispensável de um estilo de vida saudável. Estudos mostraram que crianças que dormem regularmente uma quantidade adequada de sono melhoram a atenção, o comportamento, o aprendizado, a memória e a saúde mental e física geral. Não dormir o suficiente pode levar à pressão alta, obesidade e até depressão”. 

Qual é o período necessário de sono para cada idade? 

A Sleep Foundation é uma entidade que compartilha informações sobre o sono obtidas por meio de fontes de pesquisas e revisadas por especialistas na área. 

No ano passado, a fundação publicou um artigo que explica sobre as horas necessárias de sono das crianças para cada faixa etária. São elas: 

  • Crianças (1-2 anos): entre 11 a 14 horas.
  • Pré-escola (3-5 anos): 10 a 13 horas.
  • Idade escolar (6-13 anos): 9 a 11 horas.

Segundo o mesmo artigo, “estabelecer hábitos de sono saudáveis, incluindo um horário de sono estável e uma rotina antes de dormir, pode reforçar a importância da hora de dormir e reduzir a inconstância do sono à noite. Dar às crianças a oportunidade de usar sua energia durante o dia e relaxar antes de dormir pode facilitar o adormecer e permanecer dormindo durante a noite”. 

Também recomenda-se que as telas sejam desligadas no mínimo uma hora antes da criança ir dormir. Essa recomendação existe pois o brilho presente nas telas dos celulares ou tablets chamada luz azul influencia no bloqueio da melatonina, que é o hormônio regulador do sono secretado pelo nosso corpo. A luz azul tem relação com a dificuldade em dormir e também na qualidade do sono. 

Nós já falamos sobre o uso de telas neste artigo e também já discutimos sobre o uso das redes sociais neste outro texto

Cuidado com a alimentação no período de volta às aulas

Introduzir vegetais ou salada na rotina das crianças é considerado por muitos pais uma tarefa extremamente difícil e, com a rotina fora do comum nas férias, o ato de comer também muda. Alimentos processados e ricos em açúcar muitas vezes são os preferidos dos pequenos.

Lina Berdache é professora da Universidade de Binghamton e pesquisa a nutrição ao nível celular e genético com especial interesse no cérebro. Ela escreveu um artigo onde explica como o excesso de açúcar afeta o cérebro em desenvolvimento ao longo da infância. 

Ela escreve que “a glicose – um açúcar simples que constitui a base da maioria dos alimentos ricos em carboidratos – é a principal fonte de energia para o cérebro. Cérebros saudáveis ​​requerem uma fonte contínua de energia e nutrientes para alimentar o crescimento, aprendizado e desenvolvimento. No entanto, isso não significa que o consumo extra de açúcar seja bom para o cérebro em desenvolvimento. De fato, muito açúcar pode ser prejudicial ao crescimento normal do cérebro”.

A professora explica que os alimentos processados, como bolachas e refrigerantes,  ​​têm um valor nutricional menor do que os alimentos integrais, como frutas, legumes e grãos integrais. Um dos adoçantes mais comuns nos produtos alimentícios dos EUA é o xarope de milho rico em frutose, que contém não apenas glicose, mas outro açúcar simples chamado frutose. Uma grande quantidade de frutose tem sido associada ao aumento da gordura corporal.

Em seu artigo, a professora e pesquisadora cita um estudo que afirma que o alto consumo de açúcar dificulta o aprendizado e a memória:

“… A ingestão diária de bebidas com adição de açúcar durante a adolescência está associada à piora do desempenho no aprendizado e tarefas que exigem memória durante a vida adulta. Os pesquisadores desse estudo sugerem que esse comprometimento pode ser devido a alterações nas bactérias intestinais”.

A dica que recomendamos diante dessas informações é que a alimentação, assim como o sono, precisa fazer parte de uma rotina onde limites e também quantidades sejam respeitadas. E quando falamos em limite, é importante que exista entre pais e filhos um diálogo constante sobre eles. 

Uso de telas e volta às aulas

Vivemos cercados de telas por todos os lados e com as crianças não é diferente. Com a pandemia e o período de isolamento, a utilização de telas aumentou ainda mais. 

É o que mostra a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – Crianças e smartphones no Brasil realizada no final de 2020, o primeiro ano da pandemia da Covid-19. O  número de crianças na faixa etária de 7 a 9 anos que utilizam o celular por 3 horas ao dia (ou mais) aumentou de 30% para 43% durante o ano. Cerca de 58% das crianças de 10 a 12 anos que participaram da pesquisa usavam o celular durante mais de 3 horas por dia. 

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomenda que pais e cuidadores estipulem regras em relação ao tempo de uso de telas. Crianças de até de até 2 anos não recomenda-se o uso. As crianças entre 2 e 6 anos podem utilizar uma hora por dia e aquelas de 6 a 10 anos, duas horas por dia. Os adolescentes, por recomendação da entidade, podem utilizar por volta de três horas por dia.

A importância da leitura como uma alternativa para a volta às aulas

Em entrevista, a médica pediatra e coordenadora do Núcleo de Saúde e Brincar do IFF/Fiocruz Roberta Tanabe destaca o papel dos cuidadores e das escolas na formação de um público leitor entre crianças e adolescentes. 

“Crianças tendem a imitar a atitude dos adultos, sobretudo aqueles que são referências afetivas. Pais leitores que leem para seus filhos, estão oferecendo bons exemplos que poderão se concretizar como um hábito saudável a ser incorporado de forma duradoura.  A experiência de ouvir histórias junto a pessoas queridas, num espaço onde há atenção, interesse e afeto é fundamental, além de uma curadoria qualificada na seleção de temas e obras, que possam despertar o interesse e a curiosidade de acordo com cada faixa etária”. 

Leitura e telas

As telas têm tomado o lugar da leitura nos últimos anos. Antes de falarmos em proibição e tudo que vem junto disso, a nossa dica é o diálogo. Conversar com as crianças sobre como o uso das telas afeta a rotina delas, assim como combinar um período para o uso são boas opções para os pais. 

Atualmente diversos jogos e aplicativos são lançados partindo de uma visão que oferece às crianças mais do que apenas entretenimento. Alguns estimulam o aprendizado e exploram narrativas que contribuem para o desenvolvimento e criatividade dos pequenos.  Esses jogos e aplicativos costumam também incentivar a autonomia das crianças, fazendo com que elas não fiquem apenas consumindo um tipo de conteúdo. O nosso aplicativo Truth and Tales se encaixa neste segmento, com audiobooks e histórias interativas onde as crianças podem brincar com os personagens ao mesmo tempo que fortalecem o hábito da leitura. Saiba mais clicando aqui.  

A leitura na rotina

Ainda segundo a médica, “a própria leitura pode se tornar uma brincadeira entre pais e filhos e funcionar no estreitamento de vínculos de afeto e confiança. Não existe um planejamento único que atenda às demandas e situações específicas de cada família no que se refere ao uso de telas. Orientações e informações qualificadas ajudam no balanceamento de experiências digitais e offline para que a gestão destes dois universos possa ser conduzida de forma a aproveitar o que, de melhor, cada um tem a oferecer no desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Cabe aos adultos estar sempre junto nesse processo que requer maturidade, bom senso e afeto”. 

A escuta e o acolhimento são fundamentais nessa retomada da rotina. As crianças podem se sentir desmotivadas ou até mesmo irritadas por mudarem tão bruscamente os seus dias, por isso os pais podem conversar sobre como organizar a rotina de uma maneira leve e divertida. Promover brincadeiras, desafios e criar um ambiente que promova a conversa e a escuta sobre o que está incomodando são essenciais para a boa convivência e hábitos mais saudáveis na rotina das crianças. 

Texto: Débora Nazário

Referências: 

Rimas na alfabetização: conheça os benefícios

A infância é marcada por grandes descobertas e uma delas é a alfabetização. Por meio da escrita e da leitura, as crianças passam a explorar um mundo até então desconhecido por elas.   

Esse processo pode acontecer com o apoio de métodos lúdicos que envolvem músicas, poemas e as rimas. Para estimular a fase de alfabetização, esses métodos são utilizados por muitos terapeutas e profissionais da educação, e apresentam resultados positivos na aprendizagem e desenvolvimento cognitivo

Este artigo publicado em 2014 pela Frontiers in Psychology afirma que as rimas podem ser especialmente facilitadoras para a aprendizagem do vocabulário por causa da maneira como elas podem apoiar previsões ativas sobre as palavras que se seguem.

Em dois experimentos, foram testadas se as rimas, quando usadas para ajudar as crianças a antecipar novas palavras, tornaria essas palavras mais fáceis de aprender. As crianças as quais foram expostas as rimas mostraram maior aprendizado de novos nomes na condição de rima preditiva nas comparações entre as crianças que não o foram. 

A hipótese dos pesquisadores é que o desenvolvimento dessas palavras novas e sua previsibilidade incentiva um maior envolvimento com elas por parte da criança. Uma criança pode não ser capaz de prever o nome exato de um nova palavra na primeira leitura de uma história, mas quando o novo nome vier no final da estrofe, a criança pode ser mais capaz de antecipar que algo está chegando, que vai soar como as terminações das linhas anteriores da história ou música. Essa antecipação pode encorajar a atenção, estimulando o aprendizado. 

:: Leia também: Por que a leitura é tão importante? ::

Tudo no seu tempo e no seu jeito 

O processo de aprendizagem que envolve a alfabetização é muito subjetivo e cada criança tem o seu próprio ritmo nesse percurso.  

Conversamos com a fonoaudióloga Manuella Barcelos, que atua no Núcleo Desenvolver do Hospital Universitário da UFSC desde 2010 e trabalha com uma equipe interdisciplinar de atendimento a crianças com queixas de dificuldade de aprendizagem sobre estes processos. 

Segundo ela, alfabetizar, ou seja, aprender a ler e a escrever, envolve dois processamentos cerebrais que a criança já tem bem desenvolvido antes mesmo de entrar na escola. Uma delas é a parte da linguagem, em que a criança já traz recursos e bagagem de casa; e o outro é o processamento visual.

A escola faz uma conexão entre essas duas áreas, apresentando esse novo universo das letras. Quando a criança aprende com base nessa questão, é essencial pensar que existe uma forma de ensinar que é a mais adequada para ela, que promove a alfabetização de uma maneira mais fácil e, nesse sentido, as rimas são ótimas aliadas

A consciência fonológica na alfabetização

“Consciência fonológica acontece quando a criança passa a manipular os sons da fala de forma consciente. Ela vai saber que a nossa fala pode ser dividida em unidades menores que são as palavras, em unidades ainda menores que são as sílabas, e unidades bem pequenas, que são os fonemas. Para a alfabetização acontecer, é importante que a criança aprenda esses pré-requisitos, e por meio de um método fônico é possível que ela alcance a alfabetização com mais facilidade”, relata a fonoaudióloga. 

Manuella utiliza as rimas no processo de alfabetização com as crianças que ela trabalha.  “O processo de alfabetização envolve a consciência fonológica. Dentro da consciência fonológica existe a rima, um dos primeiros sinais dessa consciência, que é quando a criança começa a perceber o final igual das palavras de mesma tonicidade. Além da rima existe a aliteração e, por meio dela, a criança percebe que o começo também pode ser igual, por exemplo: cobra e copo”, conta.

A rima é um dos primeiros sinais de consciência fonológica e vemos isso desde a educação infantil. O seu uso é muito importante. Eu utilizo no meu trabalho, principalmente com crianças que possuem dificuldade de aprendizagem e transtornos de aprendizagem como dislexia, ortografia ou crianças que tenham transtorno do processamento auditivo. Ela é fantástica no processo de alfabetização. É preciso estimularmos a consciência fonológica, mas é mais importante ainda estimularmos isso na educação infantil, antes mesmo de começar a alfabetização propriamente dita”, explica.  

As rimas como instrumento do desenvolvimento de habilidades

A pesquisadora canadense Ginger Muller desenvolveu trabalhos durante 20 anos usando rimas e canções em diversos programas de educação infantil em Vancouver, no Canadá. 

No seu trabalho, ela contextualiza rimas específicas dentro de domínios definidos pelo Instrumento de Desenvolvimento Inicial: saúde física e bem-estar, linguagem e desenvolvimento cognitivo, habilidades de comunicação e conhecimentos gerais, competência social e maturidade emocional. Dessa maneira, ela mostra como as rimas podem ser praticadas de forma eficaz com crianças de diferentes idades e os seus benefícios para essas habilidades

Neste artigo ela mostra que as crianças aprendem bem em ambientes ricos em linguagem, alegria e diversão. Ginger apresenta canções que podem auxiliar no desenvolvimento dessas habilidades, “rimas e canções infantis centenárias, testadas e comprovadas, apoiam o desenvolvimento geral das crianças em termos de significado e formas envolventes”, escreve. 

Utilizar as rimas com as crianças, além de auxiliar no processo da alfabetização, também as aproximam da cultura nacional. Há diversas rimas que contam com elementos da cultura dos estados brasileiros, regiões e também histórias sobre o folclore. Esse contato vai ser enriquecedor para as crianças em diversos sentidos!

Por Débora Nazário

Nota da Editora: Truth and Tales e as rimas

Uma dica muito legal para crianças em fase de alfabetização é o Truth and Tales, o nosso aplicativo original!

Truth and Tales é um app para crianças de 5 a 11 anos com histórias interativas e audiobooks. Todos os contos são rimados, tanto na versão interativa quanto só para ouvir as histórias. Sabendo desse benefício, fizemos questão de adotar as rimas nas histórias do app.

Foram feitos testes com crianças mostrando a mesma história rimada e sem rimas. E foi comprovado: além dos benefícios, as crianças se interessaram mais pela versão rimada da história.

Além das rimas, o Truth and Tales também conta com fontes otimizadas para pessoas com dislexia, e com a ferramenta de read along, que funciona como um karaokê, onde as palavras ficam destacadas à medida que o narrador lê. Isso ajuda bastante na alfabetização. Experimente com as crianças!

Como as Teaching Stories podem ser combinadas com a tecnologia?

Depois do nosso último post, imaginamos que você já saiba os benefícios das Teaching Stories. Mas onde podemos identificar os elementos das Teaching Stories nas histórias e contos?

Organizamos um material baseado no Truth and Tales, o nosso aplicativo, explicar melhor como as Teaching Stories se dão na prática.

Além dos benefícios das Teaching Stories, os livros têm outros destaques, como a opção de serem narrados ou sem som para a criança ler sozinha ou acompanhada dos pais. As histórias contarão com uma ferramenta de karaokê, onde as palavras lidas pelo narrador ficam amarelas, facilitando na leitura e auxiliando as crianças em alfabetização. Também serão interativos, dessa maneira, a criança não será uma mera espectadora: ela poderá participar da história e ter uma experiência mais imersiva.

Nesta cena da história que lançamos no aplicativo há alguns elementos das Teaching Stories:

Infográfico de teaching stories. Foto de menina com um buquê de flores ao lado de um dragão desenhado. Os itens Negociação e Empatia saem do dragão, e os itens Padrões de comportamento e Negociação saem da criança.
Benefícios das Teaching Stories

O que acontece na cena da Teaching Stories é o seguinte: a criança precisa de um elixir para resolver seus problemas. O elixir se encontra dentro na caverna do dragão. Antes de encontrar o dragão, a criança passou por uma vila onde os aldeões estavam bravos e com raiva do dragão porque ele soltava fogo e queimava tudo. A criança e o dragão conseguem resolver a questão de uma forma diferente do que costumamos encontrar em histórias infantis.

Elementos presentes no exemplo acima e nas Teaching Stories:

1) Negociação: Criança e Dragão precisam de coisas que desejam. A Criança chega na caverna do Dragão sabendo que ele tem o que ela precisa. Ele dialoga com ela e, conversando e cada um expondo seus motivos e pontos de vista, conseguem chegar a um acordo em que ambos saem felizes.

2) Padrões de comportamento: as personagens que compõem as Teaching Stories não têm um padrão comportamental, ou seja, não há heróis, mocinhos ou vilões. Neste caso, a criança, que é a personagem principal, quer enfrentar o dragão antes mesmo de conhecê-lo.

Nos contos mais “tradicionais”, personagens principais não demonstram sentimentos considerados negativos de forma explícita, como raiva e tristeza. Antes do Dragão aparecer em cena, ele era tido como o antagonista. Ao desenrolar do conto, a criança se surpreende com o comportamento do Dragão, e percebe que ele não é quem parecia ser.

3) Empatia: Quando a Criança e o Dragão dialogam sobre os motivos pelo qual ele sopra fogo, ela entende e percebe seu problema, e se coloca em seu lugar.

4) Percepção: A Criança chega na caverna do Dragão disposta a derrotá-lo e conseguir o que deseja. Tanto o Dragão quanto a Criança percebem que ambos têm problemas a ser resolvidos e que nenhum deles é bom o mau por conta disso, após se conversarem e conseguirem ver o lado de cada um.

Estes elementos são colocados nas Teaching Stories dentro de uma estrutura particular onde a criança absorve de forma fluida, já que o contexto em que estão inseridos é coerente.

O que são Teaching Stories?

Histórias e contos são elementos presentes na vida de crianças de quase todas as culturas do mundo. É por meio delas que sabedorias, valores e costumes permanecem vivos através das gerações, seja durante a infância ou ao longo da vida. Conheça as Teaching Stories!

Mas será que as histórias infantis tradicionais, que estão presentes em muitas culturas principalmente ocidentais, transmitem a mensagem com o mesmo objetivo de quando foram criadas? Será que elas contém os elementos necessários para que a mensagem e intenção iniciais permaneçam intactas ao longo dos anos?

Existem alguns contos orientais que foram criados com alguns elementos permitindo que a intenção real sobreviva e toque muitas pessoas através das gerações.

As Teaching Stories não trazem moral da história nem repetição de padrões já conhecidos e naturalizados pelas pessoas – característica esta que muitas histórias folclóricas repetem . Este tipo de história utiliza certas palavras e eventos que, organizadas de tal maneira, atuam no cérebro de forma diferente.

Como funciona?

Os modos surpreendentes com que os personagens das Teaching Stories conseguem solucionar um desafio incentivam o cérebro a ampliar e perceber novas possibilidades, atuando diretamente no desenvolvimento cognitivo.

Como as Teaching Stories não fazem parte dos padrões de associações comportamentais, as crianças conseguem desenvolver mais flexibilidade na hora de solucionar problemas e lidar com situações em que não estão acostumadas a viver. Se as crianças tiverem contato com as Teaching Stories, elas poderão se tornar adultos mais preparados para o inesperado e mais perceptíveis em relação à inteligência emocional e a si mesmas.

A eficácia das Teaching Stories no cérebro das pessoas está baseada em estudos. Um dos pesquisadores sobre o assunto foi o psicólogo e autor Robert Ornstein. Muitas destas histórias que Robert Ornstein pesquisou foram publicadas pelo também professor, autor e pesquisador inglês Idries Shah.

Você pode conferir as Teaching Stories publicadas por Idries Shah no site da Fundação Idries Shah. Além das histórias, há uma grande variedade de livros, aulas em áudio e textos sobre crianças, literatura infantil, psicologia infantil e psicologia em geral. Vale a pena conferir!

:: Confira também: Por que a leitura é tão importante? ::