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Adaptação Escolar: Como Preparar as Crianças e os Pais

Diversos acontecimentos pelos quais passamos durante a infância ficam registrados na nossa memória, e o primeiro dia na escola pode ser um deles, tanto para as crianças quanto para os pais. Essa fase de adaptação escolar envolve não só conhecimentos relacionados à educação e à construção de relações, mas também é repleta de aprendizado e desenvolvimento das crianças. 

Tudo é novo e, para muitas famílias, a ida das crianças para a escola significa a experiência de conviver em outro contexto que antes era formado apenas por pequenos núcleos familiares e de amigos. 

Diante de todas essas transformações, não são só as crianças que passam por um processo de adaptação. Os pais também encaram emoções que não haviam experimentado antes. 

Neste artigo nós vamos dar algumas dicas essenciais sobre como se preparar para a primeira ida na escola, continue a leitura! 

Preparação dos Pais

A pedagoga Paula Strano, que é uma das fundadoras da Plataforma Ler o Mundo, falou sobre a importância de compreendermos também o lado dos adultos na adaptação escolar, mais precisamente da mãe, em artigo publicado na Isto É.

“O processo traz grandes expectativas, principalmente por parte das mães, que devem ser compreendidas e acolhidas para que transcorra da melhor maneira possível. Digo da melhor maneira possível pois cada processo de adaptação é singular, cada criança tem seu tempo e esse é o primeiro ponto importante dessa reflexão.” 

A terapeuta familiar e proprietária da Blueprint Mental Health, Michele Levin, em entrevista para a Healthline, também explicou sobre esse processo para os pais.

“É normal que os pais tenham dificuldade com eles mesmos em fazer a transição quando seus filhos começam o jardim de infância, para muitas famílias, esta é a primeira vez em que se perde algum controle.”

Portanto, as dificuldades podem ser relativas à preocupação com os filhos estarem diante dessa nossa realidade ou a insegurança sobre como será esse processo. A terapeuta explica que alguns pais podem precisar de mais apoio do que outros para se ajustarem à mudança. E nesse sentido, se você for um pai ou responsável que está vivenciando e se identifica com essa situação, o mais indicado é conversar sobre esse assunto antes de qualquer coisa. 

Falar com outros pais que estão passando pelo mesmo e entender como funcionam as dinâmicas na escola são algumas medidas que podem trazer mais segurança e tranquilidade para os pais neste momento. 

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A Adaptação Escolar Para Crianças Menores

Com crianças pequenas, vale levar a criança na escola antes de começar as aulas, e, que você possa participar mostrando o ambiente, brincando com ela, e conhecendo alguns funcionários, sem a pressão de ter outras crianças por perto e de começar a aula. 

Quando de fato as aulas começarem, tenha em mente que seus filhos ainda não têm uma noção de tempo completamente formada. Uma frase como “a mamãe já volta, mais tarde a gente se vê” pode não significar nada para crianças pequenas, pelo simples fato de que elas não entendem o que quer dizer “depois”. Elas só conseguem entender que seus pais não estão com ela, e isso as assusta.

Segundo Luiza Elena L. Ribeiro do Valle, que é psicóloga e mestre em Psicologia Escolar e Educacional, “a educação infantil é uma fase de grande desenvolvimento das habilidades de aprendizagem, porque, nesse período, há uma grande aceleração no surgimento de conexões neurais, construindo a personalidade que, indelevelmente, guardará marcas… E podem ser boas, não é? As crianças pequenas assimilam mudanças com muita facilidade e repetem comportamentos como espelhos sociais. Espera-se que possam ver humanismo, colaboração e apoio mútuo, inclusive entre pais e escola”, explica

Devemos lembrar também que as crianças só começam a entender a sequência dos dias da semana de forma clara entre 4 e 5 anos. Por isso, se seus filhos forem mais novos, não adianta conversar com eles sobre a escola antes de acontecer, porque provavelmente eles não vão entender. Isso pode gerar uma ansiedade desnecessária, podendo piorar mais do que ajudar. 

A ida até a escola vai ser uma grande mudança na rotina das crianças menores. Novas relações vão ser criadas com os colegas, professores e outros funcionários da escola, relações essas que não existiam antes. 

As crianças também passam a conviver em um ambiente novo com regras muito diferentes daquelas às quais estavam habituadas e essa transição pode ser diferente de criança para criança. 

Cisele Ortiz, psicóloga e coordenadora do Instituto Avisa Lá, de São Paulo, em entrevista para o Portal Nova Escola, sugere que não existe um tempo determinado para essa transição. “Em geral, o período inicial da adaptação dura entre uma ou duas semanas, mas depende da criança, da família e de suas experiências anteriores relacionadas às separações que enfrentamos na vida”. 

O Momento da Despedida na Adaptação Escolar

O momento da despedida na escola costuma ser difícil, tanto para as crianças quanto para os pais. Muitos adultos esperam a criança se distrair para então saírem da sala, mas isso pode causar muito desconforto para os pequenos. 

Cisele explica ainda que a despedida é fundamental para a adaptação:

“Por mais difícil e doloroso que seja para ambos, construir uma relação com os filhos pautada na confiança e na honestidade é sempre melhor. A clareza da despedida é saudável e necessária”

A adaptação escolar de crianças pequenas varia de acordo com a cada uma, mas os pais precisam saber que, no início, talvez seja necessário que fiquem com seus filhos em sala de aula. Pode ser que seja o dia todo ou metade do turno: quem vai determinar a necessidade é a criança. Você vai diminuindo a sua presença à medida em que ela for se sentindo mais confiante. 

“Na pré-escola, as crianças são ávidas por fazer amigos, já falam bem e têm mais autonomia”, explica Cisele. Sua adaptação costuma ser mais tranquila e pode ser realizada em pequenos grupos de duas ou três crianças para facilitar sua integração. Mesmo assim, a presença dos familiares não deve ser dispensada. Nos primeiros dias, eles podem ajudar os pequenos a se ambientar ao local e ao tempo de execução das atividades.

Hora de Dizer Tchau

O ideal é ter um equilíbrio entre se despedir como sendo um grande acontecimento e sair de fininho no período de adaptação. Marcia Tosin é psicóloga especialista em psicoterapia comportamental e fundadora do Movimento Neurocompatível, um movimento de ativismo pelo desenvolvimento infantil que reúne pais, mães e profissionais interessados nas condições ideais pelas quais os cérebros humanos se desenvolvem e funcionam. É fundamentada pelas ciências: Psicologia Evolutiva, Antropologia e Neurobiologia. Em seu Instagram, que reúne mais de 800 mil seguidores, Márcia fala que não é necessário enganar a criança, mas também não precisa fazer um ritual de desligamento. 

“… A reação de desamparo que a criança sente é pela resposta de um cérebro muito antigo que desestabiliza sem a figura de referência, e não porque ele não foi “avisado” que você sairia.”

Marcia propõe um exercício para entender melhor como funciona o nosso cérebro: imagina que você, adulto, vai fazer uma cirurgia invasiva. Mesmo que você saiba que apenas 0,9% das pessoas morrem numa cirurgia como essa, seu cérebro diz que você fará parte dessa estatística. Isso acontece porque o nosso cérebro está sempre com a bússola voltada para o risco. O médico pode te encher de informações úteis e te falar muitas coisas para tentar te acalmar, mas o sistema límbico funciona sozinho e te joga para o pior resultado. 

Outro exemplo é quando estamos sozinhos em casa e ouvimos um barulho. Pode não haver risco nenhum, mas o cérebro avisa que pode ser um predador.   

“Ele te prepara para o pior: tira sangue das extremidades caso o predador arranque sua mão e não você não sangre até morrer; eriça seu pelo para que você pareça maior; aumenta o fluxo sanguíneo nas regiões que você precisa usar para lutar ou fugir; secreta suor para você ficar mais escorregadio e para estabilizar a temperatura; você ficará mais ofegante para aumentar a disposição de oxigênio. Temos um organismo que age antes que você pense.”

Quando a criança fica na escola pelas primeiras vezes, sozinha, esse sistema dispara, e então ela chora. E esse sistema funciona independente do que os pais falam. Adaptação escolar é para acalmar esse estado de resposta. Não existe um modelo único de adaptação escolar, mas é necessário saber que esse sistema existe. Não é “manha” nem falta de frustração.” 

Em relação ao nervosismo ou ansiedade dos pais atrapalharem a adaptação da criança, Marcia explica que isso não atrapalha, mas protege. “Temos que acreditar que os pais sofrem em deixar seus filhos longe e não há nada de errado com isso.”

Atenção aos Sinais na Adaptação Escolar

Caso a criança apresente choro constante ao chegar o horário de ir para a escola, ou outros sinais de angústia extrema, os pais devem ficar atentos. Marcia Tosin usou a sua conta do Instagram para falar sobre essa questão.

“Não se deve atribuir causalidade de “problema” a esses comportamentos. Isso aumenta a culpa dos pais. Elas são apenas pessoas pequenas que precisam de mais tempo para construir apego e se sentirem seguras nessa transição”

A pedagoga Ana Paula Yazbek, colunista do Portal Papo de Mãe, do UOL, também escreveu sobre o assunto.

“Cada criança e família vivencia este período de modo próprio. Há crianças que se mostram muito animadas nos primeiros dias e que ao perceberem que estar na escola significará ficar longe de sua casa, começam a apresentar recusas e estranhamentos. Outras, parecem alheias ao que ocorre ao seu redor, como se estivessem apenas esperando pela hora de ir embora. Têm, também, as crianças que demonstram estar ávidas pelas novidades e dão pouca atenção aos seus familiares nos momentos de despedida e separação.

A dubiedade é inerente ao processo de adaptação. Num mesmo dia, ocorrem avanços e retrocessos na segurança apresentada tanto pelas crianças, como por suas mães ou pais; cabendo às instituições o suporte para que progressivamente os vínculos de confiança se estabeleçam” 

Para crianças maiores, a adaptação também pode necessitar de alguns cuidados, visto que elas sentem saudades e inseguranças longe dos pais, assim como as crianças menores. 

Lembrar as crianças de que você pode voltar para a escola e buscá-las, ou fazer ligações para ouvirem a sua voz são medidas que acalmam e acalentam nessa fase de adaptação. Levar um objeto com o cheirinho dos pais para que as crianças sintam o cheiro quando tiverem saudades também pode ajudar.

Ao questionar as crianças sobre o tempo que passaram na escola, preste atenção na resposta, pois elas podem indicar também algum tipo de problema que a criança esteja enfrentando na sua adaptação. 

A adaptação escolar é uma fase repleta de desafios, já que é extremamente importante para o aprendizado e desenvolvimento das crianças. Tanto pais quanto a escola são fundamentais nesse processo e nesse sentido, devem estar alinhados e em constante diálogo. 

:: Leia também: Jogos Inclusivos: como incluir todas as crianças nas brincadeiras ::

A Importância da Comunicação

As crianças podem ficar extremamente animadas e ao mesmo tempo ansiosas com o início das aulas. Para auxiliar os pequenos a lidar com essas emoções, a nossa dica principal é muito diálogo (para crianças maiores de 4 anos) sobre a nova rotina.

Essas conversas podem surgir em momentos espontâneos como horário de brincadeira entre os pais e filhos, por exemplo. 

Uma outra dica é os pais visitarem a escola antes do primeiro dia de aula, para conhecer melhor o ambiente e quais atividades e horários serão propostas no primeiro dia. É importante também conhecer a equipe da escola, não só os professores, já que diversos profissionais poderão oferecer apoio às crianças nessa adaptação. 

E sobre essa comunicação com os filhos, o portal do Ministério da Educação divulgou algumas dicas para os pais lidarem com essa experiência dos primeiros dias na escola: 

O que os familiares podem verificar com a criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Pergunte qual é o nome das professoras e de outros funcionários;

•    Pergunte o nome dos amiguinhos mais próximos;

•    Pergunte à criança o que ela mais gostou de fazer naquele dia;

•    Incentive a  criança a contar e a narrar situações vividas na instituição;

•    Que músicas cantou ou ouviu;

•    Quais brincadeiras aconteceram;

•    Que pinturas, desenhos, esculturas ela fez;

•    Qual livro a professora leu;

•    Que história a professora contou;

•    O que ela está aprendendo, entre outras.

O que os familiares podem observar diretamente na criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Observe o comportamento da criança quando ela chega na instituição (alegria, timidez ou choro).

•    Observe diária e atentamente enquanto estiver conversando com a criança, seu olhar, seus gestos, sua fala e suas reações podem ajudar a avaliar o estado físico e emocional.

•    Observe as reações da criança ao ver seus colegas, isso pode demonstrar como está a relação com a turma.

•    Observe as produções e o material que ela traz da instituição.

Dê Conforto Para as Crianças durante a Adaptação Escolar

Falar sobre a escola e o quanto essa experiência que faz parte da infância é importante pode ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis no seu primeiro dia de aula. Busque contar como foi a sua primeira ida à escola, fale de outras crianças próximas que já viveram esse momento. 

Se possível, leve seu filho para conhecer o colégio antes do primeiro dia de aula, pois dessa forma a criança já vai conhecendo um pouco do novo ambiente. Explique que sentir insegurança e receio antes de ir para a escola é um sentimento comum.

Inserir a criança no processo que envolve a ida para escola, como acompanhar a compra dos materiais escolares, também pode ser útil para que os pequenos tenham um momento prazeroso que se relaciona com a escola. 

Chegar mais cedo no primeiro dia de aula e acompanhar a criança até a sala transmite segurança. Reforce também que dentro de algumas horas vocês estarão juntos novamente. 

Muitas coisas podem acontecer pelo caminho durante a adaptação ou até mesmo depois dela. E tudo bem, é normal! Uma coisa muito comum é a criança começar a chorar e gritar na porta da escola, não querendo ir para aula, quando ela já estava adaptada. Se isso ocorrer, converse com as professoras e, se necessário, reinicie o processo de adaptação escolar. Isso dá mais confiança para seus filhos.

Texto: Débora Nazário

Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças

O início do ano letivo está logo aí. Depois do período de férias, chegou o momento de volta às aulas e muitas vezes é necessário readaptar a rotina das crianças.

As férias costumam ser um período onde os horários são mais livres do que quando as crianças estão frequentando a escola. As horas assistindo à televisão ou jogando, além de outras atividades propostas pelos pais, costumam ocupar os horários durante o recesso escolar. 

É por isso que neste artigo nós reunimos algumas dicas que podem ajudar a auxiliar os pais que estão vivenciando essa fase de volta às aulas das crianças, acompanhe! 

Atenção com o sono das crianças na rotina de volta às aulas

Como já mencionamos, o sono é afetado no período das férias, e o ideal é recuperar a rotina de dormir antes da volta às aulas. Como a rotina de horários é mais flexível, muitas crianças dormem horas a mais ou a menos e também em horários diferentes dos quais eram habituadas. 

No entanto, mais do que descansar, o sono cumpre um papel extremamente importante no desenvolvimento das crianças. 

Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), “o hormônio do crescimento (GH) é produzido e liberado no organismo durante o sono, principalmente, ao longo da noite. Cerca de 30 minutos após o adormecimento, com maior produção, a partir das 22 horas, até às seis da manhã. Por isso, crianças que dormem pouco podem apresentar déficit de crescimento, prejuízos na memória, irritabilidade, menor concentração e dificuldades de aprendizado”. 

Além do hormônio do crescimento, ocorre a liberação de leptina durante o sono, que é responsável por controlar a sensação de saciedade e cortisol, uma substância ligada ao estresse, que é reguladora do nível de glicose no sangue.

A médica Rachel Dawkins, que atua no hospital Johns Hopkins All Children’s Hospital, localizado nos Estados Unidos, afirma:

“O sono é uma parte essencial da rotina de todos e uma parte indispensável de um estilo de vida saudável. Estudos mostraram que crianças que dormem regularmente uma quantidade adequada de sono melhoram a atenção, o comportamento, o aprendizado, a memória e a saúde mental e física geral. Não dormir o suficiente pode levar à pressão alta, obesidade e até depressão”. 

Qual é o período necessário de sono para cada idade? 

A Sleep Foundation é uma entidade que compartilha informações sobre o sono obtidas por meio de fontes de pesquisas e revisadas por especialistas na área. 

No ano passado, a fundação publicou um artigo que explica sobre as horas necessárias de sono das crianças para cada faixa etária. São elas: 

  • Crianças (1-2 anos): entre 11 a 14 horas.
  • Pré-escola (3-5 anos): 10 a 13 horas.
  • Idade escolar (6-13 anos): 9 a 11 horas.

Segundo o mesmo artigo, “estabelecer hábitos de sono saudáveis, incluindo um horário de sono estável e uma rotina antes de dormir, pode reforçar a importância da hora de dormir e reduzir a inconstância do sono à noite. Dar às crianças a oportunidade de usar sua energia durante o dia e relaxar antes de dormir pode facilitar o adormecer e permanecer dormindo durante a noite”. 

Também recomenda-se que as telas sejam desligadas no mínimo uma hora antes da criança ir dormir. Essa recomendação existe pois o brilho presente nas telas dos celulares ou tablets chamada luz azul influencia no bloqueio da melatonina, que é o hormônio regulador do sono secretado pelo nosso corpo. A luz azul tem relação com a dificuldade em dormir e também na qualidade do sono. 

Nós já falamos sobre o uso de telas neste artigo e também já discutimos sobre o uso das redes sociais neste outro texto

Cuidado com a alimentação no período de volta às aulas

Introduzir vegetais ou salada na rotina das crianças é considerado por muitos pais uma tarefa extremamente difícil e, com a rotina fora do comum nas férias, o ato de comer também muda. Alimentos processados e ricos em açúcar muitas vezes são os preferidos dos pequenos.

Lina Berdache é professora da Universidade de Binghamton e pesquisa a nutrição ao nível celular e genético com especial interesse no cérebro. Ela escreveu um artigo onde explica como o excesso de açúcar afeta o cérebro em desenvolvimento ao longo da infância. 

Ela escreve que “a glicose – um açúcar simples que constitui a base da maioria dos alimentos ricos em carboidratos – é a principal fonte de energia para o cérebro. Cérebros saudáveis ​​requerem uma fonte contínua de energia e nutrientes para alimentar o crescimento, aprendizado e desenvolvimento. No entanto, isso não significa que o consumo extra de açúcar seja bom para o cérebro em desenvolvimento. De fato, muito açúcar pode ser prejudicial ao crescimento normal do cérebro”.

A professora explica que os alimentos processados, como bolachas e refrigerantes,  ​​têm um valor nutricional menor do que os alimentos integrais, como frutas, legumes e grãos integrais. Um dos adoçantes mais comuns nos produtos alimentícios dos EUA é o xarope de milho rico em frutose, que contém não apenas glicose, mas outro açúcar simples chamado frutose. Uma grande quantidade de frutose tem sido associada ao aumento da gordura corporal.

Em seu artigo, a professora e pesquisadora cita um estudo que afirma que o alto consumo de açúcar dificulta o aprendizado e a memória:

“… A ingestão diária de bebidas com adição de açúcar durante a adolescência está associada à piora do desempenho no aprendizado e tarefas que exigem memória durante a vida adulta. Os pesquisadores desse estudo sugerem que esse comprometimento pode ser devido a alterações nas bactérias intestinais”.

A dica que recomendamos diante dessas informações é que a alimentação, assim como o sono, precisa fazer parte de uma rotina onde limites e também quantidades sejam respeitadas. E quando falamos em limite, é importante que exista entre pais e filhos um diálogo constante sobre eles. 

Uso de telas e volta às aulas

Vivemos cercados de telas por todos os lados e com as crianças não é diferente. Com a pandemia e o período de isolamento, a utilização de telas aumentou ainda mais. 

É o que mostra a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – Crianças e smartphones no Brasil realizada no final de 2020, o primeiro ano da pandemia da Covid-19. O  número de crianças na faixa etária de 7 a 9 anos que utilizam o celular por 3 horas ao dia (ou mais) aumentou de 30% para 43% durante o ano. Cerca de 58% das crianças de 10 a 12 anos que participaram da pesquisa usavam o celular durante mais de 3 horas por dia. 

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomenda que pais e cuidadores estipulem regras em relação ao tempo de uso de telas. Crianças de até de até 2 anos não recomenda-se o uso. As crianças entre 2 e 6 anos podem utilizar uma hora por dia e aquelas de 6 a 10 anos, duas horas por dia. Os adolescentes, por recomendação da entidade, podem utilizar por volta de três horas por dia.

A importância da leitura como uma alternativa para a volta às aulas

Em entrevista, a médica pediatra e coordenadora do Núcleo de Saúde e Brincar do IFF/Fiocruz Roberta Tanabe destaca o papel dos cuidadores e das escolas na formação de um público leitor entre crianças e adolescentes. 

“Crianças tendem a imitar a atitude dos adultos, sobretudo aqueles que são referências afetivas. Pais leitores que leem para seus filhos, estão oferecendo bons exemplos que poderão se concretizar como um hábito saudável a ser incorporado de forma duradoura.  A experiência de ouvir histórias junto a pessoas queridas, num espaço onde há atenção, interesse e afeto é fundamental, além de uma curadoria qualificada na seleção de temas e obras, que possam despertar o interesse e a curiosidade de acordo com cada faixa etária”. 

Leitura e telas

As telas têm tomado o lugar da leitura nos últimos anos. Antes de falarmos em proibição e tudo que vem junto disso, a nossa dica é o diálogo. Conversar com as crianças sobre como o uso das telas afeta a rotina delas, assim como combinar um período para o uso são boas opções para os pais. 

Atualmente diversos jogos e aplicativos são lançados partindo de uma visão que oferece às crianças mais do que apenas entretenimento. Alguns estimulam o aprendizado e exploram narrativas que contribuem para o desenvolvimento e criatividade dos pequenos.  Esses jogos e aplicativos costumam também incentivar a autonomia das crianças, fazendo com que elas não fiquem apenas consumindo um tipo de conteúdo. O nosso aplicativo Truth and Tales se encaixa neste segmento, com audiobooks e histórias interativas onde as crianças podem brincar com os personagens ao mesmo tempo que fortalecem o hábito da leitura. Saiba mais clicando aqui.  

A leitura na rotina

Ainda segundo a médica, “a própria leitura pode se tornar uma brincadeira entre pais e filhos e funcionar no estreitamento de vínculos de afeto e confiança. Não existe um planejamento único que atenda às demandas e situações específicas de cada família no que se refere ao uso de telas. Orientações e informações qualificadas ajudam no balanceamento de experiências digitais e offline para que a gestão destes dois universos possa ser conduzida de forma a aproveitar o que, de melhor, cada um tem a oferecer no desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Cabe aos adultos estar sempre junto nesse processo que requer maturidade, bom senso e afeto”. 

A escuta e o acolhimento são fundamentais nessa retomada da rotina. As crianças podem se sentir desmotivadas ou até mesmo irritadas por mudarem tão bruscamente os seus dias, por isso os pais podem conversar sobre como organizar a rotina de uma maneira leve e divertida. Promover brincadeiras, desafios e criar um ambiente que promova a conversa e a escuta sobre o que está incomodando são essenciais para a boa convivência e hábitos mais saudáveis na rotina das crianças. 

Texto: Débora Nazário

Referências: