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Adaptação Escolar: Como Preparar as Crianças e os Pais

Diversos acontecimentos pelos quais passamos durante a infância ficam registrados na nossa memória, e o primeiro dia na escola pode ser um deles, tanto para as crianças quanto para os pais. Essa fase de adaptação escolar envolve não só conhecimentos relacionados à educação e à construção de relações, mas também é repleta de aprendizado e desenvolvimento das crianças. 

Tudo é novo e, para muitas famílias, a ida das crianças para a escola significa a experiência de conviver em outro contexto que antes era formado apenas por pequenos núcleos familiares e de amigos. 

Diante de todas essas transformações, não são só as crianças que passam por um processo de adaptação. Os pais também encaram emoções que não haviam experimentado antes. 

Neste artigo nós vamos dar algumas dicas essenciais sobre como se preparar para a primeira ida na escola, continue a leitura! 

Preparação dos Pais

A pedagoga Paula Strano, que é uma das fundadoras da Plataforma Ler o Mundo, falou sobre a importância de compreendermos também o lado dos adultos na adaptação escolar, mais precisamente da mãe, em artigo publicado na Isto É.

“O processo traz grandes expectativas, principalmente por parte das mães, que devem ser compreendidas e acolhidas para que transcorra da melhor maneira possível. Digo da melhor maneira possível pois cada processo de adaptação é singular, cada criança tem seu tempo e esse é o primeiro ponto importante dessa reflexão.” 

A terapeuta familiar e proprietária da Blueprint Mental Health, Michele Levin, em entrevista para a Healthline, também explicou sobre esse processo para os pais.

“É normal que os pais tenham dificuldade com eles mesmos em fazer a transição quando seus filhos começam o jardim de infância, para muitas famílias, esta é a primeira vez em que se perde algum controle.”

Portanto, as dificuldades podem ser relativas à preocupação com os filhos estarem diante dessa nossa realidade ou a insegurança sobre como será esse processo. A terapeuta explica que alguns pais podem precisar de mais apoio do que outros para se ajustarem à mudança. E nesse sentido, se você for um pai ou responsável que está vivenciando e se identifica com essa situação, o mais indicado é conversar sobre esse assunto antes de qualquer coisa. 

Falar com outros pais que estão passando pelo mesmo e entender como funcionam as dinâmicas na escola são algumas medidas que podem trazer mais segurança e tranquilidade para os pais neste momento. 

:: Você também pode se interessar: Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças ::

A Adaptação Escolar Para Crianças Menores

Com crianças pequenas, vale levar a criança na escola antes de começar as aulas, e, que você possa participar mostrando o ambiente, brincando com ela, e conhecendo alguns funcionários, sem a pressão de ter outras crianças por perto e de começar a aula. 

Quando de fato as aulas começarem, tenha em mente que seus filhos ainda não têm uma noção de tempo completamente formada. Uma frase como “a mamãe já volta, mais tarde a gente se vê” pode não significar nada para crianças pequenas, pelo simples fato de que elas não entendem o que quer dizer “depois”. Elas só conseguem entender que seus pais não estão com ela, e isso as assusta.

Segundo Luiza Elena L. Ribeiro do Valle, que é psicóloga e mestre em Psicologia Escolar e Educacional, “a educação infantil é uma fase de grande desenvolvimento das habilidades de aprendizagem, porque, nesse período, há uma grande aceleração no surgimento de conexões neurais, construindo a personalidade que, indelevelmente, guardará marcas… E podem ser boas, não é? As crianças pequenas assimilam mudanças com muita facilidade e repetem comportamentos como espelhos sociais. Espera-se que possam ver humanismo, colaboração e apoio mútuo, inclusive entre pais e escola”, explica

Devemos lembrar também que as crianças só começam a entender a sequência dos dias da semana de forma clara entre 4 e 5 anos. Por isso, se seus filhos forem mais novos, não adianta conversar com eles sobre a escola antes de acontecer, porque provavelmente eles não vão entender. Isso pode gerar uma ansiedade desnecessária, podendo piorar mais do que ajudar. 

A ida até a escola vai ser uma grande mudança na rotina das crianças menores. Novas relações vão ser criadas com os colegas, professores e outros funcionários da escola, relações essas que não existiam antes. 

As crianças também passam a conviver em um ambiente novo com regras muito diferentes daquelas às quais estavam habituadas e essa transição pode ser diferente de criança para criança. 

Cisele Ortiz, psicóloga e coordenadora do Instituto Avisa Lá, de São Paulo, em entrevista para o Portal Nova Escola, sugere que não existe um tempo determinado para essa transição. “Em geral, o período inicial da adaptação dura entre uma ou duas semanas, mas depende da criança, da família e de suas experiências anteriores relacionadas às separações que enfrentamos na vida”. 

O Momento da Despedida na Adaptação Escolar

O momento da despedida na escola costuma ser difícil, tanto para as crianças quanto para os pais. Muitos adultos esperam a criança se distrair para então saírem da sala, mas isso pode causar muito desconforto para os pequenos. 

Cisele explica ainda que a despedida é fundamental para a adaptação:

“Por mais difícil e doloroso que seja para ambos, construir uma relação com os filhos pautada na confiança e na honestidade é sempre melhor. A clareza da despedida é saudável e necessária”

A adaptação escolar de crianças pequenas varia de acordo com a cada uma, mas os pais precisam saber que, no início, talvez seja necessário que fiquem com seus filhos em sala de aula. Pode ser que seja o dia todo ou metade do turno: quem vai determinar a necessidade é a criança. Você vai diminuindo a sua presença à medida em que ela for se sentindo mais confiante. 

“Na pré-escola, as crianças são ávidas por fazer amigos, já falam bem e têm mais autonomia”, explica Cisele. Sua adaptação costuma ser mais tranquila e pode ser realizada em pequenos grupos de duas ou três crianças para facilitar sua integração. Mesmo assim, a presença dos familiares não deve ser dispensada. Nos primeiros dias, eles podem ajudar os pequenos a se ambientar ao local e ao tempo de execução das atividades.

Hora de Dizer Tchau

O ideal é ter um equilíbrio entre se despedir como sendo um grande acontecimento e sair de fininho no período de adaptação. Marcia Tosin é psicóloga especialista em psicoterapia comportamental e fundadora do Movimento Neurocompatível, um movimento de ativismo pelo desenvolvimento infantil que reúne pais, mães e profissionais interessados nas condições ideais pelas quais os cérebros humanos se desenvolvem e funcionam. É fundamentada pelas ciências: Psicologia Evolutiva, Antropologia e Neurobiologia. Em seu Instagram, que reúne mais de 800 mil seguidores, Márcia fala que não é necessário enganar a criança, mas também não precisa fazer um ritual de desligamento. 

“… A reação de desamparo que a criança sente é pela resposta de um cérebro muito antigo que desestabiliza sem a figura de referência, e não porque ele não foi “avisado” que você sairia.”

Marcia propõe um exercício para entender melhor como funciona o nosso cérebro: imagina que você, adulto, vai fazer uma cirurgia invasiva. Mesmo que você saiba que apenas 0,9% das pessoas morrem numa cirurgia como essa, seu cérebro diz que você fará parte dessa estatística. Isso acontece porque o nosso cérebro está sempre com a bússola voltada para o risco. O médico pode te encher de informações úteis e te falar muitas coisas para tentar te acalmar, mas o sistema límbico funciona sozinho e te joga para o pior resultado. 

Outro exemplo é quando estamos sozinhos em casa e ouvimos um barulho. Pode não haver risco nenhum, mas o cérebro avisa que pode ser um predador.   

“Ele te prepara para o pior: tira sangue das extremidades caso o predador arranque sua mão e não você não sangre até morrer; eriça seu pelo para que você pareça maior; aumenta o fluxo sanguíneo nas regiões que você precisa usar para lutar ou fugir; secreta suor para você ficar mais escorregadio e para estabilizar a temperatura; você ficará mais ofegante para aumentar a disposição de oxigênio. Temos um organismo que age antes que você pense.”

Quando a criança fica na escola pelas primeiras vezes, sozinha, esse sistema dispara, e então ela chora. E esse sistema funciona independente do que os pais falam. Adaptação escolar é para acalmar esse estado de resposta. Não existe um modelo único de adaptação escolar, mas é necessário saber que esse sistema existe. Não é “manha” nem falta de frustração.” 

Em relação ao nervosismo ou ansiedade dos pais atrapalharem a adaptação da criança, Marcia explica que isso não atrapalha, mas protege. “Temos que acreditar que os pais sofrem em deixar seus filhos longe e não há nada de errado com isso.”

Atenção aos Sinais na Adaptação Escolar

Caso a criança apresente choro constante ao chegar o horário de ir para a escola, ou outros sinais de angústia extrema, os pais devem ficar atentos. Marcia Tosin usou a sua conta do Instagram para falar sobre essa questão.

“Não se deve atribuir causalidade de “problema” a esses comportamentos. Isso aumenta a culpa dos pais. Elas são apenas pessoas pequenas que precisam de mais tempo para construir apego e se sentirem seguras nessa transição”

A pedagoga Ana Paula Yazbek, colunista do Portal Papo de Mãe, do UOL, também escreveu sobre o assunto.

“Cada criança e família vivencia este período de modo próprio. Há crianças que se mostram muito animadas nos primeiros dias e que ao perceberem que estar na escola significará ficar longe de sua casa, começam a apresentar recusas e estranhamentos. Outras, parecem alheias ao que ocorre ao seu redor, como se estivessem apenas esperando pela hora de ir embora. Têm, também, as crianças que demonstram estar ávidas pelas novidades e dão pouca atenção aos seus familiares nos momentos de despedida e separação.

A dubiedade é inerente ao processo de adaptação. Num mesmo dia, ocorrem avanços e retrocessos na segurança apresentada tanto pelas crianças, como por suas mães ou pais; cabendo às instituições o suporte para que progressivamente os vínculos de confiança se estabeleçam” 

Para crianças maiores, a adaptação também pode necessitar de alguns cuidados, visto que elas sentem saudades e inseguranças longe dos pais, assim como as crianças menores. 

Lembrar as crianças de que você pode voltar para a escola e buscá-las, ou fazer ligações para ouvirem a sua voz são medidas que acalmam e acalentam nessa fase de adaptação. Levar um objeto com o cheirinho dos pais para que as crianças sintam o cheiro quando tiverem saudades também pode ajudar.

Ao questionar as crianças sobre o tempo que passaram na escola, preste atenção na resposta, pois elas podem indicar também algum tipo de problema que a criança esteja enfrentando na sua adaptação. 

A adaptação escolar é uma fase repleta de desafios, já que é extremamente importante para o aprendizado e desenvolvimento das crianças. Tanto pais quanto a escola são fundamentais nesse processo e nesse sentido, devem estar alinhados e em constante diálogo. 

:: Leia também: Jogos Inclusivos: como incluir todas as crianças nas brincadeiras ::

A Importância da Comunicação

As crianças podem ficar extremamente animadas e ao mesmo tempo ansiosas com o início das aulas. Para auxiliar os pequenos a lidar com essas emoções, a nossa dica principal é muito diálogo (para crianças maiores de 4 anos) sobre a nova rotina.

Essas conversas podem surgir em momentos espontâneos como horário de brincadeira entre os pais e filhos, por exemplo. 

Uma outra dica é os pais visitarem a escola antes do primeiro dia de aula, para conhecer melhor o ambiente e quais atividades e horários serão propostas no primeiro dia. É importante também conhecer a equipe da escola, não só os professores, já que diversos profissionais poderão oferecer apoio às crianças nessa adaptação. 

E sobre essa comunicação com os filhos, o portal do Ministério da Educação divulgou algumas dicas para os pais lidarem com essa experiência dos primeiros dias na escola: 

O que os familiares podem verificar com a criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Pergunte qual é o nome das professoras e de outros funcionários;

•    Pergunte o nome dos amiguinhos mais próximos;

•    Pergunte à criança o que ela mais gostou de fazer naquele dia;

•    Incentive a  criança a contar e a narrar situações vividas na instituição;

•    Que músicas cantou ou ouviu;

•    Quais brincadeiras aconteceram;

•    Que pinturas, desenhos, esculturas ela fez;

•    Qual livro a professora leu;

•    Que história a professora contou;

•    O que ela está aprendendo, entre outras.

O que os familiares podem observar diretamente na criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Observe o comportamento da criança quando ela chega na instituição (alegria, timidez ou choro).

•    Observe diária e atentamente enquanto estiver conversando com a criança, seu olhar, seus gestos, sua fala e suas reações podem ajudar a avaliar o estado físico e emocional.

•    Observe as reações da criança ao ver seus colegas, isso pode demonstrar como está a relação com a turma.

•    Observe as produções e o material que ela traz da instituição.

Dê Conforto Para as Crianças durante a Adaptação Escolar

Falar sobre a escola e o quanto essa experiência que faz parte da infância é importante pode ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis no seu primeiro dia de aula. Busque contar como foi a sua primeira ida à escola, fale de outras crianças próximas que já viveram esse momento. 

Se possível, leve seu filho para conhecer o colégio antes do primeiro dia de aula, pois dessa forma a criança já vai conhecendo um pouco do novo ambiente. Explique que sentir insegurança e receio antes de ir para a escola é um sentimento comum.

Inserir a criança no processo que envolve a ida para escola, como acompanhar a compra dos materiais escolares, também pode ser útil para que os pequenos tenham um momento prazeroso que se relaciona com a escola. 

Chegar mais cedo no primeiro dia de aula e acompanhar a criança até a sala transmite segurança. Reforce também que dentro de algumas horas vocês estarão juntos novamente. 

Muitas coisas podem acontecer pelo caminho durante a adaptação ou até mesmo depois dela. E tudo bem, é normal! Uma coisa muito comum é a criança começar a chorar e gritar na porta da escola, não querendo ir para aula, quando ela já estava adaptada. Se isso ocorrer, converse com as professoras e, se necessário, reinicie o processo de adaptação escolar. Isso dá mais confiança para seus filhos.

Texto: Débora Nazário

Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças

O início do ano letivo está logo aí. Depois do período de férias, chegou o momento de volta às aulas e muitas vezes é necessário readaptar a rotina das crianças.

As férias costumam ser um período onde os horários são mais livres do que quando as crianças estão frequentando a escola. As horas assistindo à televisão ou jogando, além de outras atividades propostas pelos pais, costumam ocupar os horários durante o recesso escolar. 

É por isso que neste artigo nós reunimos algumas dicas que podem ajudar a auxiliar os pais que estão vivenciando essa fase de volta às aulas das crianças, acompanhe! 

Atenção com o sono das crianças na rotina de volta às aulas

Como já mencionamos, o sono é afetado no período das férias, e o ideal é recuperar a rotina de dormir antes da volta às aulas. Como a rotina de horários é mais flexível, muitas crianças dormem horas a mais ou a menos e também em horários diferentes dos quais eram habituadas. 

No entanto, mais do que descansar, o sono cumpre um papel extremamente importante no desenvolvimento das crianças. 

Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), “o hormônio do crescimento (GH) é produzido e liberado no organismo durante o sono, principalmente, ao longo da noite. Cerca de 30 minutos após o adormecimento, com maior produção, a partir das 22 horas, até às seis da manhã. Por isso, crianças que dormem pouco podem apresentar déficit de crescimento, prejuízos na memória, irritabilidade, menor concentração e dificuldades de aprendizado”. 

Além do hormônio do crescimento, ocorre a liberação de leptina durante o sono, que é responsável por controlar a sensação de saciedade e cortisol, uma substância ligada ao estresse, que é reguladora do nível de glicose no sangue.

A médica Rachel Dawkins, que atua no hospital Johns Hopkins All Children’s Hospital, localizado nos Estados Unidos, afirma:

“O sono é uma parte essencial da rotina de todos e uma parte indispensável de um estilo de vida saudável. Estudos mostraram que crianças que dormem regularmente uma quantidade adequada de sono melhoram a atenção, o comportamento, o aprendizado, a memória e a saúde mental e física geral. Não dormir o suficiente pode levar à pressão alta, obesidade e até depressão”. 

Qual é o período necessário de sono para cada idade? 

A Sleep Foundation é uma entidade que compartilha informações sobre o sono obtidas por meio de fontes de pesquisas e revisadas por especialistas na área. 

No ano passado, a fundação publicou um artigo que explica sobre as horas necessárias de sono das crianças para cada faixa etária. São elas: 

  • Crianças (1-2 anos): entre 11 a 14 horas.
  • Pré-escola (3-5 anos): 10 a 13 horas.
  • Idade escolar (6-13 anos): 9 a 11 horas.

Segundo o mesmo artigo, “estabelecer hábitos de sono saudáveis, incluindo um horário de sono estável e uma rotina antes de dormir, pode reforçar a importância da hora de dormir e reduzir a inconstância do sono à noite. Dar às crianças a oportunidade de usar sua energia durante o dia e relaxar antes de dormir pode facilitar o adormecer e permanecer dormindo durante a noite”. 

Também recomenda-se que as telas sejam desligadas no mínimo uma hora antes da criança ir dormir. Essa recomendação existe pois o brilho presente nas telas dos celulares ou tablets chamada luz azul influencia no bloqueio da melatonina, que é o hormônio regulador do sono secretado pelo nosso corpo. A luz azul tem relação com a dificuldade em dormir e também na qualidade do sono. 

Nós já falamos sobre o uso de telas neste artigo e também já discutimos sobre o uso das redes sociais neste outro texto

Cuidado com a alimentação no período de volta às aulas

Introduzir vegetais ou salada na rotina das crianças é considerado por muitos pais uma tarefa extremamente difícil e, com a rotina fora do comum nas férias, o ato de comer também muda. Alimentos processados e ricos em açúcar muitas vezes são os preferidos dos pequenos.

Lina Berdache é professora da Universidade de Binghamton e pesquisa a nutrição ao nível celular e genético com especial interesse no cérebro. Ela escreveu um artigo onde explica como o excesso de açúcar afeta o cérebro em desenvolvimento ao longo da infância. 

Ela escreve que “a glicose – um açúcar simples que constitui a base da maioria dos alimentos ricos em carboidratos – é a principal fonte de energia para o cérebro. Cérebros saudáveis ​​requerem uma fonte contínua de energia e nutrientes para alimentar o crescimento, aprendizado e desenvolvimento. No entanto, isso não significa que o consumo extra de açúcar seja bom para o cérebro em desenvolvimento. De fato, muito açúcar pode ser prejudicial ao crescimento normal do cérebro”.

A professora explica que os alimentos processados, como bolachas e refrigerantes,  ​​têm um valor nutricional menor do que os alimentos integrais, como frutas, legumes e grãos integrais. Um dos adoçantes mais comuns nos produtos alimentícios dos EUA é o xarope de milho rico em frutose, que contém não apenas glicose, mas outro açúcar simples chamado frutose. Uma grande quantidade de frutose tem sido associada ao aumento da gordura corporal.

Em seu artigo, a professora e pesquisadora cita um estudo que afirma que o alto consumo de açúcar dificulta o aprendizado e a memória:

“… A ingestão diária de bebidas com adição de açúcar durante a adolescência está associada à piora do desempenho no aprendizado e tarefas que exigem memória durante a vida adulta. Os pesquisadores desse estudo sugerem que esse comprometimento pode ser devido a alterações nas bactérias intestinais”.

A dica que recomendamos diante dessas informações é que a alimentação, assim como o sono, precisa fazer parte de uma rotina onde limites e também quantidades sejam respeitadas. E quando falamos em limite, é importante que exista entre pais e filhos um diálogo constante sobre eles. 

Uso de telas e volta às aulas

Vivemos cercados de telas por todos os lados e com as crianças não é diferente. Com a pandemia e o período de isolamento, a utilização de telas aumentou ainda mais. 

É o que mostra a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – Crianças e smartphones no Brasil realizada no final de 2020, o primeiro ano da pandemia da Covid-19. O  número de crianças na faixa etária de 7 a 9 anos que utilizam o celular por 3 horas ao dia (ou mais) aumentou de 30% para 43% durante o ano. Cerca de 58% das crianças de 10 a 12 anos que participaram da pesquisa usavam o celular durante mais de 3 horas por dia. 

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomenda que pais e cuidadores estipulem regras em relação ao tempo de uso de telas. Crianças de até de até 2 anos não recomenda-se o uso. As crianças entre 2 e 6 anos podem utilizar uma hora por dia e aquelas de 6 a 10 anos, duas horas por dia. Os adolescentes, por recomendação da entidade, podem utilizar por volta de três horas por dia.

A importância da leitura como uma alternativa para a volta às aulas

Em entrevista, a médica pediatra e coordenadora do Núcleo de Saúde e Brincar do IFF/Fiocruz Roberta Tanabe destaca o papel dos cuidadores e das escolas na formação de um público leitor entre crianças e adolescentes. 

“Crianças tendem a imitar a atitude dos adultos, sobretudo aqueles que são referências afetivas. Pais leitores que leem para seus filhos, estão oferecendo bons exemplos que poderão se concretizar como um hábito saudável a ser incorporado de forma duradoura.  A experiência de ouvir histórias junto a pessoas queridas, num espaço onde há atenção, interesse e afeto é fundamental, além de uma curadoria qualificada na seleção de temas e obras, que possam despertar o interesse e a curiosidade de acordo com cada faixa etária”. 

Leitura e telas

As telas têm tomado o lugar da leitura nos últimos anos. Antes de falarmos em proibição e tudo que vem junto disso, a nossa dica é o diálogo. Conversar com as crianças sobre como o uso das telas afeta a rotina delas, assim como combinar um período para o uso são boas opções para os pais. 

Atualmente diversos jogos e aplicativos são lançados partindo de uma visão que oferece às crianças mais do que apenas entretenimento. Alguns estimulam o aprendizado e exploram narrativas que contribuem para o desenvolvimento e criatividade dos pequenos.  Esses jogos e aplicativos costumam também incentivar a autonomia das crianças, fazendo com que elas não fiquem apenas consumindo um tipo de conteúdo. O nosso aplicativo Truth and Tales se encaixa neste segmento, com audiobooks e histórias interativas onde as crianças podem brincar com os personagens ao mesmo tempo que fortalecem o hábito da leitura. Saiba mais clicando aqui.  

A leitura na rotina

Ainda segundo a médica, “a própria leitura pode se tornar uma brincadeira entre pais e filhos e funcionar no estreitamento de vínculos de afeto e confiança. Não existe um planejamento único que atenda às demandas e situações específicas de cada família no que se refere ao uso de telas. Orientações e informações qualificadas ajudam no balanceamento de experiências digitais e offline para que a gestão destes dois universos possa ser conduzida de forma a aproveitar o que, de melhor, cada um tem a oferecer no desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Cabe aos adultos estar sempre junto nesse processo que requer maturidade, bom senso e afeto”. 

A escuta e o acolhimento são fundamentais nessa retomada da rotina. As crianças podem se sentir desmotivadas ou até mesmo irritadas por mudarem tão bruscamente os seus dias, por isso os pais podem conversar sobre como organizar a rotina de uma maneira leve e divertida. Promover brincadeiras, desafios e criar um ambiente que promova a conversa e a escuta sobre o que está incomodando são essenciais para a boa convivência e hábitos mais saudáveis na rotina das crianças. 

Texto: Débora Nazário

Referências: 

Jogos Inclusivos: como incluir todas as crianças nas brincadeiras

Quando uma criança está brincando ou participando de algum jogo, além de estar se divertindo e praticando a empatia, ela também está aprendendo. Essas atividades auxiliam no desenvolvimento de habilidades, aumentam a percepção sobre o universo ao seu redor e estimulam muito a criatividade. Brincadeiras e jogos podem ser grandes aliados na inclusão de crianças com deficiência na escola e na sociedade em geral. Saiba mais sobre brincadeiras e jogos inclusivos neste artigo.

Raimundo A. Dinello é doutor em Psicologia com especialização em Orientação Educacional e ex-professor de Sociologia da Educação na Universidade Livre de Bruxelas. Ele afirma que “os jogos têm um papel no desenvolvimento psicomotor e no processo de aprendizado de domínio do social da criança. Através dos jogos é possível exercitar os processos mentais e o desenvolvimento da linguagem e hábitos sociais”. 

Todos esses benefícios que podem também estimular a inclusão, tanto na sala de aula quanto em outros ambientes. Crianças com deficiência podem, por meio de jogos, exercitarem a sua autonomia e se divertirem ao mesmo tempo que aprendem. 

As crianças que possuem deficiências de origem motora, cognitiva, visual, auditiva, de fala ou de linguagem, ao brincarem e jogarem algum tipo de jogo, estarão superando desafios extremamente relevantes para o desenvolvimento, que também influenciam na saúde mental das mesmas. 

Jogos inclusivos promovem mais interação entre as crianças 

O Guia do Brincar Inclusivo, desenvolvido pelo Projeto Incluir Brincando da Unicef escrito por Meire Cavalcante, que é mestra e doutoranda em Educação e Inclusão pela Unicamp, aponta que “as pessoas não são iguais – e é isso que torna o mundo tão rico. Iguais, na verdade, devem ser as oportunidades de sobreviver e de se desenvolver, aprender, crescer sem violência e brincar (…). Ao planejar atividades, brincadeiras e materiais pedagógicos, é preciso fazer a si mesmo uma pergunta-chave: o que vou oferecer permite que todos e todas brinquem juntos, independentemente das características de cada um?

Para promover brincadeiras e jogos que sejam inclusivos com todas as crianças, é necessário prestar atenção em alguns detalhes e, caso necessário, promover adaptações que farão toda diferença. 

Meire Cavalcante também escreveu para o site Nova Escola sobre o tema. “Crianças e jovens com deficiência mental geralmente têm dificuldade de se concentrar por muito tempo. Para prender a atenção delas, são recomendadas atividades dinâmicas e que envolvam muitas cores”. 

Exemplos de jogos inclusivos 

O Guia do Brincar Inclusivo apresenta uma série de jogos inclusivos e também explica sobre as adaptações que podem ser feitas para jogos que você já tem em casa. 

“Para tornar acessíveis os jogos, algumas adaptações simples e baratas podem resolver: criar alto relevo com barbante ou tinta plástica; usar materiais como velcro ou ímã; mudar as regras; criar cartelas e dados maiores para facilitar a leitura de quem tem baixa-visão; usar peças grandes e com alças para crianças com deficiência física; usar placas e legendas em braile; ou usar texturas e cores”.

Jogo da memória

O jogo da memória é um clássico da infância. Ele estimula a atenção, a concentração, além de treinar a memória das crianças e o raciocínio lógico. 

Para que um jogo da memória se torne inclusivo, bastam algumas adaptações simples. O contorno das peças do jogo podem ser marcados com tinta plástica, que ao secar ficarão com alto relevo. O alto relevo facilita na percepção e identificação das peças das crianças que têm alguma deficiência visual. Outra outra possibilidade é colar pequenos objetos nas peças como botões, purpurina, lixa, algodão ou lã. Esses objetos, por terem texturas diferentes.

A introdução de adaptações como essas, que acrescentam algum tipo de textura diferente em cima de alguma superfície de peças ou brinquedos, também são benéficas do ponto de vista psicomotor. Ao tocar essas texturas, crianças com deficiência estarão desenvolvendo habilidades motoras, cognitivas e sensoriais ao mesmo tempo. 

Jogo de dominó 

Para adaptar o dominó de uma maneira muito simples, basta colocar cola quente nas casas de cada peça. Isso vai fazer com que as peças fiquem com partes em alto relevo, o que facilita o manuseio e a percepção das peças para as crianças que têm deficiência visual. Nesse caso, as crianças que não têm deficiência visual podem usar vendas nos olhos, para aumentar a interação durante o jogo. 

Uno

O Uno é um jogo que foi criado nos anos 70 e desde então ganhou muitos adeptos no mundo inteiro. Estima-se que até hoje, já tenham sido vendidas 200 milhões de cópias. 

Uma das características marcantes do UNO é justamente as cores das cartas, já que as jogadas são feitas a partir da combinação de cores e números de suas cartas. 

No ano de 2017, o jogo ganhou uma versão voltada para daltônicos. Essa versão conta com cartas marcadas com o selo iconográfico do código de cores universal para daltônicos, ou ColorADD.

Os símbolos estão localizados próximo ao número de cada carta. Todas as cores, o vermelho, azul, e amarelo contam com símbolos diferentes, que quando estão juntos, formam uma nova cor. 

Na prática funciona assim: a junção do traço da carta amarela e o triângulo do azul, forma-se um símbolo criado a partir dessa aproximação, que também estão presentes nas cartas verdes. 

Além das cartas serem diferentes pelos símbolos que possuem, elas também podem ser recriadas por meio da junção de duas cartas. O ícone do verde sendo igual a uma junção dos ícones do amarelo e do azul, por exemplo, facilita para uma criança identificar qual cor é cada uma. 

:: Leia também: Empatia: o que é, como se manifesta e como reconhecer nas crianças ::

Todo mundo pode brincar!

O Guia do Brincar Inclusivo também elencou algumas dicas para que todos brinquem: 

  • Estimular as crianças a ajudarem quem tem mobilidade reduzida e outras dificuldades;
  • Usar bolas com guizos e objetos sonoros; Garantir piso plano para a circulação de cadeira de rodas no ambiente; 
  • Respeitar a criança com hipersensibilidade tátil ou visual (realizar as atividades no ritmo dela); 
  • Criar brinquedos que explorem figuras, cores, cheiros, texturas e sons; Perguntar sempre à família e ao profissional de saúde se há restrições no brincar; 
  • Ensinar às famílias as brincadeiras para que brinquem em casa com os filhos; Nos jogos com cartas, usar o segurador de cartas para crianças com deficiência física; Interferir quando alguém estiver excluído da brincadeira; 
  • Não permitir manifestações discriminatórias no grupo; 
  • Oferecer brincadeiras que quebram preconceitos em relação ao gênero; 
  • Privilegiar atividades que valorizem as capacidades (e não as dificuldades) de cada um. 

Jogos online inclusivos: 

O Laboratório de Objetos de Aprendizagem (LOA), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desde 2012 desenvolve jogos para crianças com deficiência visual. 

Até o momento 5 jogos foram criados:

Dentro das regras e jogabilidade de cada um deles, é possível exercitar conceitos de matemática, português, química, música e noções sobre saúde. 

Filtros para jogos

A Nvidia Corporation, que é uma empresa de tecnologia com sede em Santa Clara –  Califórnia, nos EUA criou uma ferramenta de filtros em 2018 que podem ser incorporados a diversos jogos de computador. 

Para se ter acesso a essa ferramenta, é necessário fazer a instalação da versão mais recente do Game Ready Driver. Depois disso, o NVIDIA Freestyle permitirá que o usuário que estiver jogando a mudar a aparência do jogo escolhido, com ajustes em cores ou a aplicação de filtros de pós-processamento. 

Dentro dessas categorias de filtros está o modo modo daltônico, que faz com que os jogadores daltônicos possam identificar as cores com maior facilidade. 

Texto por Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

A tecnologia vem se tornado cada vez mais aliada à inclusão digital. Assistentes de voz, hashtags como #pracegover e outras medidas abraçam mais pessoas. Algumas medidas são mais complexas e pedem programas e tecnologias mais sofisticadas, mas muitas coisas simples podem ser levadas em consideração na criação de conteúdos inclusivos.

Podemos citar alguns facilitadores em jogos e aplicativos para crianças que os tornam mais inclusivos:

  • Conteúdos com acompanhamento de texto escrito;
  • Audiobooks;
  • Voice-over acompanhando as atividades;
  • e uso de formas para auxiliar pessoas com daltonismo

Mas a inclusão vai além do físico. O aplicativo Domlexia reúne jogos que auxiliam na alfabetização de crianças com dislexia. Os jogos lúdicos e interativos somados com os exercícios fonológicos ajudam as crianças com dislexia a desenvolverem o necessário para o aprendizado das letras e fonemas, auxiliando na alfabetização.

Outro aplicativo que tem aspectos inclusivos é o Truth and Tales. Toda a experiência do Truth and Tales é narrada, dessa forma, crianças que ainda não são alfabetizadas também podem utilizar o aplicativo sem perder a experiência. O aplicativo conta com audiobooks, que são histórias somente por áudio, podendo ser utilizadas por pessoas com deficiência visual. Em alguns jogos dentro das histórias interativas são utilizadas cores para diferenciar uma coisa da outra, mas também usamos formas diferentes para que pessoas com daltonismo possam completar os desafios. 

E por último, O Truth and Tales oferece exercícios físicos para o retorno à homeostase, auxiliando pessoas – não só crianças – a ficarem mais calmas e voltarem para o equilíbrio do corpo e da mente. Os exercícios para o retorno à homeostase podem ajudar crianças com déficit de atenção, hiperatividade e ansiedade. Baixe e experimente!

Guia Fortnite: tudo o que os pais de crianças precisam saber sobre o jogo

Muitos pais já devem ter ouvido o nome do jogo Fortnite comentado pelos filhos ou outras crianças, assim como Among Us e Roblox. O Fortnite foi criado em 2011 e tem aumentado cada vez mais o seu número de jogadores. 

Em agosto deste ano a produtora do jogo, Epic Games, afirmou que alcançou o número de mais de 500 milhões de contas de usuários, enquanto no ano passado esse número era de 350 milhões. 

O que é o Fortnite? 

O Fortnite é um jogo online multiplayer (que permite que vários jogadores joguem ao mesmo tempo uma partida) do gênero battle royale, ou seja, que reúne um grupo grande de jogadores que ficam no mesmo local buscando equipamentos como armas, madeiras e ferramentas de construção. Do grupo inicial, apenas um jogador ou equipe sobrevive, ganhando o jogo.

É por esse motivo que quem joga Fortnite fica muito concentrado e bastante tenso durante a partida, pois não é possível pausar.  Além dessa narrativa no Fortnite, é possível explorar e descobrir elementos do mapa do jogo e, em paralelo a isso, derrotar os inimigos. De forma simplificada, podemos dizer que o último vence, ou seja, aquele que sobreviveu a todas as batalhas e conseguiu escapar dos outros jogadores.  

Qual o objetivo do jogo?

O maior objetivo dentro do jogo é vencer os demais jogadores em combates. Para isso, os usuários podem jogar no modo solo, em dupla ou em equipes de no máximo quatro participantes.
Leva vantagem nos confrontos aqueles que melhor explorarem o mapa, conquistando recursos, adquirindo itens ou construindo edificações. Conhecer o mapa é extremamente importante já que assim os jogadores ficam atentos aos momentos de combates. 

O Fortnite é gratuito? 

O jogo é gratuito e tem versões para PC, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS e Android. Para baixar o jogo no computador é necessário acessar a página principal do Fortnite, selecionar a opção jogue de graça agora e depois selecionar PC/Mac.

O próximo passo é a criação de uma conta na Epic Games, que é a plataforma que abriga o jogo, como se fosse uma loja de jogos. Alguns dados serão solicitados, como o país, nome completo, nome de usuário, e-mail e senha. O jogo também oferece a possibilidade de criar um usuário com os logins do Facebook ou Gmail. Após esse preenchimento de dados, o usuário deve escolher a pasta de destino que o jogo será salvo no computador. 

Iniciando um jogo no Fortnite

Finalizado o processo de instalação no computador e criação de usuário e senha, é hora de começar a jogar. Para isso, é necessário selecionar o modo battle royale que aparece na tela inicial. 

Modo do jogo: 

Depois de selecionar o personagem e a skin (traje do personagem), há opções de como o usuário pode jogar Fortnite: solo, duos e squads. Dentro dessas possibilidades, o jogador poderá escolher se deseja jogar sozinho, em duplas ou em equipes. 

O jogo começa assim que esses passos forem finalizados. O jogador inicia a partida dentro de um balão voador ou ônibus voador, no céu, e em seguida caem de paraquedas no cenário do jogo. 

Pontos que merecem a atenção dos pais    

Monetização dentro do Fortnite

Sabemos que os jogos e aplicativos têm algumas formas de monetização, ou seja, de ganhar dinheiro, como já explicamos neste artigo. O Fortnite é grátis para baixar e jogar, e não tem anúncios. Então como o jogo ganha dinheiro? Através de compras dentro do jogo. O Fortnite vende alguns itens para usar dentro do game.

Na loja de itens dentro do Fortnite é possível comprar skins (roupas dos personagens), armas e acessórios para customizar o seu personagem e até melhorar sua performance nas partidas. A moeda do jogo é a V-Bucks. Um total de 1.000 V-Bucks custa R$25,00; 2.800 V-Bucks saem por R$62,50 e assim por diante. 

Além dos itens já citados, loot boxes também podem ser compradas na loja. As loot boxes são caixas com itens aleatórios para customizar o personagem. Esses itens são vendidos separadamente nas lojas, mas os usuários são atraídos pelas loot boxes sabendo da possibilidade de encontrar itens raros. As loot boxes têm as mesmas mecânicas de cassinos e podem ser prejudiciais às crianças, como explicamos neste artigo

Nos Estados Unidos, as compras dentro do Fortnite se tornaram um problema para muitas crianças, que sofreram bullying por terem seus personagens default, que significa “padrão”, em inglês. Ou seja, quem jogava com o personagem igual ao que o jogo entregava, sem personalizá-lo com os itens vendidos na loja, era chamado pejorativamente de default.

Essa pressão para personalizar os personagens gera uma falsa necessidade de consumo entre as crianças, até mesmo para se proteger do bullying na escola e dentro do jogo. Ou seja, nem mesmo em casa as crianças estavam seguras e protegidas, já que eram atacadas online através do chat do Fortnite. O consumismo incentivado pelo jogo é uma das principais preocupações em relação às crianças.

Classificação indicativa: 

Como já mencionamos, o jogador que resistir até o fim da partida é o ganhador. Para tanto, além de pensar em estratégias de defesa, é necessário atirar nos inimigos para que eles sejam atacados, o que implicará em cenas de violência.

Apesar dos tiros e de jogadores “morrendo”, não é muito realista. O gráfico do jogo não mostra sangue e quando um jogador morre são os itens que ele guardava que aparecem na tela, e o outro jogador pode coletar esses itens. 

A classificação indicativa do jogo no Brasil sugere que as partidas sejam jogadas por maiores de 12 anos de idade. Já nos Estados Unidos, a indicação é de 13 anos, que é a mesma indicada pela empresa que criou o jogo, a Epic Games. 

Chat aberto durante o jogo: 

Assim como no Among Us, o Fortnite conta com um chat durante o jogo, onde é possível que os jogadores conversem durante as partidas. Nesse caso, no entanto, é possível silenciar o chat da seguinte maneira: 

Selecione o ícone menu e depois configurações. Dentro desse ambiente você encontrará a página de áudio. Para desativar, basta ligar/desligar o bate-papo de voz e gerenciar notificações. Mas é importante ressaltar que isso vai influenciar na habilidade de jogar. 

A dica mais importante tanto para o Fortnite quanto para outros jogos é o diálogo constante com as crianças. Essa comunicação gera confiança nos pequenos e os farão conversar a respeito sobre qualquer situação que considerarem fora do comum dentro do jogo.

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Não podemos dizer que Fortnite é um jogo livre de violência, porque existe. São armas, tiros e ganha o jogo quem sobrevive. Por isso, reiteramos a necessidade de diálogo entre pais e filhos em relação ao jogo. Interessar-se pelo o que as crianças gostam e até tentar jogar com os pequenos cria uma proximidade e os deixam confortáveis para procurar pelo adulto caso sintam necessidade. 

Chat e violência

É importante sempre estar atento ao chat caso não tenha silenciado, mesmo que a criança não indique sinais. Perguntar sobre o que conversam e combinar com a criança de checar vez ou outra é importante para protegê-las de pessoas mal intencionadas.

Conversar sobre o que a criança acha daquela violência também é válido, já que o jogo tenta deixar essa questão mais fantasiosa. Muitas crianças nem percebem a violência e não tratam aquilo como violência. 

Consumismo e Bullying

Mas a violência não é o ponto mais frágil do jogo. A monetização, ou seja, a forma como o Fortnite faz dinheiro, é onde os pais devem ter um alerta amarelo sempre ligado. Por isso, nosso posicionamento em relação ao Fortnite é que crianças menores de 10 anos não joguem o jogo porque ainda não entendem como a monetização funciona, que cada item custa realmente dinheiro de verdade. Elas ainda não estão preparadas para esse tipo de modelo de jogo. Para as crianças maiores, conversar sobre isso e estipular um limite e combinados é primordial. Esses combinados vão da realidade de cada família, mas é importante que tenham claro que cada item comprado vale dinheiro.

É importante também conversar como isso afeta a vida social das crianças. Vimos que muitos sofrem bullying na escola por terem o boneco “padrão” no jogo. Fique de olho, conversem sobre isso e fique de olho como seus filhos ficam antes e após jogar Fortnite. Muitas crianças ficam ansiosas e só jogam porque “precisam” estar nesse ambiente, já que todos também estão.

Pontos positivos

Apesar disso, não há como negar que Fortnite ajuda a desenvolver algumas habilidades. Jogos de tiro em geral trabalham bastante a visão espacial, já que geralmente a câmera é em primeira pessoa e é necessário prestar muita atenção em todos os elementos em sua volta para atirar e se esconder. A agilidade também é muito trabalhada, assim como a atenção focal e a atenção global, já que é necessário focar num alvo ao mesmo tempo em que precisa buscar um lugar protegido. 

Podemos citar ainda o plus que o próprio Fortnite premia: construções. No jogo, o usuário pode coletar madeira, pedras, cordas e ferramentas para construir fortes, esconderijos para auxiliá-lo no jogo, e o jogador é beneficiado por cada construção. Assim como Minecraft e Roblox, esse tipo de jogo onde as crianças podem construir é muito benéfico tanto para o desenvolvimento da visão espacial quanto para a criatividade. Falamos mais sobre a visão espacial em jogos aqui

GUIA DE DISCORD PARA PAIS: como manter seus filhos seguros

Se seus filhos estão começando a jogar no computador, pode ser que daqui a pouco você vai começar a ouvir sobre o Discord. Separamos algumas informações importantes sobre o Discord pra você saber o que as crianças usam para jogar online. 

O Discord é um aplicativo de bate-papo. É bastante popular dentro da comunidade gamer, mas vêm ganhando espaço em outros nichos, já que muitas empresas e escolas adotaram o programa para home office e homeschooling. O Discord permite que os usuários se comuniquem por de texto, voz e/ou vídeo, através de conversas privadas, grupos ou canais. 

O aplicativo se tornou popular entre a comunidade gamer por ser uma boa opção de ponto de encontro, onde é possível jogar online ao mesmo tempo em que todos possam conversar juntos numa sala do Discord. Além de ter o streaming, que é quando uma pessoa transmite ao vivo a tela do seu computador para que outras pessoas possam ver o seu jogo. Outro ponto forte são as comunidades que se formaram. Existem servidores de diversos temas onde os usuários comentam sobre novidades, tiram dúvidas, dão dicas e até combinam de jogarem juntos. 

Como o Discord funciona

Para entender melhor como funciona, vamos primeiro passar pela estrutura. Se seus filhos usam a Discord, é importante saber desses detalhes.

  • Servidor: Os servidores são os espaços no Discord. São como se fossem cidades de um país. Eles são feitos por comunidades específicas ou grupos de amigos. Segundo o Discord, a grande maioria dos servidores é pequena e apenas para convidados, ou seja, são fechadas e precisam de autorização para fazer parte. Alguns servidores são públicos. Qualquer usuário pode criar um novo servidor gratuitamente e convidar seus amigos para fazer parte.
  • Canal: Os servidores são organizados por canais de texto e voz. Muitos servidores organizam os canais por tópicos específicos e podem ter regras diferentes. Nos canais de texto, os usuários podem postar mensagens, fazer upload de arquivos e compartilhar mensagens com outros usuários. Nos canais de voz, os usuários podem se conectar por meio de chamadas de voz ou vídeo em tempo real, além de poder compartilhar sua tela com os amigos. Também é possível mandar mensagens privadas para outros usuários e criar grupos de mensagem privados com até 10 participantes, onde o acesso é apenas por meio de convite. Também é possível criar canais privados com poucos usuários, onde apenas os participantes daquele canal podem visualizar as mensagens.

Discord é para criança?

De acordo com os Termos de Serviço, o Discord exige que as pessoas tenham no mínimo 13 anos para acessar o app ou site. Isso é feito através de uma confirmação da data de nascimento durante a criação de conta para acessar a Discord. Se o usuário tiver menos de 13 anos, a conta é bloqueada. Claro que muitas crianças sabem disso e colocam outra data de nascimento para que consigam criar a conta, assim como fazem em tantos outros sites e apps.

O Discord toma alguns cuidados para tornar a experiência dos seus usuários mais segura, sendo eles maiores de idade ou não:

  • Como já informamos, a maioria dos grupos do Disord são privados e apenas convidados podem entrar. 
  • Todas as conversas são opcionais, ou seja, cada usuário escolhe quem pode adicioná-los como amigo, quem pode enviá-lo mensagens e que tipo de conteúdo pode receber. 
  • O Discord não compartilha informações pessoais, incluindo informações de contato e conversas privadas. O app não pede um nome real no cadastro e não vende os dados dos usuários para anunciantes. 

Se o seu filho é menor de 13 anos e já usa o Discord, esteja ciente de que isso não está de acordo com as regras da plataforma. Talvez vocês possam chegar a um acordo de migrar para outra plataforma onde crianças sejam permitidas, mas sabemos que essa pode ser uma tarefa desafiadora. Se não tiver jeito e você não quiser proibir seu filho de jogar com os amigos através do Discord, é necessário ter mais atenção em alguns pontos. 

:: Leia também: ROBLOX: Como manter as crianças seguras no jogo ::

Configure para aumentar a segurança

O Discord não tem um controle parental, mas existem algumas configurações que podem deixar seus filhos mais seguros dentro do Discord. Para isso, abra o Discord e procure pelas Configurações de Usuários no menu, que tem o ícone de engrenagem, e depois clique em Privacidade e Segurança. Lá tem várias opções para ativar e/ou desativar. Aqui vão algumas dicas:

  • Mensagem Direta e Segura: Para menores de 18 anos, é indicado que a opção ativa seja Mantenha-me em segurança, onde é possível analisar as mensagens diretas de todos. 
  • Quem pode iniciar uma amizade com você: Aqui é indicado que esteja selecionada apenas a opção Amigos de amigos, para ter um maior controle de quem pode adicionar seus filhos, mas não podar totalmente o círculo de amizades. Se você preferir que apenas os membros do servidor possam adicioná-lo, também é possível, mas lembre-se: existem servidores de jogos em que há muitas pessoas. Você ainda pode escolher não selecionar nenhuma das opções. Dessa forma, seu filho estará fechado a receber qualquer solicitação de amizade, mas ele ainda poderá enviar solicitações para outras pessoas.
  • Bloquear outros usuários: caso tenha alguém incomodando seus filhos, é possível bloquear essa pessoa. O bloqueio de usuários impede que eles enviem mensagem para você e os remove da lista de amigos, além de ocultar as mensagens dessa pessoa em qualquer servidor compartilhado. Para fazer isso, basta clicar no @nomedousuário com o botão direito e selecionar Bloquear.

Como fazer uma denúncia no Discord

Se você ou os seus filhos viram alguma mensagem de ódio, ameaças, ou qualquer ato que vai contra as regras do Discord, é possível denunciar. Para isso, é necessário copiar o link da mensagem. Você consegue esse link clicando na mensagem com o botão direito do mouse. Escolha a  opção “copiar link da mensagem” e cole a mensagem por DM (Direct Message, quando manda uma mensagem diretamente para a Discord) ou pelo servidor da Discord, ambos dentro da plataforma. 

Também é possível enviar um e-mail através de um formulário contando o ocorrido. Aqui, na opção What we can help you?, escolha a opção Trust & Safety. Indicamos anexar prints (capturas de tela) da conversa e guardar os links da mensagem. Também é necessário que a mensagem seja escrita em inglês.

Texto: Luisa Scherer

NOTA DA EDITORA

O Discord foi feito para pessoas acima de 13 anos. Nessa idade, os adolescentes já têm mais maturidade para lidar com alguns assuntos como bullying, já notam com mais facilidade quando podem estar sendo enganados e têm mais noção de que qualquer pessoa pode estar do outro lado da tela. Crianças menores de 13 anos ainda não têm as habilidades necessárias para perceber alguns alertas neste meio. 

Apesar disso, o Discord é uma ótima plataforma para jogar online com os amigos, e sabemos que é uma das preferidas entre as crianças e jovens. Se seus filhos são menores de 13 anos e usam, cabe a cada pai permitir que continuem usando ou que tirem seus filhos do Discord. 

Acreditamos que é possível manter as crianças na plataforma, mas com olhos mais atentos. Para isso, certifique-se de que seus filhos conheçam na vida real todos os amigos do Discord ou tenha certeza de que são todos da mesma faixa-etária. Também é válido perguntar para seus filhos se podem marcar um dia de conversar com os pais desses amigos virtuais, para ter certeza de que são, de fato, da mesma faixa etária e alinhar algumas coisas com os pais “do lado de lá”. 

Caso seus filhos tiverem menos de 13 anos, sugerimos que não usem fones de ouvido quando estiverem no Discord. Dessa forma, é mais fácil para vocês cuidarem e perceberem o que está sendo dito nas salas e servidores que eles participam.

Mantenha um diálogo recorrente sobre os jogos e as experiências das crianças no Discord. Converse com eles, se interesse pelo o que jogam. Isso facilita caso seus filhos precisem da sua ajuda. E sempre fale sobre alguns cuidados que eles devem tomar, como não aceitar solicitações de amizade de quem não conhecem, de pedir a sua ajuda quando se depararem com algo incomum e este tipo de coisa.

Lembre-se que seus filhos e os amigos também podem criar servidores. Recomendamos esta leitura para criar um servidor seguro.

ROBLOX: Como manter as crianças seguras no jogo

Roblox é uma plataforma virtual que disponibiliza aos usuários uma série de possibilidades, como a criação de novos jogos e até jogar as produções de outros usuários

Segundo um relatório publicado pela Roblox Corporation em agosto deste ano, a plataforma chegou à marca de 48 milhões de jogadores ativos diariamente. O número é expressivo não apenas em quantidade de jogadores, mas também nas horas em que os usuários se conectam à plataforma: mais de 4 bilhões de horas foram jogadas no período analisado. 

Esse universo de possibilidades tem atraído muitas crianças e também a atenção dos pais. Nós já escrevemos um guia completo para pais e mães sobre alguns pontos de atenção que é necessário ter quando as crianças jogam Roblox. 

Neste artigo vamos falar de como tornar a experiência das crianças mais segura e entender um pouco mais como funciona a plataforma.

Como é feito o controle parental no Roblox 

O Roblox oferece algumas possibilidades de controle parental, como limitar as funções do chat, restrições de conta (para que o usuário acesse apenas conteúdo com curadoria de Roblox) e visibilidade de idade, que determina as configurações para crianças. 

Ativar as restrições de conta:

Clique na opção segurança (ou security), dentro de configurações (ou settings). Ao lado de restrição de conta (account restriction), mude a posição do botão para ativar a restrição. Ele ficará verde e aparecerá a seguinte mensagem na tela: “As restrições de conta estão ativadas” (ou account restrictions is currently enabled). Isso significa que você habilitou as restrições de conta.

Ao fazer isso, nenhum outro usuário poderá enviar mensagens, no aplicativo do Roblox ou no jogo, além de impossibilitar que a conta seja encontrada pelo número de telefone. Todas essas configurações podem ser ajustadas de forma individual, assim que as restrições forem ativadas. 

Bloquear usuários: 

Para bloquear usuários é muito simples: basta acessar o perfil do usuário que deseja bloquear, selecionar os três pontos no canto superior direito onde aparece o nome de usuário e informações de amigos. Um menu de opções aparecerá na tela e entre elas a opção bloquear usuário (ou block user). Ao selecioná-la, você bloqueia o usuário.

Como bloquear usuários dentro de um jogo: 

Também existe a opção de bloquear usuários dentro dos jogos. Na lista no canto superior direito da tela do jogo aparece a lista de jogadores, selecione o perfil que deseja bloquear e um menu abrirá na tela. Depois disso, escolha a opção bloquear usuário (block user). É possível também denunciar abusos diretamente neste mesmo menu, em Denunciar abuso (report abuse). 

Denunciar abusos através do botão de Denunciar abuso (report abuse) se faz necessário quando o usuário usa linguagem inapropriada ou aborda os outros jogadores de forma ameaçadora ou intimidadora

Ative configurações por PIN: 

O Roblox oferece aos pais de crianças uma outra possibilidade de segurança: a criação de um PIN associado à conta de e-mail dos responsáveis para bloquear as configurações do usuário. Para ativá-lo, é necessário clicar na engrenagem na página inicial do Roblox e depois em configurações (settings)

Depois de ter feito isso, digite o e-mail do responsável e a senha da conta da criança nos campos correspondentes. Depois clique em adicionar email (add email). Será enviado um e-mail de confirmação para o endereço que foi preenchido. Após feito esse processo de confirmação, é necessário atualizar a página das configurações para ativar o PIN. Para isso clique em código da conta (account PIN). Ao ativar o PIN, todas as configurações feitas no futuro terão que ser ativadas depois de inserir a senha criada. Todas as configurações ficam bloqueadas pelo PIN. 

:: Leia também: GUIA DE DISCORD PARA PAIS: como manter seus filhos seguros ::

Como funciona o Roblox

Agora que você já sabe como manter seus filhos mais seguros no Roblox, Vamos te explicar como o jogo funciona, para que você possa conversar com as crianças e participar da vida delas online também.

Como é feita a criação de jogos dentro do Roblox?

Antes de tudo é necessário um cadastro na página principal do Roblox. Depois disso você já terá acesso ao seu perfil principal, onde poderá mudar as informações pessoais, enviar e também receber mensagens, alterar a foto do perfil e criar seus próprios jogos.  

Instale o Roblox Studio: 

Para começar a criar os jogos é preciso baixar o programa Roblox Studio. É esse programa que possibilita a criação de jogos com os modelos de mapa e objetos disponíveis, que depois poderão ser publicados no perfil criado dentro do Roblox.

Escolha do mapa: 

Depois que o Roblox Studio for baixado, no menu inicial de criação estão localizadas opções de mapas, onde é possível também escolher um mapa temático – theme, ou jogável – gameplay. Os jogadores iniciantes na plataforma poderão escolher a opção gameplay, já que todo o visual e regras do jogo já estão estabelecidos. Neste modo são sete modelos disponíveis: Racing, Obby, Line Runner, Infinite Runner, Capture The Flag, Team/FFA Arena e Combat. É permitido fazer algumas edições, como mudar objetos, alterar o cenário de dia para a noite e personalizar o avatar. Na aba lateral, localizada na parte esquerda da tela, estão os botões para criar um novo mapa, assim como visualizar os mapas já criados.

Como alterar elementos dentro do jogo:  

Depois de selecionar a opção de jogo, é possível trocar elementos dentro dele, como objetos e avatar, clicando em Caixa de Ferramentas (toolbox). Nessa fase é possível deixar o jogo no estilo que o jogador imaginou. Para tanto, o usuário deve habilitar a caixa de ferramentas que fica na parte esquerda da janela. Através dela é possível adicionar objetos e escolher onde posicioná-los. Se quiser alterar a superfície do próprio objeto ou acrescentar efeitos, basta clicar em Modelo (model).

Crie jogos com a base de terreno pronta: 

Na opção Temas (theme), o usuário poderá criar um jogo a partir de uma base já pronta, onde existem os temas disponíveis: Base (Baseplate), Terreno Plano (Flat Terrain), Vila (Village), Castelo (Castle), Subúrbio (Suburban) e Corrida (Racing). Ao selecionar essa opção, os elementos de cada terreno são preenchidos de forma automática de acordo com as características de cada um deles. Apesar disso, os elementos também podem ser alterados.

Faça um jogo do zero: 

Para quem já tem um conhecimento na criação de games, o Roblox Studio também oferece a opção de criar um jogo do zero. Para essa criação, o mapa que deve ser escolhido é o Base (baseplate), que é uma modalidade de mapa “em branco”. Depois de selecioná-lo, o usuário poderá escolher o terreno e, a partir dele, selecionar os objetos, personagens, efeitos visuais e sonoros e as regras do jogo. Desta forma também será possível criar mecânicas de funcionamento do jogo com programação, especialmente de HTML. Existe uma aba chamada plugins, que disponibiliza um sistema para aqueles que conhecem programação, possibilitando dessa forma uma criação mais autônoma. 

Crianças que já tiveram ou têm aulas de programação e coding podem se beneficiar bastante deste modo do Roblox. 

Teste o jogo criado: 

Testar o jogo criado no Roblox Studio é uma parte extremamente importante no processo de criação. Para isso, clique no topo da janela do Roblox Studio e abra a barra de ferramentas chamada testar e depois em play. Agora é possível caminhar com o personagem pelo mapa, observando de uma forma ampla o jogo. Para sair do modo jogador basta clicar em stop. Ao fazer isso, o usuário voltará ao modo de edição. 

Avalie a experiência dentro do jogo, busque erros: 

Objetos colocados em lugares não estratégicos, que podem impedir os movimentos dentro do jogo, são alguns dos erros frequentes. É por isso que testar o jogo é extremamente importante, já que só dessa forma esses erros poderão ser corrigidos. 

Não esqueça de salvar o jogo: 

Depois dessas etapas chegou o momento de salvar o jogo e, assim como diversos outros tipos de trabalhos que realizamos utilizando programas, salvar uma cópia é essencial. Para isso, é preciso clicar em Arquivo (file) e depois em Salvar (save)

Publique o jogo criado: 

Agora que a cópia foi salva, chegou o momento de publicar o jogo. No menu superior, na aba Arquivo (file), o usuário deve clicar na opção Publicar no Roblox (publish to Roblox). A tela que aparecerá depois é aquela em que o gênero do jogo deverá ser escolhido, se ele será privado ou público, e outros detalhes como nome e os dispositivos em que ele vai estar disponível. Em seguida, basta clicar em Criar (create) para deixar o jogo online!

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

O Roblox é uma ferramenta incrível e pode ser muito benéfica para as crianças. Começando pelo fato de que é uma atividade ativa, onde a criança pode criar coisas novas ao invés de apenas consumir um conteúdo de forma passiva (um exemplo de forma passiva de consumir conteúdos é assistir a um vídeo, por exemplo). 

Com o Roblox, as crianças acessam jogos criados por outros usuários, o que acaba sendo um incentivo a criarem seus próprios jogos. O processo de criação de jogos envolve muito mais do que programação. É preciso pensar no objetivo do jogo, no formato, nos personagens, nas regras do jogo, em toda a parte visual e, claro, na parte técnica, que é a programação em si. Tudo isso precisa de organização e foco.

Através da construção de um jogo simples, as crianças desenvolvem muitas habilidades como planejamento, organização, habilidades narrativas, a habilidade de ver o projeto de uma forma mais global e logo partir para uma atividade onde é necessário foco em apenas um aspecto (chamamos isso de atenção global e atenção focal), além de muita criatividade.

Porém é uma plataforma onde várias pessoas têm acesso online e simultâneo, e existe um chat. Todos os jogos e plataformas que tem chat e tem crianças utilizando, uma luz amarela deve ser ligada. Isso porque pessoas mal intencionadas podem fazer contato com as crianças e tentar tirar proveito de alguma forma. 

Por isso, leia sobre Roblox (e todos os jogos e apps que seus filhos jogam), entenda como funciona e fique por dentro dos controles parentais para ativar o que for necessário para protegê-los dentro da plataforma.

Música ajuda o desenvolvimento do cérebro em bebês prematuros

A informação de que música clássica é bom para bebês têm circulado na internet e em grupos de pais. Mas será que o benefício é real? Se é especificamente música clássica, não sabemos. Mas um estudo feito nos Hospitais Universitários de Genebra comprovou que bebês prematuros tiveram um melhor desenvolvimento do cérebro ao ouvirem um tipo específico de música.

Os bebês prematuros que foram expostos à música na unidade de tratamento intensivo tiveram um melhor desenvolvimento de redes cerebrais, levando à uma arquitetura cerebral funcional mais parecida às dos recém-nascidos a termo.

O impacto no desenvolvimento do cérebro

Foi detectado que algumas áreas do cérebro dos bebês prematuros expostos à música tiveram um maior desenvolvimento. Isso impactou na percepção sensorial, nos mecanismos de atenção que facilita o aprendizado relacionado ao desenvolvimento cognitivo e perceptivo, no processamento afetivo e emocional, e nas respostas cognitivas e comportamentais.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Genebra e publicado em junho de 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Ao todo, 45 bebês participaram da pesquisa. 16 recém-nascidos a termo (que não nasceram prematuros) e 29 bebês prematuros recém-nascidos nos ambientes de terapia intensiva dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).

Dos 29 bebês recém-nascidos prematuros, 15 bebês eram do grupo de controle sem intervenção de música e 14 eram do grupo de controle com intervenção de música.

Segundo o artigo “Music in premature infants enhances high-level cognitive brain networks”, feito a partir dos resultados do estudo, os bebês prematuros que foram expostos a um certo tipo de música tiveram um aumento significativo no desenvolvimento das redes cerebrais em relação aos bebês prematuros que não tiveram contato com música.

O cérebro de bebês prematuros ainda são muito imaturos porque não se desenvolveram por completo no período de gestação que tiveram. Por isso, os bebês precisam ficar algum tempo na incubadora de uma unidade de tratamento intensivo para desenvolver mais.

Apesar das incubadoras imitarem o ambiente em que o bebê se encontrava no ventre da mãe, muito se perde no quesito de desenvolvimento. Segundo Petra Huppi, professora que dirigiu o trabalho da Faculdade de Medicina da UNIGE e chefe da Divisão de Desenvolvimento e Crescimento do HUG, “A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”.

A música

A música que os bebês prematuros tiveram contato foi composta exclusivamente para eles e para o estudo. Foi utilizado alguns instrumentos específicos como harpa, sinos e pungi, que produziram respostas cerebrais e comportamentais em recém-nascidos prematuros em um estudo anterior.

A música foi dividida em três faixas para se adaptar ao estado de vigília do bebê: uma que ajuda o bebê a acordar; a segunda interage com o bebê acordado; e a última que ajuda o bebê a dormir.

:: Leia também: A quantidade de carinho que bebês recebem pode afetar o DNA ::

Adolescentes, TikTok e redes sociais: como os pais podem ajudar no equilíbrio saudável entre o limite e a diversão

Você provavelmente ouviu falar no TikTok, a rede social que só cresce e se populariza entre todas as faixas etárias, mas principalmente entre adolescentes. Foi lá que começaram as dancinhas que se vê em todo lugar – e parece que vão continuar se popularizando por um bom tempo. 

No começo de julho Fernanda Rocha Kanner postou em suas redes sociais um longo texto falando sobre a experiência que teve com sua filha Nina, de 14 anos, no TikTok. Fernanda decidiu apagar a conta do TikTok de Nina, com cerca de 2 milhões de seguidores, e sua conta no Instagram. No texto de Fernanda, ela explica o motivo: não quer que a filha passe pela adolescência se emocionando com elogios ou com críticas de quem não conhece, além de achar que atrapalha na descoberta e busca pela individualidade da filha. 

O post viralizou e muitos se colocaram tanto contra quanto à favor da decisão e opinião de Fernanda. Achamos esse tema interessante para pensar no uso das redes sociais por adolescentes. Até onde pode? Esse limite é tão óbvio assim? Tirar o adolescente do TikTok vale a pena?

Diálogo, equilíbrio, regras e claridade

Nós achamos que tudo deve ser conversado. No final das contas, os adolescentes são responsabilidade dos pais e estes prezam pela segurança dos filhos. Pensando nisso, achamos que o melhor caminho é sentar com os filhos e discutir sobre até onde pode e quais são as consequências. Os adolescentes podem até ultrapassar esses limites (muito provavelmente vai acontecer), mas eles saberão que passou do combinado e que terão de lidar com as consequências.

Antes de tomar qualquer decisão, vale lembrar que a infância e principalmente a adolescência são fases onde queremos fazer parte de um grupo, queremos ser aceitos, percebidos, mostrar nosso valor e sentir que somos valorizados. Por isso que os adolescentes gostam tanto das redes sociais como o TikTok, com os likes, visualizações e seguidores. O excesso disso pode ser prejudicial, mas acreditamos que em todas as gerações de adolescentes havia um “fator perigoso”, algo que os adultos se preocupavam porque não conheciam direito, que não gostavam, ou não entendiam. 

Por isso, manter o diálogo é importante. Ok, adolescentes não gostam de conversar com os pais. Mas vale a forcinha nesse quesito, fica mais fácil de perceber quando seus filhos podem precisar de ajuda, além de reforçar que sempre têm o apoio dos pais. Veja bem: não é uma questão de convencimento para os filhos pensem como os pais, mas de clareza e entendimento nas regras e no que foi combinado.

Vale lembrar:

A idade permitida para usar o TikTok no Brasil e Estados Unidos é 13 anos. Usuários mais novos do que essa idade podem ter uma conta no app, mas não é permitido postar nenhum tipo de conteúdo. Infelizmente, essa regra não é muito efetiva, já que é possível criar uma conta colocando outra idade. E é claro que as crianças sabem disso e criam contas no TikTok e outras redes com datas de nascimento que permitem que postem conteúdos.

Algumas medidas podem ajudar na segurança online dos adolescentes no TikTok e outras redes

Deixar o perfil dos filhos privado:

Quando criamos uma conta no TikTok ou outra rede social, escolhemos entre dois tipos de perfil: o público ou o privado. O perfil público é quando qualquer pessoa pode visualizar seus conteúdos, onde você não tem controle de quem pode acessá-los. No perfil privado, apenas os seus amigos/seguidores podem ver o que você posta. Se alguém quiser ser seu amigo/seguidor, a pessoa precisa mandar uma solicitação e você precisa aceitar. Ou seja, você tem total controle das pessoas que acessam o seu perfil e seu conteúdo, e você sabe exatamente quem vê o que você posta. Ter um perfil privado impede que qualquer pessoa visualize o que o adolescente posta e que você acorde com 2 milhões de pessoas seguindo seus filhos nas redes sociais.

Apenas pessoas que seus filhos conheçam: 

Perfis privados no TikTok e outras redes sociais permitem que apenas as pessoas aceitas pelo dono do perfil podem visualizar o conteúdo. Por isso, leve como uma regra: só pode adicionar pessoas conhecidas.

Converse sobre exposição no TikTok e Instagram:

A internet ainda é um lugar de muitos julgamentos, inclusive sobre o corpo (seja lá qual for). Oriente que seus filhos não postem fotos íntimas, sensuais, ou que mostrem muito o corpo, por mais que eles não tenham essa intenção. Outros usuários podem interpretar de diversas maneiras e seus filhos podem ser alvos de slut-shaming (em tradução livre, seria um “tachar de vadia” por violar códigos de vestimentas ou socialmente aceitos) ou body shaming (termo usado para “vergonha do corpo” onde, na prática, é quando ridicularizam e fazem chacota do corpo de outras pessoas),  principalmente meninas. 

O slut-shaming é o ato de humilhar, diminuir e menosprezar uma pessoa, geralmente mulher, por sua vida sexual, pela forma que ela se veste, fala ou se expressa. Um exemplo é quando uma mulher usa uma roupa considerada curta e ouve xingamentos e comentários negativos sobre sua aparência, seu corpo e sua postura como mulher na sociedade. 

Já o body shaming é a fiscalização ao corpo alheio: o bullying quando a pessoa está muito gorda; muito magra; tem muita celulite; seios grandes; seios pequenos, etc. É o bullying na forma de pressão estética. O body shaming ocorre mais entre meninas do que entre meninos, mas é preciso ficar atento independente disso. 

Essas duas formas de bullying atingem o corpo dos adolescentes e pode contribuir para distorções perceptivas do próprio corpo e até distúrbios alimentares. 

Também vale orientar a não postar imagens de onde mora, do uniforme escolar, e coisas que podem identificar os lugares e rotinas de seus filhos. Além de informações pessoais como número de identidade, CPF, etc.

Faça uma conta no TikTok e acompanhe o que seus filhos fazem online (lembre-se de avisá-los que você está os seguindo):

Dessa forma, você consegue ver mais de perto o que eles postam e as pessoas que os acompanham. Muito provavelmente eles terão um grupo de “Melhores Amigos” no Instagram sem você, para postar coisas que não querem que você veja. Mas tudo bem, né? Não queremos dividir absolutamente tudo com todos.

Veja o que os adolescentes fazem nas redes:

Mergulhe nesse mundo e tente entender por quê seus filhos gostam tanto das dancinhas, se for importante para eles. Mostre que você tem interesse pelo que eles gostam. Não precisa se obrigar a gostar, mas demonstre que você tem interesse em conhecer o mundo deles e, principalmente, entender que isso tem valor para eles. Muitos adolescentes não querem que seus pais se interessem pelo que eles gostam, mas ficam mais tranquilos quando sabem que os pais entendem que aquilo é importante para eles. 

Não diminua o que eles gostam ou compartilham: 

Falar que as dancinhas (conteúdo bem popular no app) não servem pra nada ou qualquer tipo de julgamento sobre o que eles fazem traz uma carga muito negativa para o adolescente. Pense bem: se eles procuram por aceitação através disso, imagine como eles se sentem quando seus pais falam que isso é ridículo ou qualquer coisa negativa.

É muito fácil que adolescentes pensem de forma depreciativa sobre eles mesmos ao ouvirem seus pais falando de forma depreciativa sobre que eles gostam. Exemplo: “dancinhas são péssimas e eu gosto de dancinhas. Logo, sou péssimo.”, que é claro que não é verdade, mas é fácil de cair nisso já que é uma fase que a identidade está muito ligada a comportamentos e interesses. Além de tudo, isso afasta os pais dos filhos. Se seus pais vivem diminuindo as coisas que você gosta, porque você continuaria dividindo seus interesses, o que você faz e etc com eles? 

Com essas medidas, não será necessário tomar atitudes mais drásticas como excluir a conta dos seus filhos.

Caso as redes sociais dos seus filhos tomem proporções maiores do que você gostaria, o que fazer?

Nesse caso, excluir a rede social é uma opção, mas saiba que seus filhos não irão gostar da decisão e podem sentir que você não valoriza o que eles trabalharam tanto. Acreditamos que é possível tentar algumas coisas antes de tomar uma medida mais drástica:

  • Deixar o perfil privado e diminuir as publicações ou até não aparecer por um tempo: sim, a conta ainda terá muitos seguidores, mas impedirá que cheguem novos. E com a diminuição de conteúdo, os seguidores naturalmente também diminuem. 
  • Se tiver conteúdos que você acha perigoso, deixe claro que seus filhos não poderão mais postá-los. Também vale excluir esses conteúdos que você considera perigoso.

Caso você ainda opte por excluir as redes sociais deles, deixe que se despeçam do seu público. Muitos adolescentes consideram seus seguidores como uma rede de apoio e até mesmo como amigos. Ajude-os a fazer um texto e a gravar vídeos se despedindo e informando a seus seguidores o que irá acontecer. 

Sabemos que a adolescência é uma fase em que os filhos não querem os pais por perto, e tudo bem. Mas é importante cuidar e acompanhá-los, sem sufocar ou invadir a privacidade. Esperamos que todos consigam levar tudo isso de forma mais saudável.

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Jogo “Fato ou Opinião” ajuda crianças a identificarem fake news

As chamadas fake news, que são notícias que contém opiniões passadas como verdade ou informações falsas, são compartilhadas por muitas pessoas centenas de vezes, principalmente por meio das redes sociais. Esses dados e informações, por vezes, são interpretados por aqueles que as veem como um fato inquestionável. Diante dessa grande quantidade de notícias compartilhadas a todo minuto, como podemos identificar quais são verdadeiras e quais são falsas? Vamos te apresentar o jogo Fato ou Opinião, que é bem legal para ajudar as crianças identificarem as fake news!

Samantha Diegoli, diretora da escola Avalon, de Florianópolis, compartilhou um jogo simples e muito útil para as crianças desenvolverem as suas capacidades de observação e discernimento mental para identificar essas fake news, além de auxiliar no manejo emocional. Esse jogo é útil para os adultos também, já que as fake news chegam a todos nós.

No vídeo publicado no YouTube da Avalon, Sami fala do jogo: “nós ensinamos as crianças a não engolirem uma informação só porque alguém importante falou ou porque foi de algum site, ou da Wikipédia. Nós dizemos: vamos buscar as evidências. A é um fato e B é uma opinião. Vamos buscar o A atrás desse B”.

Ela explica também que o jogo é muito interessante para trabalhar a emoção. “Quando estamos falando de interpretações, normalmente o nosso estado emocional fica muito mais ativo. Inclusive, as discussões que temos, sejam no trabalho ou em casa, normalmente é uma opinião querendo convencer a outra pessoa de qual das duas é verdade, mas não é nenhuma das duas. Então envolve muito o emocional, ativa muito o emocional. Quando chegamos em um fato, o emocional acalma. Então nós usamos muito isso para inclusive para trabalhar o emocional”. 

Antes de ensinar sobre o jogo especificamente, vamos apresentar algumas definições. 

O que é um fato? 

O fato é algo que é possível visualizar e que as pessoas, junto comigo, conseguem ver a mesma coisa. Ou seja, um fato pode ser visto por todos de forma igual. 

Se eu descrever esse fato ou outra pessoa descrever o fato, teoricamente, se for um fato, a descrição vai ser a mesma. 

O que é uma opinião? 

A opinião é uma interpretação, ou seja, é uma descrição com um “toque pessoal”.

A opinião pode ser uma descrição, mas contém uma opinião pessoal em cima dela. A interpretação ou a opinião dá margem para que outra pessoa diga “Eu não estou de acordo”.

Exemplo: “Hoje está muito quente”. Essa informação é um fato ou interpretação/opinião? 

Se você pode responder “Eu não acho”, é uma interpretação. Então, “Hoje está muito quente” é uma interpretação pessoal, de como alguém está sentindo o dia. 

O que seria um fato se aplicado nesse contexto? 

O fato seria se hoje estivesse marcando 35ºC no termômetro. Dessa forma, podemos concluir que um fato é quando todos podem ver o mesmo. 

Qualquer pessoa que disser “eu não acho que está calor”, nós podemos ver a temperatura e notar o que é fato, que é a temperatura, que todos podem ver a mesma coisa. A descrição desta temperatura, ou seja, se está calor ou não está calor, é uma sensação e uma opinião pessoal, não um fato. As pessoas podem estar vendo a mesma temperatura no termômetro, mas uma pode estar com calor, e a outra, não.

Podemos dizer então que, diante de uma opinião, podemos discordar daquilo que foi dito. 

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Vamos treinar “Fato ou Opinião”? 

Abaixo há algumas frases e você pode dizer se é um fato ou uma interpretação. 

Vamos imaginar juntos um tablado de madeira e uma gata em cima desse tablado. Em volta dela há algumas flores, árvores e um gramado. Essa imagem será útil para ilustrarmos os exemplos a seguir. 

Exemplo 1:

“Olha gente, que gata mais fofinha.” Fato ou opinião? 

A gatinha fofinha é uma opinião. Mesmo que muitos de nós tenham imaginado a gata fofinha, continua sendo várias opiniões. 

Lembre-se: várias opiniões iguais não transformam essa opinião em um fato, elas continuam sendo opiniões. 

Exemplo 2:

“Tem uma gata muito fofa aqui do meu lado.” Fato ou opinião?

Que a gata está do meu lado é fato. Se ela é muito fofa, como já vimos, é uma opinião. 

Exemplo 3:

“Olha só sente, a gata está curtindo a natureza e sentindo o cheiro das flores.” Fato ou opinião? 

A gatinha curtindo a natureza é totalmente uma opinião, pois não sabemos o que ela está fazendo ali, se ela viu um besouro ou algum outro animal. Então é uma opinião. 

Exemplo 4:

“Essa gatinha que se chama Lua subiu aqui em cima do meu tablado.” Fato ou opinião? 

Com essa frase nós podemos pensar: será que essa gata se chama Lua? Se vocês quiserem comprovar que é um fato, é necessário perguntar o nome dela a sua dona ou a alguém que a conheça. Mas sim, a gatinha se chama Lua, então é um fato. 

A segunda parte da frase: “Ela subiu aqui em cima do meu tablado”. Na verdade, parece muito um fato, mas ninguém sabe se ela subiu ou se alguém a colocou ali. Ela realmente subiu, é um fato, mas quem não viu ela subindo não vai saber como ela foi parar nesse local. 

Exemplo 5:

“A gatinha está deitada ali em cima do tablado de madeira.” Fato ou opinião? 

É um fato, já que todos podem ver que a gata está deitada sobre um tablado de madeira. 

Agora vamos para o jogo “Fato ou Opinião”

O jogo pode ser feito em família ou com várias pessoas, e a ideia é que possamos falar frases para o outro analisar e dizer se é um fato ou uma opinião. Ele pode ser praticado em casa ou quando se está no carro, já que ao redor estão acontecendo coisas que poderão ser usadas como elementos do jogo. 

Vão sendo ditas frases e a criança vai adivinhar ou deduzir se isso é um fato ou se é uma opinião. Um exemplo: “Olha, tem uma mulher de camiseta vermelha sentada naquele banco.” Fato ou opinião? Ou pode-se dizer também: “Olha, que mulher magrinha”, isso é fato ou opinião? E assim a brincadeira segue. 

No começo são indicadas frases mais simples. De início pode-se fazer cinco frases que sejam fatos e depois outras cinco frases que sejam opinião. 

Na medida em que pais e crianças vão ficando mais experientes no jogo, nós começamos a falar uma opinião como se fosse um fato para pegar o outro. Cada vez que acertamos ganhamos pontos e quando não acertamos o outro ganha pontos e nisso consiste o jogo. 

Exemplo no nível 1 do Fato ou Opinião:

Estamos andando de carro e vejo uma pessoa passando de bicicleta e digo: “Tem uma mulher andando de bicicleta aqui na rua.” Fato ou opinião? A resposta é um fato, porque não contém nenhuma opinião ou interpretação. 

E como seria um nível 2 do Fato ou Opinião

Exemplo: “Olhem, essa mulher está andando de bicicleta aqui na rua para emagrecer.” Fato ou opinião?

Nesse caso a criança tem que identificar que foi utilizado um fato, já que uma mulher está andando de bicicleta, mas depois disso foi inserida uma opinião. Ou seja, metade é fato e a outra metade é uma opinião e por isso esse é um nível mais avançado. 

Dica importante: existem algumas palavras ou expressões, que quando elas aparecem, podemos ter certeza de que não é um fato. Algumas dessas expressões são: sempre, nunca, tudo, nada, todo mundo, ninguém, tal coisa deveria ser. Sempre que existem essas palavras, podemos dizer que é uma opinião. 

Bom jogo e se divirtam!

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Débora Nazário

Importância da mentira, da fantasia e da imaginação na infância

Quem já ficou surpreendido com uma história contada por alguma criança? Uma narrativa de fantasia e imaginação cheia de detalhes e um enredo repleto de elementos quase inimagináveis

Provavelmente a sua resposta é sim. É muito comum que as crianças contem histórias com muitos detalhes para aqueles que convivem. 

As histórias e suas perspectivas vão mudando de acordo com a idade, pois elas acompanham o desenvolvimento dos pequenos. A capacidade de criar essas narrativas muda e vai ganhando novas formas e camadas. 

A infância é um universo muito propício para a imaginação, pois é a fase da vida onde aprendemos, observamos tudo e percebemos o mundo e os outros à nossa volta. Quando criança, percebemos e sentimos frustração, alegria, tristeza e vários outros sentimentos que nem sabemos nomear. 

As perguntas que ficam são: esses comportamentos, que são muito comuns na rotina das crianças, devem ser estimulados? Qual é a importância deles na infância? Eles podem contribuir com o processo de aprendizagem e autonomia? Vamos falar sobre esses e outros questionamentos abaixo, acompanhe!

O faz de conta como forma de expressão

É legal ver em quais momentos as narrativas cheias de imaginação são construídas pelas crianças e perceber aquilo que as deixam confortáveis. Dessa forma, será mais fácil entender qual é o “recado” que elas querem dar. Algumas vezes também não vai existir um “recado”, mas sim uma expressão do que elas enxergam e como conseguem externalizar as suas percepções

Segundo Deborah Moss, que é neuropsicóloga, especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento, em entrevista concedida ao Portal Viver Bem da UOL, afirmou que “as crianças podem usar sua imaginação para criar um ou mais companheiros de brincadeiras e conceber cada um deles de uma maneira particular, para externalizar suas relações, o que sentem, ou aprendem no dia a dia. Essas representações têm a ver com entrar em contato consigo mesmo”. 

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Inventar diálogos: 

As crianças em diversas situações repetem aquilo que ouvem dos adultos. Muitas vezes elas dão voz a objetos e reproduzem os discursos que escutam. Elas usam a imaginação e criam diálogos entre esses objetos, inventam situações e também acabam encontrando soluções para os conflitos que elas próprias criaram. 

Essas brincadeiras são extremamente positivas pois enriquecem o vocabulário, treinam a fala e estimulam a capacidade de lidar com conflitos, mesmo que sejam todos de brincadeira. 

Amigos imaginários: 

É comum que crianças tenham amigos imaginários que os acompanham nas atividades do dia-a-dia.  

Durante muitos anos, os amigos imaginários foram associados com faltas de habilidades sociais, mas isso é um grande erro segundo a opinião da professora emérita Marjorie Taylor, da Universidade de Oregon.

De acordo com Marjorie, esses amigos podem variar em relação à personalidade e nível de conexão com a rotina das crianças. Alguns são personagens de filmes, brinquedos reais, a própria imagem no espelho, partes do corpo, desenhos e outros, que trazem para a própria imaginação. O período de existência deles pode ser variável chegando a durar poucos dias ou até anos. 

Segundo a professora, os amigos imaginários podem ajudar a criança a lidar com problemas emocionais ou medos. Ela também disserta sobre como as crianças que têm amigos imaginários não apresentam desvantagens em cognição social, diferente do que muitos acreditavam há alguns anos. 

A tese de mestrado”A criação de amigos imaginários: um estudo com crianças brasileiras“, de Natália Benincasa Velludo, traz evidências de que “a criação de amigos imaginários não se associa a déficits em desenvolvimento, e pode inclusive ser um preditor de habilidades mais sofisticadas, como por exemplo, um vocabulário mais desenvolvido”. 

Ou seja, diferente do que a nossa cultura prega, crianças com amigos imaginários não têm problemas com atenção ou com atraso de desenvolvimento, e que essas crianças podem apresentar vocabulários mais robustos.

Desenvolvimento da autoconfiança 

Por meio de histórias e criatividade, as crianças podem criar personagens imaginários fortes, valentes e conseguem lidar com diversas situações. Quando os pequenos entram em contato com esses personagens, eles podem se “espelhar” nessas histórias e superar os seus medos e angústias com a ajuda desse incentivo. 

A psicóloga Sally Goddard Blythe e autora do livro The Genius of Natural Childhood: Secrets of Thriving Children afirma que “a imaginação é a capacidade de criar imagens visuais no olho da mente, o que nos permite explorar todos os tipos de imagens e ideias sem ser restringidos pelos limites do mundo físico. É assim que as crianças começam a desenvolver habilidades de resolução de problemas, surgindo com novas possibilidades, novas maneiras de ver e ser, que desenvolvem importantes percepções de pensamento crítico que ajudarão a criança por toda a vida.”

As crianças e as mentiras

Crianças mentem, independentemente da criação ou dos exemplos dos pais. Muitos defendem que crianças mentem para se defender, para fugir de uma situação que não querem enfrentar ou para conseguir o que desejam. E sim, isso acontece, mas não somente por isso. Os motivos pelos quais crianças mentem vão muito além e fazem parte do desenvolvimento cognitivo, da linguagem e da noção de realidade das crianças. 

Existem evidências de que o comportamento de contar mentiras na infância tem relação com o funcionamento executivo. Segundo um estudo publicado em 2008, as habilidades do funcionamento executivo surgem no final da primeira infância e vão se desenvolvendo ao longo de toda a infância, uma época em que os pesquisadores notaram aumento na habilidade de contar mentiras. 

Foi sugerido que o controle inibitório (capacidade de suprimir processos de pensamento ou ações interferentes) e a memória de trabalho (sistema para reter e processar temporariamente informações na mente) podem estar diretamente relacionados às mentiras das crianças. Ao mentir, a criança deve suprimir o relato da transgressão que deseja esconder, e representar e proferir a informação falsa que difere da realidade.

Para manter suas mentiras, as crianças devem inibir aqueles pensamentos e afirmações que são contrárias à sua mentira e que revelariam sua transgressão, mantendo na memória o conteúdo da mentira. Assim, para contar mentiras e mentir com sucesso, as crianças devem ser capazes de manter alternativas conflitantes em sua mente (ou seja, o que elas realmente fizeram / pensaram e o que disseram que fizeram / pensaram). 

Muitas mentiras contadas pelas crianças não têm um motivo aparente. Ou seja: não é para conseguir algo, para fugir de uma situação ou para chamar atenção. Elas mentem porque isso faz parte do processo de crescer. Crianças não sabem o conceito de moral e é durante a infância que experienciam algumas coisas relacionadas a isso. E mentir é um dos caminhos que as crianças naturalmente encontram para vivenciar esses conceitos sociais. A mentira têm um aspecto diferente para cada idade das crianças:

Crianças de 2 a 4 anos

Nessa idade, as habilidades de linguagem estão surgindo e as crianças ainda não sabem exatamente onde a verdade começa e termina. Nesse período, elas não conseguem manter as mentiras que contam.

As crianças menores também têm uma compreensão bem instável da diferença entre realidade, devaneio, desejos e vontades, fantasias e medos.

Ou seja, quando a criança é confrontada com algo que ela pegou sem permissão e ela nega, ela pode expressar o desejo de que não gostaria de ter pegado ao dizer que não pegou, muito por uma limitação de linguagem. 

Crianças de 5 a 8 anos

Entre as idades de 5 a 8 anos, as crianças contam mais mentiras para testar o que conseguem fazer, especialmente mentiras relacionadas à escolas – aula, deveres de casa, professores e amigos. Manter as mentiras ainda pode ser difícil, embora elas estejam se tornando cada vez melhores em escondê-las.

Segundo a psiquiatra pediátrica Elizabeth Berger, “os regulamentos e responsabilidades desta idade costumam ser demais para as crianças. Como resultado, as crianças muitas vezes mentem para apaziguar as forças que parecem exigir mais desempenho do que podem reunir”.

Crianças de 9 a 12 anos

A maioria das crianças dessa idade está no caminho certo para estabelecer uma identidade de esforçada, confiável e consciente. Mas elas também estão se tornando mais hábeis em manter mentiras e mais sensíveis às repercussões de suas ações, e podem ter fortes sentimentos de culpa depois de mentir.

Conversas diretas e mais longas sobre honestidade são definitivamente necessárias, pois haverá raros momentos de “mentirinha” em que alguma desonestidade é aceitável para ser educado ou poupar os sentimentos de outra pessoa.

Como lidar com as mentiras dos pequenos?

Enquanto mentir faz parte do desenvolvimento normal de uma criança, pais e educadores podem dar suporte para as crianças em três sentidos, segundo um artigo do Neuroscience:

Primeiro, evite punições. Um estudo comparou uma escola que usava correções punitivas (como bater com um pedaço de pau, estapear e beliscar) e uma escola que usava correções não punitivas, alunos da escola com punições punitivas eram mais prováveis de serem mentirosos eficazes. Ou seja, quanto mais você punir, mais a criança vai mentir para ficar fora dessa situação. Crianças inseridas em famílias que dão grande ênfase ao cumprimento das regras e não ao diálogo também relatam mentir com mais frequência. 

Em segundo lugar, discuta cenários emocionais e morais com as crianças. Este “treinamento emocional” apoia a compreensão das crianças e quando as mentiras são mais prejudiciais, como elas afetam os outros e como elas mesmas podem se sentir quando mentem. 

E por último, certifique-se de que a mentira é realmente uma mentira. Como já mencionamos, as crianças muito pequenas tendem a misturar a vida real e a imaginação, enquanto as crianças mais velhas e os adultos frequentemente se lembram dos argumentos de maneira diferente.

Por Débora Nazário e Luisa Scherer