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Resiliência: Como É Desenvolvida Nas Crianças e Como Pode Afetar Positivamente a Vida Adulta

A resiliência é a habilidade de superação e retorno da homeostase em meio a adversidades e pode ser desenvolvida desde quando crianças. Na vida adulta, a resiliência é importante para superar os obstáculos da vida de forma inteligente e gentil consigo mesmo. 

A história Fátima, do Truth and Tales, conta sobre a vida de Fátima, a personagem principal que passa por várias dificuldades, mas sempre se levanta dos obstáculos e segue seu caminho. O conto não aborda a questão da resiliência em si, mas é uma característica predominante de Fátima, mostrando como ela lida com todas as adversidades, tristezas e frustrações ao mesmo tempo que continua perseguindo seus objetivos.

Vamos entender mais sobre resiliência? Baseamos nosso artigo em vários materiais do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard. 

O que é Resiliência

Resiliência pode ser definida como um bom resultado em meio às adversidades. Linda C. Mayes é professora de Psiquiatria Infantil, Pediatria e Psicologia na Escola de Medicina da Universidade de Yale. Linda define resiliência como a habilidade ou conjunto de capacidades definidas para uma adaptação positiva que permite que o equilíbrio seja mantido.

Todos nascemos com a capacidade de resiliência, mas por ser uma habilidade, é necessário que seja desenvolvida. A resiliência é construída com o tempo, assim como a arquitetura do cérebro é formada. É uma habilidade individual, mas que precisa de interações entre pessoas e entre a criança e a comunidade em geral. A resiliência necessita de vários fatores para ser desenvolvida: relações responsivas, comunidade segura, pais, mães ou responsáveis qualificados, alimentação saudável etc. 

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Como é Desenvolvida

Para entender o desenvolvimento da resiliência de forma mais precisa, vamos imaginar uma gangorra onde sua base, geralmente fixa e no centro, agora é móvel, podendo ir para a esquerda ou para a direita. De um lado da gangorra estão as experiências protetoras e habilidades de enfrentamento (que nos ajudam a superar períodos de estresse); do lado oposto, estão as adversidades. 

A resiliência é evidente quando a saúde e o desenvolvimento da criança tendem a resultados positivos, mesmo quando uma carga de fatores é empilhada no lado dos resultados positivos da gangorra. Com o tempo, os impactos positivos cumulativos das experiências de vida e habilidades de enfrentamento têm a capacidade de mudar a posição da base móvel da gangorra, que começa a se mover para mais perto do extremo das adversidades, tornando mais fácil atingir resultados positivos.

O fator mais comum para crianças desenvolverem resiliência é ter pelo menos uma relação estável e comprometida com o pai, mãe, cuidador ou outro adulto. Essas relações fornecem base, proteção e o necessário para desenvolver a capacidade de resposta de acordo com a necessidade do momento. Isso amortece as crianças da interrupção do desenvolvimento. 

Elas também constroem capacidades chave – como habilidade de planejamento, de monitorar e regular comportamentos – que permitem que crianças respondam adaptativamente às adversidades e, assim, prosperem. Essa combinação de relações de apoio, construção de habilidades adaptativas e experiências positivas são as fundações da resiliência. 

Crianças que se saem bem frente a sérias dificuldades geralmente têm resistência a adversidades e relações fortes com adultos importantes da família e da comunidade em que vivem. Resiliência é o resultado da combinação de fatores de proteção. Sozinhas, nem características individuais ou ambientes sociais garantem resultados positivos para crianças que passam por períodos prolongados de estresse tóxico. É a interação entre a biologia e o ambiente que constrói a habilidade da criança de lidar com as adversidades e superar as ameaças rumo a um desenvolvimento saudável.

Resiliência Apenas na Infância?

As capacidades relacionadas à resiliência podem ser fortalecidas em qualquer idade. O cérebro e outros sistemas biológicos são mais adaptáveis no início da vida. Enquanto seu desenvolvimento estabelece as bases para uma ampla variedade de comportamentos resilientes, nunca é tarde para construir resiliência. 

Atividades que promovem saúde e apropriadas à idade podem melhorar significativamente as chances de recuperação de um indivíduo de experiências indutoras de estresse. 

Por exemplo, atividades físicas regulares, práticas de redução de estresse, e programas que ativamente constroem funções executivas e habilidades de auto-regulação melhoram as habilidades de crianças e adultos para lidar, se adaptar e até prevenir as adversidades que podem acontecer ao longo da vida. 

Adultos que fortalecem essas habilidades em si mesmos podem servir de modelos e mostrar de forma mais efetiva comportamentos saudáveis para seus filhos, melhorando assim a resiliência da próxima geração. 

A Resiliência de Fátima

Diante dos percalços ocorridos na vida de Fátima, que é uma das histórias do aplicativo Truth and Tales, muitas pessoas podem interpretar que a personagem é uma pobre coitada perseguida pelo azar e vítima de tantas situações. Porém, Fátima demonstra muito poder e sabedoria ao encarar e ultrapassar os desafios. A capacidade de Fátima de dar a volta por cima dos desafios, apesar das dores, cansaço e adversidades, é fruto da resiliência. 

Histórias em que há desafios e frustrações é importante para que as crianças tenham contato com adversidades sem vivê-las na própria pele. Isso ajuda a prepará-las para enfrentar situações desafiantes no contexto de suas vidas.

Texto: Luisa Scherer

Referências:

Resilence – Center on the Developing Child – Harvard University

In Brief: What is Resilience? – Center on the Developing CHild – Harvard University

Stress and Resilience: How Toxic Stress Affects Us, and What We Can Do About It – Center on the Developing Child – Harvard University

Adaptação Escolar: Como Preparar as Crianças e os Pais

Diversos acontecimentos pelos quais passamos durante a infância ficam registrados na nossa memória, e o primeiro dia na escola pode ser um deles, tanto para as crianças quanto para os pais. Essa fase de adaptação escolar envolve não só conhecimentos relacionados à educação e à construção de relações, mas também é repleta de aprendizado e desenvolvimento das crianças. 

Tudo é novo e, para muitas famílias, a ida das crianças para a escola significa a experiência de conviver em outro contexto que antes era formado apenas por pequenos núcleos familiares e de amigos. 

Diante de todas essas transformações, não são só as crianças que passam por um processo de adaptação. Os pais também encaram emoções que não haviam experimentado antes. 

Neste artigo nós vamos dar algumas dicas essenciais sobre como se preparar para a primeira ida na escola, continue a leitura! 

Preparação dos Pais

A pedagoga Paula Strano, que é uma das fundadoras da Plataforma Ler o Mundo, falou sobre a importância de compreendermos também o lado dos adultos na adaptação escolar, mais precisamente da mãe, em artigo publicado na Isto É.

“O processo traz grandes expectativas, principalmente por parte das mães, que devem ser compreendidas e acolhidas para que transcorra da melhor maneira possível. Digo da melhor maneira possível pois cada processo de adaptação é singular, cada criança tem seu tempo e esse é o primeiro ponto importante dessa reflexão.” 

A terapeuta familiar e proprietária da Blueprint Mental Health, Michele Levin, em entrevista para a Healthline, também explicou sobre esse processo para os pais.

“É normal que os pais tenham dificuldade com eles mesmos em fazer a transição quando seus filhos começam o jardim de infância, para muitas famílias, esta é a primeira vez em que se perde algum controle.”

Portanto, as dificuldades podem ser relativas à preocupação com os filhos estarem diante dessa nossa realidade ou a insegurança sobre como será esse processo. A terapeuta explica que alguns pais podem precisar de mais apoio do que outros para se ajustarem à mudança. E nesse sentido, se você for um pai ou responsável que está vivenciando e se identifica com essa situação, o mais indicado é conversar sobre esse assunto antes de qualquer coisa. 

Falar com outros pais que estão passando pelo mesmo e entender como funcionam as dinâmicas na escola são algumas medidas que podem trazer mais segurança e tranquilidade para os pais neste momento. 

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A Adaptação Escolar Para Crianças Menores

Com crianças pequenas, vale levar a criança na escola antes de começar as aulas, e, que você possa participar mostrando o ambiente, brincando com ela, e conhecendo alguns funcionários, sem a pressão de ter outras crianças por perto e de começar a aula. 

Quando de fato as aulas começarem, tenha em mente que seus filhos ainda não têm uma noção de tempo completamente formada. Uma frase como “a mamãe já volta, mais tarde a gente se vê” pode não significar nada para crianças pequenas, pelo simples fato de que elas não entendem o que quer dizer “depois”. Elas só conseguem entender que seus pais não estão com ela, e isso as assusta.

Segundo Luiza Elena L. Ribeiro do Valle, que é psicóloga e mestre em Psicologia Escolar e Educacional, “a educação infantil é uma fase de grande desenvolvimento das habilidades de aprendizagem, porque, nesse período, há uma grande aceleração no surgimento de conexões neurais, construindo a personalidade que, indelevelmente, guardará marcas… E podem ser boas, não é? As crianças pequenas assimilam mudanças com muita facilidade e repetem comportamentos como espelhos sociais. Espera-se que possam ver humanismo, colaboração e apoio mútuo, inclusive entre pais e escola”, explica

Devemos lembrar também que as crianças só começam a entender a sequência dos dias da semana de forma clara entre 4 e 5 anos. Por isso, se seus filhos forem mais novos, não adianta conversar com eles sobre a escola antes de acontecer, porque provavelmente eles não vão entender. Isso pode gerar uma ansiedade desnecessária, podendo piorar mais do que ajudar. 

A ida até a escola vai ser uma grande mudança na rotina das crianças menores. Novas relações vão ser criadas com os colegas, professores e outros funcionários da escola, relações essas que não existiam antes. 

As crianças também passam a conviver em um ambiente novo com regras muito diferentes daquelas às quais estavam habituadas e essa transição pode ser diferente de criança para criança. 

Cisele Ortiz, psicóloga e coordenadora do Instituto Avisa Lá, de São Paulo, em entrevista para o Portal Nova Escola, sugere que não existe um tempo determinado para essa transição. “Em geral, o período inicial da adaptação dura entre uma ou duas semanas, mas depende da criança, da família e de suas experiências anteriores relacionadas às separações que enfrentamos na vida”. 

O Momento da Despedida na Adaptação Escolar

O momento da despedida na escola costuma ser difícil, tanto para as crianças quanto para os pais. Muitos adultos esperam a criança se distrair para então saírem da sala, mas isso pode causar muito desconforto para os pequenos. 

Cisele explica ainda que a despedida é fundamental para a adaptação:

“Por mais difícil e doloroso que seja para ambos, construir uma relação com os filhos pautada na confiança e na honestidade é sempre melhor. A clareza da despedida é saudável e necessária”

A adaptação escolar de crianças pequenas varia de acordo com a cada uma, mas os pais precisam saber que, no início, talvez seja necessário que fiquem com seus filhos em sala de aula. Pode ser que seja o dia todo ou metade do turno: quem vai determinar a necessidade é a criança. Você vai diminuindo a sua presença à medida em que ela for se sentindo mais confiante. 

“Na pré-escola, as crianças são ávidas por fazer amigos, já falam bem e têm mais autonomia”, explica Cisele. Sua adaptação costuma ser mais tranquila e pode ser realizada em pequenos grupos de duas ou três crianças para facilitar sua integração. Mesmo assim, a presença dos familiares não deve ser dispensada. Nos primeiros dias, eles podem ajudar os pequenos a se ambientar ao local e ao tempo de execução das atividades.

Hora de Dizer Tchau

O ideal é ter um equilíbrio entre se despedir como sendo um grande acontecimento e sair de fininho no período de adaptação. Marcia Tosin é psicóloga especialista em psicoterapia comportamental e fundadora do Movimento Neurocompatível, um movimento de ativismo pelo desenvolvimento infantil que reúne pais, mães e profissionais interessados nas condições ideais pelas quais os cérebros humanos se desenvolvem e funcionam. É fundamentada pelas ciências: Psicologia Evolutiva, Antropologia e Neurobiologia. Em seu Instagram, que reúne mais de 800 mil seguidores, Márcia fala que não é necessário enganar a criança, mas também não precisa fazer um ritual de desligamento. 

“… A reação de desamparo que a criança sente é pela resposta de um cérebro muito antigo que desestabiliza sem a figura de referência, e não porque ele não foi “avisado” que você sairia.”

Marcia propõe um exercício para entender melhor como funciona o nosso cérebro: imagina que você, adulto, vai fazer uma cirurgia invasiva. Mesmo que você saiba que apenas 0,9% das pessoas morrem numa cirurgia como essa, seu cérebro diz que você fará parte dessa estatística. Isso acontece porque o nosso cérebro está sempre com a bússola voltada para o risco. O médico pode te encher de informações úteis e te falar muitas coisas para tentar te acalmar, mas o sistema límbico funciona sozinho e te joga para o pior resultado. 

Outro exemplo é quando estamos sozinhos em casa e ouvimos um barulho. Pode não haver risco nenhum, mas o cérebro avisa que pode ser um predador.   

“Ele te prepara para o pior: tira sangue das extremidades caso o predador arranque sua mão e não você não sangre até morrer; eriça seu pelo para que você pareça maior; aumenta o fluxo sanguíneo nas regiões que você precisa usar para lutar ou fugir; secreta suor para você ficar mais escorregadio e para estabilizar a temperatura; você ficará mais ofegante para aumentar a disposição de oxigênio. Temos um organismo que age antes que você pense.”

Quando a criança fica na escola pelas primeiras vezes, sozinha, esse sistema dispara, e então ela chora. E esse sistema funciona independente do que os pais falam. Adaptação escolar é para acalmar esse estado de resposta. Não existe um modelo único de adaptação escolar, mas é necessário saber que esse sistema existe. Não é “manha” nem falta de frustração.” 

Em relação ao nervosismo ou ansiedade dos pais atrapalharem a adaptação da criança, Marcia explica que isso não atrapalha, mas protege. “Temos que acreditar que os pais sofrem em deixar seus filhos longe e não há nada de errado com isso.”

Atenção aos Sinais na Adaptação Escolar

Caso a criança apresente choro constante ao chegar o horário de ir para a escola, ou outros sinais de angústia extrema, os pais devem ficar atentos. Marcia Tosin usou a sua conta do Instagram para falar sobre essa questão.

“Não se deve atribuir causalidade de “problema” a esses comportamentos. Isso aumenta a culpa dos pais. Elas são apenas pessoas pequenas que precisam de mais tempo para construir apego e se sentirem seguras nessa transição”

A pedagoga Ana Paula Yazbek, colunista do Portal Papo de Mãe, do UOL, também escreveu sobre o assunto.

“Cada criança e família vivencia este período de modo próprio. Há crianças que se mostram muito animadas nos primeiros dias e que ao perceberem que estar na escola significará ficar longe de sua casa, começam a apresentar recusas e estranhamentos. Outras, parecem alheias ao que ocorre ao seu redor, como se estivessem apenas esperando pela hora de ir embora. Têm, também, as crianças que demonstram estar ávidas pelas novidades e dão pouca atenção aos seus familiares nos momentos de despedida e separação.

A dubiedade é inerente ao processo de adaptação. Num mesmo dia, ocorrem avanços e retrocessos na segurança apresentada tanto pelas crianças, como por suas mães ou pais; cabendo às instituições o suporte para que progressivamente os vínculos de confiança se estabeleçam” 

Para crianças maiores, a adaptação também pode necessitar de alguns cuidados, visto que elas sentem saudades e inseguranças longe dos pais, assim como as crianças menores. 

Lembrar as crianças de que você pode voltar para a escola e buscá-las, ou fazer ligações para ouvirem a sua voz são medidas que acalmam e acalentam nessa fase de adaptação. Levar um objeto com o cheirinho dos pais para que as crianças sintam o cheiro quando tiverem saudades também pode ajudar.

Ao questionar as crianças sobre o tempo que passaram na escola, preste atenção na resposta, pois elas podem indicar também algum tipo de problema que a criança esteja enfrentando na sua adaptação. 

A adaptação escolar é uma fase repleta de desafios, já que é extremamente importante para o aprendizado e desenvolvimento das crianças. Tanto pais quanto a escola são fundamentais nesse processo e nesse sentido, devem estar alinhados e em constante diálogo. 

:: Leia também: Jogos Inclusivos: como incluir todas as crianças nas brincadeiras ::

A Importância da Comunicação

As crianças podem ficar extremamente animadas e ao mesmo tempo ansiosas com o início das aulas. Para auxiliar os pequenos a lidar com essas emoções, a nossa dica principal é muito diálogo (para crianças maiores de 4 anos) sobre a nova rotina.

Essas conversas podem surgir em momentos espontâneos como horário de brincadeira entre os pais e filhos, por exemplo. 

Uma outra dica é os pais visitarem a escola antes do primeiro dia de aula, para conhecer melhor o ambiente e quais atividades e horários serão propostas no primeiro dia. É importante também conhecer a equipe da escola, não só os professores, já que diversos profissionais poderão oferecer apoio às crianças nessa adaptação. 

E sobre essa comunicação com os filhos, o portal do Ministério da Educação divulgou algumas dicas para os pais lidarem com essa experiência dos primeiros dias na escola: 

O que os familiares podem verificar com a criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Pergunte qual é o nome das professoras e de outros funcionários;

•    Pergunte o nome dos amiguinhos mais próximos;

•    Pergunte à criança o que ela mais gostou de fazer naquele dia;

•    Incentive a  criança a contar e a narrar situações vividas na instituição;

•    Que músicas cantou ou ouviu;

•    Quais brincadeiras aconteceram;

•    Que pinturas, desenhos, esculturas ela fez;

•    Qual livro a professora leu;

•    Que história a professora contou;

•    O que ela está aprendendo, entre outras.

O que os familiares podem observar diretamente na criança sobre o atendimento na educação infantil: 

•    Observe o comportamento da criança quando ela chega na instituição (alegria, timidez ou choro).

•    Observe diária e atentamente enquanto estiver conversando com a criança, seu olhar, seus gestos, sua fala e suas reações podem ajudar a avaliar o estado físico e emocional.

•    Observe as reações da criança ao ver seus colegas, isso pode demonstrar como está a relação com a turma.

•    Observe as produções e o material que ela traz da instituição.

Dê Conforto Para as Crianças durante a Adaptação Escolar

Falar sobre a escola e o quanto essa experiência que faz parte da infância é importante pode ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis no seu primeiro dia de aula. Busque contar como foi a sua primeira ida à escola, fale de outras crianças próximas que já viveram esse momento. 

Se possível, leve seu filho para conhecer o colégio antes do primeiro dia de aula, pois dessa forma a criança já vai conhecendo um pouco do novo ambiente. Explique que sentir insegurança e receio antes de ir para a escola é um sentimento comum.

Inserir a criança no processo que envolve a ida para escola, como acompanhar a compra dos materiais escolares, também pode ser útil para que os pequenos tenham um momento prazeroso que se relaciona com a escola. 

Chegar mais cedo no primeiro dia de aula e acompanhar a criança até a sala transmite segurança. Reforce também que dentro de algumas horas vocês estarão juntos novamente. 

Muitas coisas podem acontecer pelo caminho durante a adaptação ou até mesmo depois dela. E tudo bem, é normal! Uma coisa muito comum é a criança começar a chorar e gritar na porta da escola, não querendo ir para aula, quando ela já estava adaptada. Se isso ocorrer, converse com as professoras e, se necessário, reinicie o processo de adaptação escolar. Isso dá mais confiança para seus filhos.

Texto: Débora Nazário

Volta às aulas: como aproveitar o período para criar hábitos mais saudáveis na vida das crianças

O início do ano letivo está logo aí. Depois do período de férias, chegou o momento de volta às aulas e muitas vezes é necessário readaptar a rotina das crianças.

As férias costumam ser um período onde os horários são mais livres do que quando as crianças estão frequentando a escola. As horas assistindo à televisão ou jogando, além de outras atividades propostas pelos pais, costumam ocupar os horários durante o recesso escolar. 

É por isso que neste artigo nós reunimos algumas dicas que podem ajudar a auxiliar os pais que estão vivenciando essa fase de volta às aulas das crianças, acompanhe! 

Atenção com o sono das crianças na rotina de volta às aulas

Como já mencionamos, o sono é afetado no período das férias, e o ideal é recuperar a rotina de dormir antes da volta às aulas. Como a rotina de horários é mais flexível, muitas crianças dormem horas a mais ou a menos e também em horários diferentes dos quais eram habituadas. 

No entanto, mais do que descansar, o sono cumpre um papel extremamente importante no desenvolvimento das crianças. 

Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), “o hormônio do crescimento (GH) é produzido e liberado no organismo durante o sono, principalmente, ao longo da noite. Cerca de 30 minutos após o adormecimento, com maior produção, a partir das 22 horas, até às seis da manhã. Por isso, crianças que dormem pouco podem apresentar déficit de crescimento, prejuízos na memória, irritabilidade, menor concentração e dificuldades de aprendizado”. 

Além do hormônio do crescimento, ocorre a liberação de leptina durante o sono, que é responsável por controlar a sensação de saciedade e cortisol, uma substância ligada ao estresse, que é reguladora do nível de glicose no sangue.

A médica Rachel Dawkins, que atua no hospital Johns Hopkins All Children’s Hospital, localizado nos Estados Unidos, afirma:

“O sono é uma parte essencial da rotina de todos e uma parte indispensável de um estilo de vida saudável. Estudos mostraram que crianças que dormem regularmente uma quantidade adequada de sono melhoram a atenção, o comportamento, o aprendizado, a memória e a saúde mental e física geral. Não dormir o suficiente pode levar à pressão alta, obesidade e até depressão”. 

Qual é o período necessário de sono para cada idade? 

A Sleep Foundation é uma entidade que compartilha informações sobre o sono obtidas por meio de fontes de pesquisas e revisadas por especialistas na área. 

No ano passado, a fundação publicou um artigo que explica sobre as horas necessárias de sono das crianças para cada faixa etária. São elas: 

  • Crianças (1-2 anos): entre 11 a 14 horas.
  • Pré-escola (3-5 anos): 10 a 13 horas.
  • Idade escolar (6-13 anos): 9 a 11 horas.

Segundo o mesmo artigo, “estabelecer hábitos de sono saudáveis, incluindo um horário de sono estável e uma rotina antes de dormir, pode reforçar a importância da hora de dormir e reduzir a inconstância do sono à noite. Dar às crianças a oportunidade de usar sua energia durante o dia e relaxar antes de dormir pode facilitar o adormecer e permanecer dormindo durante a noite”. 

Também recomenda-se que as telas sejam desligadas no mínimo uma hora antes da criança ir dormir. Essa recomendação existe pois o brilho presente nas telas dos celulares ou tablets chamada luz azul influencia no bloqueio da melatonina, que é o hormônio regulador do sono secretado pelo nosso corpo. A luz azul tem relação com a dificuldade em dormir e também na qualidade do sono. 

Nós já falamos sobre o uso de telas neste artigo e também já discutimos sobre o uso das redes sociais neste outro texto

Cuidado com a alimentação no período de volta às aulas

Introduzir vegetais ou salada na rotina das crianças é considerado por muitos pais uma tarefa extremamente difícil e, com a rotina fora do comum nas férias, o ato de comer também muda. Alimentos processados e ricos em açúcar muitas vezes são os preferidos dos pequenos.

Lina Berdache é professora da Universidade de Binghamton e pesquisa a nutrição ao nível celular e genético com especial interesse no cérebro. Ela escreveu um artigo onde explica como o excesso de açúcar afeta o cérebro em desenvolvimento ao longo da infância. 

Ela escreve que “a glicose – um açúcar simples que constitui a base da maioria dos alimentos ricos em carboidratos – é a principal fonte de energia para o cérebro. Cérebros saudáveis ​​requerem uma fonte contínua de energia e nutrientes para alimentar o crescimento, aprendizado e desenvolvimento. No entanto, isso não significa que o consumo extra de açúcar seja bom para o cérebro em desenvolvimento. De fato, muito açúcar pode ser prejudicial ao crescimento normal do cérebro”.

A professora explica que os alimentos processados, como bolachas e refrigerantes,  ​​têm um valor nutricional menor do que os alimentos integrais, como frutas, legumes e grãos integrais. Um dos adoçantes mais comuns nos produtos alimentícios dos EUA é o xarope de milho rico em frutose, que contém não apenas glicose, mas outro açúcar simples chamado frutose. Uma grande quantidade de frutose tem sido associada ao aumento da gordura corporal.

Em seu artigo, a professora e pesquisadora cita um estudo que afirma que o alto consumo de açúcar dificulta o aprendizado e a memória:

“… A ingestão diária de bebidas com adição de açúcar durante a adolescência está associada à piora do desempenho no aprendizado e tarefas que exigem memória durante a vida adulta. Os pesquisadores desse estudo sugerem que esse comprometimento pode ser devido a alterações nas bactérias intestinais”.

A dica que recomendamos diante dessas informações é que a alimentação, assim como o sono, precisa fazer parte de uma rotina onde limites e também quantidades sejam respeitadas. E quando falamos em limite, é importante que exista entre pais e filhos um diálogo constante sobre eles. 

Uso de telas e volta às aulas

Vivemos cercados de telas por todos os lados e com as crianças não é diferente. Com a pandemia e o período de isolamento, a utilização de telas aumentou ainda mais. 

É o que mostra a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box – Crianças e smartphones no Brasil realizada no final de 2020, o primeiro ano da pandemia da Covid-19. O  número de crianças na faixa etária de 7 a 9 anos que utilizam o celular por 3 horas ao dia (ou mais) aumentou de 30% para 43% durante o ano. Cerca de 58% das crianças de 10 a 12 anos que participaram da pesquisa usavam o celular durante mais de 3 horas por dia. 

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomenda que pais e cuidadores estipulem regras em relação ao tempo de uso de telas. Crianças de até de até 2 anos não recomenda-se o uso. As crianças entre 2 e 6 anos podem utilizar uma hora por dia e aquelas de 6 a 10 anos, duas horas por dia. Os adolescentes, por recomendação da entidade, podem utilizar por volta de três horas por dia.

A importância da leitura como uma alternativa para a volta às aulas

Em entrevista, a médica pediatra e coordenadora do Núcleo de Saúde e Brincar do IFF/Fiocruz Roberta Tanabe destaca o papel dos cuidadores e das escolas na formação de um público leitor entre crianças e adolescentes. 

“Crianças tendem a imitar a atitude dos adultos, sobretudo aqueles que são referências afetivas. Pais leitores que leem para seus filhos, estão oferecendo bons exemplos que poderão se concretizar como um hábito saudável a ser incorporado de forma duradoura.  A experiência de ouvir histórias junto a pessoas queridas, num espaço onde há atenção, interesse e afeto é fundamental, além de uma curadoria qualificada na seleção de temas e obras, que possam despertar o interesse e a curiosidade de acordo com cada faixa etária”. 

Leitura e telas

As telas têm tomado o lugar da leitura nos últimos anos. Antes de falarmos em proibição e tudo que vem junto disso, a nossa dica é o diálogo. Conversar com as crianças sobre como o uso das telas afeta a rotina delas, assim como combinar um período para o uso são boas opções para os pais. 

Atualmente diversos jogos e aplicativos são lançados partindo de uma visão que oferece às crianças mais do que apenas entretenimento. Alguns estimulam o aprendizado e exploram narrativas que contribuem para o desenvolvimento e criatividade dos pequenos.  Esses jogos e aplicativos costumam também incentivar a autonomia das crianças, fazendo com que elas não fiquem apenas consumindo um tipo de conteúdo. O nosso aplicativo Truth and Tales se encaixa neste segmento, com audiobooks e histórias interativas onde as crianças podem brincar com os personagens ao mesmo tempo que fortalecem o hábito da leitura. Saiba mais clicando aqui.  

A leitura na rotina

Ainda segundo a médica, “a própria leitura pode se tornar uma brincadeira entre pais e filhos e funcionar no estreitamento de vínculos de afeto e confiança. Não existe um planejamento único que atenda às demandas e situações específicas de cada família no que se refere ao uso de telas. Orientações e informações qualificadas ajudam no balanceamento de experiências digitais e offline para que a gestão destes dois universos possa ser conduzida de forma a aproveitar o que, de melhor, cada um tem a oferecer no desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Cabe aos adultos estar sempre junto nesse processo que requer maturidade, bom senso e afeto”. 

A escuta e o acolhimento são fundamentais nessa retomada da rotina. As crianças podem se sentir desmotivadas ou até mesmo irritadas por mudarem tão bruscamente os seus dias, por isso os pais podem conversar sobre como organizar a rotina de uma maneira leve e divertida. Promover brincadeiras, desafios e criar um ambiente que promova a conversa e a escuta sobre o que está incomodando são essenciais para a boa convivência e hábitos mais saudáveis na rotina das crianças. 

Texto: Débora Nazário

Referências: 

Jogos Inclusivos: como incluir todas as crianças nas brincadeiras

Quando uma criança está brincando ou participando de algum jogo, além de estar se divertindo e praticando a empatia, ela também está aprendendo. Essas atividades auxiliam no desenvolvimento de habilidades, aumentam a percepção sobre o universo ao seu redor e estimulam muito a criatividade. Brincadeiras e jogos podem ser grandes aliados na inclusão de crianças com deficiência na escola e na sociedade em geral. Saiba mais sobre brincadeiras e jogos inclusivos neste artigo.

Raimundo A. Dinello é doutor em Psicologia com especialização em Orientação Educacional e ex-professor de Sociologia da Educação na Universidade Livre de Bruxelas. Ele afirma que “os jogos têm um papel no desenvolvimento psicomotor e no processo de aprendizado de domínio do social da criança. Através dos jogos é possível exercitar os processos mentais e o desenvolvimento da linguagem e hábitos sociais”. 

Todos esses benefícios que podem também estimular a inclusão, tanto na sala de aula quanto em outros ambientes. Crianças com deficiência podem, por meio de jogos, exercitarem a sua autonomia e se divertirem ao mesmo tempo que aprendem. 

As crianças que possuem deficiências de origem motora, cognitiva, visual, auditiva, de fala ou de linguagem, ao brincarem e jogarem algum tipo de jogo, estarão superando desafios extremamente relevantes para o desenvolvimento, que também influenciam na saúde mental das mesmas. 

Jogos inclusivos promovem mais interação entre as crianças 

O Guia do Brincar Inclusivo, desenvolvido pelo Projeto Incluir Brincando da Unicef escrito por Meire Cavalcante, que é mestra e doutoranda em Educação e Inclusão pela Unicamp, aponta que “as pessoas não são iguais – e é isso que torna o mundo tão rico. Iguais, na verdade, devem ser as oportunidades de sobreviver e de se desenvolver, aprender, crescer sem violência e brincar (…). Ao planejar atividades, brincadeiras e materiais pedagógicos, é preciso fazer a si mesmo uma pergunta-chave: o que vou oferecer permite que todos e todas brinquem juntos, independentemente das características de cada um?

Para promover brincadeiras e jogos que sejam inclusivos com todas as crianças, é necessário prestar atenção em alguns detalhes e, caso necessário, promover adaptações que farão toda diferença. 

Meire Cavalcante também escreveu para o site Nova Escola sobre o tema. “Crianças e jovens com deficiência mental geralmente têm dificuldade de se concentrar por muito tempo. Para prender a atenção delas, são recomendadas atividades dinâmicas e que envolvam muitas cores”. 

Exemplos de jogos inclusivos 

O Guia do Brincar Inclusivo apresenta uma série de jogos inclusivos e também explica sobre as adaptações que podem ser feitas para jogos que você já tem em casa. 

“Para tornar acessíveis os jogos, algumas adaptações simples e baratas podem resolver: criar alto relevo com barbante ou tinta plástica; usar materiais como velcro ou ímã; mudar as regras; criar cartelas e dados maiores para facilitar a leitura de quem tem baixa-visão; usar peças grandes e com alças para crianças com deficiência física; usar placas e legendas em braile; ou usar texturas e cores”.

Jogo da memória

O jogo da memória é um clássico da infância. Ele estimula a atenção, a concentração, além de treinar a memória das crianças e o raciocínio lógico. 

Para que um jogo da memória se torne inclusivo, bastam algumas adaptações simples. O contorno das peças do jogo podem ser marcados com tinta plástica, que ao secar ficarão com alto relevo. O alto relevo facilita na percepção e identificação das peças das crianças que têm alguma deficiência visual. Outra outra possibilidade é colar pequenos objetos nas peças como botões, purpurina, lixa, algodão ou lã. Esses objetos, por terem texturas diferentes.

A introdução de adaptações como essas, que acrescentam algum tipo de textura diferente em cima de alguma superfície de peças ou brinquedos, também são benéficas do ponto de vista psicomotor. Ao tocar essas texturas, crianças com deficiência estarão desenvolvendo habilidades motoras, cognitivas e sensoriais ao mesmo tempo. 

Jogo de dominó 

Para adaptar o dominó de uma maneira muito simples, basta colocar cola quente nas casas de cada peça. Isso vai fazer com que as peças fiquem com partes em alto relevo, o que facilita o manuseio e a percepção das peças para as crianças que têm deficiência visual. Nesse caso, as crianças que não têm deficiência visual podem usar vendas nos olhos, para aumentar a interação durante o jogo. 

Uno

O Uno é um jogo que foi criado nos anos 70 e desde então ganhou muitos adeptos no mundo inteiro. Estima-se que até hoje, já tenham sido vendidas 200 milhões de cópias. 

Uma das características marcantes do UNO é justamente as cores das cartas, já que as jogadas são feitas a partir da combinação de cores e números de suas cartas. 

No ano de 2017, o jogo ganhou uma versão voltada para daltônicos. Essa versão conta com cartas marcadas com o selo iconográfico do código de cores universal para daltônicos, ou ColorADD.

Os símbolos estão localizados próximo ao número de cada carta. Todas as cores, o vermelho, azul, e amarelo contam com símbolos diferentes, que quando estão juntos, formam uma nova cor. 

Na prática funciona assim: a junção do traço da carta amarela e o triângulo do azul, forma-se um símbolo criado a partir dessa aproximação, que também estão presentes nas cartas verdes. 

Além das cartas serem diferentes pelos símbolos que possuem, elas também podem ser recriadas por meio da junção de duas cartas. O ícone do verde sendo igual a uma junção dos ícones do amarelo e do azul, por exemplo, facilita para uma criança identificar qual cor é cada uma. 

:: Leia também: Empatia: o que é, como se manifesta e como reconhecer nas crianças ::

Todo mundo pode brincar!

O Guia do Brincar Inclusivo também elencou algumas dicas para que todos brinquem: 

  • Estimular as crianças a ajudarem quem tem mobilidade reduzida e outras dificuldades;
  • Usar bolas com guizos e objetos sonoros; Garantir piso plano para a circulação de cadeira de rodas no ambiente; 
  • Respeitar a criança com hipersensibilidade tátil ou visual (realizar as atividades no ritmo dela); 
  • Criar brinquedos que explorem figuras, cores, cheiros, texturas e sons; Perguntar sempre à família e ao profissional de saúde se há restrições no brincar; 
  • Ensinar às famílias as brincadeiras para que brinquem em casa com os filhos; Nos jogos com cartas, usar o segurador de cartas para crianças com deficiência física; Interferir quando alguém estiver excluído da brincadeira; 
  • Não permitir manifestações discriminatórias no grupo; 
  • Oferecer brincadeiras que quebram preconceitos em relação ao gênero; 
  • Privilegiar atividades que valorizem as capacidades (e não as dificuldades) de cada um. 

Jogos online inclusivos: 

O Laboratório de Objetos de Aprendizagem (LOA), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desde 2012 desenvolve jogos para crianças com deficiência visual. 

Até o momento 5 jogos foram criados:

Dentro das regras e jogabilidade de cada um deles, é possível exercitar conceitos de matemática, português, química, música e noções sobre saúde. 

Filtros para jogos

A Nvidia Corporation, que é uma empresa de tecnologia com sede em Santa Clara –  Califórnia, nos EUA criou uma ferramenta de filtros em 2018 que podem ser incorporados a diversos jogos de computador. 

Para se ter acesso a essa ferramenta, é necessário fazer a instalação da versão mais recente do Game Ready Driver. Depois disso, o NVIDIA Freestyle permitirá que o usuário que estiver jogando a mudar a aparência do jogo escolhido, com ajustes em cores ou a aplicação de filtros de pós-processamento. 

Dentro dessas categorias de filtros está o modo modo daltônico, que faz com que os jogadores daltônicos possam identificar as cores com maior facilidade. 

Texto por Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

A tecnologia vem se tornado cada vez mais aliada à inclusão digital. Assistentes de voz, hashtags como #pracegover e outras medidas abraçam mais pessoas. Algumas medidas são mais complexas e pedem programas e tecnologias mais sofisticadas, mas muitas coisas simples podem ser levadas em consideração na criação de conteúdos inclusivos.

Podemos citar alguns facilitadores em jogos e aplicativos para crianças que os tornam mais inclusivos:

  • Conteúdos com acompanhamento de texto escrito;
  • Audiobooks;
  • Voice-over acompanhando as atividades;
  • e uso de formas para auxiliar pessoas com daltonismo

Mas a inclusão vai além do físico. O aplicativo Domlexia reúne jogos que auxiliam na alfabetização de crianças com dislexia. Os jogos lúdicos e interativos somados com os exercícios fonológicos ajudam as crianças com dislexia a desenvolverem o necessário para o aprendizado das letras e fonemas, auxiliando na alfabetização.

Outro aplicativo que tem aspectos inclusivos é o Truth and Tales. Toda a experiência do Truth and Tales é narrada, dessa forma, crianças que ainda não são alfabetizadas também podem utilizar o aplicativo sem perder a experiência. O aplicativo conta com audiobooks, que são histórias somente por áudio, podendo ser utilizadas por pessoas com deficiência visual. Em alguns jogos dentro das histórias interativas são utilizadas cores para diferenciar uma coisa da outra, mas também usamos formas diferentes para que pessoas com daltonismo possam completar os desafios. 

E por último, O Truth and Tales oferece exercícios físicos para o retorno à homeostase, auxiliando pessoas – não só crianças – a ficarem mais calmas e voltarem para o equilíbrio do corpo e da mente. Os exercícios para o retorno à homeostase podem ajudar crianças com déficit de atenção, hiperatividade e ansiedade. Baixe e experimente!

Empatia: o que é, como se manifesta e como reconhecer nas crianças

A palavra empatia popularizou-se muito nos últimos anos e por esse motivo você já deve ter ouvido falar dessa expressão. Mas apesar dessa popularização, você já se perguntou o que ela significa? Já se questionou como é possível desenvolver a empatia e a partir de qual idade ela se manifesta?  

Nós podemos sentir empatia em diversas situações desde muito pequenos. Em momentos em que nos deparamos com realidades totalmente diferentes das nossas, por exemplo, quando vemos alguém sendo insultado por outra pessoa ou passando por uma situação que cause algum tipo de desconforto a alguém, sentimos empatia. Você mesmo pode fazer esse exercício de se recordar em quais situações sentiu empatia. 

O que é empatia 

Segundo a definição do dicionário da Universidade de Cambridge, empatia é “a capacidade de compartilhar os sentimentos ou experiências de outra pessoa imaginando como seria estar na situação dessa pessoa”.

A revista Greater Good, que é do Greater Good Science Center (GGSC) da Universidade da Califórnia, Berkeley, publicou um artigo onde aponta que pesquisadores de emoções geralmente definem empatia como a capacidade de sentir as emoções de outras pessoas, juntamente com a capacidade de imaginar o que outra pessoa pode estar pensando ou sentindo.

A partir de qual idade se manifesta

A empatia é uma experiência emocional e cognitiva. Os componentes emocionais da empatia são os primeiros a emergir no ser humano. Os bebês começam imediatamente a refletir os estados emocionais e as expressões das pessoas ao seu redor. Graças aos neurônios-espelho, bebês de até 18 horas costumam mostrar alguma capacidade de resposta a outros bebês em perigo. Não ensinamos bebês como fazer isso; eles nascem programados para mapear as experiências de outras pessoas em seus cérebros e corpos.

Segundo Lawrence Kutner, psicólogo infantil norte-americano e autor de seis livros, com dois anos de idade uma criança vê sua mãe chorando, por exemplo, e pode fazer um movimento para oferecer a ela o que tem em mãos, um brinquedo ou comida. No entanto, diante dessa ação, não fica evidente se a criança aos dois anos reconhece o sentimento da mãe ao chorar. 

O autor escreve que quando uma criança tem quatro anos de idade, ela começa a associar suas emoções aos sentimentos dos outros. “Enquanto uma criança diz que tem uma dor de estômago, algumas crianças de 4 anos podem vir e consolá-la. Outros, vão passar por cima da criança e dar um soco no estômago”. 

“No entanto, nos dois casos, a criança saudável está demonstrando sua empatia por quem está doente. A criança agressiva não sabe o que fazer com a habilidade que está desenvolvendo. A dor da outra criança faz com que ele se sinta desconfortável. Em vez de fugir ou esfregar seu próprio estômago, como ele poderia ter feito um ano antes, ele se sente frustrado e ataca”, destaca. 

Como observar e reconhecer a empatia nas crianças

A Making Caring Common, uma iniciativa da Universidade de Harvard, elencou algumas dicas para cultivar empatia, que são elas: 

1. Simpatize com seu filho e modele a empatia pelos outros: as crianças aprendem empatia tanto por nos observar quanto por experimentar nossa empatia por elas. Quando temos empatia com nossos filhos, eles desenvolvem laços confiantes e seguros conosco. Esses apegos são fundamentais para que eles queiram adotar nossos valores e modelar nosso comportamento e, portanto, construir sua empatia pelos outros.

2. Oferecer oportunidades para as crianças praticarem empatia: as crianças nascem com a capacidade de empatia, mas ela precisa ser nutrida ao longo de suas vidas. Aprender empatia é, em certos aspectos, como aprender uma língua ou um esporte. Requer prática e orientação. Considerar regularmente as perspectivas e circunstâncias de outras pessoas ajuda a tornar a empatia um reflexo natural e, através da tentativa e erro, ajuda as crianças a melhor sintonizar os sentimentos e perspectivas dos outros.

3. Expanda o círculo de preocupação do seu filho: como pais e cuidadores, não é apenas importante modelarmos a apreciação por muitos tipos de pessoas. É importante que guiemos as crianças na compreensão e cuidado de muitos tipos de pessoas que são diferentes delas e que podem estar enfrentando desafios muito diferentes de seus próprios desafios.

4. Ajude as crianças a desenvolver o autocontrole e gerenciar os sentimentos de forma eficaz: Muitas vezes, quando as crianças não expressam empatia, não é porque não a têm. É porque algum sentimento ou imagem está bloqueando sua empatia. Muitas vezes, a capacidade de cuidar dos outros é sobrecarregada, por exemplo, pela raiva, vergonha, inveja ou outros sentimentos negativos. Ajudar as crianças a gerenciar esses sentimentos negativos, bem como estereótipos e preconceitos sobre os outros é muitas vezes o que “libera” sua empatia. 

Para acessar mais detalhes de cada uma das dicas, acesse o link

Diferentes tipos de empatia

Segundo o psicólogo, pesquisador e autor Daniel Goleman, que escreveu para a Harvard Business Review sobre o assunto, existem três tipos de empatia

  • Empatia Cognitiva: a capacidade de entender a perspectiva de outra pessoa;
  • Empatia Emocional: a capacidade de sentir o que o outro sente;
  • Preocupação empática: a capacidade de sentir que a outra pessoa precisa de você. 

Ele chegou nessas definições baseando-se em pesquisas realizadas na faculdade de Medicina da Universidade de Harvard. Esses estudos também apresentaram a existência do cérebro social, que pode ser explicado como partes do cérebro que realizam interações e dessa maneira nos relacionamos uns com os outros. 

O psicólogo explica que o cérebro social não é constituído por uma pequena parte do cérebro humano, já que diversas partes do cérebro se relacionam para desempenhar funções que envolvem o convívio social. O termo cérebro social engloba diversas partes ativas, que abrangem todo o cérebro humano. Essas partes ativas são implicadas nas ações que executamos quando interagimos com outras pessoas. 

Segundo o pesquisador e autor, esses três tipos de empatia que são diretamente ligadas ao cérebro social são primordiais para a comunicação em diversos tipos de ambientes, sejam no ambiente corporativo, em casa ou na escola. “Quando duas pessoas estão nesse estado, de total atenção um ao outro, cria-se um sentimento de bem-estar e espaço para que as trocas aconteçam, pois sentem-se protegidas e apoiadas”, conta. 

O autor reforça que a capacidade de nos conectarmos verdadeiramente com as pessoas, independentemente da situação, é extremamente importante para entendermos o que os outros nos dizem e também sentem. Para aprimorar essa conexão é necessário saber escutar o outro e também fazer perguntas. 

Daniel Goleman afirma: eu literalmente sinto sua dor. Meus padrões cerebrais combinam com os seus quando eu ouço você dizer uma história emocionante. 

Como a empatia se desenvolve

Uma pesquisa coordenada por Helen Riess em conjunto com outros médicos do Hospital Geral de Massachusetts de Boston, sugeriu que a empatia emocional pode ser desenvolvida

Para chegar nessa conclusão, a médica criou um programa que ensinou outros médicos a realizarem uma concentração e respiração profunda do diafragma para observar as interações. “Suspendendo seu próprio envolvimento para observar o que está acontecendo dá a você uma ‘consciência consciente’ da interação sem ser completamente reativo”, explicou a médica Riess. 

Ela afirma na pesquisa que se uma médica perceber que está irritada, por exemplo, pode ser um sinal de que o paciente também está incomodado.

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Como a empatia influencia a vida das crianças

Michelle Borba, que é pedagoga, especialista em parenting e autora de mais de 20 livros, em entrevista para a Revista Crescer explicou que “as últimas descobertas científicas mostram que a habilidade de ser empático afeta positivamente a saúde, as finanças, traz felicidade, contribui para a satisfação que os relacionamentos proporcionam, além de aumentar a habilidade de superar adversidades no futuro. A empatia também prepara as crianças para viverem em um mundo globalizado e dá um impulso para se sair melhor na profissão”, conta. 

Em seu livro Unselfie, Why Emphatetic Kids Succeed in Our All-About-Me World (Unselfie, Por Que Crianças Empáticas se Dão Bem em um Mundo Egocêntrico, em tradução livre), a autora dedica um capítulo inteiro a importância do contato das crianças com a literatura. 

Segundo ela, “os livros têm o poder de transportar as crianças para outros mundos e transformar seus corações. Livros podem ser portais para entender outros universos e pontos de vista, ajudando nossas crianças a serem mais abertas às diferenças e cultivarem novas perspectivas. Nós sempre sentimos o que os personagens sentem. É como estar na pele deles – emocionalmente, pelo menos – nos identificando com seus desconfortos e sentindo as suas dores. (…) É por isso que precisamos encontrar tempo para as crianças lerem e colocá-las em contato com livros”. 

Ao ler histórias ou ouvir histórias crianças conseguem ampliar as suas percepções sobre as suas próprias vidas e dessa maneira experimentam a empatia. O Truth and Tales, nosso aplicativo, também compartilha dessa visão, pois estimula que crianças e adultos percebam cada vez mais a si mesmos. Ao perceber melhor nós mesmos, também conseguimos olhar mais facilmente para o outro e dessa forma somos mais empáticos.  

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Empatia está em alta e vemos sendo citada em diversas palestras dos mais variados gêneros. Dizem ser a “habilidade do futuro”. Apesar de muito se falar em empatia, na prática, muitas pessoas se confundem com simpatia.

Como já foi dito no texto acima, empatia é quando nos colocamos nos sapatos de outra pessoa, quando conseguimos ver a situação a partir da perspectiva do outro. É a habilidade de experenciar os mesmos sentimentos.

Já a simpatia não é uma experiência dividida. A simpatia é nossos próprios sentimentos a partir do que nós julgamos de uma situação. Simpatia é expressar que, apesar de não souber pelo o que a outra pessoa está passando, você sente muito. 

Para que a empatia ocorra, a conexão entre duas pessoas é indispensável, quer se conheçam ou não. Num mundo onde as conexões online estão cada vez mais fáceis, as físicas têm se perdido. Por isso, tenha um tempo de qualidade com seus filhos fora das telas e da internet. 

O Truth and Tales, nosso aplicativo original, trabalha a empatia através das histórias infantis interativas. Isso é feito através da customização dos personagens principais, onde as crianças escolhem o tom de pele, cor e tipo de cabelo, cor dos olhos, roupas e acessórios, e etc. As crianças podem fazer as combinações mais malucas, mas geralmente montam os personagens parecidos com elas mesmas, se aproximando das suas próprias características. E isso faz com que as crianças consigam se colocar mais facilmente no lugar destes personagens, desenvolvendo a empatia.

Histórias que utilizam o humor são benéficas para o cérebro e o desenvolvimento cognitivo

A infância é um período repleto de aprendizados e, como já explicamos neste texto, o desenvolvimento cognitivo está sendo estimulado a todo tempo quando somos pequenos. Histórias que utilizam o humor também têm um papel importante nesse desenvolvimento.

A cada novo estímulo que as crianças recebem, elas passam a explorar o mundo, os sentidos e, dessa maneira, aprendem e interagem com o ambiente que as cerca. A leitura de histórias é uma forma de estimular esses aprendizados. 

Neste texto, apresentamos informações de que a leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro, que é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar. 

Os benefícios das histórias com humor para as crianças

Os pesquisadores Olufolake Orekoya, Edmund SS Chan e Maria PY Chik, ambos da Universidade Batista de Hong Kong, escreveram um artigo onde explicam como a leitura e, principalmente, a literatura com elementos de humor, pode ser benéfica para o aprendizado das crianças. 

Eles apresentam uma investigação de dois anos sobre aprendizagem e ensino de literatura infantil realizadas por cinco universidades com alunos do ensino fundamental, que revelou que a maioria das crianças prefere ler livros que as façam rir

Os resultados mostraram ainda que o que torna os alunos leitores ativos são livros de histórias engraçadas. O estudo relatou as preferências das crianças sobre a leitura, que vão desde histórias engraçadas, histórias de aventura, fantasia e outros. 

As crianças são facilmente adaptáveis ​​ao vínculo entre humor e criatividade, que auxiliam no desenvolvimento cognitivo. Conforme as crianças vão crescendo, ou seja, quando tornam-se mais maduras cognitivamente, elas podem apreciar diferentes formas de humor presentes nas histórias.

Leitura, humor e desenvolvimento cognitivo

O artigo afirma que a apreciação do humor está intimamente relacionada ao desenvolvimento cognitivo. Quando uma criança está envolvida na apreciação do humor, ela pretende terminar um exercício de resolução de problemas para identificar e desdobrar as incongruências ocultas abaixo dos estímulos de humor (Zigler, Levine, & Gould, 1967).

A literatura acadêmica confirma os benefícios e a importância do humor para a aprendizagem social na escola a nível cognitivo, afetivo e comportamental, uma vez que facilita o ambiente de aprendizagem lúdica, diminui a ansiedade de aprendizagem, estimula a motivação de aprendizagem dos alunos e aprofunda relação professor-aluno (Davies & Apter, 1980). 

Quando as crianças lêem textos humorísticos, elas se envolvem em um “jogo cognitivo”, “onde as palavras e conceitos são usados ​​de maneiras que são surpreendentes, incomuns e incongruentes, ativando esquemas com os quais não estão normalmente associados” (Martin, 2007, p. 109; Shultz & Robillard, 1980). 

Segundo Rod A. Martin, a leitura como atividade cognitiva pode ativar a emoção positiva de alegria (ou seja, prazer), levando ao aprimoramento da criatividade, memória e virtudes sociais que incluem senso de responsabilidade, ajuda e generosidade. 

As teorias do humor

John Morreall, que é Doutor em Filosofia e Professor Emérito no College of William and Mary em Williamsburg, avaliou três teorias tradicionais do riso e do humor: a Teoria da Superioridade, a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A partir dessas teorias, ele apresentou uma nova na qual afirma que o humor é um jogo cognitivo.

John explica que nem sempre o riso é sobre pessoas e, portanto, não há necessidade de comparação de pessoas, como o que era afirmado na Teoria da Superioridade do humor. Ele conta que podemos ser divertidos por um comediante de palco tendo uma impressão perfeita de alguma estrela de cinema sem nos comparar com aquele comediante ou estrela de cinema. E mesmo que nos comparemos com pessoas de quem estamos rindo, não precisamos nos julgar superiores a elas. Eles podem nos fazer rir ao nos surpreender com habilidades que nos faltam, por exemplo. 

Durante dois mil anos a Teoria da Superioridade era a explicação mais aceita para explicar o humor. As teorias que surgiram posteriormente, já no século XVIII, foram a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A Teoria do Alívio dizia que o riso funciona como uma válvula de escape em um tubo de vapor, liberando a energia nervosa acumulada.

Essa teoria, contudo, passou a ser questionada. O ato de falar e, nessa fala, existir elementos de humor, não parece exigir emoções, além de que algumas experiências de diversão também dependem apenas da surpresa. A Teoria da Incongruência foi uma das mais aceitas no século XX, já que afirmava que o humor é uma reação a algo que viola nossos padrões mentais e expectativas

As reflexões acerca das teorias do humor

Diante das teorias do humor apresentadas, o professor John Morreall elencou quatro percepções. Primeiro, o humor é um fenômeno cognitivo – envolve percepções, pensamentos, padrões mentais e expectativas. Em segundo lugar, o humor envolve uma mudança de estado cognitivo. Em terceiro lugar, essa mudança cognitiva é repentina. E em quarto lugar, a diversão é prazerosa

A esses insights ele adicionou outros: 

1) o humor é uma atividade não séria em que suspendemos a preocupação prática e a preocupação com o que é verdade. 

2) o humor é principalmente uma experiência social.

3) o humor é uma forma de jogo em cujo riso serve como um sinal de jogo. Cunhando o termo mudança para uma mudança repentina, podemos dizer que o humor envolve o prazer de mudanças cognitivas.

Juntando todas essas ideias, ele apresentou a seguinte teoria da diversão humorística:

A risada causa nas pessoas uma experiência de mudança cognitiva e que seu desligamento lúdico e seu prazer são expressos em risadas, que sinaliza para os outros que é possível relaxar e aproveitar a mudança cognitiva.

Como o humor afeta o cérebro

Brian David Boyd, professor da Universidade de Auckland da Nova Zelândia, em artigo publicado explica que o riso, embora muitas vezes desencadeado por palavras, é em si pré-verbal e não verbal

Segundo trecho do artigo, “risos e soluços são “as duas primeiras vocalizações sociais que as crianças fazem”. Ao contrário da fala, eles são muitas vezes involuntários, socialmente contagiantes e com valência emocional consistente. Eles não requerem uma boa articulação, mas apenas uma alternância da presença e ausência de sons vocais, sobrepostos a posturas bucais relativamente mais estáveis, e seu motor a atividade depende do mesencéfalo e dos circuitos do tronco encefálico, e não do centros superiores da fala”. 

O treinamento para o inesperado

Essa partilha confiante de expectativas que acontece na comunicação verbal é essencial para o jogo social. Isso também ocorre em jogos ou brincadeiras, para que haja espaço possível para o inesperado.

Expectativas compartilhadas em que permitem que surpresas nos peguem desprevenidos, que simulam riscos e estimulam a recuperação, são a chave não só para todos os tipos de jogos, mas também para humor. Nas piadas, muitas vezes somos preparados para a surpresa, mas apesar de buscar antecipar uma resolução inesperada, a piada ainda nos pega desprevenidos, mas de uma forma que permite tropeçar em nossas expectativas para ser seguido por uma rápida recuperação de equilíbrio.

O riso nos une

O artigo também fala do nosso próprio reconhecimento. Quando compartilhamos tais expectativas nas interações com os outros, nossa diversão torna-se socialmente vinculativa. Isso também acontece no jogo físico que, através de sua dependência do comportamento daqueles que interagem, também serve para nos unir.

Se uma pretensa piada não nos pega de surpresa, não vamos achar engraçada. Por outro lado, lançar uma piada com preparação insuficiente do seu contexto também pode não causar riso no outro. 

Mas se nossa expectativa diante de uma narrativa de piada foi preparada, se sabemos que uma piada está chegando e nós ainda acharmos que a piada nos pega de surpresa, vai ser ainda mais engraçado: assemelha-se exatamente à relação entre a expectativa geral aguçada de jogo e os animais humanos – que especialmente gostam de brincar. 

Por fim, o professor Brian apresenta em seu artigo um questionamento feito pelo filósofo Daniel C. Dennett: o que homo sapiens ganha com o riso? Por que o riso e o humor teriam evoluído como comportamentos que importam tanto para nós?

E a resposta dele foi a seguinte: “O riso, ao sinalizar nosso prazer no jogo cognitivo, convida e nos encoraja a preparar surpresas divertidas uns para os outros. Jogando socialmente com nossas expectativas, ele reforça nosso senso de solidariedade, nosso reconhecimento do enorme conjunto de expectativas que compartilhamos; nos treina para lidar com e até mesmo buscar o inesperado que nos cerca e pode ampliar ainda mais as nossas expectativas. O riso pode também oferecer uma “advertência lúdica” para aqueles que divergem deles de maneiras que rejeitamos.”

Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Agora que já sabemos que a função do humor nas histórias e da preferência das crianças por contos engraçados, vamos de dicas de leitura!

O Truth and Tales, app que desenvolvemos, tem histórias cheias de humor e reviravoltas! As histórias são Teaching Stories, que você pode saber mais aqui. As Teaching Stories costumam usar bastante o humor para trabalhar o preparo ao inesperado, por exemplo. Além de dar um toque todo especial para a história. 

O conto A Criança e o Dragão do Truth and Tales traz vários personagens engraçados e diálogos cheios de humor, além de reviravoltas que o leitor não espera.

Baixe o app e experimente ler, ouvir e jogar nossas histórias!

Crianças e exposição às telas: até onde pode?

Quem nasceu a partir de 1985 faz parte da geração millennial*, considerada “nativa digital”, ou seja: crianças cresceram cercados por várias tecnologias, incluindo uso de telas. Televisão e videogames eram as tecnologias utilizadas por crianças e jovens nas décadas de 1980 e 1990 e tinham bastante influência em países como Brasil, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos.

Os millennials já estão no mercado de trabalho, criando famílias e experimentando a maternidade. É uma geração que dá bastante valor à tecnologia, afinal, cresceu em meio à ela. Um exemplo disso é que, segundo o site Mindminners, ter um smartphone é tão importante quanto um plano de saúde para essa geração.

E os filhos dos millennials, como ficam no meio de tudo isso? Como as crianças podem conviver com telas e gadgets de forma saudável?

Criança no colo da mãe, que segura um tablet (telas) com o app Truth and Tales aberto numa tela. Ilustrações de passarinhos e fadas.
Equilíbrio sempre é bem-vindo: sugerir, participar e priorizar brincadeiras sem telas e offline com crianças, mas não proibir o uso total das telas.

Aplicativos de livros, histórias, educação, jogos e vídeos musicais são bem populares nas telas de celulares e tablets dos pais de crianças entre dois e oito anos. A maioria das crianças já sabe usar e vai pedir, já que vê os pais utilizando o aparelho. Nessa idade, é recomendável priorizar o tempo com a criança sem o uso dessas ferramentas, já que a criança quer brincar com alguém. Se a atenção dos pais estiver na criança, a ânsia por querer passar o tempo com as telas será bem menor.

Vale lembrar que flexibilidade é a palavra-chave! À medida que a criança vai crescendo, a vontade de brincar online também cresce. As “regras” sempre devem ser revistas e refletidas pelos pais de tempos em tempos, e analisar se ainda é válida e efetiva para a criança.

Deixar que criança maiores que 2 anos de idade tenham contato com smartphones e tablets é quase inevitável nos dias de hoje e, por isso, proibir não é a solução: a criança vai querer mais ainda.

Equilíbrio sempre é bem-vindo: sugerir, participar e priorizar brincadeiras sem telas e offline, mas não proibir o uso total das telas.

Na prática

Marianna Nolasco, de 33 anos, é mãe da Laila, de 8. A Laila ganhou o iPad antigo dos pais aos 2 anos de idade. Naquela época, Marianna não sentia necessidade de limitar o tempo de uso das telas, já que Laila se dividia bastante entre brincadeiras, iPad e os bichinhos de estimação. O iPad tinha bastante aplicativos de jogos e vídeos educativos.

Hoje, Laila herdou o celular antigo da mãe, mas não usa por ser ultrapassado. Ela prefere utilizar o celular dos pais para jogar, apesar de ter um iPad só pra ela. Seu jogo preferido é Minecraft. Marianna conta que os últimos meses têm sido uma briga, já que Laila quer passar a maioria de seu tempo livre no jogo.

Por causa disso, Marianna limitou o tempo de uso: agora, Laila pode usar no máximo duas horas por dia (uma de manhã e uma de noite). Além de Minecraft, Laila gosta bastante de jogar Love Balls junto com a mãe, que virou um passatempo das duas.

:: Confira também: Como encontrar o equilíbrio com tela na vida das crianças ::

Riscos

Segundo a Sociedade Canadense de Pediatria, a exposição a telas (qualquer tipo: televisão, computador, celulares, tablets) afeta negativamente crianças menores de cinco anos na linguagem, atenção, desenvolvimento cognitivo, execução de tarefas, memória a curto prazo, leitura e matemática. Em relação às crianças menores de 2 anos, foi percebido dificuldade em diferenciar o que é realidade e o que acontece nas telas.

Além disso, crianças expostas em excesso às telas, ou seja, mais de duas horas por dia, apresentam comportamentos agressivos e antissociais, geralmente porque os pais estão mais inclinados a utilizar as tecnologias como “chupeta” para crianças com comportamento “desafiador”.

Saúde física

Quando se trata de saúde física, crianças que ficam bastante tempo na frente das telas rotineiramente têm um risco maior de sedentarismo e sobrepeso. Quando aplicativos não têm controle parental, as crianças estão expostas à propagandas de fast food, por exemplo, que encorajam a comer “lanchinhos” fora de hora e incentivam esse padrão de alimentação, além de passarem mais tempo sentadas ou deitadas expostas às telas quando poderiam estar praticando atividades que demandam um mínimo de exercício físico.

Esse tipo de propaganda atinge geralmente crianças de 2 a 6 anos. Problemas de sono também estão associados à exposição das telas: utilizar aparelhos com telas brilhantes — que contém luz azul — antes de dormir causam supressão de melatonina, o hormônio do sono. Para mitigar esse problema muitos aparelhos e apps contam com a ferramenta de controle de luz azul, que diminui o brilho da tela do aparelho e minimiza os efeitos da insônia.

Benefícios

Os benefícios potenciais no desenvolvimento de crianças acontecem a partir dos dois anos de idade, quando é exposta a um conteúdo, linguagem, tempo e design apropriados para essa fase. Programas e apps de qualidade promovem aspectos positivos no desenvolvimento cognitivo, imaginação, linguagem (aprendendo novas palavras) e ajudam na alfabetização.

Vale lembrar que os benefícios só se dão quando a exposição à telas é feita de maneira responsável, acompanhado e sem substituir o afeto e a presença dos pais e familiares.

Em relação à saúde física, é muito difícil dizer que o uso de telas é benéfico para crianças. Apenas se crianças utilizarem apps relacionados a alguma atividade física, como yoga ou dança, em que os usuários precisam se movimentar, terão algum benefício.

Este benefício pode ser encontrado também em jogos como Just Dance do Nintendo Wii, e o Labo, um acessório de papelão para o Nintendo Switch que permite que o usuário monte ferramentas para interagir com os jogos, como armaduras, por exemplo.

Aplicativos com alguma interatividade, em que as crianças consigam sair na postura do celular na altura da barriga e a cabeça pra baixo, e ajeitar a postura e se mexer, também podem ter algum benefício em relação aos que não contêm interatividade alguma.

Recomendações

Para minimizar os efeitos negativos, a Sociedade Canadense de Pediatria sugere que as crianças sempre estejam acompanhadas dos pais ou de outro familiar neste tipo de atividade.

Priorizar aplicativos educacionais e que a criança utilize a criatividade e tenha interatividade, respeitar a classificação indicativa e evitar conteúdos com propaganda também são sugestões importantes.

Escolher junto com a criança o que vai ser visto também é efetivo (“vamos assistir isto, neste momento por este motivo”). Limitar o uso de smartphones em espaços públicos, durante rotinas familiares e durante as refeições é um bom hábito para aumentar e incentivar a interação com familiares amigos, e fazer com que a criança consiga distinguir desde cedo o que é e o que não é realidade.

Conteúdo

Quanto à escolha do que consumir, o recomendável é escolher pelos conteúdos de qualidade e que não exponha a criança à propagandas e anúncios. Caso haja exposição, ajude a criança a reconhecer e questionar propagandas, estereótipos ou outros conteúdos.

Em relação aos conteúdos, preste atenção em alguns itens como imagem corporal, violência, problemas sociais, diversidade e gênero.

Por causa da qualidade do sono, é recomendável que a criança não tenha nenhum tipo de aparelho eletrônico no quarto e evite utilizar aparelhos com tela por pelo menos uma hora antes de dormir.

Vale lembrar

Uso de telas por crianças com menos de 2 anos não é recomendado. Crianças entre 2 e 5 anos é recomendado o uso de no máximo uma hora por dia e não deve fazer parte da rotina das crianças.

Os pais também devem se policiar ao uso de celulares. Crianças seguem exemplos, e se os pais passam muito tempo atrás das telas, as crianças também vão querer. Aproveitar os momentos em família e respeitar a hora das refeições sem o uso de telas é fundamental para que a criança tenha bons hábitos em relação à todas as tecnologias.

Referências: Canadian Paediatric Society MindMiners Clinical Report—The Impact of Social Media on Children, Adolescents, and Families