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Jogo “Fato ou Opinião” ajuda crianças a identificarem fake news

As chamadas fake news, que são notícias que contém opiniões passadas como verdade ou informações falsas, são compartilhadas por muitas pessoas centenas de vezes, principalmente por meio das redes sociais. Esses dados e informações, por vezes, são interpretados por aqueles que as veem como um fato inquestionável. Diante dessa grande quantidade de notícias compartilhadas a todo minuto, como podemos identificar quais são verdadeiras e quais são falsas? Vamos te apresentar o jogo Fato ou Opinião, que é bem legal para ajudar as crianças identificarem as fake news!

Samantha Diegoli, diretora da escola Avalon, de Florianópolis, compartilhou um jogo simples e muito útil para as crianças desenvolverem as suas capacidades de observação e discernimento mental para identificar essas fake news, além de auxiliar no manejo emocional. Esse jogo é útil para os adultos também, já que as fake news chegam a todos nós.

No vídeo publicado no YouTube da Avalon, Sami fala do jogo: “nós ensinamos as crianças a não engolirem uma informação só porque alguém importante falou ou porque foi de algum site, ou da Wikipédia. Nós dizemos: vamos buscar as evidências. A é um fato e B é uma opinião. Vamos buscar o A atrás desse B”.

Ela explica também que o jogo é muito interessante para trabalhar a emoção. “Quando estamos falando de interpretações, normalmente o nosso estado emocional fica muito mais ativo. Inclusive, as discussões que temos, sejam no trabalho ou em casa, normalmente é uma opinião querendo convencer a outra pessoa de qual das duas é verdade, mas não é nenhuma das duas. Então envolve muito o emocional, ativa muito o emocional. Quando chegamos em um fato, o emocional acalma. Então nós usamos muito isso para inclusive para trabalhar o emocional”. 

Antes de ensinar sobre o jogo especificamente, vamos apresentar algumas definições. 

O que é um fato? 

O fato é algo que é possível visualizar e que as pessoas junto com conseguem ver a mesma coisa. Ou seja, um fato pode ser visto por todos de forma igual. 

Se eu descrever esse fato ou outra pessoa descrever o fato, teoricamente, se for um fato, a descrição vai ser a mesma. 

O que é uma opinião? 

A opinião é uma interpretação, ou seja, é uma descrição com um “toque pessoal”.

A opinião pode ser uma descrição, mas contém uma opinião pessoal em cima dela. A interpretação ou a opinião dá margem para que outra pessoa diga “Eu não estou de acordo”.

Exemplo: “Hoje está muito quente”. Essa informação é um fato ou interpretação/opinião? 

Se você pode responder “Eu não acho”, é uma interpretação. Então, “Hoje está muito quente” é uma interpretação pessoal, de como alguém está sentindo o dia. 

O que seria um fato se aplicado nesse contexto? 

O fato seria se hoje estivesse marcando 35ºC no termômetro. Dessa forma, podemos concluir que um fato é quando todos podem ver o mesmo. 

Qualquer pessoa que disser “eu não acho que está calor”, nós podemos ver a temperatura e notar que é um fato, já que a temperatura está alta. A descrição desta temperatura, ou seja, se está calor ou não está calor, é uma opinião pessoal, não um fato.  

Podemos dizer então que, diante de uma opinião, podemos discordar daquilo que foi dito. 

:: Leia também: Jogos e brincadeiras de criança: como é bom! ::

Vamos treinar “Fato ou Opinião”? 

Abaixo há algumas frases e você pode dizer se é uma opinião ou interpretação. 

Vamos imaginar juntos um tablado de madeira e uma gata em cima desse tablado. Em volta dela há algumas flores, árvores e um gramado. Essa imagem será útil para ilustrarmos os exemplos a seguir. 

Exemplo 1:

“Olha gente, que gata mais fofinha.” Fato ou opinião? 

A gatinha fofinha é uma opinião. Mesmo que muitos de nós tenham imaginado a gata fofinha, continua sendo várias opiniões. 

Lembre-se: várias opiniões iguais não transformam essa opinião em um fato, elas continuam sendo opiniões. 

Exemplo 2:

“Tem uma gata muito fofa aqui do meu lado.” Fato ou opinião?

Que a gata está do meu lado é fato. Se ela é muito fofa, como já vimos, é uma opinião. 

Exemplo 3:

“Olha só sente, a gata está curtindo a natureza e sentindo o cheiro das flores.” Fato ou opinião? 

A gatinha curtindo a natureza é totalmente uma opinião, pois não sabemos o que ela está fazendo ali, se ela viu um besouro ou algum outro animal. Então é uma opinião. 

Exemplo 4:

“Essa gatinha que se chama Lua subiu aqui em cima do meu tablado.” Fato ou opinião? 

Com essa frase nós podemos pensar: será que essa gata se chama Lua? Se vocês quiserem comprovar que é um fato, é necessário perguntar o nome dela a sua dona ou a alguém que a conheça. Mas sim, a gatinha se chama Lua, então é um fato. 

A segunda parte da frase: “Ela subiu aqui em cima do meu tablado”. Na verdade, parece muito um fato, mas ninguém sabe se ela subiu ou se alguém a colocou ali. Ela realmente subiu, é um fato, mas quem não viu ela subindo não vai saber como ela foi parar nesse local. 

Exemplo 5:

“A gatinha está deitada ali em cima do tablado de madeira.” Fato ou opinião? 

É um fato, já que todos podem ver que a gata está deitada sobre um tablado de madeira. 

Agora vamos para o jogo “Fato ou Opinião”

O jogo pode ser feito em família ou com várias pessoas, e a ideia é que possamos falar frases para o outro analisar e dizer se é um fato ou uma opinião. Ele pode ser praticado em casa ou quando se está no carro, já que ao redor estão acontecendo coisas que poderão ser usadas como elementos do jogo. 

Vão sendo ditas frases e a criança vai adivinhar ou deduzir se isso é um fato ou se é uma opinião. Um exemplo: “Olha, tem uma mulher de camiseta vermelha sentada naquele banco.” Fato ou opinião? Ou pode-se dizer também: “Olha, que mulher magrinha”, isso é fato ou opinião? E assim a brincadeira segue. 

No começo são indicadas frases mais simples. De início pode-se fazer cinco frases que sejam fatos e depois outras cinco frases que sejam opinião. 

Na medida em que pais e crianças vão ficando mais experientes no jogo, nós começamos a falar uma opinião como se fosse um fato para pegar o outro. Cada vez que acertamos ganhamos pontos e quando não acertamos o outro ganha pontos e nisso consiste o jogo. 

Exemplo no nível 1 do Fato ou Opinião:

Estamos andando de carro e vejo uma pessoa passando de bicicleta e digo: “Tem uma mulher andando de bicicleta aqui na rua.” Fato ou opinião? A resposta é um fato, porque não contém nenhuma opinião ou interpretação. 

E como seria um nível 2 do Fato ou Opinião

Exemplo: “Olhem, essa mulher está andando de bicicleta aqui na rua para emagrecer.” Fato ou opinião?

Nesse caso a criança tem que identificar que foi utilizado um fato, já que uma mulher está andando de bicicleta, mas depois disso foi inserida uma opinião. Ou seja, metade é fato e a outra metade é uma opinião e por isso esse é um nível mais avançado. 

Dica importante: existem algumas palavras ou expressões, que quando elas aparecem, podemos ter certeza de que não é um fato. Algumas dessas expressões são: sempre, nunca, tudo, nada, todo mundo, ninguém, tal coisa deveria ser. Sempre que existem essas palavras, podemos dizer que é uma opinião. 

Bom jogo e se divirtam!

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Débora Nazário

Fazer o bem faz bem? Como a bondade genuína afeta o cérebro

Quando oferecemos ajuda para alguém, ou quando olhamos para o próximo com compaixão e, a partir disso, tomamos alguma atitude, estamos praticando a bondade. Esses atos que podem passar despercebidos pela nossa rotina fazem muito bem para o outro e também para nós mesmos. Sabe aquela sensação que você sente depois de praticar a bondade? Ela faz parte dos efeitos que a bondade genuína causa no nosso cérebro

A bondade ativa regiões de recompensa de nosso cérebro

Em 2018, um grupo de pesquisadores britânicos da University of Sussex afirmou que atos de generosidade ativam as regiões de recompensa do cérebro.

O estudo analisou 1.150 participantes cujos cérebros foram escaneados através de exames de ressonância magnética (fMRI) ao longo de um período de dez anos com um diferencial nessa análise: a comparação feita entre o verdadeiro altruísmo e a bondade estratégica, ou seja, aquelas atitudes que são feitas esperando algo em troca ou algum tipo de reconhecimento. 

“Este grande estudo levanta questões sobre as pessoas que têm motivações diferentes para dar aos outros: interesse próprio claro versus o sentimento caloroso do altruísmo”, afirmou o líder da pesquisa, Dr. Daniel Campbell-Meiklejohn em um comunicado publicado logo após a divulgação do estudo. 

“A decisão de compartilhar recursos é a pedra angular de qualquer sociedade cooperativa. Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir uma ‘pessoa boa’, mas também que as pessoas podem escolher ser gentis quando pensam que pode haver algo nisso em benefício delas, como um favor retribuído ou reputação melhorada” afirmou. 

A recompensa é maior quando agimos com uma bondade que não é estratégica

Os pesquisadores descobriram que as decisões estratégicas de bondade mostraram maior atividade nas regiões do corpo estriado do cérebro do que as escolhas altruístas, que são aquelas que não se espera nada em troca. O corpo estriado atua na memória não declarativa ou implícita, que são as memórias subconscientes e algumas habilidades como andar de bicicleta ou patinar no gelo. Ou seja, atividade que fazemos “no automático”.

Já a bondade genuína, mais do que estratégica, ativa o córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido durante decisões generosas e o processamento através de um eixo posterior para anterior diferencia esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial posterior foi recrutado preferencialmente durante as decisões altruístas. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando  somos bondosos de uma maneira genuína.

A bondade genuína, mais do que a estratégica, ativa uma parte do cérebro chamada córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). Estudos mostraram que  o volume médio de matéria cinzenta do sgACC é anormalmente reduzido em indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno bipolar, independentemente do estado de humor. 

O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido nas decisões generosas e é responsável por diferenciar esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial participa do processamento de risco e de medo, já que faz um importante papel na regulação da atividade da amígdala. O vmPFC também desempenha um papel importante na inibição de respostas emocionais e no processo de tomada de decisão e autocontrole, além de estar envolvido no senso de moralidade.

Após essas análises, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando somos bondosos de forma genuína.

A ciência da bondade 

Ao pesquisar sobre os efeitos da bondade em nosso cérebro, encontramos a Random Acts of Kindness Foundation, uma organização sem fins lucrativos que investe recursos para tornar a gentileza amplamente praticada pelas pessoas, seja em casa, na escola ou no ambiente de trabalho. 

Essa iniciativa é baseada em estudos científicos que comprovam que podemos viver melhor ao praticar a bondade. Para embasar essas evidências, o site da fundação apresenta pesquisas sobre o tema que vamos listar abaixo.  

A bondade aumenta o hormônio do amor: 

O hormônio do amor chamado ocitocina é liberado quando realizamos atos de bondade. Essa liberação ajuda a reduzir a pressão arterial e a melhorar a saúde geral do coração. – Natalie Angier, The New York Times

Energia: 

Metade dos participantes de um estudo relatou se sentirem mais fortalecidos e com mais energia depois de ajudar os outros. Alguns relataram também se sentirem mais calmos e menos deprimidos. – Christine Carter, UC Berkeley, Greater Good Science Center

Felicidade: 

Uma pesquisa de felicidade da Harvard Business School de 2010 em 136 países descobriu que as pessoas que praticam a bondade genuína eram mais felizes de modo geral. 

Prazer:

De acordo com uma pesquisa da Emory University, quando você é gentil com outra pessoa, os centros de prazer e recompensa de seu cérebro se iluminam, como se você fosse o destinatário da boa ação – não o doador. Este fenômeno é chamado de “alta do ajudante”.

:: Leia também: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Praticar a bondade pode diminuir a ansiedade 

Um estudo realizado pela professora Dr. Lynn Alden da University of British Columbia e pela psicóloga Jennifer Trex indica que a ansiedade social pode diminuir ao praticar a bondade.

Para a pesquisa, os autores recrutaram 115 estudantes de graduação que apresentavam altos níveis de ansiedade social. Esses participantes foram divididos de maneira aleatória em três grupos para uma intervenção que durou quatro semanas. 

Um dos grupos foi incentivado a realizar atos de bondade; outro grupo foi exposto a interações sociais; e o terceiro não recebeu instruções, foi pedido apenas que os participantes fizessem registros de suas rotinas. Os resultados mostraram que a maior diminuição no desejo de evitar interações sociais foi observada entre os indivíduos que foram incentivados a realizar atos de gentileza.

O que a Professora Lynn Alden diz

“O objetivo central do tratamento para o transtorno de ansiedade social é aumentar o envolvimento em situações sociais, que os indivíduos socialmente ansiosos costumam evitar. Os exercícios de exposição social podem ser aprimorados encorajando indivíduos ansiosos a se concentrarem em ações amáveis. Portanto, abrir a porta para um vizinho que está empurrando um carrinho de bebê, agradecer aos balconistas da mercearia pela ajuda ou oferecer um café para um colega de trabalho pode ser uma boa maneira de começar a exposição social”, relatou a professora. 

A professora Lynn Alden explicou também que atos de bondade podem ajudar a combater o medo da pessoa socialmente ansiosa de uma avaliação negativa de terceiros, promovendo percepções e expectativas mais positivas de como as outras pessoas irão reagir.

“Descobrimos que qualquer ato gentil parecia ter o mesmo benefício, mesmo pequenos gestos como abrir a porta para alguém ou dizer “obrigado” ao motorista do ônibus. A gentileza não precisa envolver dinheiro ou esforços demorados, embora alguns de nossos participantes o fizessem. A gentileza nem precisava ser “cara a cara”. Por exemplo, atos de bondade podem incluir doar para uma instituição de caridade ou colocar uma moeda no parquímetro de alguém quando você perceber que ele está piscando. Estudos feitos por outros pesquisadores sugerem que é importante que o ato gentil seja feito por si mesmo, e que não pareça coagido ou seja feito para benefício pessoal. Tirando isso, vale tudo”, explicou. 

Praticar a bondade pode retardar o envelhecimento

A ocitocina, hormônio produzido através do calor emocional, age na redução dos níveis de radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular e, dessa forma, retarda o envelhecimento na origem. Os radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular desempenham um papel relevante e é por isso que podemos dizer que a bondade faz bem também para o coração. 

Algumas revistas científicas já publicaram estudos sobre a forte ligação entre a compaixão e a atividade do nervo vago. O nervo vago, além de regular a frequência cardíaca, também é responsável por controlar os níveis de inflamação no corpo. 

Um estudo analisou a meditação de budistas tibetanos e descobriu que a bondade e a compaixão auxiliam na redução da inflamação no corpo, provavelmente devido aos seus efeitos no nervo vago.

Essas análises estão presentes no livro “The Five Side Effects of Kindness: This Book Will Make You Feel Better, Be Happier & Live Longer” escrito pelo Dr. David R. Hamilton, que é formado em Química Orgânica e trabalhou durante vários anos na indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. 

NOTA DA EDITORA

Todas essas informações falam da bondade genuína. Genuíno significa puro, real, verdadeiro. É importante levar isso em consideração porque ninguém pode cobrar atos de bondade genuína das pessoas. Essas ações vêm de forma espontânea, direto do coração.

Aos papais e mamães: dar o exemplo realmente é uma forma de mostrar para as crianças como fazer o bem faz bem, mas forçar situações não é a solução. Se você não está num dia bom, não force nada que não queira fazer para “ser um bom exemplo aos seus filhos”. Isso não irá fazer bem a você e nem aos pequenos. Também evite cobrar boas ações das crianças. Ninguém vai deixar de ser uma boa pessoa porque não segurou a porta para alguém entrar. 

Deixe que essas qualidades sejam manifestadas por elas mesmas, sem forçar ou incentivar. A beleza e os benefícios da genuinidade é deixar que venha e se manifeste de forma espontânea. Não se preocupe em “ser mais bondoso” ou “ensinar os filhos a ser bons”. A bondade está dentro de todo mundo, basta percebê-la e deixá-la manifestar.

O que é Desenvolvimento Cognitivo?

O termo desenvolvimento cognitivo é bastante citado por terapeutas, médicos e educadores. Nós também já usamos essas duas palavras em diversos conteúdos que publicamos aqui no blog. Mas você sabe o que ele significa? 

Em entrevista realizada em dezembro de 2019 para a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que desde 2007 trabalha pela causa da Primeira Infância e o desenvolvimento de crianças em seus primeiros anos de vida, o médico Drauzio Varella explicou um pouco sobre o desenvolvimento cognitivo

“A gente nasce com todo o equipamento neurológico ‘armado’, mas não pronto. O cérebro é uma miniatura do cérebro adulto, morfologicamente falando, a forma está bem estabelecida. Só o que faz o desenvolvimento das atividades cognitivas não é a forma do cérebro, não são os neurônios. São as ligações entre eles, porque é por ali que vai correr a informação, através dessas conexões que são estabelecidas. Se você estimula essas conexões, com brincadeiras, inventando histórias e lendo para a criança, ela vai desenvolvendo uma capacidade cognitiva baseada no estímulo das formações das sinapses, que são os contatos entre os neurônios”, explicou. 

Três conceitos fundamentais sobre o desenvolvimento cognitivo na primeira infância

Para explicar um pouco mais sobre essas conexões que acontecem no nosso cérebro, vamos apresentar três conceitos fundamentais sobre o desenvolvimento na primeira infância desenvolvidos pelo Conselho Científico Nacional da Criança em Desenvolvimento da universidade de Harvard. 

Esses três conceitos mostram como os avanços na neurociência, biologia molecular e genômica dão uma compreensão muito melhor de como as primeiras experiências são construídas em nossos corpos e cérebros, para melhor ou para pior.

1. As experiências moldam a arquitetura do cérebro

As experiências vividas pelas crianças durante os primeiros anos de vida têm impacto duradouro na arquitetura do cérebro e no desenvolvimento. Os genes representam o diagrama a ser executado, mas as experiências moldam o processo que define se o cérebro formará uma base forte ou fraca para aprendizagem, comportamento e saúde ao longo da vida. 

Durante essa fase importante do desenvolvimento, bilhões de células cerebrais chamadas neurônios enviam sinais elétricos para se comunicarem entre si. Essas conexões formam os circuitos que estabelecem a arquitetura básica do cérebro. Circuitos e conexões se multiplicam rapidamente e se fortalecem por meio do uso frequente. 

Nossas experiências e o ambiente em que vivemos determinam quais circuitos e conexões são mais usados. As conexões mais usadas se fortalecem e se tornam permanentes, enquanto as conexões pouco usadas desaparecem através de um processo normal chamado poda. Os circuitos simples se formam primeiro, constituindo a base sobre a qual os mais complexos serão formados depois. 

É através desse processo que os neurônios formam circuitos e conexões para emoções, habilidades motoras, controle do comportamento, lógica, linguagem e memória. Tudo isso acontece durante os períodos iniciais do desenvolvimento. 

Com o uso repetido, os circuitos se tornam mais eficientes e se conectam mais rapidamente às outras áreas do cérebro. Embora se origine em áreas específicas do cérebro, os circuitos são interligados e não se pode ter um tipo de habilidade sem as demais para complementá-la. É como na construção de uma casa, tudo está conectado, e o que vem primeiro forma a base para o que virá depois.  

2. O jogo de ação e reação modela os circuitos do cérebro

Uma arquitetura sólida do cérebro se forma por meio do jogo de ação e reação entre a criança e os adultos. Nesse jogo de desenvolvimento, os neurônios formam novas conexões no cérebro na medida em que a criança instintivamente faz expressões com o rosto, sons e gestos, e o adulto reage de maneira bem significativa e com o foco na ação da criança.

Isso começa bem cedo na vida, quando um bebê tenta se expressar e o adulto interage chamando a atenção do bebê para o seu rosto ou a sua mão. Essa interação forma as bases da arquitetura cerebral a partir da qual todo desenvolvimento futuro será construído. 

O jogo de ação e reação ajuda a criar conexões por meio dos neurônios em todas as áreas do cérebro, estabelecendo as habilidades emocionais e cognitivas que as crianças precisam para viver. Por exemplo: as habilidades de linguagem e de alfabetização se formam quando um bebê vê um objeto e o adulto pronuncia o nome desse objeto. Isso cria conexões dentro do cérebro do bebê entre sons específicos e objetos correspondentes. 

Mais tarde, os adultos mostram às crianças que tais objetos e sons também podem ser representados por marcas em uma página. Com apoio constante dos adultos, as crianças aprendem a decifrar essa escrita e, então, a escrever. Cada etapa se constrói a partir da anterior. 

Assegurar que as crianças tenham cuidadores envolvidos no jogo de ação e reação desde os primeiros meses é promover a construção de uma base sólida no cérebro para toda aprendizagem, o comportamento e a saúde pelo resto da vida. 

3. O estresse tóxico prejudica o desenvolvimento saudável

Aprender a lidar com o estresse é uma parte importante do desenvolvimento saudável. Quando vivenciamos a experiência do estresse, o sistema de resposta a ele é ativado, o corpo e o cérebro ficam em alerta, a adrenalina toma conta e os batimentos cardíacos aumentam, bem como os níveis de hormônios de estresse. Quando o estresse é aliviado, em pouco tempo ou a criança recebe apoio de um adulto acolhedor, a resposta ao estresse e o corpo rapidamente voltam ao normal

O estresse é aliviado quando a criança recebe apoio acolhedor de um adulto. Em pouco tempo o corpo da criança reage à resposta do adulto e desacelera voltando ao normal. Em situações severas como abuso e negligência contínuos ou quando não há um adulto acolhedor para amortecer os impactos do estresse, a resposta ao estresse continua ativada. Mesmo quando não há dano físico aparente, a falta prolongada de atendimento por parte dos adultos pode ativar o sistema de resposta ao estresse.

A ativação constante de resposta ao estresse sobrecarrega os sistemas em desenvolvimento. O resultado disso são consequências sérias e duradouras para a criança, e esse processo é conhecido como estresse tóxico. Ao longo do tempo, ele resulta num sistema de resposta ao estresse permanentemente em alerta

A ciência mostra que a ativação prolongada aos hormônios de estresse na primeira infância pode reduzir o número de conexões neuronais nessas regiões importantes do cérebro num período em que as crianças deveriam estar desenvolvendo conexões novas. O estresse tóxico pode ser evitado se assegurarmos que os ambientes nos quais as crianças crescem e se desenvolvem são acolhedores, estáveis e estimulantes. 

Quando questionado sobre o desenvolvimento na primeira infância e a saúde ao longo da vida no Podcast The Brain Architects Podcast do Center on the Developing Child da Universidade de Harvard, o diretor do Centro, Dr. Jack Shonkoff, explica que uma das mensagens mais importantes que vêm da nova ciência nos obriga a conectar o cérebro ao resto do corpo. “O que acontece no início não é importante apenas para o aprendizado, para o desenvolvimento social e emocional, e para o desempenho escolar, mas é uma influência importante em sua saúde física e mental para o resto de sua vida”.   

Jack também conta que não existem cérebros perfeitos ou sistemas imunológicos perfeitos. “Como crescemos, como aprendemos, como nossa saúde está relacionada à interação, como somos individualmente conectados e sobre o que são nossas experiências de vida. E a parte mais importante de nossas experiências de vida é o ambiente de relacionamentos em que crescemos. Assim como o ambiente físico também tem a sua importância. Quão seguro ele é? Quão protegidos ou expostos estamos a substâncias tóxicas no meio ambiente? Quanto espaço temos para nos movimentar? Todas essas coisas juntas, interagindo com a ideia de que todos são únicos do ponto de vista genético, resultam em uma ampla gama de desenvolvimento”. 

Como a pedagogia explica o desenvolvimento cognitivo:

Para entendermos como a pedagogia explica o desenvolvimento cognitivo, conversamos com a Carol Mota, que é pedagoga, psicopedagoga clínica e autora da obra Autismo na Educação Infantil: Um Olhar para Interação Social e Inclusão Escolar. Ela explicou que o brincar é a melhor forma de estimular esse desenvolvimento. 

“Na medida em que as crianças brincam, elas estão aprendendo o tempo todo. Quando brincam explorando algum brinquedo específico que envolve a questão espacial ou as questões sensoriais, por exemplo, vai estimular o raciocínio lógico e também a memória”, disse. 

“No momento em que brincam entre si, elas também estão aprendendo uma forma de se relacionar com o outro e isso vai expandindo os processos cognitivos. Precisamos pensar que, embora os processos cognitivos existam, eles não se expandem fora de um contexto cultural e de interação social. É interagindo com os outros, com troca interativa entre os pares, entre crianças ou adultos, que a criança se apropria de novas habilidades”, explicou a pedagoga. 

A interação é fundamental: 

Carol destacou que mais do que jogos que estimulam o raciocínio, o mais importante e fundamental é sempre a interação que acontece nesses momentos.

“A interação social, a troca interativa: é nela que vamos trabalhar essas questões de modo mais significativo. Na medida que interagimos, nos comunicamos e dialogamos com outra pessoa, nós precisamos refletir sobre o nosso comportamento, precisamos pensar em que resposta vamos dar a determinada pergunta. Conforme estamos refletindo e formulando questões, os nossos processos cognitivos estão ativos e nesse diálogo entre eu e o outro, é quando esses processos vão se expandindo, quando o desenvolvimento cognitivo vai emergindo”. 

“É com a brincadeira que as crianças vão aprender a utilizar seus corpos, partindo do contato com diferentes linguagens, que podem envolver música, artes plásticas etc. Assim, a criança vai conhecer o outro e o mundo através de diversas perspectivas diferentes, e isso auxilia nas habilidades cognitivas”, contou a psicopedagoga.

Texto: Débora Nazário

Importância da mentira, da fantasia e da imaginação na infância

Quem já ficou surpreendido com uma história contada por alguma criança? Uma narrativa de fantasia e imaginação cheia de detalhes e um enredo repleto de elementos quase inimagináveis

Provavelmente a sua resposta é sim. É muito comum que as crianças contem histórias com muitos detalhes para aqueles que convivem. 

As histórias e suas perspectivas vão mudando de acordo com a idade, pois elas acompanham o desenvolvimento dos pequenos. A capacidade de criar essas narrativas muda e vai ganhando novas formas e camadas. 

A infância é um universo muito propício para a imaginação, pois é a fase da vida onde aprendemos, observamos tudo e percebemos o mundo e os outros à nossa volta. Quando criança, percebemos e sentimos frustração, alegria, tristeza e vários outros sentimentos que nem sabemos nomear. 

As perguntas que ficam são: esses comportamentos, que são muito comuns na rotina das crianças, devem ser estimulados? Qual é a importância deles na infância? Eles podem contribuir com o processo de aprendizagem e autonomia? Vamos falar sobre esses e outros questionamentos abaixo, acompanhe!

O faz de conta como forma de expressão

É legal ver em quais momentos as narrativas cheias de imaginação são construídas pelas crianças e perceber aquilo que as deixam confortáveis. Dessa forma, será mais fácil entender qual é o “recado” que elas querem dar. Algumas vezes também não vai existir um “recado”, mas sim uma expressão do que elas enxergam e como conseguem externalizar as suas percepções

Segundo Deborah Moss, que é neuropsicóloga, especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento, em entrevista concedida ao Portal Viver Bem da UOL, afirmou que “as crianças podem usar sua imaginação para criar um ou mais companheiros de brincadeiras e conceber cada um deles de uma maneira particular, para externalizar suas relações, o que sentem, ou aprendem no dia a dia. Essas representações têm a ver com entrar em contato consigo mesmo”. 

:: Veja também: Rimas na alfabetização: conheça os benefícios ::

Inventar diálogos: 

As crianças em diversas situações repetem aquilo que ouvem dos adultos. Muitas vezes elas dão voz a objetos e reproduzem os discursos que escutam. Elas usam a imaginação e criam diálogos entre esses objetos, inventam situações e também acabam encontrando soluções para os conflitos que elas próprias criaram. 

Essas brincadeiras são extremamente positivas pois enriquecem o vocabulário, treinam a fala e estimulam a capacidade de lidar com conflitos, mesmo que sejam todos de brincadeira. 

Amigos imaginários: 

É comum que crianças tenham amigos imaginários que os acompanham nas atividades do dia-a-dia.  

Durante muitos anos, os amigos imaginários foram associados com faltas de habilidades sociais, mas isso é um grande erro segundo a opinião da professora emérita Marjorie Taylor, da Universidade de Oragon, localizada em Eugene, no estado de Oregon, nos EUA. 

De acordo com Marjorie, esses amigos podem variar em relação à personalidade e nível de conexão com a rotina das crianças. Alguns são personagens de filmes, brinquedos reais, a própria imagem no espelho, partes do corpo, desenhos e outros, que trazem para a própria imaginação. O período de existência deles pode ser variável chegando a durar poucos dias ou até anos. 

Segundo a professora, os amigos imaginários podem ajudar a criança a lidar com problemas emocionais ou medos. Ela também disserta sobre como as crianças que têm amigos imaginários não apresentam desvantagens em cognição social, diferente do que muitos acreditavam há alguns anos. 

Na tese de mestrado”A criação de amigos imaginários: um estudo com crianças brasileiras“, de Natália Benincasa Velludo, traz evidências de que “a criação de amigos imaginários não se associa a déficits em desenvolvimento, e pode inclusive ser um preditor de habilidades mais sofisticadas, como por exemplo, um vocabulário mais desenvolvido”. 

Ou seja, diferente do que a nossa cultura prega, crianças com amigos imaginários não têm problemas com atenção ou com atraso de desenvolvimento, e que essas crianças podem apresentar vocabulários mais robustos.

Desenvolvimento da autoconfiança 

Por meio de histórias e criatividade, as crianças podem criar personagens imaginários fortes, valentes e conseguem lidar com diversas situações. Quando os pequenos entram em contato com esses personagens, eles podem se “espelhar” nessas histórias e superar os seus medos e angústias com a ajuda desse incentivo. 

A psicóloga Sally Goddard Blythe, que é autora do livro The Genius of Natural Childhood: Secrets of Thriving Children, afirma que “a imaginação é a capacidade de criar imagens visuais no olho da mente, o que nos permite explorar todos os tipos de imagens e ideias sem ser restringidos pelos limites do mundo físico. É assim que as crianças começam a desenvolver habilidades de resolução de problemas, surgindo com novas possibilidades, novas maneiras de ver e ser, que desenvolvem importantes percepções de pensamento crítico que ajudarão a criança por toda a vida.”

As crianças e as mentiras

Crianças mentem, independentemente da criação ou dos exemplos dos pais. Muitos defendem que crianças mentem para se defender, para fugir de uma situação que não querem enfrentar ou para conseguir o que desejam. E sim, isso acontece, mas não somente por isso. Os motivos pelos quais crianças mentem vão muito além e fazem parte do desenvolvimento cognitivo, da linguagem e da noção de realidade das crianças. 

Existem evidências de que o comportamento de contar mentiras na infância tem relação com o funcionamento executivo. Segundo o estudo Social and Cognitive Correlates of Children’s Lying Behavior publicado em 2008, as habilidades do funcionamento executivo surgem no final da primeira infância e vão se desenvolvendo ao longo de toda a infância, uma época em que os pesquisadores notaram aumento na habilidade de contar mentiras. 

Foi sugerido que o controle inibitório (capacidade de suprimir processos de pensamento ou ações interferentes) e a memória de trabalho (sistema para reter e processar temporariamente informações na mente) podem estar diretamente relacionados às mentiras das crianças. Ao mentir, a criança deve suprimir o relato da transgressão que deseja esconder, e representar e proferir a informação falsa que difere da realidade.

Para manter suas mentiras, as crianças devem inibir aqueles pensamentos e afirmações que são contrárias à sua mentira e que revelariam sua transgressão, mantendo na memória o conteúdo da mentira. Assim, para contar mentiras e mentir com sucesso, as crianças devem ser capazes de manter alternativas conflitantes em sua mente (ou seja, o que elas realmente fizeram / pensaram e o que disseram que fizeram / pensaram). 

Muitas mentiras contadas pelas crianças não têm um motivo aparente. Ou seja: não é para conseguir algo, para fugir de uma situação ou para chamar atenção. Elas mentem porque isso faz parte do processo de crescer. Crianças não sabem o conceito de moral e é durante a infância que experienciam algumas coisas relacionadas a isso. E mentir é um dos caminhos que as crianças naturalmente encontram para vivenciar esses conceitos sociais. A mentira têm um aspecto diferente para cada idade das crianças:

Crianças de 2 a 4 anos

Nessa idade, as habilidades de linguagem estão surgindo e as crianças ainda não sabem exatamente onde a verdade começa e termina. Nesse período, elas não conseguem manter as mentiras que contam.

As crianças menores também têm uma compreensão bem instável da diferença entre realidade, devaneio, desejos e vontades, fantasias e medos.

Ou seja, quando a criança é confrontada com algo que ela pegou sem permissão e ela nega, ela pode expressar o desejo de que não gostaria de ter pegado ao dizer que não pegou, muito por uma limitação de linguagem. 

Crianças de 5 a 8 anos

Entre as idades de 5 a 8 anos, as crianças contam mais mentiras para testar o que conseguem fazer, especialmente mentiras relacionadas à escolas – aula, deveres de casa, professores e amigos. Manter as mentiras ainda pode ser difícil, embora elas estejam se tornando cada vez melhores em escondê-las.

Segundo a psiquiatra pediátrica Elizabeth Berger, “os regulamentos e responsabilidades desta idade costumam ser demais para as crianças. Como resultado, as crianças muitas vezes mentem para apaziguar as forças que parecem exigir mais desempenho do que podem reunir”.

Crianças de 9 a 12 anos

A maioria das crianças dessa idade está no caminho certo para estabelecer uma identidade de esforçada, confiável e consciente. Mas elas também estão se tornando mais hábeis em manter mentiras e mais sensíveis às repercussões de suas ações, e podem ter fortes sentimentos de culpa depois de mentir.

Conversas diretas e mais longas sobre honestidade são definitivamente necessárias, pois haverá raros momentos de “mentirinha” em que alguma desonestidade é aceitável para ser educado ou poupar os sentimentos de outra pessoa.

Como lidar com as mentiras dos pequenos?

Enquanto mentir faz parte do desenvolvimento normal de uma criança, pais e educadores podem dar suporte para as crianças em três sentidos, segundo um artigo do Neuroscience:

Primeiro, evite punições. Um estudo comparou uma escola que usava correções punitivas (como bater com um pedaço de pau, estapear e beliscar) e uma escola que usava correções não punitivas, alunos da escola com punições punitivas eram mais prováveis de serem mentirosos eficazes. Ou seja, quanto mais você punir, mais a criança vai mentir para ficar fora dessa situação. Crianças inseridas em famílias que dão grande ênfase ao cumprimento das regras e não ao diálogo também relatam mentir com mais frequência. 

Em segundo lugar, discuta cenários emocionais e morais com as crianças. Este “treinamento emocional” apoia a compreensão das crianças e quando as mentiras são mais prejudiciais, como elas afetam os outros e como elas mesmas podem se sentir quando mentem. 

E por último, certifique-se de que a mentira é realmente uma mentira. Como já mencionamos, as crianças muito pequenas tendem a misturar a vida real e a imaginação, enquanto as crianças mais velhas e os adultos frequentemente se lembram dos argumentos de maneira diferente.

Por Débora Nazário e Luisa Scherer

Rimas na alfabetização: conheça os benefícios

A infância é marcada por grandes descobertas e uma delas é a alfabetização. Por meio da escrita e da leitura, as crianças passam a explorar um mundo até então desconhecido por elas.   

Esse processo pode acontecer com o apoio de métodos lúdicos que envolvem músicas, poemas e as rimas. Para estimular a fase de alfabetização, esses métodos são utilizados por muitos terapeutas e profissionais da educação, e apresentam resultados positivos na aprendizagem e desenvolvimento cognitivo

Este artigo publicado em 2014 pela Frontiers in Psychology, um periódico que publica pesquisas rigorosamente revisadas por pares nas ciências psicológicas e da pesquisa clínica, afirma que as rimas podem ser especialmente facilitadoras para a aprendizagem do vocabulário por causa da maneira como elas podem apoiar previsões ativas sobre as palavras que se seguem.

Em dois experimentos, foram testadas se as rimas, quando usadas para ajudar as crianças a antecipar novas palavras, tornaria essas palavras mais fáceis de aprender. As crianças as quais foram expostas as rimas mostraram maior aprendizado de novos nomes na condição de rima preditiva nas comparações entre as crianças que não o foram. 

A hipótese dos pesquisadores é que o desenvolvimento dessas palavras novas e sua previsibilidade incentiva um maior envolvimento com elas por parte da criança. Uma criança pode não ser capaz de prever o nome exato de um nova palavra na primeira leitura de uma história, mas quando o novo nome vier no final da estrofe, a criança pode ser mais capaz de antecipar que algo está chegando, que vai soar como as terminações das linhas anteriores da história ou música. Essa antecipação pode encorajar a atenção, estimulando o aprendizado. 

:: Leia também: Por que a leitura é tão importante? ::

Tudo no seu tempo e no seu jeito 

O processo de aprendizagem que envolve a alfabetização é muito subjetivo e cada criança tem o seu próprio ritmo nesse percurso.  

Conversamos com a fonoaudióloga Manuella Barcelos, que atua no Núcleo Desenvolver do Hospital Universitário da UFSC desde 2010 e trabalha com uma equipe interdisciplinar de atendimento a crianças com queixas de dificuldade de aprendizagem sobre estes processos. 

Segundo ela, alfabetizar, ou seja, aprender a ler e a escrever, envolve dois processamentos cerebrais que a criança já tem bem desenvolvido antes mesmo de entrar na escola. Uma delas é a parte da linguagem, que a criança já traz recursos e aparatos na idade da alfabetização, e o outro é o processamento visual.

A escola faz uma conexão entre essas duas áreas, apresentando esse novo universo das letras. Quando a criança aprende com base nessa questão, é essencial pensar que existe uma forma de ensinar que é a mais adequada para ela, que promove a alfabetização de uma maneira mais fácil e, nesse sentido, as rimas são ótimas aliadas

A consciência fonológica na alfabetização

“Consciência fonológica acontece quando a criança passa a manipular os sons da fala de forma consciente. Ela vai saber que a nossa fala pode ser dividida em unidades menores que são as palavras, em unidades ainda menores que são as sílabas, e unidades bem pequenas, que são os fonemas. Para a alfabetização acontecer, é importante que a criança aprenda esses pré-requisitos, e por meio de um método fônico é possível que ela alcance a alfabetização com mais facilidade”, relata a fonoaudióloga. 

Manuella utiliza as rimas no processo de alfabetização com as crianças que ela trabalha.  “O processo de alfabetização envolve a consciência fonológica. Dentro da consciência fonológica existe a rima, um dos primeiros sinais dessa consciência, que é quando a criança começa a perceber o final igual das palavras de mesma tonicidade. Além da rima existe a aliteração e, por meio dela, a criança percebe que o começo também pode ser igual, por exemplo: cobra e copo”, conta.

A rima é um dos primeiros sinais de consciência fonológica e vemos isso desde a educação infantil. O seu uso é muito importante. Eu utilizo no meu trabalho, principalmente com crianças que possuem dificuldade de aprendizagem e transtornos de aprendizagem como dislexia, ortografia ou crianças que tenham transtorno do processamento auditivo. Ela é fantástica no processo de alfabetização. É preciso estimularmos a consciência fonológica, mas é mais importante ainda estimularmos isso na educação infantil, antes mesmo de começar a alfabetização propriamente dita”, explica.  

As rimas como instrumento do desenvolvimento de habilidades

A pesquisadora canadense Ginger Muller, que possui mestrado pela University of British Columbia, desenvolveu trabalhos durante 20 anos usando rimas e canções em diversos programas de educação infantil em Vancouver, no Canadá. 

No seu trabalho, ela contextualiza rimas específicas dentro de domínios definidos pelo Instrumento de Desenvolvimento Inicial: saúde física e bem-estar, linguagem e desenvolvimento cognitivo, habilidades de comunicação e conhecimentos gerais, competência social e maturidade emocional. Dessa maneira, ela mostra como as rimas podem ser praticadas de forma eficaz com crianças de diferentes idades e os seus benefícios para essas habilidades

Neste artigo escrito pela pesquisadora, ela mostra que as crianças aprendem bem em ambientes ricos em linguagem, alegria e diversão. Ginger apresenta canções que podem auxiliar no desenvolvimento dessas habilidades, “rimas e canções infantis centenárias, testadas e comprovadas, apoiam o desenvolvimento geral das crianças em termos de significado e formas envolventes”, escreve. 

Utilizar as rimas com as crianças, além de auxiliar no processo da alfabetização, também as aproximam da cultura nacional. Há diversas rimas que contam com elementos da cultura dos estados brasileiros, regiões e também histórias sobre o folclore. Esse contato vai ser enriquecedor para as crianças em diversos sentidos!

Por Débora Nazário

Nota da Editora: Truth and Tales e as rimas

Uma dica muito legal para crianças em fase de alfabetização é o Truth and Tales, o nosso aplicativo original!

Truth and Tales é um app para crianças de 5 a 11 anos com histórias interativas e audiobooks. Todos os contos são rimados, tanto na versão interativa quanto só para ouvir as histórias. Sabendo desse benefício, a Explot, desenvolvedora do app, fez questão de adotar as rimas nas histórias.

Foram feitos testes com crianças mostrando a mesma história rimada e sem rimas. E foi comprovado: além dos benefícios, as crianças se interessaram mais pela versão rimada da história.

Além das rimas, o Truth and Tales também conta com fontes otimizadas para pessoas com dislexia, e com a ferramenta de read along, que funciona como um karaokê, onde as palavras ficam destacadas à medida que o narrador lê. Isso ajuda bastante na alfabetização. Experimente com as crianças!

Jogos e brincadeiras de criança: como é bom!

Jogos, criar novas brincadeiras ou brincar daquelas que já são conhecidas pelas crianças são atividades que não ficam restritas apenas a momentos de lazer. 

Professores, pesquisadores e pedagogos utilizam jogos em sala de aula cada vez mais, já que essa é uma alternativa que oferece inúmeros benefícios no processo de ensino e aprendizagem. 

As habilidades, necessidades e características específicas de cada criança são trabalhadas de maneira leve e prazerosa através de jogos e brincadeiras. Essa aproximação que os jogos possibilitam deixam o ambiente agradável e cheio de surpresas, tanto para as crianças quanto para os adultos, em casa ou na escola. 

Um artigo científico publicado em 2016 pela Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) reforça os benefícios que os jogos de tabuleiro podem trazer para o aprendizado das crianças. 

Nele são apresentadas informações que explicam como as crianças podem ser mais inflexíveis quanto às regras convencionais de algum jogo ou brincadeira, mas que conseguem ficar sentadas por horas jogando justamente por essa atividade ser prazerosa e divertida. Quanto às brincadeiras ou jogos com regras que elas mesmas inventaram, as crianças apresentam maior flexibilidade na hora de segui-las.

O resultado disso é um aumento dos níveis de concentração e motivação. O artigo é complexo e reúne uma série de dados que comprovam o aprendizado e habilidades por meio de jogos de tabuleiro.

O que Harvard diz

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é uma das mais bem conceituadas instituições de ensino no mundo. Em Harvard há o Centro de Desenvolvimento Infantil onde se realizam estudos com e sobre crianças, com inúmeras parcerias de outras instituições nos Estados Unidos e ao redor de todo o mundo.

Um dos materiais disponibilizados no site do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard explica que a ciência do desenvolvimento infantil aponta três princípios básicos que podem orientar o que a sociedade precisa fazer para ajudar as crianças e suas famílias a prosperar. Esses são apoiar relacionamentos responsivos; fortalecimento de habilidades essenciais para a vida; e redução das fontes de estresse. Brincar na primeira infância é uma forma eficaz de apoiar esses três princípios.

Laura Huerta Migus, Diretora Executiva da Associação de Museus das Crianças, relata que quando brincamos, podemos atingir o máximo da nossa felicidade, mas também podemos suportar grandes dificuldades. Quando brincamos, temos interações complexas com outras pessoas ao mesmo tempo que construímos nossos cérebros. Quando brincamos, as interações sociais se tornam relacionamentos. Precisamos brincar para conectar esses três princípios básicos. 

Lynneth Solis, Pesquisadora no Project Zero no Harvard Graduate School of Education afirma que “…como criança, brincar me prepara melhor a responder frente ao desconhecido e às incertezas no ambiente em que eu vivo.” 

Brincar e jogar fortalece habilidades essenciais para a vida. É possível observar essas habilidades em alguns momentos num jogo ou brincadeira: 

  1. As crianças precisam pensar e decidir como vão interagir no jogo ou na brincadeira. Ou seja, elas precisam pensar no que vão falar, como vão falar ou em como se colocar.
  2. É necessário usar habilidades de planejamento e de resolução de problemas para completar o jogo ou a brincadeira. Aí entram estratégias, jogadas ou até mesmo a forma em como vão construir uma torre de legos. 
  3. É necessário seguir as regras quando se está num jogo, mas também é necessário ter flexibilidade quando o amigo quer mudar essas regras. Ou seja, habilidades de negociação num grupo social diferente – que não é a família – também é desenvolvida nesse momento. 

Lynneth Solis explica que brincar reduz os níveis de estresse e desenvolve as habilidades essenciais da vida que permitem que a criança avalie uma situação e saiba como mudá-la, de modo que não sinta-se atacada ou estressada. Também sabemos que desenvolve habilidades de enfrentamento, além de também reduzir o stress dos pais ou cuidadores. 

:: Leia também: A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado ::

A possibilidade de encontrar novas alternativas nos jogos e brincadeiras:

O raciocínio utilizado em diversos jogos estimula a busca por alternativas em situações cotidianas. Refletir sobre as possibilidades diante de uma situação e entender o que pode ou não pode, faz com que a criança vivencie de uma maneira significativa os contextos do seu dia-a-dia. 

O momento de um jogo é também uma possibilidade de experimentação, de cenários imaginários repletos de perspectivas diferentes. Para olhar essas perspectivas e todos os ângulos que elas direcionam, é necessário foco e também concentração, que refletem em outros momentos da rotina onde as crianças passam por situações parecidas. 

O xadrez para crianças:

O xadrez é um jogo que reúne diversos dos benefícios que citamos acima. Além de reforçar a importância  da concentração e a atenção, o xadrez também ensina o respeito pelo outro, a confiança em si mesmo e também a criatividade, através dos movimentos e lances possíveis. 

Em dezembro de 1986 a FIDE (Federação Internacional de Xadrez) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) criaram a “Comission For Chess In Schools”, que tem como objetivo a difusão e democratização do xadrez como instrumento pedagógico dentro das escolas. 

A criação dessa comissão popularizou ainda mais o xadrez dentro nos ambientes escolares mundo afora. Além disso, a sua criação reforça os benefícios que esse jogo proporciona, já citados anteriormente. 

Aprender com os erros:

Antes de realizar algum movimento no jogo de xadrez, os jogadores devem pensar também em como será a reação do seu adversário. As jogadas são feitas mentalmente e ambos os jogadores poderão prever o que vai acontecer. É claro que existirão jogadas inesperadas e por isso mesmo aqueles que jogam o xadrez vão ​aprender um pouco mais a cada partida​, aprenderão com os seus próprios erros e acertos, além de aprender muito com o parceiro de jogo.

Pensar antes de agir:

Agir de maneira compulsiva e não pensar muito antes de cada jogada pode trazer consequências negativas ao jogador e é por esse motivo que o xadrez estimula de maneira profunda o “pensar antes de agir”.

O xadrez também auxilia na autonomia da criança na sua tomada de decisões, sem a interferência dos adultos. Para as jogadas a criança terá de buscar na sua própria memória os lances possíveis, sem contar com a ajuda de outros. 

:: Pode ser interessante: Meus filhos estão viciados em celular. E agora? ::

Quebra-cabeças: 

Outro jogo que oferece muitos benefícios para as crianças é o clássico quebra-cabeças. A prática que o jogo propõe é muito positiva para a memória de curto prazo, bem como a velocidade do pensamento, que terá de ser ágil e assertivo para encontrar as peças faltantes.

Resolução de problemas: 

Assim como no xadrez, o quebra-cabeças consiste na resolução de um problema e para isso é preciso muita concentração. A tentativa e erro ao colocar as peças nos lugares impulsiona o raciocínio lógico.  A percepção visual e a noção do espaço também estão presentes no jogo. As figuras, números e palavras formadas no quebra-cabeças vão enriquecer o vocabulário e o conhecimento das crianças.  

Melhoria da coordenação motora: 

O ato de montar o quebra-cabeças faz com que as crianças aprendam a controlar os movimentos, que são aqueles necessários para encaixar as peças. A visão também é uma aliada no jogo e junto dela a atenção aos detalhes

Os jogos além de proporcionarem todos esses benefícios também podem aproximar as crianças dos pais, irmãos, professores ou cuidadores. 

Cada erro e acerto são vividos de forma conjunta, o que é extremamente importante para a socialização. Esses jogos clássicos também são uma ótima alternativa para algumas horas longe das telas. 

As crianças se comunicam através de brincadeiras, e nelas se expressam de forma livre enquanto se divertem. O xadrez e o quebra-cabeças podem ser aliados nessa comunicação. Que tal jogar com as crianças hoje?

Texto por Débora Nazário

Yoga para crianças: diversão e mais concentração para os pequenos

A infância é um período repleto de experiências que ficam marcadas na nossa memória. Quem nunca se lembrou de uma brincadeira ou atividade que praticou na infância e sentiu saudades?

Estas brincadeiras são importantes para além de um registro afetivo. Atividades que estimulam a criatividade e geram descobertas marcam também a infância de outras formas, gerando inúmeros benefícios.   

As dinâmicas feitas na primeira infância também podem estimular comportamentos que serão repetidos por muitos anos, mesmo depois que a criança já for adulta. 

Atividades que envolvem brincadeiras e movimentos do corpo, por exemplo, quando praticadas com frequência, tornam-se um hábito na vida das crianças e também têm relação direta com o desenvolvimento físico, emocional e psíquico. Neste texto nós explicamos com mais detalhes sobre como brincadeiras e atividades físicas na infância são positivas para a saúde e desenvolvimento dos pequenos.

Algumas atividades, no entanto, exigem estrutura e orientações específicas para serem praticadas. No momento em que vivemos, aquelas que podem ser executadas em casa tornam-se uma ótima possibilidade. Por esse motivo, hoje vamos falar da prática de yoga para crianças.

A prática de yoga

Yoga é uma prática que nasceu há mais de quatro mil anos. Os praticantes também seguem filosofias além dos movimentos do corpo. Nos últimos anos, o yoga ganhou grande visibilidade na mídia e, por isso, quando se fala em yoga, a maioria das pessoas já têm alguma noção do que se trata.

A comprovação disso é que o yoga compõe a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), entidade criada pelo Conselho Nacional de Saúde brasileiro, que tem como objetivo a implementação de tratamentos alternativos à medicina baseada em evidências na rede de saúde pública do país, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A prática feita por crianças também se popularizou nos últimos tempos, justamente por conta dos seus benefícios. A concentração, respiração e alongamento incentivados no yoga são extremamente positivos para as crianças. Existem até algumas escolas, inclusive, que incluíram aulas de yoga nas suas grades curriculares.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou recentemente um documento onde o Grupo de Trabalho em Atividade Física da entidade traz diversas dicas e recomendações em relação à prática de atividades físicas para crianças e adolescentes.

Nas sugestões, a prática de yoga é mencionada. “O Yoga, uma prática milenar que pode ser realizada por indivíduos de qualquer idade, representa  uma  ferramenta  relevante  para  melhora  da  saúde  física,  com  importante estímulo para ganho de flexibilidade e força muscular. Além disso, o Yoga pode ser especialmente importante para o momento atual por possibilitar o distanciamento  físico  durante  a  prática  e  contribuir  para  a  estabilização  da  saúde  emocional  e  mental, auxiliando no enfrentamento do estresse, ansiedade e sintomas depressivos”, informa o documento. 

O documento também reforça que o indicado é que crianças e adolescentes pratiquem em média 60 minutos de atividade física por dia, alternando a intensidade destas atividades.

Como o yoga pode ser divertido e benéfico para os meus filhos?

As posturas são inspiradas em elementos da natureza e também nos animais, que são características que despertam a curiosidade das crianças. Os movimentos podem ser feitos de uma forma lúdica, com músicas e histórias, que faz do yoga uma atividade extremamente prazerosa.

Os pequenos também são mais flexíveis e, dessa forma, realizar as sequências de exercícios pode ser divertido. A musculatura em formação é fortalecida ao realizar as posturas, que tem efeito também no equilíbrio postural dos baixinhos.

A prática de yoga desempenhada pelas crianças acontece por etapas, que passam pela respiração, concentração e só depois disso ocorre a introdução das posturas, que vão se intensificando ao longo do tempo. Respeitar os limites do corpo também é extremamente importante, já que alguns movimentos tendem a alongar bastante.    

A importância da respiração

A respiração é uma das propriedades fundamentais do yoga. Para as posições, a criança vai precisar respirar com o nariz e barriga ao invés do tórax. Essa técnica é benéfica para o sistema respiratório e também regula a respiração, resultando em tranquilidade e relaxamento.

Melhora na autoestima

Por ser uma atividade que não envolve a competição, o yoga pode estimular a autoestima e autoconfiança na criança, já que os resultados vão sendo alcançados de forma individual.

Mesmo com essa individualidade, o papel desempenhado pelo professor, pai ou outra pessoa que esteja junto da criança no momento da atividade,  reforça também a cooperação e o aprendizado em conjunto.

Mais concentração

Como já mencionamos antes, prestar atenção na respiração é fundamental no yoga. É necessário se atentar neste aspecto e também manter o foco para realizar as posições. Dessa maneira, a criança desenvolve a concentração e encontra mais facilidade em outras esferas do seu cotidiano. 

Como praticar yoga em casa com meus filhos?

Atualmente a tecnologia tem facilitado esse processo. Existem vídeos, aplicativos e sites que introduzem o yoga de forma bem simples. Mas, apesar dessa facilidade, é preciso atenção. Verifique a fonte desses materiais, e principalmente, caso seus filhos pratiquem, fique atento quanto à reação deles ao fazerem os exercícios: dor e desconforto extremos não são um bom sinal.

Com respeito aos limites do corpo, paciência e vontade de aprender, o yoga pode fazer parte da rotina das crianças de maneira leve e positiva! 

Débora Nazário

FAQ Truth and Tales: o que muda com a assinatura

Olá! Se você chegou até este FAQ é porque provavelmente tem algumas dúvidas sobre o Truth and Tales e a assinatura. Organizamos aqui as principais perguntas pra te ajudar. Se a sua dúvida não se encontra por aqui, entra em contato com a gente que te respondemos rapidinho.

Os livros do Truth and Tales não eram de graça?

Não. O app Truth and Tales sempre foi grátis, mas os seus conteúdos nele sempre foram premium, ou seja, que você precisa pagar para acessá-los.

Com o início da pandemia, disponibilizamos um conto grátis no app como forma de incentivo à leitura e como uma alternativa de conteúdo de qualidade para as crianças em meio ao distanciamento social.

Essa medida foi promocional de um único conto, já que os outros dois estavam à venda. 

Agora tenho que pagar pelo Truth and Tales?

Todos os conteúdos do Truth and Tales são pagos. Para fazer download do Truth and Tales continua grátis, mas para acessar os conteúdos é preciso fazer a assinatura de um dos pacotes disponíveis. Hoje existem dois tipos de pacotes: o mensal e o anual. 

Como funciona a assinatura? 

Você pode escolher entre a assinatura mensal e a anual. Elas disponibilizam os conteúdos do app durante o tempo que você escolheu assinar.

Se você escolheu a assinatura mensal, você paga o mês e tem disponível os conteúdos do app durante um mês a partir do dia que você assinou.

O plano anual segue o mesmo princípio do mensal, mas para um ano a partir do momento que você assinou. 

Como funciona o plano mensal?

Ao assinar o plano mensal, você paga para acessar os conteúdos do Truth and Tales durante um mês a partir da data da assinatura. A assinatura é renovada automaticamente, ou seja, caso você não queira mais, é preciso cancelar a assinatura.

Você pode cancelar a assinatura quando quiser, mas vale lembrar que a cobrança não é parcial, ou seja, se o mês da assinatura virou, você será cobrado pelo mês inteiro mesmo se cancelar uma semana depois. 

Como funciona o plano anual? 

Ao assinar o plano anual, você paga para acessar os conteúdos do Truth and Tales durante um ano a partir da data da assinatura. O plano anual sai mais em conta se você colocar na ponta do lápis: tem um desconto equivalente a duas parcelas do plano mensal.

A assinatura é renovada automaticamente, ou seja, caso você não queira mais, é preciso cancelar a assinatura. Se você cancelar o plano anual antes do prazo de um ano, você continuará pagando as parcelas do valor do pacote.

Comprei os contos antes de virar assinatura. Vou perder os livros?

Quem comprou os contos antes de ser assinatura, fique tranquilo, você não vai perdê-los! Os contos que você comprou ficarão disponíveis normalmente caso você não assine algum plano.

Mas atenção: apenas os contos que você comprou ficarão disponíveis. Os contos que você não adquiriu ou outros conteúdos novos ficarão travados caso você não assine algum plano. Se você lia apenas o conto que estava gratuito, ele não estará mais disponível de graça na assinatura.

Se o seu dispositivo for iOS, é necessário que você “restaure a compra” para que o livro comprado anteriormente fique disponível de novo. 

Como eu faço para resgatar o conto que eu já havia comprado antes do Truth and Tales virar assinatura?

Se o seu dispositivo for iOS, é necessário que você “restaure a compra” para que ele fique disponível novamente. Para isso, abra o Truth and Tales e vá no ícone da bolinha, que fica no canto superior direito da tela. Passando pelo controle parental você chega na área dos pais. Chegando lá, clique nas configurações, que fica no canto superior direito. A última opção é “RESTAURAR COMPRAS”.

Eu já tinha o Truth and Tales antes de ser assinatura. Eu não ganho nada com isso?

Sim, você ganha um mega desconto no plano anual! Uhul!

Como eu faço para cancelar a assinatura?

O cancelamento de assinatura é tratado direto com a Apple App Store ou com a Google Play Store.

Esqueci minha senha, e agora?

Para recuperar a senha da conta do Truth and Tales, você precisa ir na Área dos Pais. A Área dos Pais fica no canto superior direito do app, onde parecem duas bolinhas.

Ao clicar ali, você precisa colocar o ano que você nasceu, que é o controle parental. Quando estiver dentro da Área dos Pais, você clica na engrenagem que fica no canto superior direito da tela. Uma janela com várias opções abrirá, e você vai clicar no último botão, que é “Gerenciar conta”.

Lá terão as informações do plano de assinatura e de conta. Se você já tiver cadastro, clique em “Login”. Ao abrir a tela de Login, clique em “Esqueceu sua senha?”. Aí você digita seu e-mail quando o app pedir e logo depois você receberá um e-mail nosso para redefinir sua senha por lá. 

Se você quer só mudar de senha, o caminho é o mesmo. Se você já estiver logado, aí é só clicar em  “redefinir”, digitar seu e-mail quando o app pedir e esperar o nosso e-mail de redefinição de senha chegar.

O que acontece se eu cancelar minha assinatura antes de terminar o mês?

A cobrança é feita logo que assina o plano, ou seja, no início do mês, então você será cobrado pelo mês inteiro mesmo se você cancelar a sua assinatura antes de terminar o mês.

Mas não se preocupe: mesmo que você cancele a assinatura, os conteúdos continuarão liberados até que o mês complete.

 

Se você tiver alguma outra dúvida que não falamos por aqui, pode ficar à vontade para entrar em contato e nos perguntar!

Apps Freemium x Apps pagos: como os aplicativos ganham dinheiro e como isso afeta as crianças

O mercado de aplicativos está em constante crescimento e mudança, e as crianças são um público importante e muito visado dentro desse meio. Hoje vamos falar sobre dois modelos de apps que podem fazer toda a diferença no conteúdo e na vida das crianças. São os apps Freemium e Premium (ou pagos)

O que é monetização?

Monetização é a forma que o aplicativo ganha dinheiro. Existe alguns modelos de monetização para aplicativos:

  • Apps pagos: quando você paga pelo app e por todo o conteúdo dele uma única vez. Não têm propagandas.
  • Apps de assinatura: quando você paga periodicamente. Pode ser todo o mês, todo o semestre ou todo o ano. Os aplicativos com esse modelo atualizam e aumentam os conteúdos do app regularmente, lançando coisas novas em que o usuário possa aproveitar na assinatura. Não têm propagandas.
  • Apps freemium: são grátis, mas vendem itens dentro dos aplicativos. Podem ser pacotes de jogos, vidas, livros, efeitos, treinos, etc. Podem ter propagandas.
  • Apps de grandes marcas: muitas marcas disponibilizam seus aplicativos e seus conteúdos de forma 100% gratuita. Quando isso acontece, o aplicativo é, por si só, a publicidade da marca, e por isso não faz sentido esse tipo de app ter propagandas de outras marcas. 
  • Apps 100% grátis: aplicativos que disponibilizam todo o conteúdo de forma gratuita. A monetização acontece através de anúncios dentro do app. Ou seja: tem propagandas a cada fase, vídeo, tantos minutos, etc. É comum que o usuário consiga “pular” o anúncio depois de alguns segundos assistindo a propaganda. 

Lembre-se: nada é de graça na internet. Você pode não ter tirado a carteira do bolso para usar algum app, mas você paga de alguma forma. 

Por que apps grátis não são recomendados para crianças

Os aplicativos infantis gratuitos monetizam através de propagandas. Ainda que os próprios aplicativos conseguem banir alguns tipos de propagandas, erros acontecem. Já vimos anúncios de bebidas alcoólicas em apps infantis que sabíamos que faziam esse controle, por exemplo. 

Crianças só começam a entender o que é uma propaganda por volta dos 8 anos de idade, de acordo com Common Sense Media. Antes disso, elas consomem como se fosse conteúdo normal de entretenimento, ou seja, sem nenhum filtro. 

O anunciantes sabem que quanto mais cedo as crianças aprendem sobre uma marca, maior será a probabilidade de comprar o produto mais tarde (ou de implorar aos pais para comprá-lo). A exposição de crianças às propagandas pode estimular o desejo por estímulos excessivos, uma alimentação nada balanceada e, principalmente, o consumismo.

Aplicativos Freemium

Os aplicativos gratuitos também podem vender itens dentro dos aplicativos. Essa prática é bem comum e pode ser que esse tipo de app tenha ou não anúncios. Eles são chamados de Freemium: uma junção das palavras em inglês free, que significa grátis, e premium, que traz a ideia de qualidade.

Esses apps vendem vidas extras, algum tipo de ajuda para passar de fase, roupas e acessórios para customizar personagens, presentes para dar para outros jogadores, e por aí vai. 

O problema é como essa “venda” é feita. Em muitos apps não fica claro que a compra é de verdade, com dinheiro real, cobrado direto no cartão de crédito dos pais. É comum crianças acharem que é “de brincadeira” e que faz parte do jogo, e compram vários itens, porque a maioria deles não usa nenhum tipo de controle parental, senha, ou bloqueio para que a criança precise dos pais. Neste vídeo, é fácil perceber que uma criança que ainda não é totalmente alfabetizada consegue fazer compras dentro do app sem saber o que isso realmente significa.

Uma outra prática comum neste tipo de aplicativo são as “fases impossíveis”, em que os jogadores que já estão engajados não conseguem nunca passar de fase. Isso acontece de propósito e é “colocado”. E a única forma de passar de fase é comprar itens que ajudam. Essa compra também pode acontecer através de ads, por exemplo: “Assista ao anúncio e ganhe um power up”. 

Loot Box

As loot boxes são um dos itens vendidos dentro desses aplicativos. As loot boxes são caixas surpresas com itens que podem ser usados no jogo. Quando você compra ou ganha uma, não se sabe o que vem dentro. Ou seja: muitas crianças compram as loot boxes na esperança de vir um item raro, mas as chances são mínimas e, na grande maioria das vezes, vem um item comum e mais barato do que a própria loot box.

Essa mecânica é igual às usadas nas máquinas de caça-níqueis em cassinos: elas viciam e estão em jogos populares entre as crianças. 

Existem muitos aplicativos freemium que não têm propagandas, mas eles foram desenhados para que o jogador fique o maior tempo possível dentro do app. Ou seja, o conteúdo que ele entrega é viciante. Mesmo que os usuários não tenham mais vidas, ou que o jogador não consiga passar de fase, o jogo usa mecânicas e artifícios que induzem o usuário a comprar pacotes de vida, ajudas ou até mesmo a assistir um anúncio em troca de uma vida.

Utilização de dados

E se você não identifica nenhuma das opções acima no aplicativo gratuito que seu filho usa, é porque ele recolhe dados. Todos os aplicativos pegam dados dos seus usuários, não se engane. Há duas utilidades dos dados recolhidos em aplicativos: melhorias dentro do próprio app e para melhorar a usabilidade, e utilizar esses dados para marketing. A segunda opção é o que praticamente todos os apps gratuitos fazem com os dados dos usuários. 

Mas o que são esses dados?

Os dados que os aplicativos pegam são quanto tempo você fica no app, onde você clica, quanto tempo fica em cada fase, quais conteúdos do aplicativo que você consome, quais os horários que você usa. Se houver propaganda dentro do aplicativo, também é possível saber quais os tipos de propaganda que você assiste tudo, quais você pula, quanto você fica em cada propaganda, etc. São tantos dados que é difícil de listar todas as possibilidades. 

Depois que toda essa informação é recolhida, algoritmos conseguem fazer um perfil seu: suas preferências, o que você gosta de ver, os horários que você usa o celular, que você faz suas refeições, que você estuda ou trabalha,quando você vai dormir, se você gosta de futebol, quais filmes e séries você assiste na TV, etc.

E tudo isso é vendido para que outras empresas utilizem você como consumidor. O seu perfil é vendido para que empresas mostrem propagandas para você, porque seus interesses combinam com o ´produto vendido.

Isso pode ser bem problemático porque a maioria das pessoas não sabe onde ou para quê seus dados estão sendo usados. Mas o ponto é: crianças não fazem ideia o que isso significa. E por esse motivo, apps infantis são proibidos de utilizar dados de crianças menores de 13 anos.

Na prática

Para burlar esse sistema, muitos apps não se posicionam como infantis para que possam utilizar esses dados, mesmo que saibam que seu público é majoritariamente infantil. Eles “lavam as mãos” e dizem que não é indicado para menores de 13 anos, ainda que toda a linguagem, estética e temática do aplicativo é voltado para crianças. 

Essas empresas usam esses dados para vender propagandas. O que acontece com a criança é que ela é bombardeada de anúncios para ela, baseado nos seus gostos, idade, gênero, preferências de brinquedos, cores, hora de dormir, atividades extra-curriculares, etc. E sabemos que crianças não recebem esses anúncios como adultos, é um conteúdo muito mais violento e perigoso para elas. Além de que praticamente não há nenhum órgão que regule essas propagandas, principalmente aqui no Brasil.

Por que pagar por um aplicativo para meus filhos?

Muitos apps infantis estão mudando a sua estratégia de monetização, onde o usuário precisa fazer a compra do app. Existe dois modelos mais usados hoje em dia: o que você paga pelo app e o que você paga pela assinatura. O que você paga pelo aplicativo unitário,a compra é feita ao baixar o aplicativo na loja de apps. Geralmente você só paga uma única vez e todos os conteúdos estão disponíveis, mas não há novos conteúdos, apenas atualizações para resolver possíveis bugs. 

Quando o app é assinatura, você faz o download do app de graça e é só dentro do aplicativo que você vai fazer a compra dos conteúdos. Você precisa assinar um dos planos oferecidos para ter acesso. Os planos podem ser  mensais onde você paga todo o mês; semestrais, onde você paga a cada seis meses; ou anuais, onde você paga pelo ano inteiro. A compra é feita depois de senhas, controles parentais e telas “de adulto” que não chamam atenção das crianças, ou seja, é muito difícil que a criança compra uma assinatura sem querer.

Aplicativos de assinatura geralmente oferecem um período de teste para que a criança experimente o app e os pais possam decidir se vale a pena fazer o investimento. Como é um investimento mês a mês, apps de assinatura geralmente oferecem novos conteúdos e sempre estão atualizando as novidades dentro do aplicativo. 

Outros benefícios

Esses dois modelos não têm propagandas, ou seja, os dados das crianças não são comercializados. Isso quer dizer que esses aplicativos não pegam os dados dos meus filhos? Não, não quer dizer isso. Esses aplicativos pegam alguns dados que quem usa o app sim, mas esses dados não são vendidos para marketing para que mais propagandas “assertivas” apareçam para o seu filho.

Os apps pagos usam os dados dos usuários para melhorar a experiência dentro do app. Por exemplo: é através desses dados que os desenvolvedores do app identificam um bug, ou quando o botão importante não está comunicando o necessário porque não está sendo usado. Como esses aplicativos não contém anúncios, esses dados não saem dos aplicativos.

Guia Among Us: o que os pais de criança precisam saber sobre o jogo

Provavelmente pelo menos alguma vez durante os últimos meses você já deve ter se deparado com esse nome através de seus filhos, crianças ou amigos, mesmo que não tenha jogado ainda. Recentemente, a consultoria de mercado Sensor Tower publicou um levantamento que revelou que o jogo Among Us foi o mais baixado do mundo no mês de setembro, tanto em Android quanto iOS. 

Existem algumas explicações que podem esclarecer todo esse êxito. A pandemia do Covid-19 teve como uma das consequências o isolamento social em diversos países do mundo. 

Jogos online, nesse sentido, passaram a ser uma opção de entretenimento viável, já que sair de casa para encontrar familiares ou amigos não era o indicado pelos órgãos de saúde.

Mas não é só o uso frequente da internet e o isolamento social que colocaram o Among Us na posição em que o jogo se encontra hoje. São as suas funcionalidades, narrativa e possibilidades que também são atrativas, tanto para jogadores adultos quanto para as crianças. É por isso que vamos explicar um pouco mais sobre o jogo e suas funções. 

O que é o Among Us?

Among Us é um jogo que foi criado em 2018 pelo InnerSloth, um estúdio de jogos dos Estados Unidos. No seu lançamento, apenas a versão para celular foi disponibilizada (Android e iOS) e no final do mesmo ano a versão para PC foi desenvolvida pelos seus criadores. 

Qual é o objetivo do jogo? 

O objetivo do jogo é considerado simples e não é o primeiro a utilizar as premissas que se propõe. O Among Us é um jogo multiplayer, ou seja, você joga obrigatoriamente com outras pessoas, não existe a possibilidade de jogar sozinho. Os jogadores se reúnem em grupos para começar a partida, e em um grupo é necessário que tenham no mínimo 4 e no máximo 10 participantes.

Assim que abre o aplicativo, o jogador tem algumas opções: ele pode criar a sua própria sala e chamar amigos ou familiares para jogar, ou entrar em salas que já foram criadas antes.

Host: se o jogador quiser hospedar uma partida;

Pública: se ele quer jogar em qualquer sala pública; 

Privada: é necessário digitar um código fornecido pelo Host para acessar a partida. 

A partida acontece dentro de uma nave no espaço, onde existe um grupo de tripulantes que tenta sobreviver no espaço. No meio desse grupo há um “impostor”, que tem como objetivo eliminar os outros participantes. O impostor é escolhido de forma aleatória e, dependendo da configuração da partida, um jogo pode ter mais de um impostor.  

Há um custo para jogar Among Us?

Para jogar no celular é gratuito, basta baixar no smartphone. Já a versão Steam (para computador) custa R$ 10,89.

É possível também comprar “skins”, que é a aparência dos personagens. Os preços variam bastante e essa compra pode ser feita na loja que fica dentro do jogo. 

Devemos mencionar também que depois que acabam as partidas na versão gratuita anúncios aparecem na tela do usuário. Já na versão paga não existem anúncios.  

A interpretação de papéis: quem é quem no Among Us?

No Among Us existem dois grupos de personagens: os tripulantes e o impostor (ou os impostores). Cada personagem vai desempenhar uma função específica no jogo.

Impostor: o impostor deve matar os outros tripulantes da nave. Além disso, ele pode interferir em alguns locais da nave e, é claro, ele deve fugir das acusações de que é um impostor. 

Tripulante: o tripulante deve permanecer vivo até a partida terminar. Ele também deve cumprir algumas tarefas e pode acusar aquele ou aqueles participantes que acredita ser impostor

O papel desempenhado por cada personagem é secreto, apenas o próprio jogador sabe quem ele é no início do jogo. 

Assim que o impostor matar algum dos tripulantes, outro tripulante vai acabar encontrando o corpo. Depois disso, ele deve informar aos demais jogadores e dessa maneira começa uma reunião, que é feita através de um chat, localizado no canto superior direito da tela. 

Esse momento é onde os tripulantes irão acusar quem eles acreditam ser o impostor. Depois, cada um pode votar naquele personagem que ele acha que é o culpado. É possível também pular a votação. 

O que acontece depois da votação? 

Quando um jogador recebe a maioria dos votos, ele é expulso do jogo. Caso seja um tripulante, ele vai se tornar um fantasma. Se o jogador expulso for mesmo o impostor, os tripulantes serão os ganhadores da partida

Há também outra maneira de vencer o jogo. Os tripulantes, caso cumpram todas as suas missões antes da maioria ter morrido, vencem o jogo.

Quais os elementos que merecem a atenção dos pais?

Classificação indicativa:

O jogo Among Us não é um jogo infantil e não foi criado para atingir especificamente esse público. A classificação indicativa recomendada na App Store é para crianças acima dos 9 anos de idade, na Google Play é para maiores de 12 anos e no Steam (plataforma onde o jogo é baixado para a versão PC) a classificação indicativa é Livre.

Palavrões no chat:

Dentro do jogo, nas configurações, existe a opção: “censurar bate-papo”. Quando ela estiver ativa, os palavrões que aparecerem no chat serão censurados. Essa opção já vem habilitada logo após o jogo ser baixado, mas pode ser desabilitada a qualquer momento.

Convites para chamada de voz ou vídeo:

Muitos jogadores preferem jogar Among Us enquanto estão conectados a uma plataforma de vídeo ou voz, para que possam conversar ao invés de digitar no chat do jogo.

Em salas públicas é comum que sejam enviados convites para participar de chats fora do jogo. É comum também que se envie números de WhatsApp e perfis nas redes sociais e, quanto a isso, não existe um filtro e nem censura.

Nomes de usuários com conteúdo impróprio:

O jogador deve escolher um nome depois de baixar o jogo para começar a partida. Muitos jogadores adotam nomes impróprios de cunho sexual ou palavrões.

Outras posturas inapropriadas durante o jogo:

Quando um jogador entra em uma sala pública, muitas vezes o dono dessa sala acaba banindo jogadores, sem motivo aparente.

Há também jogadores que usam hacks, ou seja, é inserido ao jogo um menu alternativo ao menu “oficial” que oferece diversas opções, como o jogador ser sempre o impostor, a liberação de acessórios e outras funções. 

Como a experiência do jogo pode ser mais divertida e segura?

A dinâmica criada pelo jogo atrai também os adultos e pode ser uma experiência divertida se os pais jogarem com filhos, por exemplo, ou outros parentes próximos.

A versão para PC torna-se uma opção mais segura, pois tem a funcionalidade de banir jogadores que tiverem condutas impróprias. A criação de uma sala privada, mesmo no aplicativo gratuito, também é uma boa alternativa, já que só entra nela quem sabe o código da partida.

Nesse caso, a orientação também é uma ótima aliada. É fundamental conversar com as crianças sobre os riscos de se oferecer informações particulares para quem não conhecem, ou participar de chats aos quais elas não sabem quem está participando.

Na última semana, a partir da quinta-feira passada, diversos jogadores relataram que a plataforma do jogo foi alvo de ataques de spam. 

Foram enviadas ao chat do jogo mensagens convidando jogadores a se inscreverem em canais do Youtube e Discord e também ameaças para aqueles que não o fizessem. Conteúdos relacionados a reeleição de Donald Trump dos EUA também foram enviados pelos hackers. 

Os desenvolvedores do jogo liberaram uma atualização que acabou não resolvendo o problema e, por isso, indicaram que salas privadas seriam a opção mais segura no momento. 

Esse ataque expressivo levantou discussões nas redes sociais sobre a segurança do jogo e a proteção dos dados dos seus jogadores.

Débora Nazário

Nota do editor

Among Us está bem popular e proibir que as crianças joguem o “joguinho do momento” vai causar bastante frustração. No artigo, entendemos como o jogo funciona, a idade recomendada, vimos os principais perigos para crianças e algumas soluções. 

Por isso, nossa indicação é: seus filhos querem jogar? Jogue com eles, esteja junto para cuidar e, se você ver algo que não se encaixa com o que você quer expor seus filhos, aí vocês acabam a brincadeira. É importante conversar com as crianças para que elas entendam o motivo pelo qual você faz isso. 

PS: o jogo contém ilustrações e gráficos com sangue e morte dos personagens.

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