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Guia Fortnite: tudo o que os pais de crianças precisam saber sobre o jogo

Muitos pais já devem ter ouvido o nome do jogo Fortnite comentado pelos filhos ou outras crianças, assim como Among Us e Roblox. O Fortnite foi criado em 2011 e tem aumentado cada vez mais o seu número de jogadores. 

Em agosto deste ano a produtora do jogo, Epic Games, afirmou que alcançou o número de mais de 500 milhões de contas de usuários, enquanto no ano passado esse número era de 350 milhões. 

O que é o Fortnite? 

O Fortnite é um jogo online multiplayer (que permite que vários jogadores joguem ao mesmo tempo uma partida) do gênero battle royale, ou seja, que reúne um grupo grande de jogadores que ficam no mesmo local buscando equipamentos como armas, madeiras e ferramentas de construção. Do grupo inicial, apenas um jogador ou equipe sobrevive, ganhando o jogo.

É por esse motivo que quem joga Fortnite fica muito concentrado e bastante tenso durante a partida, pois não é possível pausar.  Além dessa narrativa no Fortnite, é possível explorar e descobrir elementos do mapa do jogo e, em paralelo a isso, derrotar os inimigos. De forma simplificada, podemos dizer que o último vence, ou seja, aquele que sobreviveu a todas as batalhas e conseguiu escapar dos outros jogadores.  

Qual o objetivo do jogo?

O maior objetivo dentro do jogo é vencer os demais jogadores em combates. Para isso, os usuários podem jogar no modo solo, em dupla ou em equipes de no máximo quatro participantes.
Leva vantagem nos confrontos aqueles que melhor explorarem o mapa, conquistando recursos, adquirindo itens ou construindo edificações. Conhecer o mapa é extremamente importante já que assim os jogadores ficam atentos aos momentos de combates. 

O Fortnite é gratuito? 

O jogo é gratuito e tem versões para PC, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS e Android. Para baixar o jogo no computador é necessário acessar a página principal do Fortnite, selecionar a opção jogue de graça agora e depois selecionar PC/Mac.

O próximo passo é a criação de uma conta na Epic Games, que é a plataforma que abriga o jogo, como se fosse uma loja de jogos. Alguns dados serão solicitados, como o país, nome completo, nome de usuário, e-mail e senha. O jogo também oferece a possibilidade de criar um usuário com os logins do Facebook ou Gmail. Após esse preenchimento de dados, o usuário deve escolher a pasta de destino que o jogo será salvo no computador. 

Iniciando um jogo no Fortnite

Finalizado o processo de instalação no computador e criação de usuário e senha, é hora de começar a jogar. Para isso, é necessário selecionar o modo battle royale que aparece na tela inicial. 

Modo do jogo: 

Depois de selecionar squads, que é a escolha do personagem, há opções de como o usuário pode jogar Fortnite: solo, duos e squads. Dentro dessas possibilidades, o jogador poderá escolher se deseja jogar sozinho, em duplas ou em equipes. 

O jogo começa assim que esses passos forem finalizados. O jogador inicia a partida dentro de um balão voador ou ônibus voador, no céu, e em seguida caem de paraquedas no cenário do jogo. 

Pontos que merecem a atenção dos pais    

Monetização dentro do Fortnite

Sabemos que os jogos e aplicativos têm algumas formas de monetização, ou seja, de ganhar dinheiro, como já explicamos neste artigo. O Fortnite é grátis para baixar e jogar, e não tem anúncios. Então como o jogo ganha dinheiro? Através de compras dentro do jogo. O Fortnite vende alguns itens para usar dentro do game.

Na loja de itens dentro do Fortnite é possível comprar skins (roupas dos personagens), armas e acessórios para customizar o seu personagem e até melhorar sua performance nas partidas. A moeda do jogo é a V-Bucks. Um total de 1.000 V-Bucks custa R$25,00; 2.800 V-Bucks saem por R$62,50 e assim por diante. 

Além dos itens já citados, loot boxes também podem ser compradas na loja. As loot boxes são caixas com itens aleatórios para customizar o personagem. Esses itens são vendidos separadamente nas lojas, mas os usuários são atraídos pelas loot boxes sabendo da possibilidade de encontrar itens raros. As loot boxes têm as mesmas mecânicas de cassinos e podem ser prejudiciais às crianças, como explicamos neste artigo

Nos Estados Unidos, as compras dentro do Fortnite se tornaram um problema para muitas crianças, que sofreram bullying por terem seus personagens default, que significa “padrão”, em inglês. Ou seja, quem jogava com o personagem igual ao que o jogo entregava, sem personalizá-lo com os itens vendidos na loja, era chamado pejorativamente de default.

Essa pressão para personalizar os personagens gera uma falsa necessidade de consumo entre as crianças, até mesmo para se proteger do bullying na escola e dentro do jogo. Ou seja, nem mesmo em casa as crianças estavam seguras e protegidas, já que eram atacadas online através do chat do Fortnite. O consumismo incentivado pelo jogo é uma das principais preocupações em relação às crianças.

Classificação indicativa: 

Como já mencionamos, o jogador que resistir até o fim da partida é o ganhador. Para tanto, além de pensar em estratégias de defesa, é necessário atirar nos inimigos para que eles sejam atacados, o que implicará em cenas de violência.

Apesar dos tiros e de jogadores “morrendo”, não é muito realista. O gráfico do jogo não mostra sangue e quando um jogador morre são os itens que ele guardava que aparecem na tela, e o outro jogador pode coletar esses itens. 

A classificação indicativa do jogo no Brasil sugere que as partidas sejam jogadas por maiores de 12 anos de idade. Já nos Estados Unidos, a indicação é de 13 anos, que é a mesma indicada pela empresa que criou o jogo, a Epic Games. 

Chat aberto durante o jogo: 

Assim como no Among Us, o Fortnite conta com um chat durante o jogo, onde é possível que os jogadores conversem durante as partidas. Nesse caso, no entanto, é possível silenciar o chat da seguinte maneira: 

Selecione o ícone menu e depois configurações. Dentro desse ambiente você encontrará a página de áudio. Para desativar, basta ligar/desligar o bate-papo de voz e gerenciar notificações. Mas é importante ressaltar que isso vai influenciar na habilidade de jogar. 

A dica mais importante tanto para o Fortnite quanto para outros jogos é o diálogo constante com as crianças. Essa comunicação gera confiança nos pequenos e os farão conversar a respeito sobre qualquer situação que considerarem fora do comum dentro do jogo.

NOTA DA EDITORA

Não podemos dizer que Fortnite é um jogo livre de violência, porque existe. São armas, tiros e ganha o jogo quem sobrevive. Por isso, reiteramos a necessidade de diálogo entre pais e filhos em relação ao jogo. Interessar-se pelo o que as crianças gostam e até tentar jogar com os pequenos cria uma proximidade e os deixam confortáveis para procurar pelo adulto caso sintam necessidade. 

Chat e violência

É importante sempre estar atento ao chat caso não tenha silenciado, mesmo que a criança não indique sinais. Perguntar sobre o que conversam e combinar com a criança de checar vez ou outra é importante para protegê-las de pessoas mal intencionadas.

Conversar sobre o que a criança acha daquela violência também é válido, já que o jogo tenta deixar essa questão mais fantasiosa. Muitas crianças nem percebem a violência e não tratam aquilo como violência. 

Consumismo e Bullying

Mas a violência não é o ponto mais frágil do jogo. A monetização, ou seja, a forma como o Fortnite faz dinheiro, é onde os pais devem ter um alerta amarelo sempre ligado. Por isso, nosso posicionamento em relação ao Fortnite é que crianças menores de 10 anos não joguem o jogo porque ainda não entendem como a monetização funciona, que cada item custa realmente dinheiro de verdade. Elas ainda não estão preparadas para esse tipo de modelo de jogo. Para as crianças maiores, conversar sobre isso e estipular um limite e combinados é primordial. Esses combinados vão da realidade de cada família, mas é importante que tenham claro que cada item comprado vale dinheiro.

É importante também conversar como isso afeta a vida social das crianças. Vimos que muitos sofrem bullying na escola por terem o boneco “padrão” no jogo. Fique de olho, conversem sobre isso e fique de olho como seus filhos ficam antes e após jogar Fortnite. Muitas crianças ficam ansiosas e só jogam porque “precisam” estar nesse ambiente, já que todos também estão.

Pontos positivos

Apesar disso, não há como negar que Fortnite ajuda a desenvolver algumas habilidades. Jogos de tiro em geral trabalham bastante a visão espacial, já que geralmente a câmera é em primeira pessoa e é necessário prestar muita atenção em todos os elementos em sua volta para atirar e se esconder. A agilidade também é muito trabalhada, assim como a atenção focal e a atenção global, já que é necessário focar num alvo ao mesmo tempo em que precisa buscar um lugar protegido. 

Podemos citar ainda o plus que o próprio Fortnite premia: construções. No jogo, o usuário pode coletar madeira, pedras, cordas e ferramentas para construir fortes, esconderijos para auxiliá-lo no jogo, e o jogador é beneficiado por cada construção. Assim como Minecraft e Roblox, esse tipo de jogo onde as crianças podem construir é muito benéfico tanto para o desenvolvimento da visão espacial quanto para a criatividade. Falamos mais sobre a visão espacial em jogos aqui

GUIA DE DISCORD PARA PAIS: como manter seus filhos seguros

Se seus filhos estão começando a jogar no computador, pode ser que daqui a pouco você vai começar a ouvir sobre o Discord. Separamos algumas informações importantes sobre o Discord pra você saber o que as crianças usam para jogar online. 

O Discord é um aplicativo de bate-papo. É bastante popular dentro da comunidade gamer, mas vêm ganhando espaço em outros nichos, já que muitas empresas e escolas adotaram o programa para home office e homeschooling. O Discord permite que os usuários se comuniquem por de texto, voz e/ou vídeo, através de conversas privadas, grupos ou canais. 

O aplicativo se tornou popular entre a comunidade gamer por ser uma boa opção de ponto de encontro, onde é possível jogar online ao mesmo tempo em que todos possam conversar juntos numa sala do Discord. Além de ter o streaming, que é quando uma pessoa transmite ao vivo a tela do seu computador para que outras pessoas possam ver o seu jogo. Outro ponto forte são as comunidades que se formaram. Existem servidores de diversos temas onde os usuários comentam sobre novidades, tiram dúvidas, dão dicas e até combinam de jogarem juntos. 

Como o Discord funciona

Para entender melhor como funciona, vamos primeiro passar pela estrutura. Se seus filhos usam a Discord, é importante saber desses detalhes.

  • Servidor: Os servidores são os espaços no Discord. São como se fossem cidades de um país. Eles são feitos por comunidades específicas ou grupos de amigos. Segundo o Discord, a grande maioria dos servidores é pequena e apenas para convidados, ou seja, são fechadas e precisam de autorização para fazer parte. Alguns servidores são públicos. Qualquer usuário pode criar um novo servidor gratuitamente e convidar seus amigos para fazer parte.
  • Canal: Os servidores são organizados por canais de texto e voz. Muitos servidores organizam os canais por tópicos específicos e podem ter regras diferentes. Nos canais de texto, os usuários podem postar mensagens, fazer upload de arquivos e compartilhar mensagens com outros usuários. Nos canais de voz, os usuários podem se conectar por meio de chamadas de voz ou vídeo em tempo real, além de poder compartilhar sua tela com os amigos. Também é possível mandar mensagens privadas para outros usuários e criar grupos de mensagem privados com até 10 participantes, onde o acesso é apenas por meio de convite. Também é possível criar canais privados com poucos usuários, onde apenas os participantes daquele canal podem visualizar as mensagens.

Discord é para criança?

De acordo com os Termos de Serviço do Discord exige que as pessoas tenham no mínimo 13 anos para acessar o app ou site. Isso é feito através de uma confirmação da data de nascimento durante a criação de conta para acessar a Discord. Se o usuário tiver menos de 13 anos, a conta é bloqueada. Claro que muitas crianças sabem disso e colocam outra data de nascimento para que consigam criar a conta, assim como fazem em tantos outros sites e apps.

O Discord toma alguns cuidados para tornar a experiência dos seus usuários mais segura, sendo eles maiores de idade ou não:

  • Como já informamos, a maioria dos grupos do Disord são privados e apenas convidados podem entrar. 
  • Todas as conversas são opcionais, ou seja, cada usuário escolhe quem pode adicioná-los como amigo, quem pode enviá-lo mensagens e que tipo de conteúdo pode receber. 
  • O Discord não compartilha informações pessoais, incluindo informações de contato e conversas privadas. O app não pede um nome real no cadastro e não vende os dados dos usuários para anunciantes. 

Se o seu filho é menor de 13 anos e já usa o Discord, esteja ciente de que isso não está de acordo com as regras da plataforma. Talvez vocês possam chegar a um acordo de migrar para outra plataforma onde crianças sejam permitidas, mas sabemos que essa pode ser uma tarefa desafiadora. Se não tiver jeito e você não quiser proibir seu filho de jogar com os amigos através do Discord, é necessário ter mais atenção em alguns pontos. 

:: Leia também: ROBLOX: Como manter as crianças seguras no jogo ::

Configure para aumentar a segurança

O Discord não tem um controle parental, mas existem algumas configurações que podem deixar seus filhos mais seguros dentro do Discord. Para isso, abra o Discord e procure pelas Configurações de Usuários no menu, que tem o ícone de engrenagem, e depois clique em Privacidade e Segurança. Lá tem várias opções para ativar e/ou desativar. Aqui vão algumas dicas:

  • Mensagem Direta e Segura: Para menores de 18 anos, é indicado que a opção ativa seja Mantenha-me em segurança, onde é possível analisar as mensagens diretas de todos. 
  • Quem pode iniciar uma amizade com você: Aqui é indicado que esteja selecionada apenas a opção Amigos de amigos, para ter um maior controle de quem pode adicionar seus filhos, mas não podar totalmente o círculo de amizades. Se você preferir que apenas os membros do servidor possam adicioná-lo, também é possível, mas lembre-se: existem servidores de jogos em que há muitas pessoas. Você ainda pode escolher não selecionar nenhuma das opções. Dessa forma, seu filho estará fechado a receber qualquer solicitação de amizade, mas ele ainda poderá enviar solicitações para outras pessoas.
  • Bloquear outros usuários: caso tenha alguém incomodando seus filhos, é possível bloquear essa pessoa. O bloqueio de usuários impede que eles enviem mensagem para você e os remove da lista de amigos, além de ocultar as mensagens dessa pessoa em qualquer servidor compartilhado. Para fazer isso, basta clicar no @nomedousuário com o botão direito e selecionar Bloquear.

Como fazer uma denúncia no Discord

Se você ou os seus filhos viram alguma mensagem de ódio, ameaças, ou qualquer ato que vai contra as regras do Discord, é possível denunciar. Para isso, é necessário copiar o link da mensagem. Você consegue esse link clicando na mensagem com o botão direito do mouse. Escolha a  opção “copiar link da mensagem” e cole a mensagem por DM (Direct Message, quando manda uma mensagem diretamente para a Discord) ou pelo servidor da Discord, ambos dentro da plataforma. 

Também é possível enviar um e-mail através de um formulário contando o ocorrido. Aqui, na opção What we can help you?, escolha a opção Trust & Safety. Indicamos anexar prints (capturas de tela) da conversa e guardar os links da mensagem. Também é necessário que a mensagem seja escrita em inglês.

NOTA DA EDITORA

O Discord foi feito para pessoas acima de 13 anos. Nessa idade, os adolescentes já têm mais maturidade para lidar com alguns assuntos como bullying, já notam com mais facilidade quando podem estar sendo enganados e têm mais noção de que qualquer pessoa pode estar do outro lado da tela. Crianças menores de 13 anos ainda não têm as habilidades necessárias para perceber alguns alertas neste meio. 

Apesar disso, o Discord é uma ótima plataforma para jogar online com os amigos, e sabemos que é uma das preferidas entre as crianças e jovens. Se seus filhos são menores de 13 anos e usam, cabe a cada pai permitir que continuem usando ou que tirem seus filhos do Discord. 

Acreditamos que é possível manter as crianças na plataforma, mas com olhos mais atentos. Para isso, certifique-se de que seus filhos conheçam na vida real todos os amigos do Discord ou tenha certeza de que são todos da mesma faixa-etária. Também é válido perguntar para seus filhos se podem marcar um dia de conversar com os pais desses amigos virtuais, para ter certeza de que são, de fato, da mesma faixa etária e alinhar algumas coisas com os pais “do lado de lá”. 

Caso seus filhos tiverem menos de 13 anos, sugerimos que não usem fones de ouvido quando estiverem no Discord. Dessa forma, é mais fácil para vocês cuidarem e perceberem o que está sendo dito nas salas e servidores que eles participam.

Mantenha um diálogo recorrente sobre os jogos e as experiências das crianças no Discord. Converse com eles, se interesse pelo o que jogam. Isso facilita caso seus filhos precisem da sua ajuda. E sempre fale sobre alguns cuidados que eles devem tomar, como não aceitar solicitações de amizade de quem não conhecem, de pedir a sua ajuda quando se depararem com algo incomum e este tipo de coisa.

Lembre-se que seus filhos e os amigos também podem criar servidores. Recomendamos esta leitura para criar um servidor seguro.

ROBLOX: Como manter as crianças seguras no jogo

Roblox é uma plataforma virtual que disponibiliza aos usuários uma série de possibilidades, como a criação de novos jogos e até jogar as produções de outros usuários

Segundo um relatório publicado pela Roblox Corporation em agosto deste ano, a plataforma chegou à marca de 48 milhões de jogadores ativos diariamente. O número é expressivo não apenas em quantidade de jogadores, mas também nas horas em que os usuários se conectam à plataforma: mais de 4 bilhões de horas foram jogadas no período analisado. 

Esse universo de possibilidades tem atraído muitas crianças e também a atenção dos pais. Nós já escrevemos um guia completo para pais e mães sobre alguns pontos de atenção que é necessário ter quando as crianças jogam Roblox. 

Neste artigo vamos falar de como tornar a experiência das crianças mais segura e entender um pouco mais como funciona a plataforma.

Como é feito o controle parental no Roblox 

O Roblox oferece algumas possibilidades de controle parental, como limitar as funções do chat, restrições de conta (para que o usuário acesse apenas conteúdo com curadoria de Roblox) e visibilidade de idade, que determina as configurações para crianças. 

Ativar as restrições de conta:

Clique na opção segurança (ou security), dentro de configurações (ou settings). Ao lado de restrição de conta (account restriction), mude a posição do botão para ativar a restrição. Ele ficará verde e aparecerá a seguinte mensagem na tela: “As restrições de conta estão ativadas” (ou account restrictions is currently enabled). Isso significa que você habilitou as restrições de conta.

Ao fazer isso, nenhum outro usuário poderá enviar mensagens, no aplicativo do Roblox ou no jogo, além de impossibilitar que a conta seja encontrada pelo número de telefone. Todas essas configurações podem ser ajustadas de forma individual, assim que as restrições forem ativadas. 

Bloquear usuários: 

Para bloquear usuários é muito simples: basta acessar o perfil do usuário que deseja bloquear, selecionar os três pontos no canto superior direito onde aparece o nome de usuário e informações de amigos. Um menu de opções aparecerá na tela e entre elas a opção bloquear usuário (ou block user). Ao selecioná-la, você bloqueia o usuário.

Como bloquear usuários dentro de um jogo: 

Também existe a opção de bloquear usuários dentro dos jogos. Na lista no canto superior direito da tela do jogo aparece a lista de jogadores, selecione o perfil que deseja bloquear e um menu abrirá na tela. Depois disso, escolha a opção bloquear usuário (block user). É possível também denunciar abusos diretamente neste mesmo menu, em Denunciar abuso (report abuse). 

Denunciar abusos através do botão de Denunciar abuso (report abuse) se faz necessário quando o usuário usa linguagem inapropriada ou aborda os outros jogadores de forma ameaçadora ou intimidadora

Ative configurações por PIN: 

O Roblox oferece aos pais de crianças uma outra possibilidade de segurança: a criação de um PIN associado à conta de e-mail dos responsáveis para bloquear as configurações do usuário. Para ativá-lo, é necessário clicar na engrenagem na página inicial do Roblox e depois em configurações (settings)

Depois de ter feito isso, digite o e-mail do responsável e a senha da conta da criança nos campos correspondentes. Depois clique em adicionar email (add email). Será enviado um e-mail de confirmação para o endereço que foi preenchido. Após feito esse processo de confirmação, é necessário atualizar a página das configurações para ativar o PIN. Para isso clique em código da conta (account PIN). Ao ativar o PIN, todas as configurações feitas no futuro terão que ser ativadas depois de inserir a senha criada. Todas as configurações ficam bloqueadas pelo PIN. 

:: Leia também: GUIA DE DISCORD PARA PAIS: como manter seus filhos seguros ::

Como funciona o Roblox

Agora que você já sabe como manter seus filhos mais seguros no Roblox, Vamos te explicar como o jogo funciona, para que você possa conversar com as crianças e participar da vida delas online também.

Como é feita a criação de jogos dentro do Roblox?

Antes de tudo é necessário um cadastro na página principal do Roblox. Depois disso você já terá acesso ao seu perfil principal, onde poderá mudar as informações pessoais, enviar e também receber mensagens, alterar a foto do perfil e criar seus próprios jogos.  

Instale o Roblox Studio: 

Para começar a criar os jogos é preciso baixar o programa Roblox Studio. É esse programa que possibilita a criação de jogos com os modelos de mapa e objetos disponíveis, que depois poderão ser publicados no perfil criado dentro do Roblox.

Escolha do mapa: 

Depois que o Roblox Studio for baixado, no menu inicial de criação estão localizadas opções de mapas, onde é possível também escolher um mapa temático – theme, ou jogável – gameplay. Os jogadores iniciantes na plataforma poderão escolher a opção gameplay, já que todo o visual e regras do jogo já estão estabelecidos. Neste modo são sete modelos disponíveis: Racing, Obby, Line Runner, Infinite Runner, Capture The Flag, Team/FFA Arena e Combat. É permitido fazer algumas edições, como mudar objetos, alterar o cenário de dia para a noite e personalizar o avatar. Na aba lateral, localizada na parte esquerda da tela, estão os botões para criar um novo mapa, assim como visualizar os mapas já criados.

Como alterar elementos dentro do jogo:  

Depois de selecionar a opção de jogo, é possível trocar elementos dentro dele, como objetos e avatar, clicando em Caixa de Ferramentas (toolbox). Nessa fase é possível deixar o jogo no estilo que o jogador imaginou. Para tanto, o usuário deve habilitar a caixa de ferramentas que fica na parte esquerda da janela. Através dela é possível adicionar objetos e escolher onde posicioná-los. Se quiser alterar a superfície do próprio objeto ou acrescentar efeitos, basta clicar em Modelo (model).

Crie jogos com a base de terreno pronta: 

Na opção Temas (theme), o usuário poderá criar um jogo a partir de uma base já pronta, onde existem os temas disponíveis: Base (Baseplate), Terreno Plano (Flat Terrain), Vila (Village), Castelo (Castle), Subúrbio (Suburban) e Corrida (Racing). Ao selecionar essa opção, os elementos de cada terreno são preenchidos de forma automática de acordo com as características de cada um deles. Apesar disso, os elementos também podem ser alterados.

Faça um jogo do zero: 

Para quem já tem um conhecimento na criação de games, o Roblox Studio também oferece a opção de criar um jogo do zero. Para essa criação, o mapa que deve ser escolhido é o Base (baseplate), que é uma modalidade de mapa “em branco”. Depois de selecioná-lo, o usuário poderá escolher o terreno e, a partir dele, selecionar os objetos, personagens, efeitos visuais e sonoros e as regras do jogo. Desta forma também será possível criar mecânicas de funcionamento do jogo com programação, especialmente de HTML. Existe uma aba chamada plugins, que disponibiliza um sistema para aqueles que conhecem programação, possibilitando dessa forma uma criação mais autônoma. 

Crianças que já tiveram ou têm aulas de programação e coding podem se beneficiar bastante deste modo do Roblox. 

Teste o jogo criado: 

Testar o jogo criado no Roblox Studio é uma parte extremamente importante no processo de criação. Para isso, clique no topo da janela do Roblox Studio e abra a barra de ferramentas chamada testar e depois em play. Agora é possível caminhar com o personagem pelo mapa, observando de uma forma ampla o jogo. Para sair do modo jogador basta clicar em stop. Ao fazer isso, o usuário voltará ao modo de edição. 

Avalie a experiência dentro do jogo, busque erros: 

Objetos colocados em lugares não estratégicos, que podem impedir os movimentos dentro do jogo, são alguns dos erros frequentes. É por isso que testar o jogo é extremamente importante, já que só dessa forma esses erros poderão ser corrigidos. 

Não esqueça de salvar o jogo: 

Depois dessas etapas chegou o momento de salvar o jogo e, assim como diversos outros tipos de trabalhos que realizamos utilizando programas, salvar uma cópia é essencial. Para isso, é preciso clicar em Arquivo (file) e depois em Salvar (save)

Publique o jogo criado: 

Agora que a cópia foi salva, chegou o momento de publicar o jogo. No menu superior, na aba Arquivo (file), o usuário deve clicar na opção Publicar no Roblox (publish to Roblox). A tela que aparecerá depois é aquela em que o gênero do jogo deverá ser escolhido, se ele será privado ou público, e outros detalhes como nome e os dispositivos em que ele vai estar disponível. Em seguida, basta clicar em Criar (create) para deixar o jogo online!

NOTA DA EDITORA

O Roblox é uma ferramenta incrível e pode ser muito benéfica para as crianças. Começando pelo fato de que é uma atividade ativa, onde a criança pode criar coisas novas ao invés de apenas consumir um conteúdo de forma passiva (um exemplo de forma passiva de consumir conteúdos é assistir a um vídeo, por exemplo). 

Com o Roblox, as crianças acessam jogos criados por outros usuários, o que acaba sendo um incentivo a criarem seus próprios jogos. O processo de criação de jogos envolve muito mais do que programação. É preciso pensar no objetivo do jogo, no formato, nos personagens, nas regras do jogo, em toda a parte visual e, claro, na parte técnica, que é a programação em si. Tudo isso precisa de organização e foco.

Através da construção de um jogo simples, as crianças desenvolvem muitas habilidades como planejamento, organização, habilidades narrativas, a habilidade de ver o projeto de uma forma mais global e logo partir para uma atividade onde é necessário foco em apenas um aspecto (chamamos isso de atenção global e atenção focal), além de muita criatividade.

Porém é uma plataforma onde várias pessoas têm acesso online e simultâneo, e existe um chat. Todos os jogos e plataformas que tem chat e tem crianças utilizando, uma luz amarela deve ser ligada. Isso porque pessoas mal intencionadas podem fazer contato com as crianças e tentar tirar proveito de alguma forma. 

Por isso, leia sobre Roblox (e todos os jogos e apps que seus filhos jogam), entenda como funciona e fique por dentro dos controles parentais para ativar o que for necessário para protegê-los dentro da plataforma.

Música ajuda o desenvolvimento do cérebro em bebês prematuros

A informação de que música clássica é bom para bebês têm circulado na internet e em grupos de pais. Mas será que o benefício é real? Se é especificamente música clássica, não sabemos. Mas um estudo feito nos Hospitais Universitários de Genebra comprovou que bebês prematuros tiveram um melhor desenvolvimento do cérebro ao ouvirem um tipo específico de música.

Os bebês prematuros que foram expostos à música na unidade de tratamento intensivo tiveram um melhor desenvolvimento de redes cerebrais, levando à uma arquitetura cerebral funcional mais parecida às dos recém-nascidos a termo.

O impacto no desenvolvimento do cérebro

Foi detectado que algumas áreas do cérebro dos bebês prematuros expostos à música tiveram um maior desenvolvimento. Isso impactou na percepção sensorial, nos mecanismos de atenção que facilita o aprendizado relacionado ao desenvolvimento cognitivo e perceptivo, no processamento afetivo e emocional, e nas respostas cognitivas e comportamentais.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Genebra e publicado em junho de 2019 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Ao todo, 45 bebês participaram da pesquisa. 16 recém-nascidos a termo (que não nasceram prematuros) e 29 bebês prematuros recém-nascidos nos ambientes de terapia intensiva dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG).

Dos 29 bebês recém-nascidos prematuros, 15 bebês eram do grupo de controle sem intervenção de música e 14 eram do grupo de controle com intervenção de música.

Segundo o artigo “Music in premature infants enhances high-level cognitive brain networks”, feito a partir dos resultados do estudo, os bebês prematuros que foram expostos a um certo tipo de música tiveram um aumento significativo no desenvolvimento das redes cerebrais em relação aos bebês prematuros que não tiveram contato com música.

O cérebro de bebês prematuros ainda são muito imaturos porque não se desenvolveram por completo no período de gestação que tiveram. Por isso, os bebês precisam ficar algum tempo na incubadora de uma unidade de tratamento intensivo para desenvolver mais.

Apesar das incubadoras imitarem o ambiente em que o bebê se encontrava no ventre da mãe, muito se perde no quesito de desenvolvimento. Segundo Petra Huppi, professora que dirigiu o trabalho da Faculdade de Medicina da UNIGE e chefe da Divisão de Desenvolvimento e Crescimento do HUG, “A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente”.

A música

A música que os bebês prematuros tiveram contato foi composta exclusivamente para eles e para o estudo. Foi utilizado alguns instrumentos específicos como harpa, sinos e pungi, que produziram respostas cerebrais e comportamentais em recém-nascidos prematuros em um estudo anterior.

A música foi dividida em três faixas para se adaptar ao estado de vigília do bebê: uma que ajuda o bebê a acordar; a segunda interage com o bebê acordado; e a última que ajuda o bebê a dormir.

:: Leia também: A quantidade de carinho que bebês recebem pode afetar o DNA ::

Como a música funciona no cérebro

A música desperta sensações distintas em cada um de nós. Algumas nos fazem reviver memórias e podem nos levar de volta à infância, enquanto outras nos deixam animados independente da situação. Algumas vezes também sentimos saudades ao ouvir uma música ou uma banda específica e até lembramos de algumas pessoas que não estão mais no nosso convívio. Diante dessas sensações que todos nós conhecemos, você alguma vez já se perguntou como o ato de ouvir uma música é processado pelo nosso cérebro? 

Daniel Levitin, que é psicólogo, neurocientista, músico, produtor musical e autor da obra A música no seu cérebro explicou em entrevista para o Portal G1 da Globo:

“… Cada vez que nós ouvimos um padrão musical que é novo para os nossos ouvidos, nosso cérebro tenta fazer uma associação através de qualquer sinal visual, auditivo ou sensorial. Nós tentamos contextualizar os novos sons e, eventualmente, criamos esses links de memória entre um conjunto particular de notas e um determinado local, hora ou conjunto de eventos”. Isso explica o fato de associarmos músicas a momentos e pessoas. Daniel afirma também que a música tem uma relação direta com o nosso cérebro e estimula a produção das chamadas substâncias da felicidade, como serotonina, endorfina, dopamina, ocitocina e prolactina.

Como o cérebro humano reage ao ouvir uma música

Carolina Octaviano é mestre em cognição e filosofia da música pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em seu artigo ela explica como a música é recebida pelo nosso cérebro.

“Após o som ser transmitido por moléculas através do ar, ele chega ao tímpano, que se agita para dentro ou para fora, conforme a amplitude e volume do som que recebe, e também da altura desse som, isto é, se ele é grave ou agudo. Entretanto, nesse estágio, o cérebro recebe apenas uma informação incompleta, sem distinção do que o barulho realmente representa – se ele é de vozes, do vento, de máquinas etc. O resultado final, decodificado pelo cérebro, representa uma imagem mental do mundo físico, que é gerado a partir de uma longa cadeia de eventos mentais”, escreve.

Carolina explica que o primeiro processo dessa cadeia é a “extração de características”, quando o cérebro apenas percebe as características básicas da música por meio das redes neurais especializadas. “Nessa fase, o som é decomposto em elementos básicos como altura, timbre, localização no espaço, intensidade, entre outros. Isso ocorre nas partes periféricas do cérebro. O segundo passo ocorre nas partes superiores cerebrais, quando é preciso integrar essas informações básicas adquiridas, de forma a obter uma percepção completa”.

Quase todas as regiões do cérebro são envolvidas ao ouvir uma música

Carolina afirma que a atividade musical envolve quase todas as regiões do cérebro e os subsistemas neurais. “Quando uma música emociona, são ativadas estruturas que estão nas regiões instintivas do verme cerebelar (estrutura do cerebelo que modula a produção e liberação pelo tronco cerebral dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina) e da amídala (principal área do processamento emocional no córtex). Já na leitura musical, o córtex visual é a área utilizada. O ato de acompanhar uma música é capaz de ativar o hipocampo (responsável pelas memórias) e o córtex frontal inferior. Para a execução de músicas, são acionados os lobos frontais – o córtex motor e sensorial”.

Benefícios da música para o nosso cérebro 

Em entrevista para o jornal O Globo, o psicólogo Daniel Levitin conta que estudos recentes reforçam a noção de que ouvir música “melhora a saúde física e cerebral, aumenta a função do sistema imunológico, promove o vínculo social mesmo na ausência de outras pessoas próximas e melhora o bem-estar geral”.

“Na verdade, usamos a música para regular nosso humor ao longo do dia, mesmo que não o façamos intencionalmente. Escolhemos músicas diferentes para um treino e para um jantar, ou para relaxar antes de dormir. A neuroquímica desses sentimentos e humores foi atribuída à capacidade da música de modular os níveis de dopamina, endorfinas e opioides no cérebro. O techno, por exemplo, tende a aumentar os hormônios do estresse (cortisol, ACTH, prolactina, hormônio do crescimento e norepinefrina), enquanto a música meditativa os reduz bastante. Já ouvir música de que gostamos pode afetar os hormônios do bem-estar”, explica. 

A relação entre a música e o desenvolvimento neurológico

O médico e pesquisador Mauro Muszkat escreveu um artigo onde mostra que a música pode atuar como um fator de melhora em doenças como depressão ou Alzheimer. Através dessa afirmação, ele instiga arte-educadores, músicos e educadores a um exercício de observação da criança e, junto dela, participar de um “processo de construção de linguagem, de maneira a encontrar respostas para as dificuldades e para a inclusão dessa criança, seja pedagógica ou social”. 

“A música não pode ser entendida sem levarmos em conta a subjetividade, o envolvimento lúdico e a transitividade que caracterizam a arte. A música, em qualquer uma de suas dimensões, enquanto estética, terapia ou ritual, envolve as funções cerebrais perceptivo-motoras e executivas. Sentir e processar música implica a análise de sinais físicos e acústicos das vibrações de moléculas do ar (sons) e decodificação em um sistema subjetivo e cultural complexo. Assim, sinais físicos transformam-se em estados emocionais que refletem expectativas, tensão, repouso e movimento, bem como causam flutuações de nossos ritmos fisiológicos endógenos, como batimento cardíaco, frequência respiratória e ritmos elétricos cerebrais”, explica. 

“Ouvir músicas também afeta o funcionamento do nosso cérebro. As alterações fisiológicas com a exposição à música são múltiplas e vão desde a modulação neurovegetativa dos padrões de variabilidade dos ritmos endógenos da frequência cardíaca, dos ritmos respiratórios, dos ritmos elétricos cerebrais, dos ciclos circadianos de sono-vigília, até a produção de vários neurotransmissores ligados à recompensa e ao prazer e ao sistema de neuromodulação da dor. Ela intensifica também as capacidades linguísticas”, escreve. 

“Já em pessoas com declínio cognitivo, a música pode facilitar a ativação de redes neurais altamente plásticas, e envolvidas com memórias autobiográficas episódicas em indivíduos com disfunções cerebrais. Assim, o benefício da música já é amplamente reconhecido por vários grupos internacionais, dada a capacidade dela de evocar emoções e trazer memórias ocultas”. 

Mauro explica também que não são só as crianças que se beneficiam com a música; os adolescentes também, atuando como fator de auxílio ao jovem na difícil fase de transição, em que ele se depara “com mudanças não apenas hormonais, mas neurobiológicas e mudanças na impulsividade, agilidade motora e períodos de humor oscilante e de tédio”. 

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Segundo um artigo sobre neurodesenvolvimento e educação musical, o cérebro humano passa por quatro fases principais de desenvolvimento estrutural. 

A primeira acontece durante  o desenvolvimento fetal, durante a gestação, e ocorre basicamente a formação de bilhões de células para formar a estrutura do cérebro. 

A segunda fase é logo após o nascimento e nos primeiros anos de vida com o surgimento das conexões entre as células, que formam os “mapas mentais” do cérebro, responsáveis pela visão, linguagem, audição etc. 

A terceira fase acontece entre 4 e 10 anos de idade, onde novos aprendizados reorganizam e reforçam as conexões entre as células do cérebro humano. E a última fase acontece após os 10 anos de idade, quando o cérebro ainda é capaz de sofrer mudanças físicas e aprende e memoriza informações do decorrer de toda a vida. 

Ou seja: metade das etapas da formação do cérebro é durante a infância, e é nessa fase que apresenta as melhores “condições” de aprendizado. 

Janelas de oportunidades

Outro conceito comum na neurociência são as “janelas de oportunidades”, que são os períodos em que as crianças parecem ter mais facilidade para desenvolver cada tipo de inteligência, tornando os estímulos e desenvolvimentos mais eficientes. Vale lembrar que essas janelas não são fixas e definitivas, são apenas estimativas. 

Levando em consideração as janelas de oportunidades, podemos citar aqui alguns tipos de inteligência que são desenvolvidos com mais facilidade na infância e como estimular essas inteligências. 

  • Inteligência Linguística ou Verbal: é desenvolvida do nascimento até os 10 anos de idade, onde é desenvolvida conexões que transformam sons em palavras com sentido. Jogos vocais, conversas, estórias, lendas, rimas, parlendas e histórias musicadas podem estimular a inteligência linguística ou verbal. 
  • Inteligência Musical: desenvolvida do nascimento aos 10 anos de idade. A partir dos 3 anos, as áreas do cérebro que dominam a coordenação motora são muito sensíveis e já permitem a execução musical. Pode ser estimulada através do canto, audição, movimento, dança, jogos musicais, identificação de sons, e outras atividades que desenvolvam o ouvido interno.
  • Inteligência Sinestésica Corporal: desenvolvida do nascimento aos 6 anos. O cérebro desenvolve a capacidade de associação entre a visualização e o ato de agarrar um objeto, por exemplo. Desenvolvida através de brincadeiras que estimulam o tato, paladar e o olfato, mímica, interpretação de movimentos, jogos e atividades motoras diversas, com ou sem objetos. 
  • Inteligência Lógico-Matemática: do nascimento aos 10 anos de idade. A cognição é desenvolvida através das ações da criança com os objetos do mundo, e suas expectativas em relação aos mesmos. Pode ser desenvolvida através de desenhos, representações, jogos, atividades musicais, resolução de problemas simples em diversas áreas e que estimulem o raciocínio lógico. 

A música e o Truth and Tales

O Truth and Tales, nosso aplicativo para crianças de 5 a 10 anos, conta com atividades que podem estimular os quatro tipos de inteligência citados acima. 

Os contos interativos estimulam a inteligência Linguística ou Verbal com a contação de histórias rimadas;  a inteligência Musical com a trilha sonora e alguns jogos de identificação de sons com notas musicais; e a inteligência Lógico-Matemática com jogos com resolução de problemas utilizando desenhos e representações. 

Os audiobooks também estimulam a inteligência Linguística ou Verbal pelos mesmos motivos dos contos interativos; e também estimulam a inteligência Musical por conta da trilha sonora. 

Os exercícios de retorno da homeostase no Yoguinha estimulam a inteligência Sinestésica-Corporal através da interpretação de movimentos e de jogos de atividades motoras. 

Destacamos aqui a trilha sonora presente no Truth and Tales, que percorre toda a experiência do app: do menu às atividades. Sabendo do efeito que a música tem no cérebro das crianças, decidimos fazer uma trilha sonora com profissionais qualificados especialmente para o app. A musicalidade do app deixa a experiência completa e ainda mais especial.

Fontes utilizadas no artigo: 

Literartes – Revistas da USP

O Globo

Jornal da USP

Ciências e Cognição  

El Economista

O que é Homeostase

Você já deve ter ouvido diversas vezes a frase: “o corpo humano é uma máquina perfeita”. Mas já parou para pensar o que garante todo esse funcionamento diante da complexidade que nos constitui? Quando sentimos a pele arrepiar de frio ou quando suamos depois de praticar exercícios físicos, são respostas fisiológicas que têm como objetivo manter a temperatura interna do corpo em equilíbrio. É justamente nesse ponto que podemos falar de homeostase, que atua na manutenção do funcionamento do nosso corpo. 

O que é homeostase? 

O corpo humano precisa estar em equilíbrio para garantir o seu funcionamento. Em entrevista para o UOL, Nicolle Queiroz, que é cardiologista e professora do curso de medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), explica que o suor, por exemplo, faz parte de um mecanismo que se chama homeostase, que é onde se regula a temperatura corporal para as funções do corpo aconteçam sem prejuízo. 

O professor Kelvin S. Rodolfo da Universidade de Illinois explica em entrevista para a Scientific American o que é homeostase partindo do significado da palavra. “A homeostase, tem origem das palavras gregas “igual” e “estável”, refere-se a qualquer processo que os seres vivos usam para manter as condições ​​necessárias à sobrevivência estáveis. O termo foi cunhado em 1930 pelo médico Walter Cannon. Seu livro The Wisdom of the Body descreve como o corpo humano mantém níveis estáveis ​​de temperatura e outras condições vitais, como água, sal, açúcar, proteína, gordura, cálcio e o oxigênio no sangue. Processos semelhantes mantêm as condições de estabilidade no meio ambiente da Terra de forma dinâmica”. 

Já a explicação sobre o conceito de homeostase feita pelo professor Doutor Ismar A. de Moraes da Universidade Federal Fluminense resgata a definição criada por Claude Bernard, um famoso fisiólogo francês: “todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm apenas uma finalidade: a de manter constantes as condições de vida no ambiente interno.” 

Ismar comenta que devemos entender a homeostase como sendo esta tendência à manutenção das condições internas de um organismo sempre dentro de parâmetros normais ou fisiológicos. De acordo com a sua posição na escala evolutiva, os seres vivos podem apresentar maior ou menor capacidade de adaptação ao meio-ambiente. 

“A cada momento em que existir uma tendência a um desequilíbrio, os mecanismos de homeostase se apresentarão para garantir a regulação ou retorno à normalidade. Isso vale, entre tantas outras, para a regulação do pH corporal assim como para a termorregulação e circulação”, escreve.  

:: Leia também: Histórias que utilizam o humor são benéficas para o cérebro e o desenvolvimento cognitivo ::

Qual é a importância da homeostase? 

A homeostase atua principalmente no funcionamento dos sistemas nervoso e endócrino. Quem coordena as ações do organismo é o sistema nervoso, e o sistema endócrino indica “o que deve ser feito” por cada órgão.

Se um sistema ficar sob condições que provoquem alterações e, dessa forma, esse sistema enfrenta instabilidades, a tendência dele é agir para combater essas alterações, e a homeostase tem papel fundamental nesse processo

O professor Kelvin S. Rodolfo também cita a importância dos processos de controle de temperatura  do corpo humano. “Por exemplo, o corpo humano usa uma série de processos para controlar sua temperatura, mantendo-a próxima a um valor médio ou norma de 98,6 graus Fahrenheit (37 graus Celsius). Uma das respostas físicas mais óbvias ao superaquecimento é o suor, que esfria o corpo ao disponibilizar mais umidade na pele para evaporação. Por outro lado, o corpo reduz a perda de calor em ambientes frios suando menos e reduzindo a circulação sanguínea na pele. Assim, qualquer mudança que aumente ou diminua a temperatura normal dispara automaticamente um feedback contrário, oposto ou negativo. Aqui, negativo significa apenas oposto, não é mau; na verdade, ele atua para o nosso bem-estar neste exemplo.”

Ele enfatiza que todas essas reações homeostáticas são inevitáveis ​​e automáticas e vão acontecer naturalmente se o sistema estiver funcionando de maneira adequada. Os sistemas operam juntos nesses processos. 

“O rubor é outra das respostas automáticas do corpo ao aquecimento: a pele fica vermelha porque seus pequenos vasos sanguíneos se expandem automaticamente para trazer mais sangue aquecido para perto da superfície, onde pode esfriar. O tremor é outra resposta ao frio: os movimentos involuntários queimam o tecido corporal para produzir mais calor corporal”, explica. 

Kelvin S. Rodolfo explica ainda que a oscilação é um comportamento comum e necessário de muitos sistemas e que os próprios sistemas promovem essas oscilações acima e abaixo do nível de equilíbrio.

Os sistemas homeostáticos evoluíram ao longo dos anos para auxiliar os organismos a manterem suas funções ideais em diferentes ambientes e situações. Mas muito além disso, de acordo com um artigo publicado em 2013 pela National Library of Medicine (National Center for Biotechnology Information), um grupo de cientistas teorizam que a homeostase fornece principalmente um “fundo silencioso” para células, tecidos e órgãos se comunicarem uns com os outros. A teoria propõe que a homeostase torna mais fácil para os organismos extraírem informações importantes do ambiente e sinais de transporte entre as partes do corpo.

Homeostase para além da fisiologia

Saindo um pouco das explicações sobre a homeostase em nosso organismo, o professor Kelvin S. Rodolfo conta que a homeostase encontrou aplicações úteis também nas ciências sociais. “Refere-se a como uma pessoa sob tensões e motivações conflitantes pode manter uma condição psicológica estável. Uma sociedade mantém sua estabilidade de forma homeostática apesar da competição entre fatores políticos, econômicos e culturais. Um bom exemplo é a lei da oferta e demanda, segundo a qual a interação da oferta e da demanda mantém os preços de mercado razoavelmente estáveis”. 

Texto: Débora Nazário

NOTA DA EDITORA:

O corpo precisa voltar para a homeostase quando se depara com um fator de estresse. Quando pensamos nesse fato de estresse, normalmente lembramos de uma gripe onde o corpo fica fraco ou febril pois está combatendo uma infecção; ou um dia muito frio em que não estamos agasalhados suficientemente, e o corpo se treme todo para gerar calor e não perder temperatura. 

Mas também há o estresse psicológico, quando estamos preocupados com algo ou sobrecarregados. Nosso corpo tem uma série de respostas frente ao estresse, e cada pessoa reage de uma forma. Tem gente que dorme, tem gente que sente vontade de comer doces, há quem perde o apetite, tem intestino que para de funcionar e tem gente que precisa ir ao banheiro cinco vezes ao dia. Tudo isso é o nosso corpo mostrando que há um desequilíbrio que pode ser emocional. 

As crianças também sofrem de estresse e também podem ter respostas como falta de apetite, desregulação do sono ou irritabilidade. É preciso estar atento e buscar ajuda de pediatras e psicólogos caso identifique algum destes avisos. 

O Truth and Tales, nosso aplicativo de bem-estar infantil, conta com algumas atividades que podem ajudar as crianças a voltarem para a homeostase. Os contos interativos e audiobooks são Teaching Stories, histórias milenares com uma estrutura que permite a flexibilização do cérebro, dando espaço para desenvolvimento de algumas habilidades mais finas e, dentre elas, o foco e atenção. 

Também oferecemos exercícios de integração corpo e mente, onde ajudam a restaurar a homeostase. De forma lúdica e divertida, as crianças dão espaço para perceber seus corpos e seus sentimentos, colocando atenção nelas mesmas.

Fontes utilizadas no artigo: 

Essential Nutrition

Scientific American

 

As Fábulas Gregas Como Histórias Para Crianças

As fábulas existem em culturas ao redor de todo o mundo e são usadas como instrumento de transmissão de sabedoria. As fábulas gregas são muito famosas, principalmente na cultura ocidental, e estão presentes desde a primeira infância de muitas pessoas. Elas estão em livros infantis, didáticos e paradidáticos, e são transmitidas oralmente em sala de aula e dentro de casa.

Origem das fábulas gregas

Não se sabe exatamente a origem das fábulas gregas, mas a história se refere a Esopo, um contador de histórias nascido supostamente no século VI A.C. ou VII a.C. na Ásia Menor e, posteriormente, levado para a Grécia como escravo. 

Um dos primeiros livros conhecidos impressos na gráfica de Gutenberg, em 1476, foram as fábulas de Esopo. Jean de La Fontaine, um francês que viveu no século XVII, foi um grande divulgador das fábulas de Esopo.

Segundo Teón de Alexandria, um professor de matemática e astronomia e estudioso de obras de autores clássicos que viveu no ano de 335 a 400 d.C, “A Fábula é uma história inventada ilustrativa da verdade”. 

O que são fábulas

As fábulas contam com o uso de personagens animais com características humanas. Segundo a InfoEscola, as fábulas “fazem uma analogia entre a realidade humana e a situação vivida pelos personagens com o objetivo de ensinar algo ou provar alguma verdade estabelecida”, como Teón de Alexandria pontuou. Muitos chamam essa verdade estabelecida de lição de moral. 

A contação de histórias é uma forma universal e antiga de entretenimento, e por isso a fábula tem o propósito de impactar e elucidar valores morais, éticos e sociais de uma forma agradável, gentil, efetiva e não ameaçadora. 

As fábulas gregas são usadas como uma ferramenta didática para mostrar as regras éticas, morais e sociais de uma população, para que as pessoas (geralmente crianças) as aprendam sem a necessidade de vivenciar alguma situação parecida.

Por serem bem antigas e propagadas oralmente ao longo da história, as fábulas gregas sofreram alterações e transformações ao longo do tempo. A “lição de moral” no final das fábulas, por exemplo, não existia e as pessoas ficavam livres para entender e refletir sobre a história. 

A lição de moral nas fábulas gregas

A lição de moral seja, talvez, a parte mais popular das fábulas. A lição de moral é um item que está em todos os artigos publicados sobre fábulas, em sites de pesquisa, em livros de informação, em como construir uma fábula, e por aí vai. Consigo até lembrar de algumas frases que vêm das lições de moral das fábulas: “devagar e sempre”; “todas as ações geram consequências”; “nenhuma gentileza é em vão”.

No livro “A Companion to the Works of Gotthold Ephraim Lessing”, o autor John Pizer traz alguns pontos importantes levantados por Lessing, um poeta, dramaturgo, filósofo e crítico de arte alemão que viveu no século XVIII. Segundo Lessing, os ensinamentos morais das fábulas têm de ser intuitivos. Para ele, descrever uma raposa como astuta, um cão como fiel ou um galo como orgulhoso, é parte de uma semiótica da alegoria, que é quando há uma necessidade de descrição narrativa aberta ao ligar os atributos morais de um animal ao seu caráter. 

Lessing diz que numa fábula simples, onde não há essa semiótica da alegoria, tais associações são diretamente intuídas, ou seja, não há necessidade em rotular o personagem porque o leitor irá perceber suas características. Segundo ele, a semiótica de alegoria bloquearia a cognição intuitiva de uma verdade moral ao não permitir que a imaginação do leitor fizesse seu próprio trabalho. Esse processo de cognição intuitiva está no cerne da famosa definição sumária de fábula de Lessing, que pressupõe a percepção do evento narrado como real, percepção que a descrição detalhada, dada sua qualidade “inanimada”, só pode confundir. 

Diante do posicionamento de Lessing, deixamos aqui o questionamento: será que não é mais rico deixar a criança pensar por ela mesma qual o ensinamento da história? Será que há só uma moral da história numa fábula? E se há mais coisas que não estamos enxergando por achar que a moral da história que nos foi ensinada é a certa?

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O efeito das fábulas na infância:

De acordo com Theda Detlor no livro “Aesop´s Fables – Reproducible Read-Aloud Tales With Instant Activities that Get Kids Discussing, Writing About & Acting on the Important Lessons in The Wise & Classic Stories”, as fábulas ajudam as crianças numa série de pontos:

  • Desenvolver o entendimento das metáforas: crianças são desafiadas a relacionar uma série de ações concretas a uma  determinada moral, conseguir abstrair de algo específico para algo mais geral, e a entender a linguagem figurativa. Isso promove o pensamento de alto nível à medida que as crianças desenvolvem suas habilidades para interpretar significados e metáforas, fazer interferências e julgamentos, e criar soluções alternativas.
  • Levar questões éticas para a vida real: crianças desenvolvem e aplicam pensamentos críticos sobre os eventos das histórias a uma variedade de questões éticas e as usam numa série de eventos do mundo real.
  • Construir uma comunidade na sala de aula: através de discussão e debate, as crianças aprendem a ouvir umas às outras e expressar suas opiniões sobre comportamentos éticos. Elas aprendem a extrair e expandir o significado de histórias e a discutir questões da vida real usando o raciocínio moral. Tais reflexões dão às crianças uma base ética na sala de aula, à medida que exploram temas e valores que irão criar uma comunidade solidária e ética.
  • Ajudar no processo de alfabetização: a estrutura concisa e a linguagem das fábulas têm um efeito incrível em pequenos leitores e escritores. Crianças aprendem a reconhecer a estrutura das narrativas previsíveis e seus padrões, e aplicar isso em suas próprias criações.
  • Construir o desenvolvimento ético e moral: usando o contexto compartilhado das histórias, as crianças sentem-se confortáveis para explorar o domínio moral, desenvolvendo o pensamento crítico sobre questões éticas e refletindo sobre seus próprios valores.

As Fábulas Gregas mais famosas:

A Cigarra e a Formiga:

Uma cigarra gostava de cantar e curtir a vida sem se preocupar com o futuro. Já a formiga trabalhava bastante para guardar alimento, principalmente durante o verão, para ter o que comer no inverno.

Enquanto a formiga trabalhava, a cigarra cantava, e falava para a formiga parar de trabalhar e cantar com ela. Até que o inverno chegou e a cigarra não tinha o que comer. E a formiga, que trabalhou o verão todo, estava preparada com os alimentos que havia guardado.

A Lebre e a Tartaruga:

A lebre e a tartaruga viviam numa floresta. A lebre sempre provocava a tartaruga por causa da sua lentidão e, certo dia, a tartaruga resolveu desafiar a lebre para uma corrida, que aceitou na certeza de que ganharia.

Dada a largada, as duas começaram a correr. A lebre foi bem mais rápida que a tartaruga, e resolveu parar para descansar antes da linha de chegada. Por causa disso, a tartaruga passou a lebre e ganhou a corrida.  

A Raposa e as Uvas:

Uma raposa estava com muita fome e, andando por um pomar, viu um cacho de uvas. A raposa viu que as uvas estavam maduras e perfeitas para serem comidas. Viu que estava sozinha e que o caminho estava livre, e decidiu colher os frutos. As uvas estavam no alto, mas a raposa não poupou esforços para tentar pegá-las, mesmo com as limitações. Tentou alcançar as uvas de diferentes formas.

Depois de várias tentativas frustradas, a raposa estava exausta e desapontada, além de faminta. Sendo assim, ela deu de ombros e, dando-se por vencida, deu meia volta e foi embora. Frustrada por conta das tentativas mal sucedidas, a raposa tentou consolar-se dizendo: “Na verdade, olhando com mais atenção, as uvas estavam estragadas e não maduras como elas aparentavam quando as vi pela primeira vez”.

O Leão e o Ratinho:

Numa floresta vivia um leão temido por todos os animais. Certo dia, ele dormia na sombra de uma árvore depois de caçar e já de barriga cheia. Foi quando o leão foi acordado um ratinho, que passeava por cima dele.

O leão acordou nervoso e prendeu o ratinho debaixo de sua pata. O ratinho também ficou apavorado e implorava para o leão não comê-lo. O ratinho pediu tanto que o leão o deixou ir embora.

Algum tempo depois, o leão estava andando na floresta quando, sem perceber, ficou preso na rede de caçadores. Ele rugia de raiva pois não conseguia se soltar. O ratinho, que estava ali perto, foi ver o que estava acontecendo e viu que o leão estava preso numa armadilha. Ele não perdeu tempo e roeu as cordas que prendiam o leão.

Nota da Editora

Sabendo que as fábulas são ferramentas para o desenvolvimento de várias funções na infância, também as trouxemos para o Truth and Tales, o nosso aplicativo de contos interativos para crianças. 

Leo, o Leão é um dos contos do Truth and Tales disponíveis nos formatos interativo e audiobook. Leo, o Leão, tem semelhanças com os contos de Rumi e com as fábulas de Esopo, com as indianas e com as afegãs. O conto interativo é uma adaptação para a tecnologia onde a criança pode rugir como um leão, fazer música com as flores e até se ver como um leão através da ferramenta de Realidade Aumentada. Também deixamos o conto sem moral da história porque acreditamos que, desta forma, a criança possa ficar livre para perceber os aprendizados e sabedorias do conto, que podem ser infinitos. 

Baixe o app e experimente os contos interativos e audiobooks!

Histórias que utilizam o humor são benéficas para o cérebro e o desenvolvimento cognitivo

A infância é um período repleto de aprendizados e, como já explicamos neste texto, o desenvolvimento cognitivo está sendo estimulado a todo tempo quando somos pequenos. Histórias que utilizam o humor também têm um papel importante nesse desenvolvimento.

A cada novo estímulo que as crianças recebem, elas passam a explorar o mundo, os sentidos e, dessa maneira, aprendem e interagem com o ambiente que as cerca. A leitura de histórias é uma forma de estimular esses aprendizados. 

Neste texto, apresentamos informações de que a leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro, que é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar. 

Os benefícios das histórias com humor para as crianças

Os pesquisadores Olufolake Orekoya, Edmund SS Chan e Maria PY Chik, ambos da Universidade Batista de Hong Kong, escreveram um artigo onde explicam como a leitura e, principalmente, a literatura com elementos de humor, pode ser benéfica para o aprendizado das crianças. 

Eles apresentam uma investigação de dois anos sobre aprendizagem e ensino de literatura infantil realizadas por cinco universidades com alunos do ensino fundamental, que revelou que a maioria das crianças prefere ler livros que as façam rir

Os resultados mostraram ainda que o que torna os alunos leitores ativos são livros de histórias engraçadas. O estudo relatou as preferências das crianças sobre a leitura, que vão desde histórias engraçadas, histórias de aventura, fantasia e outros. 

As crianças são facilmente adaptáveis ​​ao vínculo entre humor e criatividade, que auxiliam no desenvolvimento cognitivo. Conforme as crianças vão crescendo, ou seja, quando tornam-se mais maduras cognitivamente, elas podem apreciar diferentes formas de humor presentes nas histórias.

Leitura, humor e desenvolvimento cognitivo

O artigo afirma que a apreciação do humor está intimamente relacionada ao desenvolvimento cognitivo. Quando uma criança está envolvida na apreciação do humor, ela pretende terminar um exercício de resolução de problemas para identificar e desdobrar as incongruências ocultas abaixo dos estímulos de humor (Zigler, Levine, & Gould, 1967).

A literatura acadêmica confirma os benefícios e a importância do humor para a aprendizagem social na escola a nível cognitivo, afetivo e comportamental, uma vez que facilita o ambiente de aprendizagem lúdica, diminui a ansiedade de aprendizagem, estimula a motivação de aprendizagem dos alunos e aprofunda relação professor-aluno (Davies & Apter, 1980). 

Quando as crianças lêem textos humorísticos, elas se envolvem em um “jogo cognitivo”, “onde as palavras e conceitos são usados ​​de maneiras que são surpreendentes, incomuns e incongruentes, ativando esquemas com os quais não estão normalmente associados” (Martin, 2007, p. 109; Shultz & Robillard, 1980). 

Segundo Rod A. Martin, a leitura como atividade cognitiva pode ativar a emoção positiva de alegria (ou seja, prazer), levando ao aprimoramento da criatividade, memória e virtudes sociais que incluem senso de responsabilidade, ajuda e generosidade. 

As teorias do humor

John Morreall, que é Doutor em Filosofia e Professor Emérito no College of William and Mary em Williamsburg, avaliou três teorias tradicionais do riso e do humor: a Teoria da Superioridade, a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A partir dessas teorias, ele apresentou uma nova na qual afirma que o humor é um jogo cognitivo.

John explica que nem sempre o riso é sobre pessoas e, portanto, não há necessidade de comparação de pessoas, como o que era afirmado na Teoria da Superioridade do humor. Ele conta que podemos ser divertidos por um comediante de palco tendo uma impressão perfeita de alguma estrela de cinema sem nos comparar com aquele comediante ou estrela de cinema. E mesmo que nos comparemos com pessoas de quem estamos rindo, não precisamos nos julgar superiores a elas. Eles podem nos fazer rir ao nos surpreender com habilidades que nos faltam, por exemplo. 

Durante dois mil anos a Teoria da Superioridade era a explicação mais aceita para explicar o humor. As teorias que surgiram posteriormente, já no século XVIII, foram a Teoria do Alívio e a Teoria da Incongruência. A Teoria do Alívio dizia que o riso funciona como uma válvula de escape em um tubo de vapor, liberando a energia nervosa acumulada.

Essa teoria, contudo, passou a ser questionada. O ato de falar e, nessa fala, existir elementos de humor, não parece exigir emoções, além de que algumas experiências de diversão também dependem apenas da surpresa. A Teoria da Incongruência foi uma das mais aceitas no século XX, já que afirmava que o humor é uma reação a algo que viola nossos padrões mentais e expectativas

As reflexões acerca das teorias do humor

Diante das teorias do humor apresentadas, o professor John Morreall elencou quatro percepções. Primeiro, o humor é um fenômeno cognitivo – envolve percepções, pensamentos, padrões mentais e expectativas. Em segundo lugar, o humor envolve uma mudança de estado cognitivo. Em terceiro lugar, essa mudança cognitiva é repentina. E em quarto lugar, a diversão é prazerosa

A esses insights ele adicionou outros: 

1) o humor é uma atividade não séria em que suspendemos a preocupação prática e a preocupação com o que é verdade. 

2) o humor é principalmente uma experiência social.

3) o humor é uma forma de jogo em cujo riso serve como um sinal de jogo. Cunhando o termo mudança para uma mudança repentina, podemos dizer que o humor envolve o prazer de mudanças cognitivas.

Juntando todas essas ideias, ele apresentou a seguinte teoria da diversão humorística:

A risada causa nas pessoas uma experiência de mudança cognitiva e que seu desligamento lúdico e seu prazer são expressos em risadas, que sinaliza para os outros que é possível relaxar e aproveitar a mudança cognitiva.

Como o humor afeta o cérebro

Brian David Boyd, professor da Universidade de Auckland da Nova Zelândia, em artigo publicado explica que o riso, embora muitas vezes desencadeado por palavras, é em si pré-verbal e não verbal

Segundo trecho do artigo, “risos e soluços são “as duas primeiras vocalizações sociais que as crianças fazem”. Ao contrário da fala, eles são muitas vezes involuntários, socialmente contagiantes e com valência emocional consistente. Eles não requerem uma boa articulação, mas apenas uma alternância da presença e ausência de sons vocais, sobrepostos a posturas bucais relativamente mais estáveis, e seu motor a atividade depende do mesencéfalo e dos circuitos do tronco encefálico, e não do centros superiores da fala”. 

O treinamento para o inesperado

Essa partilha confiante de expectativas que acontece na comunicação verbal é essencial para o jogo social. Isso também ocorre em jogos ou brincadeiras, para que haja espaço possível para o inesperado.

Expectativas compartilhadas em que permitem que surpresas nos peguem desprevenidos, que simulam riscos e estimulam a recuperação, são a chave não só para todos os tipos de jogos, mas também para humor. Nas piadas, muitas vezes somos preparados para a surpresa, mas apesar de buscar antecipar uma resolução inesperada, a piada ainda nos pega desprevenidos, mas de uma forma que permite tropeçar em nossas expectativas para ser seguido por uma rápida recuperação de equilíbrio.

O riso nos une

O artigo também fala do nosso próprio reconhecimento. Quando compartilhamos tais expectativas nas interações com os outros, nossa diversão torna-se socialmente vinculativa. Isso também acontece no jogo físico que, através de sua dependência do comportamento daqueles que interagem, também serve para nos unir.

Se uma pretensa piada não nos pega de surpresa, não vamos achar engraçada. Por outro lado, lançar uma piada com preparação insuficiente do seu contexto também pode não causar riso no outro. 

Mas se nossa expectativa diante de uma narrativa de piada foi preparada, se sabemos que uma piada está chegando e nós ainda acharmos que a piada nos pega de surpresa, vai ser ainda mais engraçado: assemelha-se exatamente à relação entre a expectativa geral aguçada de jogo e os animais humanos – que especialmente gostam de brincar. 

Por fim, o professor Brian apresenta em seu artigo um questionamento feito pelo filósofo Daniel C. Dennett: o que homo sapiens ganha com o riso? Por que o riso e o humor teriam evoluído como comportamentos que importam tanto para nós?

E a resposta dele foi a seguinte: “O riso, ao sinalizar nosso prazer no jogo cognitivo, convida e nos encoraja a preparar surpresas divertidas uns para os outros. Jogando socialmente com nossas expectativas, ele reforça nosso senso de solidariedade, nosso reconhecimento do enorme conjunto de expectativas que compartilhamos; nos treina para lidar com e até mesmo buscar o inesperado que nos cerca e pode ampliar ainda mais as nossas expectativas. O riso pode também oferecer uma “advertência lúdica” para aqueles que divergem deles de maneiras que rejeitamos.”

Débora Nazário

NOTA DA EDITORA

Agora que já sabemos que a função do humor nas histórias e da preferência das crianças por contos engraçados, vamos de dicas de leitura!

O Truth and Tales, app que desenvolvemos, tem histórias cheias de humor e reviravoltas! As histórias são Teaching Stories, que você pode saber mais aqui. As Teaching Stories costumam usar bastante o humor para trabalhar o preparo ao inesperado, por exemplo. Além de dar um toque todo especial para a história. 

O conto A Criança e o Dragão do Truth and Tales traz vários personagens engraçados e diálogos cheios de humor, além de reviravoltas que o leitor não espera.

Baixe o app e experimente ler, ouvir e jogar nossas histórias!

Adolescentes, TikTok e redes sociais: como os pais podem ajudar no equilíbrio saudável entre o limite e a diversão

Você provavelmente ouviu falar no TikTok, a rede social que só cresce e se populariza entre todas as faixas etárias, mas principalmente entre adolescentes. Foi lá que começaram as dancinhas que se vê em todo lugar – e parece que vão continuar se popularizando por um bom tempo. 

No começo de julho Fernanda Rocha Kanner postou em suas redes sociais um longo texto falando sobre a experiência que teve com sua filha Nina, de 14 anos, no TikTok. Fernanda decidiu apagar a conta do TikTok de Nina, com cerca de 2 milhões de seguidores, e sua conta no Instagram. No texto de Fernanda, ela explica o motivo: não quer que a filha passe pela adolescência se emocionando com elogios ou com críticas de quem não conhece, além de achar que atrapalha na descoberta e busca pela individualidade da filha. 

O post viralizou e muitos se colocaram tanto contra quanto à favor da decisão e opinião de Fernanda. Achamos esse tema interessante para pensar no uso das redes sociais por adolescentes. Até onde pode? Esse limite é tão óbvio assim? Tirar o adolescente do TikTok vale a pena?

Diálogo, equilíbrio, regras e claridade

Nós achamos que tudo deve ser conversado. No final das contas, os adolescentes são responsabilidade dos pais e estes prezam pela segurança dos filhos. Pensando nisso, achamos que o melhor caminho é sentar com os filhos e discutir sobre até onde pode e quais são as consequências. Os adolescentes podem até ultrapassar esses limites (muito provavelmente vai acontecer), mas eles saberão que passou do combinado e que terão de lidar com as consequências.

Antes de tomar qualquer decisão, vale lembrar que a infância e principalmente a adolescência são fases onde queremos fazer parte de um grupo, queremos ser aceitos, percebidos, mostrar nosso valor e sentir que somos valorizados. Por isso que os adolescentes gostam tanto das redes sociais como o TikTok, com os likes, visualizações e seguidores. O excesso disso pode ser prejudicial, mas acreditamos que em todas as gerações de adolescentes havia um “fator perigoso”, algo que os adultos se preocupavam porque não conheciam direito, que não gostavam, ou não entendiam. 

Por isso, manter o diálogo é importante. Ok, adolescentes não gostam de conversar com os pais. Mas vale a forcinha nesse quesito, fica mais fácil de perceber quando seus filhos podem precisar de ajuda, além de reforçar que sempre têm o apoio dos pais. Veja bem: não é uma questão de convencimento para os filhos pensem como os pais, mas de clareza e entendimento nas regras e no que foi combinado.

Vale lembrar:

A idade permitida para usar o TikTok no Brasil e Estados Unidos é 13 anos. Usuários mais novos do que essa idade podem ter uma conta no app, mas não é permitido postar nenhum tipo de conteúdo. Infelizmente, essa regra não é muito efetiva, já que é possível criar uma conta colocando outra idade. E é claro que as crianças sabem disso e criam contas no TikTok e outras redes com datas de nascimento que permitem que postem conteúdos.

Algumas medidas podem ajudar na segurança online dos adolescentes no TikTok e outras redes

Deixar o perfil dos filhos privado:

Quando criamos uma conta no TikTok ou outra rede social, escolhemos entre dois tipos de perfil: o público ou o privado. O perfil público é quando qualquer pessoa pode visualizar seus conteúdos, onde você não tem controle de quem pode acessá-los. No perfil privado, apenas os seus amigos/seguidores podem ver o que você posta. Se alguém quiser ser seu amigo/seguidor, a pessoa precisa mandar uma solicitação e você precisa aceitar. Ou seja, você tem total controle das pessoas que acessam o seu perfil e seu conteúdo, e você sabe exatamente quem vê o que você posta. Ter um perfil privado impede que qualquer pessoa visualize o que o adolescente posta e que você acorde com 2 milhões de pessoas seguindo seus filhos nas redes sociais.

Apenas pessoas que seus filhos conheçam: 

Perfis privados no TikTok e outras redes sociais permitem que apenas as pessoas aceitas pelo dono do perfil podem visualizar o conteúdo. Por isso, leve como uma regra: só pode adicionar pessoas conhecidas.

Converse sobre exposição no TikTok e Instagram:

A internet ainda é um lugar de muitos julgamentos, inclusive sobre o corpo (seja lá qual for). Oriente que seus filhos não postem fotos íntimas, sensuais, ou que mostrem muito o corpo, por mais que eles não tenham essa intenção. Outros usuários podem interpretar de diversas maneiras e seus filhos podem ser alvos de slut-shaming (em tradução livre, seria um “tachar de vadia” por violar códigos de vestimentas ou socialmente aceitos) ou body shaming (termo usado para “vergonha do corpo” onde, na prática, é quando ridicularizam e fazem chacota do corpo de outras pessoas),  principalmente meninas. 

O slut-shaming é o ato de humilhar, diminuir e menosprezar uma pessoa, geralmente mulher, por sua vida sexual, pela forma que ela se veste, fala ou se expressa. Um exemplo é quando uma mulher usa uma roupa considerada curta e ouve xingamentos e comentários negativos sobre sua aparência, seu corpo e sua postura como mulher na sociedade. 

Já o body shaming é a fiscalização ao corpo alheio: o bullying quando a pessoa está muito gorda; muito magra; tem muita celulite; seios grandes; seios pequenos, etc. É o bullying na forma de pressão estética. O body shaming ocorre mais entre meninas do que entre meninos, mas é preciso ficar atento independente disso. 

Essas duas formas de bullying atingem o corpo dos adolescentes e pode contribuir para distorções perceptivas do próprio corpo e até distúrbios alimentares. 

Também vale orientar a não postar imagens de onde mora, do uniforme escolar, e coisas que podem identificar os lugares e rotinas de seus filhos. Além de informações pessoais como número de identidade, CPF, etc.

Faça uma conta no TikTok e acompanhe o que seus filhos fazem online (lembre-se de avisá-los que você está os seguindo):

Dessa forma, você consegue ver mais de perto o que eles postam e as pessoas que os acompanham. Muito provavelmente eles terão um grupo de “Melhores Amigos” no Instagram sem você, para postar coisas que não querem que você veja. Mas tudo bem, né? Não queremos dividir absolutamente tudo com todos.

Veja o que os adolescentes fazem nas redes:

Mergulhe nesse mundo e tente entender por quê seus filhos gostam tanto das dancinhas, se for importante para eles. Mostre que você tem interesse pelo que eles gostam. Não precisa se obrigar a gostar, mas demonstre que você tem interesse em conhecer o mundo deles e, principalmente, entender que isso tem valor para eles. Muitos adolescentes não querem que seus pais se interessem pelo que eles gostam, mas ficam mais tranquilos quando sabem que os pais entendem que aquilo é importante para eles. 

Não diminua o que eles gostam ou compartilham: 

Falar que as dancinhas (conteúdo bem popular no app) não servem pra nada ou qualquer tipo de julgamento sobre o que eles fazem traz uma carga muito negativa para o adolescente. Pense bem: se eles procuram por aceitação através disso, imagine como eles se sentem quando seus pais falam que isso é ridículo ou qualquer coisa negativa.

Ouvir seus pais falando de forma depreciativa do que eles gostam é muito fácil que adolescentes pensem de forma depreciativa sobre eles mesmos. Exemplo: “dancinhas são péssimas e eu gosto de dancinhas. Logo, sou péssimo.”, que é claro que não é verdade, mas é fácil de cair nisso já que é uma fase que a identidade está muito ligada a comportamentos e interesses. Além de tudo, isso afasta os pais dos filhos. Se seus pais vivem diminuindo as coisas que você gosta, porque você continuaria dividindo seus interesses, o que você faz e etc com eles? 

Com essas medidas, não será necessário tomar atitudes mais drásticas como excluir a conta dos seus filhos.

Caso as redes sociais dos seus filhos tomem proporções maiores do que você gostaria, o que fazer?

Nesse caso, excluir a rede social é uma opção, mas saiba que seus filhos não irão gostar da decisão e podem sentir que você não valoriza o que eles trabalharam tanto. Acreditamos que é possível tentar algumas coisas antes de tomar uma medida mais drástica:

  • Deixar o perfil privado e diminuir as publicações ou até não aparecer por um tempo: sim, a conta ainda terá muitos seguidores, mas impedirá que cheguem novos. E com a diminuição de conteúdo, os seguidores naturalmente também diminuem. 
  • Se tiver conteúdos que você acha perigoso, deixe claro que seus filhos não poderão mais postá-los. Também vale excluir esses conteúdos que você considera perigoso.

Caso você ainda opte por excluir as redes sociais deles, deixe que se despeçam do seu público. Muitos adolescentes consideram seus seguidores como uma rede de apoio e até mesmo como amigos. Ajude-os a fazer um texto e a gravar vídeos se despedindo e informando a seus seguidores o que irá acontecer. 

Sabemos que a adolescência é uma fase em que os filhos não querem os pais por perto, e tudo bem. Mas é importante cuidar e acompanhá-los, sem sufocar ou invadir a privacidade. Esperamos que todos consigam levar tudo isso de forma mais saudável.

:: Leia também: Como os games e jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial ::

Como os games e jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial

Visão espacial é um termo conhecido por aqueles que desenvolvem games e aplicativos ou mesmo entre profissionais da educação, mas pouco discutido por aqueles que não atuam nessas áreas. 

A visão espacial começa a ser desenvolvida desde quando somos bebês. Elizabeth Spelke é psicóloga e pesquisadora de estudos do desenvolvimento em Harvard, e estuda o desenvolvimento cognitivo das crianças desde 1980.  

Num artigo publicado em 2020 afirma que os bebês conseguem distinguir mudanças de ângulos e formas em desenhos. Através de gestos, os pequenos também aprendem a desenvolver senso de geometria. 

Conversamos com Vânia Cristina Pires Nogueira Valente para falar sobre como a visão espacial se manifesta e é aprimorada por meio de games.

Vânia Cristina Pires Nogueira Valente é vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia – Mestrado Profissional – FAAC/Unesp, livre docente em Representação Gráfica, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e autora do livro Desenvolvimento da visão espacial por games digitais, publicado pela Editora Appris

O que é visão espacial? 

Segundo Vânia, visão espacial é uma série de capacidades. É uma habilidade que não é nata, ou seja, você não nasce com isso e desenvolve ao longo da vida.

“A visão espacial não é um dom, é algo que você desenvolve assim como você aprende a escrever ou a andar de bicicleta. A visão espacial é aprimorada e desenvolvida, e pode ser melhorada cada vez mais. Essa habilidade envolve imaginar objetos e coisas tridimensionais, e conceber alguma construção na sua cabeça.

“Por exemplo, o Waze é um mapa bidimensional, mas você consegue imaginar a estrada e a esquina que você vai virar. O processo de conseguir converter esse 2D em 3D significa que você tem a habilidade de visão espacial bem desenvolvida. Ou quando você imagina um dado e consegue imaginar esse dado virando: isso é a visão espacial trabalhando”. 

Como podemos desenvolver a visão espacial? 

A professora conta que é preciso desenvolver habilidades cognitivas antes de desenvolver a visão espacial. “É necessário ter rapidez de raciocínio, noção de distância, rapidez de resposta e reflexo. É por isso também que em esportes de contato, onde é necessário ter um objetivo para atingir e calcular o tempo para se livrar do adversário, como o futebol, existem várias habilidades que são desenvolvidas, e tudo isso ajuda a desenvolver a visão espacial”.

“São várias dessas habilidades juntas, como rapidez de raciocínio e reflexo, que os games também auxiliam nesse desenvolvimento, como por exemplo os jogos de tiros, onde o jogador tem que se desvencilhar de adversários e, para isso, é necessário ter rapidez de raciocínio.”

Vânia cita o jogo Overwatch em seu livro como exemplo de jogos de ação, que também estimulam as habilidades para o desenvolvimento da visão espacial. Jogos em que existe velocidade geralmente pede rapidez de resposta. Muitos deles também contém vários elementos na tela que o jogador precisa prestar atenção. Todos esses elementos desenvolvem habilidades que levam a aprimorar a visão espacial, segundo Vânia. 

“Eu gosto de alguns jogos mais específicos, como o Minecraft, onde você pode olhar objetos de diferentes pontos de vista. Você consegue navegar pelo espaço, pelo ambiente do jogo e você vê o mesmo objeto de várias posições: de cima, de frente e de lado. Isso faz com que o cérebro consiga montar objetos em 3D a partir destas visões. Indico o Minecraft para os meus alunos, para exercitar a habilidade de visão espacial deles”, explica. 

Uma visão espacial desenvolvida pode ser necessária para diversas profissões: 

Os benefícios do desenvolvimento da visão espacial propicia diversas habilidades necessárias para várias profissões, segundo Vânia.

“No meu caso, como dou aula para cursos de engenharia, design, de desenho técnico, os alunos precisam desenhar os objetos, projeções, plantas, desenhos vistos de cima e de frente e, para isso, eles precisam ter a habilidade espacial muito bem desenvolvida”. 

“Eu notava nas minhas aulas que os alunos que jogavam games ou praticavam esportes de ação e contato, como futebol, tinham mais facilidade que outros. Profissionalmente é muito importante ter a visão espacial desenvolvida, e para a vida pessoal também.”

Vânia comenta que a visão espacial também é extremamente importante no ato de dirigir já que, para conduzir o veículo, o motorista deve ter atenção em diversos pontos, assim como calcular o espaço, velocidade etc. 

Nota da editora

Agora que já vimos que muitos jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial, pode surgir a dúvida: mas e a questão das crianças e jogos violentos? Esse assunto é discutido abertamente desde que os videogames se consolidaram como um entretenimento entre os jovens, há pelo menos 20 anos. 

É claro que, quanto mais tarde apresentar jogos violentos para a criança, melhor. Mas jogar esse tipo de jogo no computador ou videogame não necessariamente torna a criança violenta. A mudança comportamental das crianças não tem apenas um motivo, o que também não exclui a possibilidade de jogos violentos serem um gatilho para comportamentos agressivos. Isso depende de quanto tempo essa criança joga por dia, se há um diálogo entre ela e os pais, se irmãos ou irmãs mais velhas jogam esses jogos e até da personalidade da criança.

Opinião do especialistas

Até mesmo a opinião dos especialistas é dividida neste assunto. Há os que defendem que jogos eletrônicos influenciam sim no comportamento das crianças, e os que defendem que não é algo que tenha um único fator, e que há uma série de acontecimentos, e não um isolado, que podem levar a esse tipo de comportamento.

Até hoje é difícil achar um artigo que dê um veredicto sobre isso. Muito provavelmente porque há muitas questões envolvidas: participação dos pais na vida da criança, relacionamento dessa criança com seus responsáveis, questões socioeconômicas, de gênero, de personalidade, e por aí vai.

Um dos únicos consensos é em relação ao tempo de tela de acordo com a idade da criança. Várias Associações e Conselhos de Pediatria ao redor do mundo indicam nenhum tempo de tela para crianças menores de 2 anos. A partir dessa idade, começa com 30 minutos e vai aumentando ao longo da faixa etária. 

Outro consenso é em relação às crianças que se isolam nos jogos eletrônicos, que é um sinal de alerta. Crianças que costumam jogar no computador e videogame mas que fazem outras atividades, têm outros hobbies, vão na casa de amigos, brincam com outros brinquedos e passam tempo com a família têm uma relação diferente com os eletrônicos das crianças que se isolam no computador e videogame. Se seus filhos se isolam, vale dar mais atenção a eles, oferecer outro tipo de atividade, fazer mais passeios, perguntar sobre seus amigos e etc, e ajudá-los no que for necessário.

Análise de Harvard

Uma análise de 2010 da Harvard Health Publishing, da Universidade de Harvard, traz artigos de especialistas de vários lados da moeda. Alguns artigos, mais recentes na época, argumentam que muitos estudos sobre a questão da violência na mídia dependem de medidas para avaliar a agressão que não se correlacionam com a violência do mundo real – e ainda mais importante, muitos trazem abordagens observacionais que não provam causa e efeito. 

Segundo esse documento, “Embora os adultos tendem a ver os videogames como isolantes e antissociais, outros estudos descobriram que a maioria dos jovens entrevistados descreveu os jogos como divertidos, emocionantes, algo para conter o tédio, algo para fazer com os amigos. Para muitos jovens, o conteúdo violento não é a atração principal.

“Os meninos, em particular, são motivados a jogar videogame para competir e vencer. Visto neste contexto, o uso de videogames violentos pode ser semelhante ao tipo de brincadeira violenta em que os meninos se envolvem como parte do desenvolvimento normal. Os videogames oferecem mais uma saída para a competição por status ou para estabelecer uma hierarquia.”

O que pode ser feito em casa

O nosso ponto é: não é o fim do mundo se seus filhos jogam jogos eletrônicos violentos. Se esse for o caso e você tem preocupações, faça o básico: 

  • Mostre interesse por aqui que seu filho tem interesse. 
  • Tente entender porque ele/a gosta tanto. 
  • Jogue com ele/a, converse sobre isso. 
  • Pesquise sobre o jogo e busque informações. 
  • Fique atento às mudanças de comportamento e pergunte para a criança o que ela pensa, ao invés de ter certeza de que sabe da resposta.
  • Incentive a praticar esportes
  • Lembre que é importante que crianças tenham um limite de tempo de telas! Se não tem isso na sua casa, veja se faz sentido para você e sua família. Falamos sobre isso aqui
  • Veja se seus filhos estão jogando jogos que estão de acordo com a faixa geracional deles.*

*Por exemplo: crianças de 7 anos jogando um jogo para 16 anos é, sem dúvidas, inapropriado. Se isso acontecer, pesquise outras opções parecidas e divertidas para oferecer para essa criança, em troca do primeiro. Por exemplo: se está jogando jogo de tiros, pesquise uma opção de jogo de paintball, onde a mecânica é a mesma, mas não há a mesma violência.

Por outro lado, é muito comum adolescentes de 13 ou 14 anos jogarem jogos com idade indicativa para 16 ou 18 anos. É o ideal? Não, mas proibir só causa mais revolta, neste caso. Para fazer essa avaliação, leve em consideração algumas particularidades dos seus filhos como maturidade, sensibilidade a alguns temas e converse com eles sobre os conteúdos que aparecem no jogo (armas, violência ou qualquer outro tema que você ache inapropriado para a idade. Nessa idade, o diálogo é melhor do que tirar o jogo da criança).

Posicionamento Truth and Tales: não recomendamos que crianças menores de 4 anos consumam conteúdos em telas