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Adolescentes, TikTok e redes sociais: como os pais podem ajudar no equilíbrio saudável entre o limite e a diversão

Você provavelmente ouviu falar no TikTok, a rede social que só cresce e se populariza entre todas as faixas etárias, mas principalmente entre adolescentes. Foi lá que começaram as dancinhas que se vê em todo lugar – e parece que vão continuar se popularizando por um bom tempo. 

No começo de julho Fernanda Rocha Kanner postou em suas redes sociais um longo texto falando sobre a experiência que teve com sua filha Nina, de 14 anos, no TikTok. Fernanda decidiu apagar a conta do TikTok de Nina, com cerca de 2 milhões de seguidores, e sua conta no Instagram. No texto de Fernanda, ela explica o motivo: não quer que a filha passe pela adolescência se emocionando com elogios ou com críticas de quem não conhece, além de achar que atrapalha na descoberta e busca pela individualidade da filha. 

O post viralizou e muitos se colocaram tanto contra quanto à favor da decisão e opinião de Fernanda. Achamos esse tema interessante para pensar no uso das redes sociais por adolescentes. Até onde pode? Esse limite é tão óbvio assim? Tirar o adolescente do TikTok vale a pena?

Diálogo, equilíbrio, regras e claridade

Nós achamos que tudo deve ser conversado. No final das contas, os adolescentes são responsabilidade dos pais e estes prezam pela segurança dos filhos. Pensando nisso, achamos que o melhor caminho é sentar com os filhos e discutir sobre até onde pode e quais são as consequências. Os adolescentes podem até ultrapassar esses limites (muito provavelmente vai acontecer), mas eles saberão que passou do combinado e que terão de lidar com as consequências.

Antes de tomar qualquer decisão, vale lembrar que a infância e principalmente a adolescência são fases onde queremos fazer parte de um grupo, queremos ser aceitos, percebidos, mostrar nosso valor e sentir que somos valorizados. Por isso que os adolescentes gostam tanto das redes sociais como o TikTok, com os likes, visualizações e seguidores. O excesso disso pode ser prejudicial, mas acreditamos que em todas as gerações de adolescentes havia um “fator perigoso”, algo que os adultos se preocupavam porque não conheciam direito, que não gostavam, ou não entendiam. 

Por isso, manter o diálogo é importante. Ok, adolescentes não gostam de conversar com os pais. Mas vale a forcinha nesse quesito, fica mais fácil de perceber quando seus filhos podem precisar de ajuda, além de reforçar que sempre têm o apoio dos pais. Veja bem: não é uma questão de convencimento para os filhos pensem como os pais, mas de clareza e entendimento nas regras e no que foi combinado.

Vale lembrar:

A idade permitida para usar o TikTok no Brasil e Estados Unidos é 13 anos. Usuários mais novos do que essa idade podem ter uma conta no app, mas não é permitido postar nenhum tipo de conteúdo. Infelizmente, essa regra não é muito efetiva, já que é possível criar uma conta colocando outra idade. E é claro que as crianças sabem disso e criam contas no TikTok e outras redes com datas de nascimento que permitem que postem conteúdos.

Algumas medidas podem ajudar na segurança online dos adolescentes no TikTok e outras redes

Deixar o perfil dos filhos privado:

Quando criamos uma conta no TikTok ou outra rede social, escolhemos entre dois tipos de perfil: o público ou o privado. O perfil público é quando qualquer pessoa pode visualizar seus conteúdos, onde você não tem controle de quem pode acessá-los. No perfil privado, apenas os seus amigos/seguidores podem ver o que você posta. Se alguém quiser ser seu amigo/seguidor, a pessoa precisa mandar uma solicitação e você precisa aceitar. Ou seja, você tem total controle das pessoas que acessam o seu perfil e seu conteúdo, e você sabe exatamente quem vê o que você posta. Ter um perfil privado impede que qualquer pessoa visualize o que o adolescente posta e que você acorde com 2 milhões de pessoas seguindo seus filhos nas redes sociais.

Apenas pessoas que seus filhos conheçam: 

Perfis privados no TikTok e outras redes sociais permitem que apenas as pessoas aceitas pelo dono do perfil podem visualizar o conteúdo. Por isso, leve como uma regra: só pode adicionar pessoas conhecidas.

Converse sobre exposição no TikTok e Instagram:

A internet ainda é um lugar de muitos julgamentos, inclusive sobre o corpo (seja lá qual for). Oriente que seus filhos não postem fotos íntimas, sensuais, ou que mostrem muito o corpo, por mais que eles não tenham essa intenção. Outros usuários podem interpretar de diversas maneiras e seus filhos podem ser alvos de slut-shaming (em tradução livre, seria um “tachar de vadia” por violar códigos de vestimentas ou socialmente aceitos) ou body shaming (termo usado para “vergonha do corpo” onde, na prática, é quando ridicularizam e fazem chacota do corpo de outras pessoas),  principalmente meninas. 

O slut-shaming é o ato de humilhar, diminuir e menosprezar uma pessoa, geralmente mulher, por sua vida sexual, pela forma que ela se veste, fala ou se expressa. Um exemplo é quando uma mulher usa uma roupa considerada curta e ouve xingamentos e comentários negativos sobre sua aparência, seu corpo e sua postura como mulher na sociedade. 

Já o body shaming é a fiscalização ao corpo alheio: o bullying quando a pessoa está muito gorda; muito magra; tem muita celulite; seios grandes; seios pequenos, etc. É o bullying na forma de pressão estética. O body shaming ocorre mais entre meninas do que entre meninos, mas é preciso ficar atento independente disso. 

Essas duas formas de bullying atingem o corpo dos adolescentes e pode contribuir para distorções perceptivas do próprio corpo e até distúrbios alimentares. 

Também vale orientar a não postar imagens de onde mora, do uniforme escolar, e coisas que podem identificar os lugares e rotinas de seus filhos. Além de informações pessoais como número de identidade, CPF, etc.

Faça uma conta no TikTok e acompanhe o que seus filhos fazem online (lembre-se de avisá-los que você está os seguindo):

Dessa forma, você consegue ver mais de perto o que eles postam e as pessoas que os acompanham. Muito provavelmente eles terão um grupo de “Melhores Amigos” no Instagram sem você, para postar coisas que não querem que você veja. Mas tudo bem, né? Não queremos dividir absolutamente tudo com todos.

Veja o que os adolescentes fazem nas redes:

Mergulhe nesse mundo e tente entender por quê seus filhos gostam tanto das dancinhas, se for importante para eles. Mostre que você tem interesse pelo que eles gostam. Não precisa se obrigar a gostar, mas demonstre que você tem interesse em conhecer o mundo deles e, principalmente, entender que isso tem valor para eles. Muitos adolescentes não querem que seus pais se interessem pelo que eles gostam, mas ficam mais tranquilos quando sabem que os pais entendem que aquilo é importante para eles. 

Não diminua o que eles gostam ou compartilham: 

Falar que as dancinhas (conteúdo bem popular no app) não servem pra nada ou qualquer tipo de julgamento sobre o que eles fazem traz uma carga muito negativa para o adolescente. Pense bem: se eles procuram por aceitação através disso, imagine como eles se sentem quando seus pais falam que isso é ridículo ou qualquer coisa negativa.

Ouvir seus pais falando de forma depreciativa do que eles gostam é muito fácil que adolescentes pensem de forma depreciativa sobre eles mesmos. Exemplo: “dancinhas são péssimas e eu gosto de dancinhas. Logo, sou péssimo.”, que é claro que não é verdade, mas é fácil de cair nisso já que é uma fase que a identidade está muito ligada a comportamentos e interesses. Além de tudo, isso afasta os pais dos filhos. Se seus pais vivem diminuindo as coisas que você gosta, porque você continuaria dividindo seus interesses, o que você faz e etc com eles? 

Com essas medidas, não será necessário tomar atitudes mais drásticas como excluir a conta dos seus filhos.

Caso as redes sociais dos seus filhos tomem proporções maiores do que você gostaria, o que fazer?

Nesse caso, excluir a rede social é uma opção, mas saiba que seus filhos não irão gostar da decisão e podem sentir que você não valoriza o que eles trabalharam tanto. Acreditamos que é possível tentar algumas coisas antes de tomar uma medida mais drástica:

  • Deixar o perfil privado e diminuir as publicações ou até não aparecer por um tempo: sim, a conta ainda terá muitos seguidores, mas impedirá que cheguem novos. E com a diminuição de conteúdo, os seguidores naturalmente também diminuem. 
  • Se tiver conteúdos que você acha perigoso, deixe claro que seus filhos não poderão mais postá-los. Também vale excluir esses conteúdos que você considera perigoso.

Caso você ainda opte por excluir as redes sociais deles, deixe que se despeçam do seu público. Muitos adolescentes consideram seus seguidores como uma rede de apoio e até mesmo como amigos. Ajude-os a fazer um texto e a gravar vídeos se despedindo e informando a seus seguidores o que irá acontecer. 

Sabemos que a adolescência é uma fase em que os filhos não querem os pais por perto, e tudo bem. Mas é importante cuidar e acompanhá-los, sem sufocar ou invadir a privacidade. Esperamos que todos consigam levar tudo isso de forma mais saudável.

:: Leia também: Como os games e jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial ::

Como os games e jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial

Visão espacial é um termo conhecido por aqueles que desenvolvem games e aplicativos ou mesmo entre profissionais da educação, mas pouco discutido por aqueles que não atuam nessas áreas. 

A visão espacial começa a ser desenvolvida desde quando somos bebês. Elizabeth Spelke é psicóloga e pesquisadora de estudos do desenvolvimento em Harvard, e estuda o desenvolvimento cognitivo das crianças desde 1980.  

Num artigo publicado por Spelke no ano passado afirma que os bebês conseguem distinguir mudanças de ângulos e formas em desenhos. Através de gestos, os pequenos também aprendem a desenvolver senso de geometria. 

Conversamos com Vânia Cristina Pires Nogueira Valente para falar sobre como a visão espacial se manifesta e é aprimorada por meio de games.

Vânia Cristina Pires Nogueira Valente é vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia – Mestrado Profissional – FAAC/Unesp, livre docente em Representação Gráfica, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e autora do livro Desenvolvimento da visão espacial por games digitais, publicado pela Editora Appris

O que é visão espacial? 

Segundo Vânia, visão espacial é uma série de capacidades. É uma habilidade que não é nata, ou seja, você não nasce com isso e desenvolve ao longo da vida.

“A visão espacial não é um dom, é algo que você desenvolve assim como você aprende a escrever ou a andar de bicicleta. A visão espacial é aprimorada e desenvolvida, e pode ser melhorada cada vez mais. Essa habilidade envolve imaginar objetos e coisas tridimensionais, e conceber alguma construção na sua cabeça.

“Por exemplo, o Waze é um mapa bidimensional, mas você consegue imaginar a estrada e a esquina que você vai virar. O processo de conseguir converter esse 2D em 3D significa que você tem a habilidade de visão espacial bem desenvolvida. Ou quando você imagina um dado e consegue imaginar esse dado virando: isso é a visão espacial trabalhando”. 

Como podemos desenvolver a visão espacial? 

A professora conta que é preciso desenvolver habilidades cognitivas antes de desenvolver a visão espacial. “É necessário ter rapidez de raciocínio, noção de distância, rapidez de resposta e reflexo. É por isso também que em esportes de contato, onde é necessário ter um objetivo para atingir e calcular o tempo para se livrar do adversário, como o futebol, existem várias habilidades que são desenvolvidas, e tudo isso ajuda a desenvolver a visão espacial”.

“São várias dessas habilidades juntas, como rapidez de raciocínio e reflexo, que os games também auxiliam nesse desenvolvimento, como por exemplo os jogos de tiros, onde o jogador tem que se desvencilhar de adversários e, para isso, é necessário ter rapidez de raciocínio.”

Vânia cita o jogo Overwatch em seu livro como exemplo de jogos de ação, que também estimulam as habilidades para o desenvolvimento da visão espacial. Jogos em que existe velocidade geralmente pede rapidez de resposta. Muitos deles também contém vários elementos na tela que o jogador precisa prestar atenção. Todos esses elementos desenvolvem habilidades que levam a aprimorar a visão espacial, segundo Vânia. 

“Eu gosto de alguns jogos mais específicos, como o Minecraft, onde você pode olhar objetos de diferentes pontos de vista. Você consegue navegar pelo espaço, pelo ambiente do jogo e você vê o mesmo objeto de várias posições: de cima, de frente e de lado. Isso faz com que o cérebro consiga montar objetos em 3D a partir destas visões. Indico o Minecraft para os meus alunos, para exercitar a habilidade de visão espacial deles”, explica. 

Uma visão espacial desenvolvida pode ser necessária para diversas profissões: 

Os benefícios do desenvolvimento da visão espacial propicia diversas habilidades necessárias para várias profissões, segundo Vânia.

“No meu caso, como dou aula para cursos de engenharia, design, de desenho técnico, os alunos precisam desenhar os objetos, projeções, plantas, desenhos vistos de cima e de frente e, para isso, eles precisam ter a habilidade espacial muito bem desenvolvida”. 

“Eu notava nas minhas aulas que os alunos que jogavam games ou praticavam esportes de ação e contato, como futebol, tinham mais facilidade que outros. Profissionalmente é muito importante ter a visão espacial desenvolvida, e para a vida pessoal também.”

Vânia comenta que a visão espacial também é extremamente importante no ato de dirigir já que, para conduzir o veículo, o motorista deve ter atenção em diversos pontos, assim como calcular o espaço, velocidade etc. 

Nota da editora

Agora que já vimos que muitos jogos eletrônicos ajudam no desenvolvimento da visão espacial, pode surgir a dúvida: mas e a questão das crianças e jogos violentos? Esse assunto é discutido abertamente desde que os videogames se consolidaram como um entretenimento entre os jovens, há pelo menos 20 anos. 

É claro que, quanto mais tarde apresentar jogos violentos para a criança, melhor. Mas jogar esse tipo de jogo no computador ou videogame não necessariamente torna a criança violenta. A mudança comportamental das crianças não tem apenas um motivo, o que também não exclui a possibilidade de jogos violentos serem um gatilho para comportamentos agressivos. Isso depende de quanto tempo essa criança joga por dia, se há um diálogo entre ela e os pais, se irmãos ou irmãs mais velhas jogam esses jogos e até da personalidade da criança.

Opinião do especialistas

Até mesmo a opinião dos especialistas é dividida neste assunto. Há os que defendem que jogos eletrônicos influenciam sim no comportamento das crianças, e os que defendem que não é algo que tenha um único fator, e que há uma série de acontecimentos, e não um isolado, que podem levar a esse tipo de comportamento.

Até hoje é difícil achar um artigo que dê um veredicto sobre isso. Muito provavelmente porque há muitas questões envolvidas: participação dos pais na vida da criança, relacionamento dessa criança com seus responsáveis, questões socioeconômicas, de gênero, de personalidade, e por aí vai.

Um dos únicos consensos é em relação ao tempo de tela de acordo com a idade da criança. Várias Associações e Conselhos de Pediatria ao redor do mundo indicam nenhum tempo de tela para crianças menores de 2 anos. A partir dessa idade, começa com 30 minutos e vai aumentando ao longo da faixa etária. 

Outro consenso é em relação às crianças que se isolam nos jogos eletrônicos, que é um sinal de alerta. Crianças que costumam jogar no computador e videogame mas que fazem outras atividades, têm outros hobbies, vão na casa de amigos, brincam com outros brinquedos e passam tempo com a família têm uma relação diferente com os eletrônicos das crianças que se isolam no computador e videogame. Se seus filhos se isolam, vale dar mais atenção a eles, oferecer outro tipo de atividade, fazer mais passeios, perguntar sobre seus amigos e etc, e ajudá-los no que for necessário.

Análise de Harvard

Uma análise de 2010 da Harvard Health Publishing, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, traz artigos de especialistas de vários lados da moeda. Alguns artigos, mais recentes na época, argumentam que muitos estudos sobre a questão da violência na mídia dependem de medidas para avaliar a agressão que não se correlacionam com a violência do mundo real – e ainda mais importante, muitos trazem abordagens observacionais que não provam causa e efeito. 

Segundo esse documento, “Embora os adultos tendem a ver os videogames como isolantes e antissociais, outros estudos descobriram que a maioria dos jovens entrevistados descreveu os jogos como divertidos, emocionantes, algo para conter o tédio, algo para fazer com os amigos. Para muitos jovens, o conteúdo violento não é a atração principal.

“Os meninos, em particular, são motivados a jogar videogame para competir e vencer. Visto neste contexto, o uso de videogames violentos pode ser semelhante ao tipo de brincadeira violenta em que os meninos se envolvem como parte do desenvolvimento normal. Os videogames oferecem mais uma saída para a competição por status ou para estabelecer uma hierarquia.”

O que pode ser feito em casa

O nosso ponto é: não é o fim do mundo se seus filhos jogam jogos eletrônicos violentos. Se esse for o caso e você tem preocupações, faça o básico: 

  • Mostre interesse por aqui que seu filho tem interesse. 
  • Tente entender porque ele/a gosta tanto. 
  • Jogue com ele/a, converse sobre isso. 
  • Pesquise sobre o jogo e busque informações. 
  • Fique atento às mudanças de comportamento e pergunte para a criança o que ela pensa, ao invés de ter certeza de que sabe da resposta.
  • Incentive a praticar esportes
  • Lembre que é importante que crianças tenham um limite de tempo de telas! Se não tem isso na sua casa, veja se faz sentido para você e sua família. Falamos sobre isso aqui
  • Veja se seus filhos estão jogando jogos que estão de acordo com a faixa geracional deles.*

*Por exemplo: crianças de 7 anos jogando um jogo para 16 anos é, sem dúvidas, inapropriado. Se isso acontecer, pesquise outras opções parecidas e divertidas para oferecer para essa criança, em troca do primeiro. Por exemplo: se está jogando jogo de tiros, pesquise uma opção de jogo de paintball, onde a mecânica é a mesma, mas não há a mesma violência.

Por outro lado, é muito comum adolescentes de 13 ou 14 anos jogarem jogos com idade indicativa para 16 ou 18 anos. É o ideal? Não, mas proibir só causa mais revolta, neste caso. Para fazer essa avaliação, leve em consideração algumas particularidades dos seus filhos como maturidade, sensibilidade a alguns temas e converse com eles sobre os conteúdos que aparecem no jogo (armas, violência ou qualquer outro tema que você ache inapropriado para a idade. Nessa idade, o diálogo é melhor do que tirar o jogo da criança). Mas uma criança de 7 a

Posicionamento Truth and Tales: não recomendamos que crianças menores de 4 anos consumam conteúdos em telas

Jogo “Fato ou Opinião” ajuda crianças a identificarem fake news

As chamadas fake news, que são notícias que contém opiniões passadas como verdade ou informações falsas, são compartilhadas por muitas pessoas centenas de vezes, principalmente por meio das redes sociais. Esses dados e informações, por vezes, são interpretados por aqueles que as veem como um fato inquestionável. Diante dessa grande quantidade de notícias compartilhadas a todo minuto, como podemos identificar quais são verdadeiras e quais são falsas? Vamos te apresentar o jogo Fato ou Opinião, que é bem legal para ajudar as crianças identificarem as fake news!

Samantha Diegoli, diretora da escola Avalon, de Florianópolis, compartilhou um jogo simples e muito útil para as crianças desenvolverem as suas capacidades de observação e discernimento mental para identificar essas fake news, além de auxiliar no manejo emocional. Esse jogo é útil para os adultos também, já que as fake news chegam a todos nós.

No vídeo publicado no YouTube da Avalon, Sami fala do jogo: “nós ensinamos as crianças a não engolirem uma informação só porque alguém importante falou ou porque foi de algum site, ou da Wikipédia. Nós dizemos: vamos buscar as evidências. A é um fato e B é uma opinião. Vamos buscar o A atrás desse B”.

Ela explica também que o jogo é muito interessante para trabalhar a emoção. “Quando estamos falando de interpretações, normalmente o nosso estado emocional fica muito mais ativo. Inclusive, as discussões que temos, sejam no trabalho ou em casa, normalmente é uma opinião querendo convencer a outra pessoa de qual das duas é verdade, mas não é nenhuma das duas. Então envolve muito o emocional, ativa muito o emocional. Quando chegamos em um fato, o emocional acalma. Então nós usamos muito isso para inclusive para trabalhar o emocional”. 

Antes de ensinar sobre o jogo especificamente, vamos apresentar algumas definições. 

O que é um fato? 

O fato é algo que é possível visualizar e que as pessoas junto com conseguem ver a mesma coisa. Ou seja, um fato pode ser visto por todos de forma igual. 

Se eu descrever esse fato ou outra pessoa descrever o fato, teoricamente, se for um fato, a descrição vai ser a mesma. 

O que é uma opinião? 

A opinião é uma interpretação, ou seja, é uma descrição com um “toque pessoal”.

A opinião pode ser uma descrição, mas contém uma opinião pessoal em cima dela. A interpretação ou a opinião dá margem para que outra pessoa diga “Eu não estou de acordo”.

Exemplo: “Hoje está muito quente”. Essa informação é um fato ou interpretação/opinião? 

Se você pode responder “Eu não acho”, é uma interpretação. Então, “Hoje está muito quente” é uma interpretação pessoal, de como alguém está sentindo o dia. 

O que seria um fato se aplicado nesse contexto? 

O fato seria se hoje estivesse marcando 35ºC no termômetro. Dessa forma, podemos concluir que um fato é quando todos podem ver o mesmo. 

Qualquer pessoa que disser “eu não acho que está calor”, nós podemos ver a temperatura e notar que é um fato, já que a temperatura está alta. A descrição desta temperatura, ou seja, se está calor ou não está calor, é uma opinião pessoal, não um fato.  

Podemos dizer então que, diante de uma opinião, podemos discordar daquilo que foi dito. 

:: Leia também: Jogos e brincadeiras de criança: como é bom! ::

Vamos treinar “Fato ou Opinião”? 

Abaixo há algumas frases e você pode dizer se é uma opinião ou interpretação. 

Vamos imaginar juntos um tablado de madeira e uma gata em cima desse tablado. Em volta dela há algumas flores, árvores e um gramado. Essa imagem será útil para ilustrarmos os exemplos a seguir. 

Exemplo 1:

“Olha gente, que gata mais fofinha.” Fato ou opinião? 

A gatinha fofinha é uma opinião. Mesmo que muitos de nós tenham imaginado a gata fofinha, continua sendo várias opiniões. 

Lembre-se: várias opiniões iguais não transformam essa opinião em um fato, elas continuam sendo opiniões. 

Exemplo 2:

“Tem uma gata muito fofa aqui do meu lado.” Fato ou opinião?

Que a gata está do meu lado é fato. Se ela é muito fofa, como já vimos, é uma opinião. 

Exemplo 3:

“Olha só sente, a gata está curtindo a natureza e sentindo o cheiro das flores.” Fato ou opinião? 

A gatinha curtindo a natureza é totalmente uma opinião, pois não sabemos o que ela está fazendo ali, se ela viu um besouro ou algum outro animal. Então é uma opinião. 

Exemplo 4:

“Essa gatinha que se chama Lua subiu aqui em cima do meu tablado.” Fato ou opinião? 

Com essa frase nós podemos pensar: será que essa gata se chama Lua? Se vocês quiserem comprovar que é um fato, é necessário perguntar o nome dela a sua dona ou a alguém que a conheça. Mas sim, a gatinha se chama Lua, então é um fato. 

A segunda parte da frase: “Ela subiu aqui em cima do meu tablado”. Na verdade, parece muito um fato, mas ninguém sabe se ela subiu ou se alguém a colocou ali. Ela realmente subiu, é um fato, mas quem não viu ela subindo não vai saber como ela foi parar nesse local. 

Exemplo 5:

“A gatinha está deitada ali em cima do tablado de madeira.” Fato ou opinião? 

É um fato, já que todos podem ver que a gata está deitada sobre um tablado de madeira. 

Agora vamos para o jogo “Fato ou Opinião”

O jogo pode ser feito em família ou com várias pessoas, e a ideia é que possamos falar frases para o outro analisar e dizer se é um fato ou uma opinião. Ele pode ser praticado em casa ou quando se está no carro, já que ao redor estão acontecendo coisas que poderão ser usadas como elementos do jogo. 

Vão sendo ditas frases e a criança vai adivinhar ou deduzir se isso é um fato ou se é uma opinião. Um exemplo: “Olha, tem uma mulher de camiseta vermelha sentada naquele banco.” Fato ou opinião? Ou pode-se dizer também: “Olha, que mulher magrinha”, isso é fato ou opinião? E assim a brincadeira segue. 

No começo são indicadas frases mais simples. De início pode-se fazer cinco frases que sejam fatos e depois outras cinco frases que sejam opinião. 

Na medida em que pais e crianças vão ficando mais experientes no jogo, nós começamos a falar uma opinião como se fosse um fato para pegar o outro. Cada vez que acertamos ganhamos pontos e quando não acertamos o outro ganha pontos e nisso consiste o jogo. 

Exemplo no nível 1 do Fato ou Opinião:

Estamos andando de carro e vejo uma pessoa passando de bicicleta e digo: “Tem uma mulher andando de bicicleta aqui na rua.” Fato ou opinião? A resposta é um fato, porque não contém nenhuma opinião ou interpretação. 

E como seria um nível 2 do Fato ou Opinião

Exemplo: “Olhem, essa mulher está andando de bicicleta aqui na rua para emagrecer.” Fato ou opinião?

Nesse caso a criança tem que identificar que foi utilizado um fato, já que uma mulher está andando de bicicleta, mas depois disso foi inserida uma opinião. Ou seja, metade é fato e a outra metade é uma opinião e por isso esse é um nível mais avançado. 

Dica importante: existem algumas palavras ou expressões, que quando elas aparecem, podemos ter certeza de que não é um fato. Algumas dessas expressões são: sempre, nunca, tudo, nada, todo mundo, ninguém, tal coisa deveria ser. Sempre que existem essas palavras, podemos dizer que é uma opinião. 

Bom jogo e se divirtam!

:: Você também pode se interessar: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Débora Nazário

Fazer o bem faz bem? Como a bondade genuína afeta o cérebro

Quando oferecemos ajuda para alguém, ou quando olhamos para o próximo com compaixão e, a partir disso, tomamos alguma atitude, estamos praticando a bondade. Esses atos que podem passar despercebidos pela nossa rotina fazem muito bem para o outro e também para nós mesmos. Sabe aquela sensação que você sente depois de praticar a bondade? Ela faz parte dos efeitos que a bondade genuína causa no nosso cérebro

A bondade ativa regiões de recompensa de nosso cérebro

Em 2018, um grupo de pesquisadores britânicos da University of Sussex afirmou que atos de generosidade ativam as regiões de recompensa do cérebro.

O estudo analisou 1.150 participantes cujos cérebros foram escaneados através de exames de ressonância magnética (fMRI) ao longo de um período de dez anos com um diferencial nessa análise: a comparação feita entre o verdadeiro altruísmo e a bondade estratégica, ou seja, aquelas atitudes que são feitas esperando algo em troca ou algum tipo de reconhecimento. 

“Este grande estudo levanta questões sobre as pessoas que têm motivações diferentes para dar aos outros: interesse próprio claro versus o sentimento caloroso do altruísmo”, afirmou o líder da pesquisa, Dr. Daniel Campbell-Meiklejohn em um comunicado publicado logo após a divulgação do estudo. 

“A decisão de compartilhar recursos é a pedra angular de qualquer sociedade cooperativa. Sabemos que as pessoas podem escolher ser gentis porque gostam de se sentir uma ‘pessoa boa’, mas também que as pessoas podem escolher ser gentis quando pensam que pode haver algo nisso em benefício delas, como um favor retribuído ou reputação melhorada” afirmou. 

A recompensa é maior quando agimos com uma bondade que não é estratégica

Os pesquisadores descobriram que as decisões estratégicas de bondade mostraram maior atividade nas regiões do corpo estriado do cérebro do que as escolhas altruístas, que são aquelas que não se espera nada em troca. O corpo estriado atua na memória não declarativa ou implícita, que são as memórias subconscientes e algumas habilidades como andar de bicicleta ou patinar no gelo. Ou seja, atividade que fazemos “no automático”.

Já a bondade genuína, mais do que estratégica, ativa o córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido durante decisões generosas e o processamento através de um eixo posterior para anterior diferencia esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial posterior foi recrutado preferencialmente durante as decisões altruístas. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando  somos bondosos de uma maneira genuína.

A bondade genuína, mais do que a estratégica, ativa uma parte do cérebro chamada córtex cingulado anterior subgenual (sgACC). Estudos mostraram que  o volume médio de matéria cinzenta do sgACC é anormalmente reduzido em indivíduos com transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno bipolar, independentemente do estado de humor. 

O córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) está envolvido nas decisões generosas e é responsável por diferenciar esses dois tipos de bondade. O córtex pré-frontal ventromedial participa do processamento de risco e de medo, já que faz um importante papel na regulação da atividade da amígdala. O vmPFC também desempenha um papel importante na inibição de respostas emocionais e no processo de tomada de decisão e autocontrole, além de estar envolvido no senso de moralidade.

Após essas análises, os pesquisadores concluíram que é muito mais prazeroso quando somos bondosos de forma genuína.

A ciência da bondade 

Ao pesquisar sobre os efeitos da bondade em nosso cérebro, encontramos a Random Acts of Kindness Foundation, uma organização sem fins lucrativos que investe recursos para tornar a gentileza amplamente praticada pelas pessoas, seja em casa, na escola ou no ambiente de trabalho. 

Essa iniciativa é baseada em estudos científicos que comprovam que podemos viver melhor ao praticar a bondade. Para embasar essas evidências, o site da fundação apresenta pesquisas sobre o tema que vamos listar abaixo.  

A bondade aumenta o hormônio do amor: 

O hormônio do amor chamado ocitocina é liberado quando realizamos atos de bondade. Essa liberação ajuda a reduzir a pressão arterial e a melhorar a saúde geral do coração. – Natalie Angier, The New York Times

Energia: 

Metade dos participantes de um estudo relatou se sentirem mais fortalecidos e com mais energia depois de ajudar os outros. Alguns relataram também se sentirem mais calmos e menos deprimidos. – Christine Carter, UC Berkeley, Greater Good Science Center

Felicidade: 

Uma pesquisa de felicidade da Harvard Business School de 2010 em 136 países descobriu que as pessoas que praticam a bondade genuína eram mais felizes de modo geral. 

Prazer:

De acordo com uma pesquisa da Emory University, quando você é gentil com outra pessoa, os centros de prazer e recompensa de seu cérebro se iluminam, como se você fosse o destinatário da boa ação – não o doador. Este fenômeno é chamado de “alta do ajudante”.

:: Leia também: O que é Desenvolvimento Cognitivo? ::

Praticar a bondade pode diminuir a ansiedade 

Um estudo realizado pela professora Dr. Lynn Alden da University of British Columbia e pela psicóloga Jennifer Trex indica que a ansiedade social pode diminuir ao praticar a bondade.

Para a pesquisa, os autores recrutaram 115 estudantes de graduação que apresentavam altos níveis de ansiedade social. Esses participantes foram divididos de maneira aleatória em três grupos para uma intervenção que durou quatro semanas. 

Um dos grupos foi incentivado a realizar atos de bondade; outro grupo foi exposto a interações sociais; e o terceiro não recebeu instruções, foi pedido apenas que os participantes fizessem registros de suas rotinas. Os resultados mostraram que a maior diminuição no desejo de evitar interações sociais foi observada entre os indivíduos que foram incentivados a realizar atos de gentileza.

O que a Professora Lynn Alden diz

“O objetivo central do tratamento para o transtorno de ansiedade social é aumentar o envolvimento em situações sociais, que os indivíduos socialmente ansiosos costumam evitar. Os exercícios de exposição social podem ser aprimorados encorajando indivíduos ansiosos a se concentrarem em ações amáveis. Portanto, abrir a porta para um vizinho que está empurrando um carrinho de bebê, agradecer aos balconistas da mercearia pela ajuda ou oferecer um café para um colega de trabalho pode ser uma boa maneira de começar a exposição social”, relatou a professora. 

A professora Lynn Alden explicou também que atos de bondade podem ajudar a combater o medo da pessoa socialmente ansiosa de uma avaliação negativa de terceiros, promovendo percepções e expectativas mais positivas de como as outras pessoas irão reagir.

“Descobrimos que qualquer ato gentil parecia ter o mesmo benefício, mesmo pequenos gestos como abrir a porta para alguém ou dizer “obrigado” ao motorista do ônibus. A gentileza não precisa envolver dinheiro ou esforços demorados, embora alguns de nossos participantes o fizessem. A gentileza nem precisava ser “cara a cara”. Por exemplo, atos de bondade podem incluir doar para uma instituição de caridade ou colocar uma moeda no parquímetro de alguém quando você perceber que ele está piscando. Estudos feitos por outros pesquisadores sugerem que é importante que o ato gentil seja feito por si mesmo, e que não pareça coagido ou seja feito para benefício pessoal. Tirando isso, vale tudo”, explicou. 

Praticar a bondade pode retardar o envelhecimento

A ocitocina, hormônio produzido através do calor emocional, age na redução dos níveis de radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular e, dessa forma, retarda o envelhecimento na origem. Os radicais livres e a inflamação no sistema cardiovascular desempenham um papel relevante e é por isso que podemos dizer que a bondade faz bem também para o coração. 

Algumas revistas científicas já publicaram estudos sobre a forte ligação entre a compaixão e a atividade do nervo vago. O nervo vago, além de regular a frequência cardíaca, também é responsável por controlar os níveis de inflamação no corpo. 

Um estudo analisou a meditação de budistas tibetanos e descobriu que a bondade e a compaixão auxiliam na redução da inflamação no corpo, provavelmente devido aos seus efeitos no nervo vago.

Essas análises estão presentes no livro “The Five Side Effects of Kindness: This Book Will Make You Feel Better, Be Happier & Live Longer” escrito pelo Dr. David R. Hamilton, que é formado em Química Orgânica e trabalhou durante vários anos na indústria farmacêutica desenvolvendo medicamentos para tratar doenças cardiovasculares. 

NOTA DA EDITORA

Todas essas informações falam da bondade genuína. Genuíno significa puro, real, verdadeiro. É importante levar isso em consideração porque ninguém pode cobrar atos de bondade genuína das pessoas. Essas ações vêm de forma espontânea, direto do coração.

Aos papais e mamães: dar o exemplo realmente é uma forma de mostrar para as crianças como fazer o bem faz bem, mas forçar situações não é a solução. Se você não está num dia bom, não force nada que não queira fazer para “ser um bom exemplo aos seus filhos”. Isso não irá fazer bem a você e nem aos pequenos. Também evite cobrar boas ações das crianças. Ninguém vai deixar de ser uma boa pessoa porque não segurou a porta para alguém entrar. 

Deixe que essas qualidades sejam manifestadas por elas mesmas, sem forçar ou incentivar. A beleza e os benefícios da genuinidade é deixar que venha e se manifeste de forma espontânea. Não se preocupe em “ser mais bondoso” ou “ensinar os filhos a ser bons”. A bondade está dentro de todo mundo, basta percebê-la e deixá-la manifestar.

O que é Desenvolvimento Cognitivo?

O termo desenvolvimento cognitivo é bastante citado por terapeutas, médicos e educadores. Nós também já usamos essas duas palavras em diversos conteúdos que publicamos aqui no blog. Mas você sabe o que ele significa? 

Em entrevista realizada em dezembro de 2019 para a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que desde 2007 trabalha pela causa da Primeira Infância e o desenvolvimento de crianças em seus primeiros anos de vida, o médico Drauzio Varella explicou um pouco sobre o desenvolvimento cognitivo

“A gente nasce com todo o equipamento neurológico ‘armado’, mas não pronto. O cérebro é uma miniatura do cérebro adulto, morfologicamente falando, a forma está bem estabelecida. Só o que faz o desenvolvimento das atividades cognitivas não é a forma do cérebro, não são os neurônios. São as ligações entre eles, porque é por ali que vai correr a informação, através dessas conexões que são estabelecidas. Se você estimula essas conexões, com brincadeiras, inventando histórias e lendo para a criança, ela vai desenvolvendo uma capacidade cognitiva baseada no estímulo das formações das sinapses, que são os contatos entre os neurônios”, explicou. 

Três conceitos fundamentais sobre o desenvolvimento cognitivo na primeira infância

Para explicar um pouco mais sobre essas conexões que acontecem no nosso cérebro, vamos apresentar três conceitos fundamentais sobre o desenvolvimento na primeira infância desenvolvidos pelo Conselho Científico Nacional da Criança em Desenvolvimento da universidade de Harvard. 

Esses três conceitos mostram como os avanços na neurociência, biologia molecular e genômica dão uma compreensão muito melhor de como as primeiras experiências são construídas em nossos corpos e cérebros, para melhor ou para pior.

1. As experiências moldam a arquitetura do cérebro

As experiências vividas pelas crianças durante os primeiros anos de vida têm impacto duradouro na arquitetura do cérebro e no desenvolvimento. Os genes representam o diagrama a ser executado, mas as experiências moldam o processo que define se o cérebro formará uma base forte ou fraca para aprendizagem, comportamento e saúde ao longo da vida. 

Durante essa fase importante do desenvolvimento, bilhões de células cerebrais chamadas neurônios enviam sinais elétricos para se comunicarem entre si. Essas conexões formam os circuitos que estabelecem a arquitetura básica do cérebro. Circuitos e conexões se multiplicam rapidamente e se fortalecem por meio do uso frequente. 

Nossas experiências e o ambiente em que vivemos determinam quais circuitos e conexões são mais usados. As conexões mais usadas se fortalecem e se tornam permanentes, enquanto as conexões pouco usadas desaparecem através de um processo normal chamado poda. Os circuitos simples se formam primeiro, constituindo a base sobre a qual os mais complexos serão formados depois. 

É através desse processo que os neurônios formam circuitos e conexões para emoções, habilidades motoras, controle do comportamento, lógica, linguagem e memória. Tudo isso acontece durante os períodos iniciais do desenvolvimento. 

Com o uso repetido, os circuitos se tornam mais eficientes e se conectam mais rapidamente às outras áreas do cérebro. Embora se origine em áreas específicas do cérebro, os circuitos são interligados e não se pode ter um tipo de habilidade sem as demais para complementá-la. É como na construção de uma casa, tudo está conectado, e o que vem primeiro forma a base para o que virá depois.  

2. O jogo de ação e reação modela os circuitos do cérebro

Uma arquitetura sólida do cérebro se forma por meio do jogo de ação e reação entre a criança e os adultos. Nesse jogo de desenvolvimento, os neurônios formam novas conexões no cérebro na medida em que a criança instintivamente faz expressões com o rosto, sons e gestos, e o adulto reage de maneira bem significativa e com o foco na ação da criança.

Isso começa bem cedo na vida, quando um bebê tenta se expressar e o adulto interage chamando a atenção do bebê para o seu rosto ou a sua mão. Essa interação forma as bases da arquitetura cerebral a partir da qual todo desenvolvimento futuro será construído. 

O jogo de ação e reação ajuda a criar conexões por meio dos neurônios em todas as áreas do cérebro, estabelecendo as habilidades emocionais e cognitivas que as crianças precisam para viver. Por exemplo: as habilidades de linguagem e de alfabetização se formam quando um bebê vê um objeto e o adulto pronuncia o nome desse objeto. Isso cria conexões dentro do cérebro do bebê entre sons específicos e objetos correspondentes. 

Mais tarde, os adultos mostram às crianças que tais objetos e sons também podem ser representados por marcas em uma página. Com apoio constante dos adultos, as crianças aprendem a decifrar essa escrita e, então, a escrever. Cada etapa se constrói a partir da anterior. 

Assegurar que as crianças tenham cuidadores envolvidos no jogo de ação e reação desde os primeiros meses é promover a construção de uma base sólida no cérebro para toda aprendizagem, o comportamento e a saúde pelo resto da vida. 

3. O estresse tóxico prejudica o desenvolvimento saudável

Aprender a lidar com o estresse é uma parte importante do desenvolvimento saudável. Quando vivenciamos a experiência do estresse, o sistema de resposta a ele é ativado, o corpo e o cérebro ficam em alerta, a adrenalina toma conta e os batimentos cardíacos aumentam, bem como os níveis de hormônios de estresse. Quando o estresse é aliviado, em pouco tempo ou a criança recebe apoio de um adulto acolhedor, a resposta ao estresse e o corpo rapidamente voltam ao normal

O estresse é aliviado quando a criança recebe apoio acolhedor de um adulto. Em pouco tempo o corpo da criança reage à resposta do adulto e desacelera voltando ao normal. Em situações severas como abuso e negligência contínuos ou quando não há um adulto acolhedor para amortecer os impactos do estresse, a resposta ao estresse continua ativada. Mesmo quando não há dano físico aparente, a falta prolongada de atendimento por parte dos adultos pode ativar o sistema de resposta ao estresse.

A ativação constante de resposta ao estresse sobrecarrega os sistemas em desenvolvimento. O resultado disso são consequências sérias e duradouras para a criança, e esse processo é conhecido como estresse tóxico. Ao longo do tempo, ele resulta num sistema de resposta ao estresse permanentemente em alerta

A ciência mostra que a ativação prolongada aos hormônios de estresse na primeira infância pode reduzir o número de conexões neuronais nessas regiões importantes do cérebro num período em que as crianças deveriam estar desenvolvendo conexões novas. O estresse tóxico pode ser evitado se assegurarmos que os ambientes nos quais as crianças crescem e se desenvolvem são acolhedores, estáveis e estimulantes. 

Quando questionado sobre o desenvolvimento na primeira infância e a saúde ao longo da vida no Podcast The Brain Architects Podcast do Center on the Developing Child da Universidade de Harvard, o diretor do Centro, Dr. Jack Shonkoff, explica que uma das mensagens mais importantes que vêm da nova ciência nos obriga a conectar o cérebro ao resto do corpo. “O que acontece no início não é importante apenas para o aprendizado, para o desenvolvimento social e emocional, e para o desempenho escolar, mas é uma influência importante em sua saúde física e mental para o resto de sua vida”.   

Jack também conta que não existem cérebros perfeitos ou sistemas imunológicos perfeitos. “Como crescemos, como aprendemos, como nossa saúde está relacionada à interação, como somos individualmente conectados e sobre o que são nossas experiências de vida. E a parte mais importante de nossas experiências de vida é o ambiente de relacionamentos em que crescemos. Assim como o ambiente físico também tem a sua importância. Quão seguro ele é? Quão protegidos ou expostos estamos a substâncias tóxicas no meio ambiente? Quanto espaço temos para nos movimentar? Todas essas coisas juntas, interagindo com a ideia de que todos são únicos do ponto de vista genético, resultam em uma ampla gama de desenvolvimento”. 

Como a pedagogia explica o desenvolvimento cognitivo:

Para entendermos como a pedagogia explica o desenvolvimento cognitivo, conversamos com a Carol Mota, que é pedagoga, psicopedagoga clínica e autora da obra Autismo na Educação Infantil: Um Olhar para Interação Social e Inclusão Escolar. Ela explicou que o brincar é a melhor forma de estimular esse desenvolvimento. 

“Na medida em que as crianças brincam, elas estão aprendendo o tempo todo. Quando brincam explorando algum brinquedo específico que envolve a questão espacial ou as questões sensoriais, por exemplo, vai estimular o raciocínio lógico e também a memória”, disse. 

“No momento em que brincam entre si, elas também estão aprendendo uma forma de se relacionar com o outro e isso vai expandindo os processos cognitivos. Precisamos pensar que, embora os processos cognitivos existam, eles não se expandem fora de um contexto cultural e de interação social. É interagindo com os outros, com troca interativa entre os pares, entre crianças ou adultos, que a criança se apropria de novas habilidades”, explicou a pedagoga. 

A interação é fundamental: 

Carol destacou que mais do que jogos que estimulam o raciocínio, o mais importante e fundamental é sempre a interação que acontece nesses momentos.

“A interação social, a troca interativa: é nela que vamos trabalhar essas questões de modo mais significativo. Na medida que interagimos, nos comunicamos e dialogamos com outra pessoa, nós precisamos refletir sobre o nosso comportamento, precisamos pensar em que resposta vamos dar a determinada pergunta. Conforme estamos refletindo e formulando questões, os nossos processos cognitivos estão ativos e nesse diálogo entre eu e o outro, é quando esses processos vão se expandindo, quando o desenvolvimento cognitivo vai emergindo”. 

“É com a brincadeira que as crianças vão aprender a utilizar seus corpos, partindo do contato com diferentes linguagens, que podem envolver música, artes plásticas etc. Assim, a criança vai conhecer o outro e o mundo através de diversas perspectivas diferentes, e isso auxilia nas habilidades cognitivas”, contou a psicopedagoga.

Texto: Débora Nazário

Importância da mentira, da fantasia e da imaginação na infância

Quem já ficou surpreendido com uma história contada por alguma criança? Uma narrativa de fantasia e imaginação cheia de detalhes e um enredo repleto de elementos quase inimagináveis

Provavelmente a sua resposta é sim. É muito comum que as crianças contem histórias com muitos detalhes para aqueles que convivem. 

As histórias e suas perspectivas vão mudando de acordo com a idade, pois elas acompanham o desenvolvimento dos pequenos. A capacidade de criar essas narrativas muda e vai ganhando novas formas e camadas. 

A infância é um universo muito propício para a imaginação, pois é a fase da vida onde aprendemos, observamos tudo e percebemos o mundo e os outros à nossa volta. Quando criança, percebemos e sentimos frustração, alegria, tristeza e vários outros sentimentos que nem sabemos nomear. 

As perguntas que ficam são: esses comportamentos, que são muito comuns na rotina das crianças, devem ser estimulados? Qual é a importância deles na infância? Eles podem contribuir com o processo de aprendizagem e autonomia? Vamos falar sobre esses e outros questionamentos abaixo, acompanhe!

O faz de conta como forma de expressão

É legal ver em quais momentos as narrativas cheias de imaginação são construídas pelas crianças e perceber aquilo que as deixam confortáveis. Dessa forma, será mais fácil entender qual é o “recado” que elas querem dar. Algumas vezes também não vai existir um “recado”, mas sim uma expressão do que elas enxergam e como conseguem externalizar as suas percepções

Segundo Deborah Moss, que é neuropsicóloga, especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento, em entrevista concedida ao Portal Viver Bem da UOL, afirmou que “as crianças podem usar sua imaginação para criar um ou mais companheiros de brincadeiras e conceber cada um deles de uma maneira particular, para externalizar suas relações, o que sentem, ou aprendem no dia a dia. Essas representações têm a ver com entrar em contato consigo mesmo”. 

:: Veja também: Rimas na alfabetização: conheça os benefícios ::

Inventar diálogos: 

As crianças em diversas situações repetem aquilo que ouvem dos adultos. Muitas vezes elas dão voz a objetos e reproduzem os discursos que escutam. Elas usam a imaginação e criam diálogos entre esses objetos, inventam situações e também acabam encontrando soluções para os conflitos que elas próprias criaram. 

Essas brincadeiras são extremamente positivas pois enriquecem o vocabulário, treinam a fala e estimulam a capacidade de lidar com conflitos, mesmo que sejam todos de brincadeira. 

Amigos imaginários: 

É comum que crianças tenham amigos imaginários que os acompanham nas atividades do dia-a-dia.  

Durante muitos anos, os amigos imaginários foram associados com faltas de habilidades sociais, mas isso é um grande erro segundo a opinião da professora emérita Marjorie Taylor, da Universidade de Oragon, localizada em Eugene, no estado de Oregon, nos EUA. 

De acordo com Marjorie, esses amigos podem variar em relação à personalidade e nível de conexão com a rotina das crianças. Alguns são personagens de filmes, brinquedos reais, a própria imagem no espelho, partes do corpo, desenhos e outros, que trazem para a própria imaginação. O período de existência deles pode ser variável chegando a durar poucos dias ou até anos. 

Segundo a professora, os amigos imaginários podem ajudar a criança a lidar com problemas emocionais ou medos. Ela também disserta sobre como as crianças que têm amigos imaginários não apresentam desvantagens em cognição social, diferente do que muitos acreditavam há alguns anos. 

Na tese de mestrado”A criação de amigos imaginários: um estudo com crianças brasileiras“, de Natália Benincasa Velludo, traz evidências de que “a criação de amigos imaginários não se associa a déficits em desenvolvimento, e pode inclusive ser um preditor de habilidades mais sofisticadas, como por exemplo, um vocabulário mais desenvolvido”. 

Ou seja, diferente do que a nossa cultura prega, crianças com amigos imaginários não têm problemas com atenção ou com atraso de desenvolvimento, e que essas crianças podem apresentar vocabulários mais robustos.

Desenvolvimento da autoconfiança 

Por meio de histórias e criatividade, as crianças podem criar personagens imaginários fortes, valentes e conseguem lidar com diversas situações. Quando os pequenos entram em contato com esses personagens, eles podem se “espelhar” nessas histórias e superar os seus medos e angústias com a ajuda desse incentivo. 

A psicóloga Sally Goddard Blythe, que é autora do livro The Genius of Natural Childhood: Secrets of Thriving Children, afirma que “a imaginação é a capacidade de criar imagens visuais no olho da mente, o que nos permite explorar todos os tipos de imagens e ideias sem ser restringidos pelos limites do mundo físico. É assim que as crianças começam a desenvolver habilidades de resolução de problemas, surgindo com novas possibilidades, novas maneiras de ver e ser, que desenvolvem importantes percepções de pensamento crítico que ajudarão a criança por toda a vida.”

As crianças e as mentiras

Crianças mentem, independentemente da criação ou dos exemplos dos pais. Muitos defendem que crianças mentem para se defender, para fugir de uma situação que não querem enfrentar ou para conseguir o que desejam. E sim, isso acontece, mas não somente por isso. Os motivos pelos quais crianças mentem vão muito além e fazem parte do desenvolvimento cognitivo, da linguagem e da noção de realidade das crianças. 

Existem evidências de que o comportamento de contar mentiras na infância tem relação com o funcionamento executivo. Segundo o estudo Social and Cognitive Correlates of Children’s Lying Behavior publicado em 2008, as habilidades do funcionamento executivo surgem no final da primeira infância e vão se desenvolvendo ao longo de toda a infância, uma época em que os pesquisadores notaram aumento na habilidade de contar mentiras. 

Foi sugerido que o controle inibitório (capacidade de suprimir processos de pensamento ou ações interferentes) e a memória de trabalho (sistema para reter e processar temporariamente informações na mente) podem estar diretamente relacionados às mentiras das crianças. Ao mentir, a criança deve suprimir o relato da transgressão que deseja esconder, e representar e proferir a informação falsa que difere da realidade.

Para manter suas mentiras, as crianças devem inibir aqueles pensamentos e afirmações que são contrárias à sua mentira e que revelariam sua transgressão, mantendo na memória o conteúdo da mentira. Assim, para contar mentiras e mentir com sucesso, as crianças devem ser capazes de manter alternativas conflitantes em sua mente (ou seja, o que elas realmente fizeram / pensaram e o que disseram que fizeram / pensaram). 

Muitas mentiras contadas pelas crianças não têm um motivo aparente. Ou seja: não é para conseguir algo, para fugir de uma situação ou para chamar atenção. Elas mentem porque isso faz parte do processo de crescer. Crianças não sabem o conceito de moral e é durante a infância que experienciam algumas coisas relacionadas a isso. E mentir é um dos caminhos que as crianças naturalmente encontram para vivenciar esses conceitos sociais. A mentira têm um aspecto diferente para cada idade das crianças:

Crianças de 2 a 4 anos

Nessa idade, as habilidades de linguagem estão surgindo e as crianças ainda não sabem exatamente onde a verdade começa e termina. Nesse período, elas não conseguem manter as mentiras que contam.

As crianças menores também têm uma compreensão bem instável da diferença entre realidade, devaneio, desejos e vontades, fantasias e medos.

Ou seja, quando a criança é confrontada com algo que ela pegou sem permissão e ela nega, ela pode expressar o desejo de que não gostaria de ter pegado ao dizer que não pegou, muito por uma limitação de linguagem. 

Crianças de 5 a 8 anos

Entre as idades de 5 a 8 anos, as crianças contam mais mentiras para testar o que conseguem fazer, especialmente mentiras relacionadas à escolas – aula, deveres de casa, professores e amigos. Manter as mentiras ainda pode ser difícil, embora elas estejam se tornando cada vez melhores em escondê-las.

Segundo a psiquiatra pediátrica Elizabeth Berger, “os regulamentos e responsabilidades desta idade costumam ser demais para as crianças. Como resultado, as crianças muitas vezes mentem para apaziguar as forças que parecem exigir mais desempenho do que podem reunir”.

Crianças de 9 a 12 anos

A maioria das crianças dessa idade está no caminho certo para estabelecer uma identidade de esforçada, confiável e consciente. Mas elas também estão se tornando mais hábeis em manter mentiras e mais sensíveis às repercussões de suas ações, e podem ter fortes sentimentos de culpa depois de mentir.

Conversas diretas e mais longas sobre honestidade são definitivamente necessárias, pois haverá raros momentos de “mentirinha” em que alguma desonestidade é aceitável para ser educado ou poupar os sentimentos de outra pessoa.

Como lidar com as mentiras dos pequenos?

Enquanto mentir faz parte do desenvolvimento normal de uma criança, pais e educadores podem dar suporte para as crianças em três sentidos, segundo um artigo do Neuroscience:

Primeiro, evite punições. Um estudo comparou uma escola que usava correções punitivas (como bater com um pedaço de pau, estapear e beliscar) e uma escola que usava correções não punitivas, alunos da escola com punições punitivas eram mais prováveis de serem mentirosos eficazes. Ou seja, quanto mais você punir, mais a criança vai mentir para ficar fora dessa situação. Crianças inseridas em famílias que dão grande ênfase ao cumprimento das regras e não ao diálogo também relatam mentir com mais frequência. 

Em segundo lugar, discuta cenários emocionais e morais com as crianças. Este “treinamento emocional” apoia a compreensão das crianças e quando as mentiras são mais prejudiciais, como elas afetam os outros e como elas mesmas podem se sentir quando mentem. 

E por último, certifique-se de que a mentira é realmente uma mentira. Como já mencionamos, as crianças muito pequenas tendem a misturar a vida real e a imaginação, enquanto as crianças mais velhas e os adultos frequentemente se lembram dos argumentos de maneira diferente.

Por Débora Nazário e Luisa Scherer

Rimas na alfabetização: conheça os benefícios

A infância é marcada por grandes descobertas e uma delas é a alfabetização. Por meio da escrita e da leitura, as crianças passam a explorar um mundo até então desconhecido por elas.   

Esse processo pode acontecer com o apoio de métodos lúdicos que envolvem músicas, poemas e as rimas. Para estimular a fase de alfabetização, esses métodos são utilizados por muitos terapeutas e profissionais da educação, e apresentam resultados positivos na aprendizagem e desenvolvimento cognitivo

Este artigo publicado em 2014 pela Frontiers in Psychology, um periódico que publica pesquisas rigorosamente revisadas por pares nas ciências psicológicas e da pesquisa clínica, afirma que as rimas podem ser especialmente facilitadoras para a aprendizagem do vocabulário por causa da maneira como elas podem apoiar previsões ativas sobre as palavras que se seguem.

Em dois experimentos, foram testadas se as rimas, quando usadas para ajudar as crianças a antecipar novas palavras, tornaria essas palavras mais fáceis de aprender. As crianças as quais foram expostas as rimas mostraram maior aprendizado de novos nomes na condição de rima preditiva nas comparações entre as crianças que não o foram. 

A hipótese dos pesquisadores é que o desenvolvimento dessas palavras novas e sua previsibilidade incentiva um maior envolvimento com elas por parte da criança. Uma criança pode não ser capaz de prever o nome exato de um nova palavra na primeira leitura de uma história, mas quando o novo nome vier no final da estrofe, a criança pode ser mais capaz de antecipar que algo está chegando, que vai soar como as terminações das linhas anteriores da história ou música. Essa antecipação pode encorajar a atenção, estimulando o aprendizado. 

:: Leia também: Por que a leitura é tão importante? ::

Tudo no seu tempo e no seu jeito 

O processo de aprendizagem que envolve a alfabetização é muito subjetivo e cada criança tem o seu próprio ritmo nesse percurso.  

Conversamos com a fonoaudióloga Manuella Barcelos, que atua no Núcleo Desenvolver do Hospital Universitário da UFSC desde 2010 e trabalha com uma equipe interdisciplinar de atendimento a crianças com queixas de dificuldade de aprendizagem sobre estes processos. 

Segundo ela, alfabetizar, ou seja, aprender a ler e a escrever, envolve dois processamentos cerebrais que a criança já tem bem desenvolvido antes mesmo de entrar na escola. Uma delas é a parte da linguagem, em que a criança já traz recursos e bagagem de casa; e o outro é o processamento visual.

A escola faz uma conexão entre essas duas áreas, apresentando esse novo universo das letras. Quando a criança aprende com base nessa questão, é essencial pensar que existe uma forma de ensinar que é a mais adequada para ela, que promove a alfabetização de uma maneira mais fácil e, nesse sentido, as rimas são ótimas aliadas

A consciência fonológica na alfabetização

“Consciência fonológica acontece quando a criança passa a manipular os sons da fala de forma consciente. Ela vai saber que a nossa fala pode ser dividida em unidades menores que são as palavras, em unidades ainda menores que são as sílabas, e unidades bem pequenas, que são os fonemas. Para a alfabetização acontecer, é importante que a criança aprenda esses pré-requisitos, e por meio de um método fônico é possível que ela alcance a alfabetização com mais facilidade”, relata a fonoaudióloga. 

Manuella utiliza as rimas no processo de alfabetização com as crianças que ela trabalha.  “O processo de alfabetização envolve a consciência fonológica. Dentro da consciência fonológica existe a rima, um dos primeiros sinais dessa consciência, que é quando a criança começa a perceber o final igual das palavras de mesma tonicidade. Além da rima existe a aliteração e, por meio dela, a criança percebe que o começo também pode ser igual, por exemplo: cobra e copo”, conta.

A rima é um dos primeiros sinais de consciência fonológica e vemos isso desde a educação infantil. O seu uso é muito importante. Eu utilizo no meu trabalho, principalmente com crianças que possuem dificuldade de aprendizagem e transtornos de aprendizagem como dislexia, ortografia ou crianças que tenham transtorno do processamento auditivo. Ela é fantástica no processo de alfabetização. É preciso estimularmos a consciência fonológica, mas é mais importante ainda estimularmos isso na educação infantil, antes mesmo de começar a alfabetização propriamente dita”, explica.  

As rimas como instrumento do desenvolvimento de habilidades

A pesquisadora canadense Ginger Muller, que possui mestrado pela University of British Columbia, desenvolveu trabalhos durante 20 anos usando rimas e canções em diversos programas de educação infantil em Vancouver, no Canadá. 

No seu trabalho, ela contextualiza rimas específicas dentro de domínios definidos pelo Instrumento de Desenvolvimento Inicial: saúde física e bem-estar, linguagem e desenvolvimento cognitivo, habilidades de comunicação e conhecimentos gerais, competência social e maturidade emocional. Dessa maneira, ela mostra como as rimas podem ser praticadas de forma eficaz com crianças de diferentes idades e os seus benefícios para essas habilidades

Neste artigo escrito pela pesquisadora, ela mostra que as crianças aprendem bem em ambientes ricos em linguagem, alegria e diversão. Ginger apresenta canções que podem auxiliar no desenvolvimento dessas habilidades, “rimas e canções infantis centenárias, testadas e comprovadas, apoiam o desenvolvimento geral das crianças em termos de significado e formas envolventes”, escreve. 

Utilizar as rimas com as crianças, além de auxiliar no processo da alfabetização, também as aproximam da cultura nacional. Há diversas rimas que contam com elementos da cultura dos estados brasileiros, regiões e também histórias sobre o folclore. Esse contato vai ser enriquecedor para as crianças em diversos sentidos!

Por Débora Nazário

Nota da Editora: Truth and Tales e as rimas

Uma dica muito legal para crianças em fase de alfabetização é o Truth and Tales, o nosso aplicativo original!

Truth and Tales é um app para crianças de 5 a 11 anos com histórias interativas e audiobooks. Todos os contos são rimados, tanto na versão interativa quanto só para ouvir as histórias. Sabendo desse benefício, a Explot, desenvolvedora do app, fez questão de adotar as rimas nas histórias.

Foram feitos testes com crianças mostrando a mesma história rimada e sem rimas. E foi comprovado: além dos benefícios, as crianças se interessaram mais pela versão rimada da história.

Além das rimas, o Truth and Tales também conta com fontes otimizadas para pessoas com dislexia, e com a ferramenta de read along, que funciona como um karaokê, onde as palavras ficam destacadas à medida que o narrador lê. Isso ajuda bastante na alfabetização. Experimente com as crianças!

Jogos e brincadeiras de criança: como é bom!

Jogos, criar novas brincadeiras ou brincar daquelas que já são conhecidas pelas crianças são atividades que não ficam restritas apenas a momentos de lazer. 

Professores, pesquisadores e pedagogos utilizam jogos em sala de aula cada vez mais, já que essa é uma alternativa que oferece inúmeros benefícios no processo de ensino e aprendizagem. 

As habilidades, necessidades e características específicas de cada criança são trabalhadas de maneira leve e prazerosa através de jogos e brincadeiras. Essa aproximação que os jogos possibilitam deixam o ambiente agradável e cheio de surpresas, tanto para as crianças quanto para os adultos, em casa ou na escola. 

Um artigo científico publicado em 2016 pela Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) reforça os benefícios que os jogos de tabuleiro podem trazer para o aprendizado das crianças. 

Nele são apresentadas informações que explicam como as crianças podem ser mais inflexíveis quanto às regras convencionais de algum jogo ou brincadeira, mas que conseguem ficar sentadas por horas jogando justamente por essa atividade ser prazerosa e divertida. Quanto às brincadeiras ou jogos com regras que elas mesmas inventaram, as crianças apresentam maior flexibilidade na hora de segui-las.

O resultado disso é um aumento dos níveis de concentração e motivação. O artigo é complexo e reúne uma série de dados que comprovam o aprendizado e habilidades por meio de jogos de tabuleiro.

O que Harvard diz

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é uma das mais bem conceituadas instituições de ensino no mundo. Em Harvard há o Centro de Desenvolvimento Infantil onde se realizam estudos com e sobre crianças, com inúmeras parcerias de outras instituições nos Estados Unidos e ao redor de todo o mundo.

Um dos materiais disponibilizados no site do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard explica que a ciência do desenvolvimento infantil aponta três princípios básicos que podem orientar o que a sociedade precisa fazer para ajudar as crianças e suas famílias a prosperar. Esses são apoiar relacionamentos responsivos; fortalecimento de habilidades essenciais para a vida; e redução das fontes de estresse. Brincar na primeira infância é uma forma eficaz de apoiar esses três princípios.

Laura Huerta Migus, Diretora Executiva da Associação de Museus das Crianças, relata que quando brincamos, podemos atingir o máximo da nossa felicidade, mas também podemos suportar grandes dificuldades. Quando brincamos, temos interações complexas com outras pessoas ao mesmo tempo que construímos nossos cérebros. Quando brincamos, as interações sociais se tornam relacionamentos. Precisamos brincar para conectar esses três princípios básicos. 

Lynneth Solis, Pesquisadora no Project Zero no Harvard Graduate School of Education afirma que “…como criança, brincar me prepara melhor a responder frente ao desconhecido e às incertezas no ambiente em que eu vivo.” 

Brincar e jogar fortalece habilidades essenciais para a vida. É possível observar essas habilidades em alguns momentos num jogo ou brincadeira: 

  1. As crianças precisam pensar e decidir como vão interagir no jogo ou na brincadeira. Ou seja, elas precisam pensar no que vão falar, como vão falar ou em como se colocar.
  2. É necessário usar habilidades de planejamento e de resolução de problemas para completar o jogo ou a brincadeira. Aí entram estratégias, jogadas ou até mesmo a forma em como vão construir uma torre de legos. 
  3. É necessário seguir as regras quando se está num jogo, mas também é necessário ter flexibilidade quando o amigo quer mudar essas regras. Ou seja, habilidades de negociação num grupo social diferente – que não é a família – também é desenvolvida nesse momento. 

Lynneth Solis explica que brincar reduz os níveis de estresse e desenvolve as habilidades essenciais da vida que permitem que a criança avalie uma situação e saiba como mudá-la, de modo que não sinta-se atacada ou estressada. Também sabemos que desenvolve habilidades de enfrentamento, além de também reduzir o stress dos pais ou cuidadores. 

:: Leia também: A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado ::

A possibilidade de encontrar novas alternativas nos jogos e brincadeiras:

O raciocínio utilizado em diversos jogos estimula a busca por alternativas em situações cotidianas. Refletir sobre as possibilidades diante de uma situação e entender o que pode ou não pode, faz com que a criança vivencie de uma maneira significativa os contextos do seu dia-a-dia. 

O momento de um jogo é também uma possibilidade de experimentação, de cenários imaginários repletos de perspectivas diferentes. Para olhar essas perspectivas e todos os ângulos que elas direcionam, é necessário foco e também concentração, que refletem em outros momentos da rotina onde as crianças passam por situações parecidas. 

O xadrez para crianças:

O xadrez é um jogo que reúne diversos dos benefícios que citamos acima. Além de reforçar a importância  da concentração e a atenção, o xadrez também ensina o respeito pelo outro, a confiança em si mesmo e também a criatividade, através dos movimentos e lances possíveis. 

Em dezembro de 1986 a FIDE (Federação Internacional de Xadrez) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) criaram a “Comission For Chess In Schools”, que tem como objetivo a difusão e democratização do xadrez como instrumento pedagógico dentro das escolas. 

A criação dessa comissão popularizou ainda mais o xadrez dentro nos ambientes escolares mundo afora. Além disso, a sua criação reforça os benefícios que esse jogo proporciona, já citados anteriormente. 

Aprender com os erros:

Antes de realizar algum movimento no jogo de xadrez, os jogadores devem pensar também em como será a reação do seu adversário. As jogadas são feitas mentalmente e ambos os jogadores poderão prever o que vai acontecer. É claro que existirão jogadas inesperadas e por isso mesmo aqueles que jogam o xadrez vão ​aprender um pouco mais a cada partida​, aprenderão com os seus próprios erros e acertos, além de aprender muito com o parceiro de jogo.

Pensar antes de agir:

Agir de maneira compulsiva e não pensar muito antes de cada jogada pode trazer consequências negativas ao jogador e é por esse motivo que o xadrez estimula de maneira profunda o “pensar antes de agir”.

O xadrez também auxilia na autonomia da criança na sua tomada de decisões, sem a interferência dos adultos. Para as jogadas a criança terá de buscar na sua própria memória os lances possíveis, sem contar com a ajuda de outros. 

:: Pode ser interessante: Meus filhos estão viciados em celular. E agora? ::

Quebra-cabeças: 

Outro jogo que oferece muitos benefícios para as crianças é o clássico quebra-cabeças. A prática que o jogo propõe é muito positiva para a memória de curto prazo, bem como a velocidade do pensamento, que terá de ser ágil e assertivo para encontrar as peças faltantes.

Resolução de problemas: 

Assim como no xadrez, o quebra-cabeças consiste na resolução de um problema e para isso é preciso muita concentração. A tentativa e erro ao colocar as peças nos lugares impulsiona o raciocínio lógico.  A percepção visual e a noção do espaço também estão presentes no jogo. As figuras, números e palavras formadas no quebra-cabeças vão enriquecer o vocabulário e o conhecimento das crianças.  

Melhoria da coordenação motora: 

O ato de montar o quebra-cabeças faz com que as crianças aprendam a controlar os movimentos, que são aqueles necessários para encaixar as peças. A visão também é uma aliada no jogo e junto dela a atenção aos detalhes

Os jogos além de proporcionarem todos esses benefícios também podem aproximar as crianças dos pais, irmãos, professores ou cuidadores. 

Cada erro e acerto são vividos de forma conjunta, o que é extremamente importante para a socialização. Esses jogos clássicos também são uma ótima alternativa para algumas horas longe das telas. 

As crianças se comunicam através de brincadeiras, e nelas se expressam de forma livre enquanto se divertem. O xadrez e o quebra-cabeças podem ser aliados nessa comunicação. Que tal jogar com as crianças hoje?

Texto por Débora Nazário

Yoga para crianças: diversão e mais concentração para os pequenos

A infância é um período repleto de experiências que ficam marcadas na nossa memória. Quem nunca se lembrou de uma brincadeira ou atividade que praticou na infância e sentiu saudades?

Estas brincadeiras são importantes para além de um registro afetivo. Atividades que estimulam a criatividade e geram descobertas marcam também a infância de outras formas, gerando inúmeros benefícios.   

As dinâmicas feitas na primeira infância também podem estimular comportamentos que serão repetidos por muitos anos, mesmo depois que a criança já for adulta. 

Atividades que envolvem brincadeiras e movimentos do corpo, por exemplo, quando praticadas com frequência, tornam-se um hábito na vida das crianças e também têm relação direta com o desenvolvimento físico, emocional e psíquico. Neste texto nós explicamos com mais detalhes sobre como brincadeiras e atividades físicas na infância são positivas para a saúde e desenvolvimento dos pequenos.

Algumas atividades, no entanto, exigem estrutura e orientações específicas para serem praticadas. No momento em que vivemos, aquelas que podem ser executadas em casa tornam-se uma ótima possibilidade. Por esse motivo, hoje vamos falar da prática de yoga para crianças.

A prática de yoga

Yoga é uma prática que nasceu há mais de quatro mil anos. Os praticantes também seguem filosofias além dos movimentos do corpo. Nos últimos anos, o yoga ganhou grande visibilidade na mídia e, por isso, quando se fala em yoga, a maioria das pessoas já têm alguma noção do que se trata.

A comprovação disso é que o yoga compõe a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), entidade criada pelo Conselho Nacional de Saúde brasileiro, que tem como objetivo a implementação de tratamentos alternativos à medicina baseada em evidências na rede de saúde pública do país, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A prática feita por crianças também se popularizou nos últimos tempos, justamente por conta dos seus benefícios. A concentração, respiração e alongamento incentivados no yoga são extremamente positivos para as crianças. Existem até algumas escolas, inclusive, que incluíram aulas de yoga nas suas grades curriculares.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou recentemente um documento onde o Grupo de Trabalho em Atividade Física da entidade traz diversas dicas e recomendações em relação à prática de atividades físicas para crianças e adolescentes.

Nas sugestões, a prática de yoga é mencionada. “O Yoga, uma prática milenar que pode ser realizada por indivíduos de qualquer idade, representa  uma  ferramenta  relevante  para  melhora  da  saúde  física,  com  importante estímulo para ganho de flexibilidade e força muscular. Além disso, o Yoga pode ser especialmente importante para o momento atual por possibilitar o distanciamento  físico  durante  a  prática  e  contribuir  para  a  estabilização  da  saúde  emocional  e  mental, auxiliando no enfrentamento do estresse, ansiedade e sintomas depressivos”, informa o documento. 

O documento também reforça que o indicado é que crianças e adolescentes pratiquem em média 60 minutos de atividade física por dia, alternando a intensidade destas atividades.

Como o yoga pode ser divertido e benéfico para os meus filhos?

As posturas são inspiradas em elementos da natureza e também nos animais, que são características que despertam a curiosidade das crianças. Os movimentos podem ser feitos de uma forma lúdica, com músicas e histórias, que faz do yoga uma atividade extremamente prazerosa.

Os pequenos também são mais flexíveis e, dessa forma, realizar as sequências de exercícios pode ser divertido. A musculatura em formação é fortalecida ao realizar as posturas, que tem efeito também no equilíbrio postural dos baixinhos.

A prática de yoga desempenhada pelas crianças acontece por etapas, que passam pela respiração, concentração e só depois disso ocorre a introdução das posturas, que vão se intensificando ao longo do tempo. Respeitar os limites do corpo também é extremamente importante, já que alguns movimentos tendem a alongar bastante.    

A importância da respiração

A respiração é uma das propriedades fundamentais do yoga. Para as posições, a criança vai precisar respirar com o nariz e barriga ao invés do tórax. Essa técnica é benéfica para o sistema respiratório e também regula a respiração, resultando em tranquilidade e relaxamento.

Melhora na autoestima

Por ser uma atividade que não envolve a competição, o yoga pode estimular a autoestima e autoconfiança na criança, já que os resultados vão sendo alcançados de forma individual.

Mesmo com essa individualidade, o papel desempenhado pelo professor, pai ou outra pessoa que esteja junto da criança no momento da atividade,  reforça também a cooperação e o aprendizado em conjunto.

Mais concentração

Como já mencionamos antes, prestar atenção na respiração é fundamental no yoga. É necessário se atentar neste aspecto e também manter o foco para realizar as posições. Dessa maneira, a criança desenvolve a concentração e encontra mais facilidade em outras esferas do seu cotidiano. 

Como praticar yoga em casa com meus filhos?

Atualmente a tecnologia tem facilitado esse processo. Existem vídeos, aplicativos e sites que introduzem o yoga de forma bem simples. Mas, apesar dessa facilidade, é preciso atenção. Verifique a fonte desses materiais, e principalmente, caso seus filhos pratiquem, fique atento quanto à reação deles ao fazerem os exercícios: dor e desconforto extremos não são um bom sinal.

Com respeito aos limites do corpo, paciência e vontade de aprender, o yoga pode fazer parte da rotina das crianças de maneira leve e positiva! 

Débora Nazário

FAQ Truth and Tales: o que muda com a assinatura

Olá! Se você chegou até este FAQ é porque provavelmente tem algumas dúvidas sobre o Truth and Tales e a assinatura. Organizamos aqui as principais perguntas pra te ajudar. Se a sua dúvida não se encontra por aqui, entra em contato com a gente que te respondemos rapidinho.

Os livros do Truth and Tales não eram de graça?

Não. O app Truth and Tales sempre foi grátis, mas os seus conteúdos nele sempre foram premium, ou seja, que você precisa pagar para acessá-los.

Com o início da pandemia, disponibilizamos um conto grátis no app como forma de incentivo à leitura e como uma alternativa de conteúdo de qualidade para as crianças em meio ao distanciamento social.

Essa medida foi promocional de um único conto, já que os outros dois estavam à venda. 

Agora tenho que pagar pelo Truth and Tales?

Todos os conteúdos do Truth and Tales são pagos. Para fazer download do Truth and Tales continua grátis, mas para acessar os conteúdos é preciso fazer a assinatura de um dos pacotes disponíveis. Hoje existem dois tipos de pacotes: o mensal e o anual. 

Como funciona a assinatura? 

Você pode escolher entre a assinatura mensal e a anual. Elas disponibilizam os conteúdos do app durante o tempo que você escolheu assinar.

Se você escolheu a assinatura mensal, você paga o mês e tem disponível os conteúdos do app durante um mês a partir do dia que você assinou.

O plano anual segue o mesmo princípio do mensal, mas para um ano a partir do momento que você assinou. 

Como funciona o plano mensal?

Ao assinar o plano mensal, você paga para acessar os conteúdos do Truth and Tales durante um mês a partir da data da assinatura. A assinatura é renovada automaticamente, ou seja, caso você não queira mais, é preciso cancelar a assinatura.

Você pode cancelar a assinatura quando quiser, mas vale lembrar que a cobrança não é parcial, ou seja, se o mês da assinatura virou, você será cobrado pelo mês inteiro mesmo se cancelar uma semana depois. 

Como funciona o plano anual? 

Ao assinar o plano anual, você paga para acessar os conteúdos do Truth and Tales durante um ano a partir da data da assinatura. O plano anual sai mais em conta se você colocar na ponta do lápis: tem um desconto equivalente a duas parcelas do plano mensal.

A assinatura é renovada automaticamente, ou seja, caso você não queira mais, é preciso cancelar a assinatura. Se você cancelar o plano anual antes do prazo de um ano, você continuará pagando as parcelas do valor do pacote.

Comprei os contos antes de virar assinatura. Vou perder os livros?

Quem comprou os contos antes de ser assinatura, fique tranquilo, você não vai perdê-los! Os contos que você comprou ficarão disponíveis normalmente caso você não assine algum plano.

Mas atenção: apenas os contos que você comprou ficarão disponíveis. Os contos que você não adquiriu ou outros conteúdos novos ficarão travados caso você não assine algum plano. Se você lia apenas o conto que estava gratuito, ele não estará mais disponível de graça na assinatura.

Se o seu dispositivo for iOS, é necessário que você “restaure a compra” para que o livro comprado anteriormente fique disponível de novo. 

Como eu faço para resgatar o conto que eu já havia comprado antes do Truth and Tales virar assinatura?

Se o seu dispositivo for iOS, é necessário que você “restaure a compra” para que ele fique disponível novamente. Para isso, abra o Truth and Tales e vá no ícone da bolinha, que fica no canto superior direito da tela. Passando pelo controle parental você chega na área dos pais. Chegando lá, clique nas configurações, que fica no canto superior direito. A última opção é “RESTAURAR COMPRAS”.

Eu já tinha o Truth and Tales antes de ser assinatura. Eu não ganho nada com isso?

Sim, você ganha um mega desconto no plano anual! Uhul!

Como eu faço para cancelar a assinatura?

O cancelamento de assinatura é tratado direto com a Apple App Store ou com a Google Play Store.

Esqueci minha senha, e agora?

Para recuperar a senha da conta do Truth and Tales, você precisa ir na Área dos Pais. A Área dos Pais fica no canto superior direito do app, onde parecem duas bolinhas.

Ao clicar ali, você precisa colocar o ano que você nasceu, que é o controle parental. Quando estiver dentro da Área dos Pais, você clica na engrenagem que fica no canto superior direito da tela. Uma janela com várias opções abrirá, e você vai clicar no último botão, que é “Gerenciar conta”.

Lá terão as informações do plano de assinatura e de conta. Se você já tiver cadastro, clique em “Login”. Ao abrir a tela de Login, clique em “Esqueceu sua senha?”. Aí você digita seu e-mail quando o app pedir e logo depois você receberá um e-mail nosso para redefinir sua senha por lá. 

Se você quer só mudar de senha, o caminho é o mesmo. Se você já estiver logado, aí é só clicar em  “redefinir”, digitar seu e-mail quando o app pedir e esperar o nosso e-mail de redefinição de senha chegar.

O que acontece se eu cancelar minha assinatura antes de terminar o mês?

A cobrança é feita logo que assina o plano, ou seja, no início do mês, então você será cobrado pelo mês inteiro mesmo se você cancelar a sua assinatura antes de terminar o mês.

Mas não se preocupe: mesmo que você cancele a assinatura, os conteúdos continuarão liberados até que o mês complete.

 

Se você tiver alguma outra dúvida que não falamos por aqui, pode ficar à vontade para entrar em contato e nos perguntar!